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R EVIEW OF RELEVANT INTEGRATED MONITORING FRAMEWORKS

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2   REVIEW OF RELAVANT MONITORING PROGRAMS, FRAMEWORKS AND RESULTS OF SP S  1‐3

2.2   R EVIEW OF RELEVANT INTEGRATED MONITORING FRAMEWORKS

A tese de doutoramento de Rothes (2009), pela sua actualidade e pela proximidade com o objecto de estudo que aqui propomos, tem quanto a nós, a partir da revisão da literatura já realizada, uma pertinência acrescida para a discussão que agora nos propomos levar a cabo na construção da nossa problemática. Relembramos que este autor procura compreender aquilo que designa como recomposição induzida do campo da educação básica de adultos, a partir do analisador cursos EFA e o seu olhar tem como centralidade as lógicas de apropriação local das entidades promotoras dos cursos EFA, num contexto político-institucional redefinido. A sua preocupação central gira então em torno dos modos de apropriação das políticas públicas de educação de adultos,

65 à semelhança das preocupações que demonstramos no nosso objecto. Se a nossa preocupação com os modos de apropriação está centrada nos formadores EFA e nos técnicos que trabalham nos processos de RVC, em Rothes, é a partir dos responsáveis das entidades formadoras e dos adultos, que a apropriação local dos cursos EFA procura ser percebida. Este autor formula o seu olhar teórico sobre o objecto, a partir da sociologia crítica de Bourdieu, da teoria da estruturação de Giddens, e da teoria da acção comunicacional de Habermas, mobilizando também corpus teóricos de uma sociologia dos movimentos sociais. A sua preocupação teórica inicial, que aqui partilhamos, parte da necessidade de recusa dos falsos dualismos célebres na sociologia, entre actor e sistema, estrutura e acção, objectivismo e subjectivismo e/ou entre micro e macro sociologia, e desta forma, começa por rejeitar, à semelhança dos dois primeiros autores que mobiliza, os corpos teóricos que colocam muito peso na compreensão explicativa do social, do lado da estrutura social; quer as abordagens, que colocando muita centralidade na capacidade de agir dos actores, acabam por descurar o peso das estruturas sociais. Se em Bourdieu (1980:88-89), a noção de habitus, lhe permite a ultrapassagem destas falsas dicotomias, uma vez que o habitus29 é o operador conceptual que faz a mediação entre as estruturas e as práticas sociais; Giddens com a sua teoria da estruturação (Giddens, 1989) e a sua ênfase na dualidade do estrutural (Giddens, 2000), põem em destaque o facto de a estrutura social ser ao mesmo tempo constrangente, mas simultaneamente habilitante da capacidade de agir no mundo social. Se em ambos os casos temos indivíduos com capacidade de acção e portanto, de transformação do social, podemos dizer que em Bourdieu a capacidade de acção dos agentes sociais é sempre fortemente condicionada pelo seu habitus e esta é uma sociologia mais talhada para a análise dos processos de reprodução. Toda a sociologia da educação de Bourdieu vai nesse sentido, do olhar sobre os processos educativos como mecanismos legitimadores das desigualdades sociais. Em Giddens, se a

29 Para Pierre Bourdieu (1980:88-89) a socialização caracteriza-se pela formação do habitus e é este o

operador conceptual que permite a explicação dos mecanismos de produção do social: “Os

condicionamentos associados a uma classe particular de condições de existência produzem os habitus, sistemas de disposições duráveis e transponíveis, estruturas estruturadas dispostas a funcionar como estruturas estruturantes, quer dizer como princípios geradores e organizadores de práticas e representações que podem ser objectivamente adaptadas ao seu fim sem supor a visão consciente dos fins e do domínio expresso das operações necessárias para as satisfazer, objectivamente “reguladas” e “regulares” sem ser em nada o produto da obediência a regras e, em tudo isto, colectivamente orquestradas sem ser o produto da acção organizada de um chefe de orquestra”. É a célebre trilogia, estruturas, habitus, práticas, a fórmula que permite o desenho conceptual do estruturalismo construtivista de Bourdieu.

