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4. HVALFANGSTNÆRINGENS KAMP FOR Å STANSE SOVJETUNIONENS OG JAPANS

4.7 R EGJERINGENS NEI TIL NORSK OPPSIGELSE AV KONVENSJONEN

O desenvolvimento de trabalhos voltados ao tema da imigração/migração tem atentado a percebê-las não somente como um fato social que cria um movimento dinâmico e constante entre origem e destino, mas também, como fatos que criam enraizamento nos lugares de acolhida e, consequentemente, a expansão da permanência de sujeitos sociais a partir de gerações posteriores169.

Tratar do tema de gerações entre os cearenses surge da necessidade de perceber a forma que estes sujeitos articulavam valores relacionados à identidade, à família e ao casamento com o passar do tempo. Na verdade, pensar o desenvolvimento deste tópico surgiu de minha experiência ao tentar analisar como as gerações circulavam tais valores, ou melhor, como eles estavam inscritos nas vivências destas pessoas, além, dos conflitos e diferenças surgidos da interação geracional.

A categoria geração se constrói em oposição à medida que estudar ou pesquisar gerações, ainda que se escolha como objeto central uma geração ou categoria geracional, se apresenta insuficiente à perspectiva sem a referência às relações com as outras gerações e às condições sociais em que elas estão se dando. As gerações, como as classes sociais, não se encontram isoladamente, mas em referência mútua, contraposição

168 FONSECA, 2004, p.50-51.

169 Representando tais preocupações estão presentes nos textos de JARDIM, Denise Fagundes.

“Identidade étnica e recriação das tradições entre os migrantes de origem palestina no extremo sul do Brasil”. Campos 2, 2002; VITAR, op. cit e MACHADO, Fernando Luís. MATIAS, Ana Raquel. Jovens

descendentes de imigrantes nas sociedades de acolhimento: linhas de identificação sociológica. In:

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e até oposição umas às outras: uma geração é, ou torna-se, aquilo que o jogo de relações com as outras permite170.

Para tal propósito os interlocutores foram divididos em três gerações a partir do processo migratório. Assim sendo, a primeira geração se formaria pelos próprios migrantes vindos do Ceará entre os anos de 1951 e 1958; a segunda geração compreende os filhos desses migrantes nascidos ou não no Ceará, mas são frutos deste processo de deslocamento; por fim, a terceira geração consiste nos filhos dos filhos dos primeiros migrantes nascidos no Estado, ou seja, netos da primeira geração.

Vale ressaltar que, neste caso, pensar geração não consiste em estabelecer critérios de idade, mas perceber troca de experiências e afinidades que constituem escalas geracionais a partir do processo migratório. Neste sentido, importa entender que os indivíduos que vivenciam a mesma contemporaneidade experimentam as mesmas experiências culturais que os moldam, decorrente, portanto, de sua situação político- social. São, desta forma, pertencentes a uma mesma geração porque suas influências são unitárias. A contemporaneidade atesta a disseminação de influências similares171.

Faz-se necessário aclarar que as gerações, por ora tratadas, não são percebidas como estamentos, mas como experiências, ou seja, um conjunto de experiências vividas que une pessoas em suas relações sociais. Desta maneira, há de se levar em consideração que o movimento de entrada em patamares geracionais depende, muito mais, da aquisição de uma maturidade do que da classificação etária172.

Nesse sentido, além de pensar a geração a partir do ponto de origem, ou seja, em decorrência do processo migratório, é preciso pensar, também, no aspecto que a interação geracional assume no meio das relações familiares, neste momento, há de considerar o conceito de geração de forma ainda mais elástica173.

170 BRITO DA MOTTA, Alda. O par relutante. Trabalho apresentado nº13 CISO: Encontro de Ciências

Sociais do Norte e Nordeste em Maceió, 3 a 6 de setembro, 2007.Cd ROM.

171 MANNHEIN, Karl.

El problema de las geraciones. In:

http://www.reis.cis.es/REISWeb/PDF/REIS_071_072_07.pdf

172 DEBERT, G. G. A reinvenção da velhice: socialização e processos de reprivatização do

envelhecimento. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, Fapesp, 1999.

