PAPER 3: EARNINGS QUALITY IN FAMILY VS. NON-FAMILY PRIVATE FIRMS: EVIDENCE FROM
2.3 Socioemotional Wealth Theory and the Reporting of Impairments
agricultores, devia ser providenciada a indenização e a remoção dos mesmos. Após o leilão, determinou-se que a área deveria ser entregue à FUNAI, até fevereiro de 2002.
A concessão do
empreendimento foi outorgada pelo Decreto de 15 de outubro de 2001, e o contrato que garante a exploração por 35 anos, passíveis de renovação, foi assinado em 07 de novembro de 2001, entre ANEEL e Consórcio Energético Foz do Chapecó (CEFC), formado pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) (40%) e Foz do Chapecó Energia S.A. (60%) - formada pela CPFL e CEEE. A energia gerada poderá ser comercializada ou utilizada pelos integrantes do consórcio, por os mesmos serem considerados produtores independentes (ANEEL, 2001).
A empresa obteve a Licença Prévia (LP) em 12 de dezembro de 2002 e a Licença de
Foto 7 - Área onde está sendo construída a hidrelétrica Foz do Chapecó
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Instalação (LI) em 21 de setembro de 2004174, prevendo-se sua entrada em operação em 2008. Porém, o início da obra não ocorreu na data do planejamento inicial, pois a LI foi renovada em 05 de dezembro de 2006 e as atividades no canteiro de obras se iniciaram no mesmo mês, com mudanças nas empresas que formavam o consórcio. O novo consórcio responsável pela concessão do AHE Foz do Chapecó passou a ser formado pelo grupo CPFL, detentor de 51% das ações, FURNAS (empresa estatal), com 40% e a CEEE, com 9%175.
4.3.4.1. Os atingidos e sua organização
De acordo com o Cadastro Sócio-Econômico concluído em outubro de 1999, e revisado em julho de 2002, serão 1.516 propriedades afetadas pelo AHE Foz do Chapecó, somando um total de 2.474 famílias176. Do total das famílias atingidas, 71,8% são proprietárias das terras, enquanto 28,2% não são proprietárias e se encontram em situação de agregado, arrendatário, meeiro, posseiro etc. Ali residem descendentes de índios, negros e migrantes italianos, alemães e poloneses. Na área que fará parte do reservatório do AHE Foz do Chapecó predominam as pequena propriedades, caracterizadas pelo uso intensivo da força de trabalho humano, e, em apenas 5,46% destas, é utilizada a mecanização agrícola. A produção agrícola é predominante, ocupando 44,44% da área, sendo o restante com cultura permanente (10,89%), pastagem e potreiro (29,84), reflorestamento (7,42%) e as demais áreas não estão sendo utilizadas. A criação de frangos e suínos no modelo integrado se faz presente na área. Também, segundo o Cadastro Sócio-Econômico, o empreendimento não atingirá nenhuma área indígena, mas ficará muito próximo de 9 Terras Indígenas177, o que representa um fator de pressão sobre os mesmos, principalmente no período de construção da obra (DESENVIX/ENGEVIX, 2000).
A organização inicial dos atingidos na região Oeste e Extremo-Oeste do rio Uruguai
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O IBAMA desconsiderou parecer do órgão ambiental do estado de Santa Catarina (FATMA), de 22/11/2002, que se manifestava contra a liberação da LI, avaliando a insuficiência de informações nos estudos realizados no EIA/RIMA. Um parecer da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ), também alegava inconsistência do RIMA.
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O novo consórcio se formou levando em consideração as Parcerias Público-Privado (PPP). Em 2007, o consórcio foi extinto, dando lugar a uma Sociedade de Propósito Específico devido a exigências contratuais do BNDS.
176 O MAB Foz do Chapecó contesta esses números dizendo que serão aproximadamente 3.500 famílias
atingidas (Dossiê UHE Foz do Chapecó, 01 de fevereiro de 2007).
177 Terras Indígenas são áreas ocupadas pelos índios e por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas
para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários ao seu bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional (Art. 231 da Constituição Federal).
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ocorreu ainda na década de 1980, quando foi noticiado o projeto da construção das barragens no rio Uruguai, e se formaram as regionais R2 – Itapiranga e Iraí -, e a R4 – Chapecó e Chapecozinho - da CRAB. Inicialmente, planejava-se construir a barragem de Iraí a alguns quilômetros a jusante de onde se localiza a atual Foz do Chapecó, que atingiria uma área muito maior, incluindo duas cidades localizadas no estado de SC (São Carlos e Águas de Chapecó) e vários balneários de águas termais que são comuns na região. Posteriormente, cogitava-se em construir a barragem mais a montante do projeto inicial, não mais atingindo a cidade de São Carlos e apenas Águas de Chapecó. No final de 2006, a obra começou a ser construída no local conhecido localmente como Saltinho do Uruguai, mais a montante das duas áreas previstas anteriormente para construção, não inundando nenhuma cidade.
A organização, enquanto CRAB, foi muito influenciada por representantes da Igreja Católica e Luterana (Foto 8), com a participação, em alguns momentos, de professores da FAPES para ministrarem cursos e/ou palestras. Nesse período, as ações na região eram intensas, e envolveram a expulsão dos técnicos da Eletrosul, a arrancação de marcos indicativos colocados pela empresa e a colocação de cruzes no local178. Foi organizado, também, o Festival Regional da Canção Contra as Barragens, que ajudava a ampliar o debate e envolvia mais os jovens, principalmente pelas Pastorais, tanto da Igreja Católica como da Luterana179. O Festival ocorreu em várias cidades da região e mobilizou um grande número de pessoas.
Na década de 1990, pouco se falava sobre barragens na região. Mantinha-se uma coordenação, que se reunia a cada 2 ou 3 meses, mas as ações dos atingidos se davam quando
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F.I.K (na época pároco na cidade de Caibi/SC) diz que, em outubro de 1985, foi realizado o 1º Dia Nacional contra as Barragens e que, no final da missa, em uma comunidade atingida, saíram em procissão por aproximadamente 1 km até próximo ao rio Uruguai, e arrancaram dois marcos indicativos, colocados pela Eletrosul.
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Na época, destacavam-se a Pastoral da Juventude Rural, a Pastoral da Juventude Estudantil e Urbana (Igreja Católica) e a Pastoral Popular Luterana.
Foto 8 - Cruzes colocadas em dois momentos da luta dos atingidos