66 reflexividade é fortemente valorizada, quer do ponto de vista institucional, quer do ponto de vista individual, os actores são encarados como portadores de consciência discursiva e consciência prática e executam um trabalho constante de monitorização reflexiva da sua acção, o peso das estruturas sociais não pode ser descurado na análise. De toda a forma, parecendo-nos importante não ignorar num primeiro momento esta discussão na problematização teórica do nosso objecto, não é este o caminho que pretendemos seguir. Se autores como Bourdieu e Giddens foram cruciais no movimento do retorno do actor (Touraine, 1984), pensamos que as suas preocupações se centram ainda bastante em torno do que Martucelli (2005) designa de uma sociologia da socialização. O primeiro centra-se numa abordagem analítica que privilegia uma sociologia disposicional que olha a produção e reprodução do social a partir da relação entre o espaço das posições sociais e o espaço das práticas sociais e parte do pressuposto de uma elevada correspondência entre estes dois espaços de relação; o segundo, pensamos que, apesar de toda a sua tónica nos actores reflexivos, dá ainda pouco espaço aos indivíduos, como actores centrais na construção dos cenários da vida social e põe ainda demasiado a tónica no papel das estruturas sociais, sentindo nós alguma dificuldade na operacionalização empírica da sua teoria da estruturação. O veio condutor da análise dos modos de apropriação dos técnicos e dos formadores EFA no âmbito dos dispositivos cursos EFA e Centros Novas Oportunidades faz-se no nosso caso a partir de uma sociologia da individuação. Se como refere Dubet (1996: 14) a crise da ideia de sociedade e a progressiva dissociação entre actor e sistema instalam-se progressivamente no universo social e se como refere Beck (1992) a evolução da segunda modernidade traz consigo um processo progressivo de individualização30 das relações sociais, pensamos que a sociologia não poderia ficar imune a um movimento desta dimensão. A sociologia centrada nos indivíduos corresponde assim a um novo olhar sociológico que remete para uma nova representação social da constituição dos laços sociais. O social perdeu a sua unidade, a sua coerência; ganhou terreno a fluidez, o risco, a ambivalência (Bauman, 2007). O social não perdeu a sua capacidade de estruturação das relações sociais, nem as estruturas sociais deixaram de exercer

30 Como refere Martuccelli (2007:74) “as sociedades contemporâneas são o teatro de um novo individualismo institucional que estandardiza fortemente, como Ulrick Beck bem o sublinhou, as etapas da vida”. Contudo, segundo Martucelli é preciso levar em conta de que este “processo não passa pelo

filtro de uma injunção única e comum de individualização, mas pelo contrário difracta-se por um número crescente de provas de diferentes tipos e natureza segundo os domínios e posições sociais. Dito de outra forma, é necessário construir operadores analíticos capazes, num só e mesmo movimento, de dar conta ao mesmo tempo de tendências simultâneas e contraditórias sobre a estandardização e a singularização”(idem: 74).

67 constrangimento sobre os indivíduos, mas estes últimos assumiram centralidade na análise sociológica da realidade social. Bernard Lahire (2003) apesar de continuar dentro do paradigma da sociologia disposicional, produz uma sociologia à escala individual, Dubet (1996) fabrica a sua sociologia da experiência31, Boltanski e Thévenot (1991, 2006) olham a pluralidade dos mundos sociais a partir da sua sociologia pragmática. É neste contexto de uma passagem do individualismo ao singularismo32 e de uma tendência de subida estrutural das singularidades, que o olhar sobre o objecto modos de apropriação do trabalho de formar adultos, nos parece ter toda a pertinência, a partir de uma sociologia da individuação tal como a concebe Danillo Martucelli (2006, 2010a).

2.2. O trabalho dos formadores de adultos no singular: A centralidade do operador

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