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Ao tratar, neste trabalho, sobre família e casamento, ou melhor, sobre como valores relacionados a estas questões permanecem no grupo mesmo que um processo de fixação na cidade já se encontre estabelecido, fez com que me sentisse impelida a mirar os detalhes de fotografias borradas pelo tempo, ou mesmo pelas relações, e atentar para as dinâmicas que obedeciam à lógica do casamento e da hierarquia familiar.

Assim, foi necessário pensar geração a partir de dois sentidos. De um lado relacionada e ativada pelo processo migratório responsável por conectar valores e englobar as pessoas em processos históricos comuns, ou melhor, estar mais próximo ou mais distante de um dado acontecimento; por outro lado, pertencer a uma geração está relacionado a viver/estar em uma condição, ou seja, compartilhar determinadas experiências relacionadas ao casamento e constituição de unidade familiar. Neste último sentido, o que se torna pertinente consiste em vivenciar uma experiência e, desta forma, acaba por unir pessoas de diferentes gerações.

Partindo do processo migratório pode-se entender a primeira geração como aqueles que a partir do deslocamento possuíam ou formaram unidades domésticas. Neste grupo, estão casais que vieram com filhos - como Dona Margarida e Dona Tereza – ou homens solteiros que casaram ao longo do processo de sua fixação na cidade, caso de Seu Antonio e Seu Damião174.

“Eu vim trabalhar, vim solteiro, quando consegui algum trocado fui no Ceará para casar. Ela era moça de família, não estudava e ficava em casa ... Casei e nós viemo pra cá, porque aqui eu já tinha meus negócio”175.

A decisão de migrar aparece, nesta geração, como uma vontade masculina. As mulheres figuraram como acompanhantes de seus conjugues176. O trabalho no comércio é característico para os homens, com o início da atividade de mascate. A maioria das narrativas mostra difíceis condições de vida, número elevado de filhos e, por parte das

174 JARDIM, 2009, op.cit.

175 Seu Antônio, anotações de campo em 26/08/2007.

176 Visão da migração como uma experiência masculina é criticada por Barral, segundo ela, os estudos

tem privilegiado o processo migratório como uma experiência de homens, em geral solteiros, a presença feminina quando aparece está relacionada a uma decisão do marido. BARRAL. Ana Inés Mallimaci. “Nuevas miradas. Aportes de la perspectiva de género al estudo de los fenómenos migratórios. In: COHEN, Nestor y MERA, Carolina (comp). Relaciones intercuturales: experiencias y representación

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mulheres, histórias atreladas à perda deles. Desta geração pertencem narrativas da migração, o domínio da memória sobre a chegada do grupo ou o que pode figurar como memória coletiva.

Para esta geração, o casamento era considerado a finalidade única, quem veio solteiro, logo providenciou casar. As relações entre as famílias garantiam os espaços de sociabilidade para as mulheres. As narrativas de fixação envolvem um fortalecimento dos laços familiares que englobam parentes tanto em Santarém, quanto no Ceará. As mulheres são donas de casa, o trabalho fora é exclusividade dos homens e o controle do orçamento doméstico também. Família e conterraneidade se misturam, embora tenham domínio das árvores de parentesco.

Já a segunda geração compostas pelos filhos de migrantes, uns vieram com pouca idade durante a migração e outros nasceram na cidade, cresceu em meio à diferenciação com os paraenses. Por isso, apresenta em suas narrativas uma segregação de espaços de sociabilidade. O casamento também é um fim, porém, não se discute a possibilidade do casamento fora da homogamia. O trabalho é comum para homens e mulheres. A partir desta geração, as mulheres passam a trabalhar fora do ambiente doméstico, isso ocorre muito em função da necessidade de ajudar no sustento da casa tanto antes, quanto depois do casamento. A busca por novas oportunidades de trabalho, ou mesmo de possuir seu próprio negócio, movimenta esta geração.

“Depois de uns anos de casado nós fomos para Castanhal, trabalhar com o irmão dele177.

“Morei em Itaituba, no garimpo e em Bragança, tudo por causa de trabalho”178.

