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6. EMPIRICAL ANALYSIS

6.2 R ISK - ADJUSTED RETURNS

Segundo Papert, a palavra “instrucionismo” deve ser considerada “num nível mais ideológico ou programático, como expressando a crença de que a via para uma melhor aprendizagem deve ser o aperfeiçoamento da instrução” (1994, p. 124).

Como dito, esse conceito está na base de outro, a abordagem instrucionista. Do ponto de vista de seus atributos, essa abordagem assemelha-se à tradicional, diferenciando-se pela presença do computador no processo educativo. Assim, o ensino é baseado em aulas expositivas e prevê a subutilização37 do computador de modos variados: em processos denominados “virtualização do ensino”; em abordagens do tipo “Computer literacy”; em atividades extraclasse. Explicando melhor cada uma dessas formas, a virtualização do ensino consiste no ensino tradicional sob nova roupagem (VALENTE, 1999b), enquanto “Computer

literacy” é o nome que Valente (1993) atribui ao ensino de Computação.

No ensino de computação o computador é usado como objeto de estudo, ou seja, o aluno usa o computador para adquirir conceitos computacionais, como princípios de funcionamento do computador, noções de programação e implicações sociais do computador na sociedade. (1993, p. 1).

Divulgada nos Estados Unidos da América (EUA), a modalidade “Computer literacy” tem sido a solução encontrada por muitas escolas no Brasil para inserir o computador no processo ensino e aprendizagem. Segundo Valente (1999b), trata-se da "alfabetização em Informática".

Quando o uso do computador ocorre em atividades extraclasse, a Informática é inserida na escola sem modificar o tipo de ensino vigente.

36 PAPERT, 1994, loc. cit.

37 A subutilização é caracterizada do ponto de vista dos recursos que o computador oferece enquanto ferramenta de aprendizagem, ou seja, o computador é subutilizado quando nem todos os recursos dos quais dispõe como ferramenta de aprendizagem são utilizados (VALENTE, 1993).

Certamente, essa abordagem não se encaixa no que entendemos como informática na educação. Em geral, essa atividade extraclasse é desenvolvida por um especialista em informática, cuja função é desenvolver alguma atividade de uso do computador na escola. Essa abordagem tem sido adotada por escolas que desejam ter o computador implantado nas atividades educacionais, mas não estão interessadas em resolver as dificuldades que a inserção do computador na disciplina normalmente acarreta, como a alteração do esquema de aulas, ou o investimento na formação dos professores das disciplinas. (VALENTE, 1999b, p. 1).

Segundo o autor, “diferentes modalidades de uso do computador na educação vão continuar coexistindo” (1993, p. 6) e não se trata de substituir uma pela outra, mas de compreender que cada uma tem características próprias, vantagens e desvantagens. De acordo com Valente, o “uso inteligente” (1997, p. 21) do computador não consiste na informatização do ensino que, assim como o ensino tradicional, prepara um “profissional obsoleto” (VALENTE, 1999b). A informatização é definida pelo autor nos seguintes termos: “tanto o professor quanto o computador são proprietários do saber, e assume-se que o aluno é um recipiente que deve ser preenchido. O resultado dessa abordagem é o aluno passivo, sem capacidade crítica e com uma visão de mundo limitada. (1997, p. 21). De outro modo, o “uso inteligente” do computador na Educação é concebido por Valente como “aquele que tenta provocar mudanças na abordagem pedagógica vigente, ao invés de colaborar com o professor para tornar mais eficiente o processo de transmissão de conhecimento” (1997, p. 19).

Na abordagem instrucionista, o aluno é instruído, aprende visualizando o conteúdo “projetado” na tela, em aulas expositivas, nas quais o professor fala e o aluno escuta. A aprendizagem pressupõe, assim, um aluno passivo, “sem capacidade crítica e com uma visão do mundo de acordo com o que foi transmitido” (VALENTE, 1999b, p. 107). Pressupõe, ainda, aprendizagem sobre o computador, não com ele ou por meio dele, conforme propõe Valente (1993).

