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R EISELIVSNÆRING

Neste capítulo serão apresentadas as principais conclusões obtidas com a realização deste estudo.

Mais de metade dos inquiridos, assume que, por vezes, quando vai às compras de bens alimentares, compra produtos que não tinha pensado comprar antes de entrar no supermercado. Neste ponto é realçada uma certa impulsividade por parte das camadas mais jovens. Apurou-se contudo, que a amostra está mais comedida quanto à compra de produtos que não tencionava comprar antes de entrar na loja. É possível descortinar uma certa tendência para uma maior racionalidade na compra.

Verifica-se que metade dos inquiridos, por vezes, quando vai às compras compra produtos novos. Também aqui se nota uma ligeira tendência para uma maior impulsividade nos responsáveis pelas compras para o lar mais novos. Não se registam grandes alterações relativamente à compra de novos produtos face há 3 ou 4 anos atrás. Verifica-se no entanto, que o número de adotantes iniciais e inovadores diminuiu.

Grande parte da amostra fica, hoje em dia, mais vezes com pena de não trazer alguns produtos quando estes são caros. São as mulheres quem mais se queixa desta situação. Mais de metade da amostra diz que pensa mais hoje em dia, antes de concretizar a compra de um produto e pensa mais vezes se precisa efetivamente dele. Uma parte da amostra sente mais remorsos hoje em dia, quando compra algo que não estava a pensar comprar. Da amostra total, 36% faz menos compras sem pensar e pouco mais de metade consegue resistir mais vezes ao impulso de comprar certas coisas que não são efetivamente necessárias.

A lista de compras é utilizada sempre por 1/3 da amostra, sendo que pouco mais de 1/3 nunca utiliza a mesma, para a realização das suas compras. As mulheres utilizam mais a lista de compras do que os homens, tal como as classes sociais que menos a utilizam são as classes sociais mais baixas. Apurou-se que parte da amostra alterou o seu comportamento, passando a utilizar lista de compras ou passando a utilizá-la mais vezes do que antes, o que demonstra um maior cuidado no planeamento das compras.

78 Quanto à perceção da crise económica, a maioria da amostra pensa que estamos realmente em crise, sendo que 1/5 dos inquiridos afirma mesmo que “estamos em crise e não há volta a dar, o país não vai conseguir sair do buraco”. A maioria pensa também que muitos dos residentes na Grande Lisboa já sentiram o efeito da crise. No que diz respeito à perspetiva dos respondentes sobre a crise económica no futuro, a maioria considera que a mesma irá melhorar, ou pelo menos tem esperança que isso venha a acontecer. Como os mais pessimistas quanto ao futuro apresentam-se os da faixa etária 18-24 anos e a classe social A/B.

Verifica-se uma certa tendência para a desvalorização das marcas, com parte da amostra a deixar de comprar certos produtos de marca que habitualmente adquiria.

A maioria da amostra hesita mais hoje em dia, no momento da compra, por causa do preço dos produtos. Constata-se que uma minoria passou a comprar menos produtos junto à caixa, verificando-se mais uma vez, um certo aumento da racionalização da compra. A maioria continua a comprar produtos para se “mimar” a si próprio, como batatas fritas, chocolates, snacks, entre outros, verificando-se que 1/5 da amostra passou a fazê-lo menos vezes, sendo de salientar que a classe social onde mais se verifica a diminuição da compra desses “mimos” é a classe social A/B. Relativamente à compra de “mimos” para alguém, os resultados são idênticos.

Grande parte da amostra considera que as promoções e os descontos influenciam mais as suas compras hoje em dia, sendo a classe social A/B aquela onde maior número de respondentes foi desta opinião. No que diz respeito à oferta de produtos (Pague X Leve Y), mais de metade da amostra considera que são mais influenciados hoje em dia por este tipo de campanha, registando-se novamente a classe A/B como aquela onde um maior número de inquiridos afirma que estas campanhas os influenciam mais hoje em dia.

É possível dividir a amostra em estudo em 3 clusters: os Racionalistas, os Impulsivos e os Culpados. Os Racionalistas não sentem culpa com a compra porque são extremamente racionais e não são influenciados nem por fatores externos nem por fatores pessoais. Por sua vez, os Impulsivos encontram nas compras alimentares uma forma de satisfação e são por vezes influenciados por fatores externos e pelas suas caraterísticas pessoais. Finalmente os

79 Culpados, sentem culpa quando compram em demasia, não são no entanto, influenciados pelo meio envolvente, mas podem-se deixar levar pelo seu bom humor.

Verifica-se que os 3 clusters identificados não apresentam alterações face à perceção da crise. A literatura afirma que a idade faz diminuir a tendência para a impulsividade e apurou-se também, no que diz respeito à crise, que num dos fatores, a idade faz aumentar ligeiramente a perceção do impacto negativo da crise sobre as compras por impulso.

Constata-se que a perceção negativa do impacto da crise aumenta o grau de autocontrolo sobre a realização de compras por impulso, para diversos fatores como: a hesitação no momento da compra por causa do preço, o facto de a amostra pensar mais antes de comprar um produto e pensar se efetivamente precisa dele, o comprar menos “miminhos” para si e acontecer-lhes menos vezes comprarem mais produtos do que pensavam. Diminui também a compra de produtos por impulso.

Conclui-se que à medida que aumenta a perceção do impacto da crise, se verifica uma menor influência dos amigos, constatando-se neste fator, uma ligeira diminuição da relevância da influência social. Por outro lado, no que diz respeito aos símbolos de identidade para valorização da expressão da imagem, provou-se que os inquiridos apresentam uma preocupação ligeiramente maior, hoje em dia, com as marcas dos produtos que colocam na mesa quando fazem jantares com amigos, verificando-se pelo contrário um preocupação ligeiramente menor com o facto dos produtos que consomem em sítios públicos serem de marca própria.

A perceção negativa do impacto da crise aumenta ligeiramente a influência nas compras por impulso das promoções, dos descontos e de ofertas (Pague X Leve Y), não se verificam no entanto relações nem ao nível do merchandising nem da comunicação no ponto de venda. Quanto à investigação sobre o grau de planeamento das compras, apenas se verifica a existência de relação entre a “opinião sobre a crise económica no futuro” e o grau de planeamento das compras, verificando-se que à medida que a perceção sobre a crise económica se torna mais negativa, maior é o grau de planeamento das compras, para este fator.

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