“Nós já moramos em outros lugares para tentar a vida, sem contar as mudanças de bairro. Basta aparecer a oportunidade que nós estamos lá”179.

Na maior parte dos casos o casamento implica uma migração em busca de novas oportunidades de trabalho, mas também, requer o retorno para Santarém. Na escolaridade possuem, quando muito, o nível médio. No entanto, empenham-se na

177 Entrevista com Júlia em 12/07/2007. 178 Entrevista com Ana em 02/08/2008. 179 Entrevista com João em 08/07/2007.

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formação superior dos filhos. Para esta geração, o casamento exige que as relações sociais e de sociabilidade se restrinjam a família. Percebem diferença entre a família

cearense e a família paraense, atribuem isso a educação recebida, tal diferenciação

estaria no processo de educação de homens e mulheres e nos valores que representam. Este processo pedagógico seria responsável pelo “êxito” das relações conjugais garantindo identidade ao grupo.

Tanto homens, quanto mulheres trabalham no comércio. Em geral, cada qual possui sua loja. Educam ou educaram seus filhos na diferença entre os paraenses e

cearenses, mas buscam a integração deles na sociedade.

Na terceira geração o conflito de identidade aparece evidente, pois, entendem a existência dele, as bases de sua diferença, mas buscam mecanismos para acioná-lo. Nesta geração prevalecem o sentimento de pertencimento a uma cidade – Santarém -, porém, a identificação com o grupo – cearense180. A busca pela formação em nível superior faz parte da diferenciação geracional, em muitos casos, esses são os primeiros membros da família a ingressarem em uma universidade para conseguir a titulação dada pela educação superior.

A relação dos pais com filhos na escalada pela formação superior cresce reforçada pela ideia deles fincarem os pés como profissionais liberais181, obrigando alguns a saírem da cidade, buscando vagas nas universidades de outros centros urbanos - como Belém, Manaus, Fortaleza ou São Paulo. Beatriz Vitar ao estudar imigrantes árabes na Argentina mostra que a relação entre as gerações pode ser percebida a partir do processo de ascensão socioeconômica dos mesmos. Segundo a autora, a fixação no país de acolhida somada a ascensão econômica torna a educação como objetivo final. Assim, a percepção de que o processo de estabilização deles mostra a escolaridade como um processo crescente182.

180 Processos de identificação são discutidos por HALL, 2003, op.cit e RODRIGUES, 2008, op.cit. 181 O trabalho empreendido por migrantes para garantir que seus filhos alcancem formação superior foi

discutido por Tuzzi e Cancela mostra que a educação em nível superior tornou-se um importante capital para as negociações de casamento. Cf: TRUZZI, 1992, op. cit; CANCELA, 2006, op.cit.

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No caso dos cearenses de terceira geração a saída de Santarém - quando saem, posto que também há opção de cursar a universidade nas instituições de nível superior existentes no município - para concluir estudos de nível superior ou pós-graduação é acompanhada pelo retorno, muitas vezes, para trabalhar na região. Embora as conquistas do tipo sejam crescentes entre os que compõem esta geração, elas não significam o ingresso no mercado de trabalho a partir de profissões liberais. Crescem os casos de pessoas que mesmo formadas – advogados, professores, enfermeiras, fisioterapeutas – a única fonte de renda encontra-se na criação de um estabelecimento comercial.

Larissa e Renan são exemplos desta parte da terceira geração que mesmo com o nível superior, ela no último semestre administração e ele em direito concluído, fizeram a opção de montar seu negócio, recém-inaugurado: uma loja de confecções populares. Ele explica,

“Fiz isso minha vida toda [vender produtos], meu avô tinha comércio, meu pai também tinha. Eu sei que a faculdade é importante, mas isso é o que sei fazer, é o que gosto de fazer”183.

O fato de a terceira geração pertencer à cidade, embora se reconheça com uma identidade própria, tornou-a uma geração integradora. Circula tanto entre o grupo, quanto fora dele, possuindo um sentimento pluralista. Assim, o orgulho pelas raízes étnicas manifestado pelos netos de imigrantes, se apresenta como um fenômeno da valoração positiva da identidade do grupo. Segundo Vitar, a partir desta geração podemos falar de uma “etnicidade herdada”, cujos conteúdos referem-se a valores incorporados a ideia de uma origem comum que cria a diferenciação, no entanto, não impossibilita a circulação na sociedade184.

