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R ESULTATENE AV SPØRREUNDERSØKELSEN –

In document Sikkerhetskultur i Forsvaret (sider 67-77)

5. EMPIRI

5.3 R ESULTATENE AV SPØRREUNDERSØKELSEN –

O método utilizado para a execução deste trabalho se fundamenta em uma vivência passada entre o analista e uma paciente. Desta forma entende-se que a clínica foi a chama inicial de algo que se transforma em um incêndio de questionamentos. Pensar a clínica como algo que inicia questionamentos implica valer-se do método clínico como móbil de uma percepção, isto é, encontrar em uma vivência a transformação para uma experiência.

O trabalho de um analista exige seu inconsciente, uma vez que é por meio ou a partir dele, que se inicia uma tradução analítica dessa vivência transformando-a em experiência. Assim, sua posição se apresenta como um buraco, permitindo ao paciente preenchê-lo, utilizá- lo no sentido de depositário, alvo de seu desejo. Isso só ocorrerá se o analista se apresentar com um “véu” que, cobrindo seu desejo, orienta o desejo do paciente para si, suportando daí a posição contratransferencial que entrará em jogo. (NASIO, 1999).

Surge então um paradoxo: como se situar enquanto buraco a ser preenchido pelo paciente e transformar uma vivência em experiência? O que entendemos é que o analista tem que se manter móvel e mobilizante, isto é, permanecer como fomentador. Berlinck (2008) aponta que esta posição “ocorre, decerto, que deve mover-se para agir sobre o paciente, mas como agente”. A posição do analista se aproxima, então, de agente, de combustível.

Mas também é destinado à clínica um objetivo: há algo que se deve alcançar. Neste sentido há uma ética, a experiência clínica não é natural, ela não se abstrai de uma direção. Ela é, como diz Lacan (1998) em “A direção do tratamento e os princípios de seu poder”, uma política sem governo, isto é, uma ética sem partido. Essa ética propõe em uma escuta de algo que não se espera encontrar, mas que se escuta naquilo que surge do ato falho, do sonho e de outras manifestações do inconsciente.

Disto se obtém uma direção, uma busca por uma verdade que está para além de uma teoria. Almejar esta verdade só é possível com uma esperança, esperança no sentido de espera, espera de uma concepção desta verdade, concepção entendida tanto como posição de entendimento quanto geração e parição de algo novo. Daí nasce uma experiência.

Assim sendo, o método clínico é uma tentativa de ambos – analista e paciente – de transformação de uma vivência, que se dá transferencialmente, para uma narrativa de seu sofrimento, ou seja, de uma experiência psicopatológica.

Portanto, o pressuposto básico e inexorável do método clínico é a singularidade, a subjetividade, acreditar na existência de um ser único. Assim, aceitar e utilizar o método clínico é inevitavelmente ter pela frente algo inédito, algo que nunca se encontrará em nenhuma teoria, posto que é sempre o encontro com um ser único.

Estar como um buraco sobre o qual o preenchimento se dará pelo desejo do paciente é poder estar disponível para ocupar um lugar na fantasia do paciente, fantasia sempre singular e nunca estática. O método clínico, então, pode desenvolver uma metapsicologia desde que o clínico busque a constituição da fantasia, compreendendo como e por que ela se constitui.

Desta forma, o método clínico surge somente a partir do momento em que a singularidade se revela. O método clínico, para se constituir enquanto método, necessita de um evento, de um acidente, de algo que ocorra em um encontro clínico e que ponha em xeque a teoria.

Quando Freud anuncia ao mundo sua descoberta, isto é, quando ele apresenta os mecanismos que regem as ações inconscientes, não é mais possível a uma psicopatologia seguir o caminho proposto por Kant. O essencial da teoria freudiana não é a descoberta do inconsciente propriamente dito, mesmo porque desde a Grécia Antiga, e mesmo Kant, concebiam a ideia de uma parte obscura da mente humana. O essencial da teoria freudiana é ter desenvolvido um método de compreensão da parte obscura da mente humana. O método clínico é o método desenvolvido por Freud.

Desta forma a Psicopatologia Fundamental e a Psicanálise se orientam e avançam utilizando um mesmo espaço compartilhado, qual seja, o método clínico. Entende-se isso de acordo com Berlinck (2008):

A descoberta do inconsciente freudiano como manifestação do pathos e como algo que surge da violência primordial, bem como a consequente metapsicologia que é conhecida por psicanálise é a casa mais confortável existente na contemporaneidade para a Psicopatologia Fundamental. (p. 24)

O método clínico, então, está na base de toda metapsicologia, e isto se dá ao transformar uma vivência em uma experiência, um sofrimento em um discurso mito-poiético epopeico que, por ser experiência, como tal, é terapêutico.

Ainda delimitando as características propostas no método clínico, deve-se distinguir relato de caso e caso clínico. O relato de caso, ferramenta valiosa no sentido de se observar os caminhos seguidos em uma prática já concebida, volta sua atenção para a percepção consciente do ocorrido, mantém-se na posição do historiador na Grécia Antiga, ou seja, relata o que se viu. O caso clínico, entretanto, se insere em uma clínica da escuta levando em conta fenômenos para além dos observáveis pela consciência. Nesse sentido, o caso clínico provoca a verdade de uma construção.

O caso clínico é uma construção do clínico, portanto, é uma ficção. Ficção, pois se volta a uma vivência clínica pática e solicita uma construção. O caso clínico é a vivência clínica solicitando uma metapsicologia; é a psicopatologia do clínico. Em um caso clínico há uma vivência transformada em experiência: ao paciente um discurso mito-poiético epopeico, ao clínico uma metapsicologia, pois o pathos que afeta o paciente também incide no clínico e assim pode se tornar experiência para ambos.

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