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Também nesta mesma linha de raciocínio, quanto a definir que a Governança da TI e seu sucesso de implementação está intimamente ligado a uma estrutura de decisão bem defi- nida, estão a série de trabalhos dos pesquisadores Peter Weill e Jeanne Ross, mencionados no sub-capítulo 1.2, além de seu livro de 2006 (WEILL; ROSS, 2006).

A definição, desses mesmos autores que está apresentada no sub-capítulo 1.2.1.2, será a que fundamentará essa dissertação pela sua extrema adequação ao tema.

holders) e a estreita inter-relação direta da Governança da TI e a Governança Corporativa para adequação quanto ao atendimento de metas estratégicas corporativas de forma mais efi- caz. A Figura 5 apresenta graficamente esta visão de Weill & Ross (2006).

Figura 5: Visão do inter-relacionamento entre a Governança Corporativa e Governança da TI (WEILL; ROSS, 2006)

Esse modelo organizacional, apresentado na Figura 5, também foi avaliado quanto à sua correspondência nas organizações que foram pesquisadas no campo, durante o processo de execução das entrevistas para o levantamento das informações sobre os questionário do Anexo 1.

Weill & Ross (2006) aprofundaram os seus estudos e pesquisas quanto aos processos decisórios nas Organizações focados na área da TI e apresentaram arquétipos de gestão base- ados nos níveis de hierarquia, de poder e de delegação de alçada na estrutura de tomada de decisão quanto aos assuntos estratégicos da TI.

Passam também, o conceito que idealmente toda a empresa envolve líderes, tanto de TI como de negócios, no processo de governança e as estruturas de tomada de decisão são a abordagem natural para gerar comprometimento embora, afirmem, que alguns executivos tenham notoriamente se livrado das responsabilidades pela Governança da TI (WEILL; ROSS, 2006).

Estes pesquisadores, para avaliar as alternativas de modelos de governança, se basea- ram na forma como as decisões são tomadas e identificaram 3 tipos de questionamento que precisam ser respondidos para direcionar o estabelecimento de uma eficaz Governança da TI (WEILL; ROSS, 2006).

Pergunta 1: Quais as decisões que devem ser tomadas para garantir a gestão e uso eficaz da TI?

Pergunta 2: Quem deve tomar estas decisões?

Pergunta 3: Como estas decisões serão tomadas e monitoradas?

Na pergunta 1 (“quais”), Weill & Ross (2006) definem, dentro do seu modelo proposto para a Governança da TI baseada nos processos decisórios, quais seriam os assuntos estratégi- cos que deveriam ser decididos pelos arquétipos de gestão que eles propõem.

Em suas pesquisas eles descobriram que diferentes arquétipos podem estar presentes em diferentes assuntos estratégicos (também chamados de "decisões-chave").

Assuntos estratégicos, definidos pelos autores em 5 domínios, são os seguintes

1. Princípios de TI. Este assunto estratégico esclarece o papel da TI no negócio, ou seja, define como a TI irá contribuir para a realização da estratégia competitiva da empresa. Se a estratégia for "liderança em custo", a TI deve aprimorar (ou implantar) uma arqui- tetura de TI que reduza o custo da operação do negócio.

2. Arquitetura de TI. Este assunto estratégico define os requisitos de integração e padroni- zação para o ambiente da TI visando atender a este requisito. Se existem usuários cujo trabalho exige mobilidade, estes devem ter acesso somente a dados e informações de uso operacional necessários para as tarefas fora da empresa.

partilhados e de suporte oferecidos pela TI. Se usuários quiserem comprar produtos fora do portfólio mantida pela TI e apoiada pelos fornecedores (“vendors”) em cada tecnolo- gia, estes podem fazê-lo, mas não terão suporte da área de TI.

4. Necessidades de aplicação de negócios. Este assunto estratégico especifica a necessida- de comercial de aplicações de TI compradas ou desenvolvidas internamente. Se for ne- cessário para o negócio, a rede corporativa deve ser capaz de prover acesso a um grande conjunto de aplicações essenciais para a entrega de serviços consistentes.

5. Investimentos em TI. Este assunto estratégico escolhe quais iniciativas financiar e quan- to gastar. Se for necessário algum recurso, deve-se sempre comprar antes de construir e, ao comprar, fazê-lo com um mínimo de customizações.

Para a pergunta 2 (“quem”), na seqüência do seu modelo para a Governança da TI ba- seado nos processos decisórios, Weill & Ross (2006) propõem a classificação dos seus arqué- tipos de gestão forçadamente com nomes políticos e burocráticos, baseados no processo de tomada de decisão, que seriam:

1. Monarquia de negócio. Neste arquétipo de gestão, as decisões são tomadas fora da área de TI e sem seu envolvimento (pode haver contribuição de outros arquétipos, mas não decisão). Os altos gerentes são os responsáveis por este processo decisório.

2. Monarquia de TI. Neste arquétipo de gestão, as decisões são tomadas dentro da área de TI e sem o envolvimento de outras áreas (pode haver contribuição de outros arquétipos mas não decisão). Este processo decisório é conduzido por especialistas de TI.