Mas a diferença entre os pais migrantes e os seus filhos não é apenas a da relação com o local de origem e eventual regresso a ele. As maiores diferenças estão na relação de uns e outros com o local de acolhimento. São diferenças de trajeto e socialização. Os filhos nascem e/ou crescem nesta cidade e por via de outros espaços de socialização, das sociabilidades infantis e juvenis, dos consumos materiais e culturais,

183 Entrevista com Renan em 02/08/2008. 184VITAR, op. cit, p. 139

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dos padrões de valores e dos estilos de vida, têm experiências sociais e expectativas muito diferentes das dos pais, que tiveram a sua socialização primária e várias socializações secundárias no contexto da sociedade de origem. É claro que não se podem ver apenas os contrastes de socialização e experiência social.

Mas, mesmo essas ligações, cuja intensidade varia de população para população, não são ligações diretas à chamada cultura de origem, mas sim a versão transformada desta cultura, consequência da adaptação progressiva ao contexto migratório, que torna os próprios migrantes diferentes do que eram antes de migrarem. Secundariamente, as noções de “segunda geração de migrantes” ou “migrantes de segunda geração” podem ser criticadas por transportarem consigo um entendimento pouco criterioso do conceito de geração. É certo que entre os imigrantes e os seus filhos, tal como entre quaisquer jovens e os respectivos pais e mães, há descontinuidades intergeracionais de cultura e relações sociais.

Ao determinar como metodologia de trabalho a interlocução com cearenses de três gerações distintas, julgava que, de certa forma, a classificação geracional a partir da origem seria responsável por acionar os ganchos de semelhanças e diferenças entre as gerações. Todavia, as conversas, participações em eventos familiares, a observação de todo o contexto e da minha própria condição na pesquisa para os interlocutores me obrigou a atentar ao fato que, ao se tratar de casamento e relações familiares, os interlocutores negociavam suas relações a partir da experiência do casamento, criando uma hierarquia outra onde as opiniões de membros de gerações anteriores, conforme pensadas anteriormente, se diferiam e se aproximavam a partir da posição ocupada na estrutura familiar.

Tomo agora como ponto de partida não mais a origem, mas a posição que as pessoas podem ocupar no contexto familiar e que podem ser percebidas de diferentes maneiras. Em geral, as unidades familiares giram em torno da casa dos genitores (matriarcas ou patriarcas quando viúvos), neste sentido, todos os membros da família passam necessariamente por lá, a ausência de um represente direto da migração pode ser substituído pelo filho (ou filha) mais velho que passa a guardar a responsabilidade de agregar os membros da família em torno da casa da mãe ou do pai. Além disso, nele está a autoridade para gerir os “problemas familiares”. O filho mais velho tem um papel

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importante neste contexto, como a grande parte dos informantes são viúvos ou viúvas, eles passam a representar a figura masculina mais importante, nada deve ser feito antes de consultá-los.

Dona Tereza, 78 anos, viúva há vinte e dois a época da pesquisa, divide a responsabilidade de gerir a família com o filho Francisco. Após a morte do pai Francisco, já casado, assumiu a responsabilidade do sustento da casa de sua mãe e do encaminhamento da família. A presença de Francisco é emblemática nas reuniões familiares, nada se faz sem que antes ele esteja presente. As experiências de Francisco se aproximam mais da mãe que dos irmãos. Como afirma Dona Tereza,

“Ele é meu esteio, posso contar com ele para tudo que eu precisar, os outros [filhos] sabem disso, ninguém faz nada sem consultar ele antes... o Francisco já passou por dificuldade na vida, já morou em outros canto, como eu e o pai dele, por isso tem experiência para lidar com a família”185.