Ao tratar desse assunto, o autor salienta que a Educação não pode continuar “baseada em um fazer descompromissado, de realizar tarefas e chegar a um resultado igual à resposta que se encontra no final do livro texto, mas do fazer que leva ao compreender, segundo a visão piagetiana” (1993, p. 31).

Assim como ocorre na abordagem tradicional, na instrucionista, o professor exerce o papel de transmissor da informação. Situando-se no centro do processo, usa a tecnologia em sala de aula para facilitar a “visualização” do conceito matemático. Como exemplo, tem-se o

GeoGebra38, subutilizado em sala de aula, local em que somente o professor manipula o

software, juntamente com computador e datashow, construindo o que antes desenhava na lousa, para os alunos observarem. Nesse caso, mantém o papel de “‘entregador’ da informação para o aprendiz” (VALENTE, 1999b, p. 109).

Na Educação, o computador pode ser usado de modos distintos, como “máquina de ensinar ou ferramenta”, de acordo com Valente (1993, p. 28). A primeira opção é orientada pela abordagem instrucionista: “o uso do computador como máquina de ensinar consiste na informatização dos métodos de ensino tradicionais”39. Subutilizado, o computador pode assumir o papel de “meio didático” antes atribuído ao retroprojetor ou, ainda, de recurso para motivar, despertar a curiosidade e demonstrar fenômenos ou conceitos ao aluno. O “computador como agente motivador” pressupõe que a escola permaneça como é, sem mudança de paradigma ou de postura do professor. Quando o computador entra na escola como meio didático ou objeto com o qual o aluno deve se familiarizar, sem alterar o que acontece em sala de aula, não “é incorporado à prática pedagógica” (1993, p. 26). O autor observa que algumas características do computador contribuem para esse uso.

De acordo com Valente, existe uma tendência a manter o paradigma instrucionista, justificada por três fatores. O primeiro é de ordem histórica: educar como foi educado. O segundo consiste na falta de clareza sobre o que significa aprender. O terceiro é a falta de resultados que comprovem a efetividade educacional do paradigma construcionista. Com relação a esse último, se, por um lado, faltam resultados concernentes ao paradigma construcionista, por outro, a análise dos resultados do paradigma instrucionista é desoladora, ao indicar que “provocamos o êxodo do aluno da escola ou produzimos um educando obsoleto” (1993, p. 34).

Utilizado como meio para transmitir informação ao aluno ou informatizar o processo de ensino, o computador mantém a prática pedagógica vigente, o que tem facilitado sua implantação na escola, pois “não quebra a dinâmica tradicional já adotada. Além disso, não exige muito investimento na formação do professor” (VALENTE, 1999b, p. 1). Contudo, os resultados são questionáveis, do ponto de vista da adequação dessa abordagem à formação de cidadãos capazes de enfrentar as mudanças pelas quais passa a sociedade. Nesse sentido,

38 GeoGebra é um software de modelagem, desenvolvido em 2001, pelo austríaco Marcus Hohenwarter, professor e pesquisador da área de Informática Aplicada à Educação Matemática. É gratuito e está disponível para download na Internet, podendo ser utilizado em computadores que tenham o sistema Windows ou LINUX. Permite abordar conteúdos matemáticos, como Geometria e Funções, e visualizar, simultaneamente, diferentes representações de um mesmo objeto (representação geométrica e representação algébrica) (FEITOSA; LOPES, 2011).

Valente salienta que o ensino tradicional e a informatização do mesmo preparam um “profissional obsoleto” (1999b, p. 2).

Assim, tem-se um contexto em que a tecnologia assume o papel de meio didático, o aluno participação passiva e o professor se mantém como detentor “da informação” – não do conhecimento, uma vez que, do ponto de vista de Valente (1999b), esse último não pode ser transmitido, somente construído pelo sujeito. Nesse contexto, a avaliação, sustentada por princípios análogos aos da abordagem tradicional – portanto, priorizando o produto –, pode ocorrer pelo uso de tecnologias como um software tutorial ou de exercício e prática, que apenas testa o aprendiz, indicando o que ele sabe ou não, medindo sua aprendizagem ou rendimento pelo número de erros e acertos (alternativas corretas ou incorretas assinaladas) que apresenta ao final do processo (período letivo).