8 D IRECTIONAL DRILLING TECHNOLOGY AND SURVEYING
8.3 R OTARY S TEERABLE S YSTEM T ECHNOLOGY
A restrição externa manifesta-se neste modelo em dois estágios: 1) dada a política de reservas escolhida, pela existência de uma limitação ao endividamento externo sustentável, representada pela existência de uma relação passivo externo líquido (PEL) / exportações máxima dMAX149; 2) dado o impacto inflacionário das depreciações cambiais, pela existência
de um sistema de meta de inflação que limita o uso da política cambial – via elevação da relação reservas internacionais (R*) / passivo externo bruto (PEB) – e da monetária (via taxa de juros básica) para amenizar a restrição externa.
Para captar separadamente o efeito do setor petróleo sobre as transações externas convém utilizar as definições de taxa de crescimento das exportações ( ) e das importações ( ), adequadamente desdobradas entre os componentes petróleo (p) e não petróleo (np), considerando os pesos relativos desses setores nas respectivas variáveis.
O cálculo das taxas de crescimento reais das exportações e importações não petróleo é realizado aplicando-se as fórmulas típicas dos modelos de Kaldor/Thirlwall. Para tanto, utilizam-se os parâmetros , � > 0 que são, respectivamente, as elasticidades-preço da demanda por importações e exportações (em valor absoluto); � , �� > 0 que são, respectivamente, as elasticidades-renda da demanda por importações e exportações; e a variável �∗, que é a taxa de crescimento do PIB real mundial150. Diferentemente de Thirlwall,
149 Definida como aquela capaz de sustentar-se diante de qualquer contingência plausível de “parada súbita” do
crédito internacional para o país.
supõe-se, em linha com Kaldor, que as demandas por exportações e importações não petróleo possam responder às variações de preços relativos.
O comércio externo do setor petróleo é modelado da seguinte maneira, dado que ∗ e �∗ são as taxas de variação dos preços (US$) das importações e das exportações151:
, ≡ 1 + , 1 + ∗ , − 1 , ≡ 1 + � , 1 + � ,∗ − 1
de modo que e � são as taxas de crescimento real (US$ constantes) das importações e exportações de petróleo, respectivamente:
� , ≡ � , + , − � ,
onde � , é a taxa de crescimento real da demanda doméstica por petróleo, e � , é a taxa de crescimento real da produção doméstica de petróleo. A interpretação desta equação leva em conta que o crescimento da produção física petrolífera (inclusive pré-sal) estará restrito pela oferta no prazo simulado. Dado o comportamento da demanda doméstica por petróleo (local e importado), obtém-se como resíduo a taxa de crescimento real das exportações de petróleo152;
, = , −1− ê −1 − ∗, −1 + � (� , +� , − � , )
onde > 0 é o valor absoluto da elasticidade preço (doméstica e externa) da demanda por petróleo; e � > 0 é a elasticidade renda doméstica da demanda por petróleo. Ressalta-se a suposição de que a resposta das demandas (por petróleo local e importado) às variações de preços relativos ocorre com defasagem de um ano.
Para obter a taxa máxima de crescimento permitida pelo balanço de pagamentos, é preciso impor = . Utilizando as equações acima e fazendo algumas manipulações algébricas, chega-se à seguinte fórmula, onde RLE é a renda líquida enviada ao exterior:
� =
1 + ,−1 1 + �, − ,−1− 1 − � ,−1 1 + � ,∗ + , − −1− − , − ,−1 1− ,−1 1 + ∗ ,
[ ,−1(1 + ∗ ,)� + ,−1 1 + � ,∗ � 1 + ]
151 Assume-se a variação dos preços (US$) das exportações e das importações, tanto petróleo como não petróleo,
como geradas exogenamente a partir de previsões internacionais.
152Isto implica supor que o país seja um “pequeno produtor”, no sentido de que sua produção é incapaz de afetar
significativamente os preços internacionais do petróleo. O mercado internacional de petróleo absorverá, ao preço internacional vigente, qualquer quantidade de petróleo que o país se dispuser a exportar.