3. Feudalismo. Neste arquétipo de gestão, as decisões são tomadas localmente e aplicadas regionalmente sem participação de outras unidades de negócio da “Federação” contrari- amente ao arquétipo posterior (pode haver contribuição de outros arquétipos, mas não decisão). Os responsáveis por cada unidade de negócio tomam decisões independentes. 4. Federalismo. Neste arquétipo de gestão, as decisões são tomadas centralizadamente e

aplicadas em todas as unidades de negócio da “Federação”, contrariamente ao “Feuda- lismo” do arquétipo anterior (pode haver contribuição de outros arquétipos, mas não de- cisão). Há uma combinação entre as decisões da sede corporativa e as unidades de ne- gócio (com ou sem o envolvimento da área de TI).

5. Duopólio. Neste arquétipo de gestão, as decisões são tomadas conjuntamente por mais de 1 arquétipo para um mesmo assunto estratégico (pode haver contribuição de quais- quer outros arquétipos, mas a decisão é tomada pelos definidos no “duopólio”). Poderia, neste caso, ser o grupo de TI e algum outro grupo (a alta gerência ou líderes de unidades de negócio).

6. Anarquia. Neste arquétipo de gestão, não há arquétipo de decisão que possa ser identifi- cado (pode haver contribuição de quaisquer outros arquétipos e decisão também de qualquer arquétipo). As tomadas de decisões são individuais ou executadas por peque- nos grupos de forma isolada.

Na Figura 6, é apresentado o mapeamento de como o processo decisório está fluindo na organização, voltado para Governança da TI, possibilitando uma análise mais precisa e conseqüente avaliação de proposição de melhorias visando maior eficácia e resultados.

PRINCÍPIOS ARQUITETURA INFRA-ESTRUTURA APLICAÇÕES INVESTIMENTOS

Assuntos

Arquétipos Nível Contrib. Decisão Contrib. Decisão Contrib. Decisão Contrib. Decisão Contrib. Decisão Monarquia de negócio Monarquia de TI Feudalismo Federalismo Duopólio Anarquia

Figura 6: Avaliação do arquétipo de processo decisório TI (WEILL; ROSS, 2006)

Essa tabela, apresentada na Figura 6, foi preenchida durante o processo de execução dos levantamentos nas empresas pesquisadas no campo e consta do questionário do Anexo 1.

Para a pergunta 3 (“como”), como ferramenta para a resposta prática deste questiona- mento, é definida a criação de comitês, conselhos, grupos, etc. que possam ajudar o processo de tomada de decisão e dividir o grau de responsabilidade (possivelmente para torná-los viá- veis) em alguns assuntos estratégicos de maior importância.

O framework apresentado na Figura 7 apresenta a interação necessária entre a estrutu- ra definida pelos pesquisadores com os outros processos corporativos da organização, visando o alinhamento desta forma de tratamento da Governança proposta com o negócio-fim (essên- cia conceitual deste modelo dos autores).

Figura 7: Modelo de Weill & Ross (2006) focado na Governança da TI

Weill & Ross (2006) pesquisaram 256 empresas em 23 países aplicando nestas empre- sas o questionário de avaliação (assessement) que avaliou o retorno prático dos seus processos da Governança da TI para as organizações. Na Figura 8, é mostrada a estrutura desse questio- nário e sua forma de apuração das respostas. A análise das respostas referentes a esse levan- tamento é apresentado na Figura 9.

Figura 8: Avaliação do Retorno da Governança da TI (WEILL & ROSS, 2006)

Esse quadro de respostas, apresentado na Figura 8, foi questionado no campo de pes- quisa e está apresentado no questionário do Anexo 2.

Figura9: Pesquisa em 256 empresas de 23 países (WEILL & ROSS, 2006)

Weill & Ross (2006) buscaram também a informação de qual arquétipo de Governan- ça da TI, segundo as suas definições, a empresa pesquisada se enquadraria e como estava flu- indo os níveis de decisão no plano da contribuição e da decisão pelos 5 assuntos estratégicos dentro do processo decisório (conforme a Figura 6). A análise das respostas, dos 2 levanta- mentos, possibilitou-lhes comparar as empresas e gerar um cruzamento na sua avaliação-final.

Na seqüência desta avaliação-final, Weill & Ross (2006) descobriram que as empresas com pontuação acima de 74 pontos tinham um resultado empresarial maior que as outras pela vertente do crescimento ou pela vertente do lucro. Desta forma, pela constatação do modelo de arquétipo de Governança da TI em que estas se enquadravam, os autores puderam dizer que um seria mais eficaz que um outro para uma determinada tipificação de empresa.

Foi objeto, também desse trabalho, a apuração desta pontuação em empresas brasilei- ras, para levantar se estas também estavam com uma pontuação acima de 74 pontos de avalia-

5. FRAMEWORKS PARA SUPORTE À IMPLEMENTAÇÃO DA