Dona Tereza aproxima a experiência do filho a sua porque o reconhece no mesmo estágio que o seu: a ausência do marido. O que possibilitou ao filho que se aproximasse sua experiência às experiências paternas, colocando-o em outra escala das relações sociais. Assim, Francisco mesmo membro da segunda geração, aproxima suas opiniões as da primeira geração, tentando, a partir de sua narrativa, aproximar temporalidade.

“Acho importante casar com cearense sim, porque a gente já tem um conhecimento da família da pessoa, já sabe... Eu sofri muito para manter minha família, por isso sempre quis saber com eles [os irmãos e irmãs] estavam namorando, naquele tempo a gente tinha mais cuidado”186. (grifo meu)

“No meu tempo a gente conhecia as famílias e sabia que tudo tava em casa, na família”187. (grifo meu)

Para Myriam Lins de Barros188 as idades deixam de ser entendidas como referência cronológica para a inserção do indivíduo e passam a ser compreendidas, na

185 Entrevista com Dona Tereza em 15/07/2008. 186 Entrevista com Dona Tereza em 15/07/2008. 187 Entrevista com Francisco em 25/07/2008.

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contemporaneidade, como estilos de vida adotados definindo fronteiras entre indivíduos. Assim, o estágio de maturidade que possibilita a adesão às gerações, é, portanto, diferente da data de nascimento ou mesmo ao patamar ocupado na rede família. A troca de experiências comuns e o reconhecimento de sua semelhança autorizam as pessoas a mover-se segundo estágio de maturidade189. Assim, a temporalidade e o reconhecimento de experiências comuns são percebidos pela forma como tratam o “seu tempo” marcando com a diferença das coisas pretéritas em relação à pretensa modernidade do presente190.

Fora esta distribuição, os outros membros são recolocados em casados – com e sem filhos – e solteiros. Esta última distribuição tem como objetivo não uma classificação etária, mas de condição de experiência social e inserção em novos espaços de sociabilidade e conversa. Embora reconheça que ocorra diversidade, este desenho passa a desenhar opiniões que aproximam gerações. Neste contexto, as opiniões sobre casamento, homogamia e família circulam.

Nesta perspectiva é possível compreender que no agrupamento reside a possibilidade de compreender como o casamento é responsável pelo alocamento de pessoas. Bia, 18 anos e recém-casada, parece estar se habituando a esta mudança de status na estrutura familiar,

“Quero estar com as meninas [suas primas], mas a mamãe vive me chamando para estar com as tias”191.

O casamento funciona como divisor de águas, posto que proporciona e restringe o acesso às conversas, aos espaços de sociabilidade. Ao mesmo tempo, exige a iniciação em novas normas de comportamento diante do grupo. Cancela mostra que o casamento marca a mudança de status, mas “igualmente significava perda e mudança, não apenas de status social, mas também de lugar, de relações de amizade e lembranças”192.

189 Debert, op.cit, p.46

190 BOSI, Eclea. Memória e Sociedade: Lembranças de Velho. São Paulo: T. A. Queiroz: Universidade de

São Paulo, 1987.

191 Anotações de campo em 28/01/2009.

192 CANCELA, Cristina Donza. “Destino cor-de-rosa, tensão e escolhas: os significados do casamento em

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Neste sentido, quem não mudou de status vive a margem deste processo de socialização, foi este o problema que encontrei ao estudar as relações de casamento, visto que desejava adentrar em assuntos que pelo grupo não me eram permitidos. Este divisor de águas delimita e determina a relação entre gerações tanto para homens, quanto para mulheres.

Vale ressaltar, que embora não tenha sido o foco da pesquisa, existe um considerável número de pessoas que não se enquadram na perspectiva do grupo. Trato aqui do caso, em especial, das mulheres de segunda geração que não casaram - as “moças velhas”. Por mais que a idade permita a interação com as mulheres mais velhas, o fato de não terem casado as obriga a ficar no nível das jovens solteiras, quando, muito podem participar das conversas relacionadas aos filhos, já que grande parte delas passou a ser responsável pelo cuidado com o(s) sobrinho(s)193.

Todavia, mesmo essas re-classificações, não eliminam as diferenças geracionais que se embatem em um jogo de diferenças e identificação complementares. Por um lado, os pais da segunda geração questionam a autenticidade da identidade dos filhos