As maiores novidades na determinação de gBP em relação ao modelo de Kaldor são:
a) Uma maior taxa de crescimento da produção de petróleo aumenta gBP; a explicação é
simples: o crescimento mais rápido da produção de petróleo gera crescimento mais rápido das exportações do setor petróleo e, portanto, maior gBP;
b) O denominador da fração não depende apenas de uma elasticidade-preço genérica da demanda por importações, mas de uma média ponderada entre a elasticidade-preço da demanda por importações não petróleo e a elasticidade-preço da demanda específica por petróleo, ponderadas pelas taxas de variação dos respectivos preços em dólar e pelos respectivos pesos nas importações;
c) Ao invés de apenas uma taxa de câmbio real, há quatro preços relativos diferenciados cuja evolução afeta gBP: o do petróleo (diretamente); o das exportações não petróleo
(diretamente); o das importações não petróleo (inversamente); e o preço relativo doméstico entre os setores não petróleo e petróleo (inversamente);
d) Quanto menor o grau de endividamento externo prévio ( −1) em relação ao máximo
considerado seguro ( ), e quanto menor o custo do passivo externo líquido ( ∗), maior gBP.
A respeito da situação fiscal, o modelo busca analisar se a expansão da produção petrolífera e seus efeitos sobre as demais variáveis macroeconômicas (especialmente gBP)
permitirá o aumento da taxa de investimento público, dada a restrição fiscal do governo. Esta, por sua vez, é afetada 1) pela meta de superávit primário (msp); 2) pela participação do consumo governamental no PIB (cg); e 3) pelo preço relativo do estoque de capital153 (pk).
Levando em conta a restrição fiscal, a taxa máxima de investimento público será: �
= , + , − , + (1 − )( , + , − , )− � −
onde é a alíquota tributária média, é a participação das transferências do governo para o setor privado154 no PIB de cada setor (petróleo e não petróleo), e , são, respectivamente, os pagamentos de dividendos da Petrobras e das empresas financeiras
153 Calculado pelo deflator do PIB (média ponderada entre o IPCA e o índice de preços do bem de capital). 154 No caso do setor petróleo, as transferências dizem respeito majoritariamente ao pagamento de royalties do
estatais + Sistema Eletrobras ao Tesouro, enquanto e (1− ) representam os pesos do setor petróleo e não petróleo em cada período.
O valor obtido permite avaliar se os demais aspectos do cenário macroeconômico simulado (crescimento real do PIB, taxa de juros real, etc.) são compatíveis com aumento da taxa de investimento público. Permite averiguar, portanto, se, e em que medida, a política macroeconômica baseada no tripé meta de inflação + meta fiscal + câmbio flutuante administrado é compatível com o crescimento da produção de petróleo simulada.
A Figura 10 apresenta um resumo das principais relações do modelo na sua parte fiscal. No esquema adiante, representa a taxa de investimento privada necessária para manter a economia em crescimento equilibrado entre produção e estoque de capital, � consiste na razão dívida líquida do setor público/PIB, i é a taxa de juros nominal doméstica e
r é a taxa de juros real doméstica.
msp cg pk gBP i r Setor Não Petróleo tnp, dvdnp, trnp Setor Petróleo tp, dvdp, trp dg (t-1) + + - - - - + + + Ig Q MAX Ip Q N
Por fim, segue exposto a seguir (Figura 11) um resumo das principais relações causais do modelo. Ressalta-se que é apenas uma parte da modelagem completa. Em Anexo é possível consultar a tabela de variáveis e a lista de equações do modelo155.
g
BP d (dMAX) xnp π*xnp xp π*xp π*mp mp π*mnp mnpg
PP i*M Diferencial de Juros(t-1) Diferencial de Lucro (t-1) R* (t-1) ϖ (t-1) i (t-1) Outras Variáveis Exógenas Defasadas e (t-1) π (t-1) hxnp xxnp hmp, hp xmp, xp hmp, hp xmp, xp hmnp xmnp g*t + - + + + - - - - - - + + � � Xp Mp Mnp Xnp - + -Figura 11: Esquema representativo das principais relações causais do modelo.