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As litografias que retratam Portugal referenciam o território nacional e revelam lugares, tipos femininos e atividades. São elas: muger de Obai, vendedora de

pescado en Lisboa, labradora de los arrabales de la Ciudad de Oporto, Muger del Minho o Trás-os-Montes, Segadora de la probincia do Minho e muger del pueblo de Coimbra.

As representações simbólicas das portuguesas também evidenciam personagens comuns. São mulheres simples, pobres, trabalhadoras do campo, apresentadas nas suas singularidades e no cotidiano de suas tarefas que figuram e simbolizam espaços e províncias em Portugal. Uma das peculiaridades está no aspecto técnico da representação dessas personagens: não há intensidade e brilho nas cores, enquanto que os contornos das figuras demonstram menos definição se comparados ao das litografias de outras regiões. Abundam gradações de cores, na forma de sombreados e elementos que estão sugeridos pela forma e cor, moderados nos traços e contornos, e que deixam de dar exatidão à forma de grande parte das figuras que compõem a imagem.

Assim vem representada la muger del pueblo de Coimbra (lit.23). Com trajes singelos porém belos, veste um longo vestido vermelho e longa capa marrom, ambos em tonalidades descoradas e sombreadas. Até mesmo o lenço amarrado na cabeça, amarelo com barrado em verde e vermelho, apresenta tais características e lembra as cores nacionais portuguesas. Dessa forma, o que chama a atenção nesta imagem não é o realce das cores, mas a arquitetura bela e enfeitada por folhagens que crescem acompanhando as paredes.

(lit.23 ) Muger del pueblo de Coimbra

Além das características técnicas citadas acima, la segadora de la Probincia

do Minho, (lit.24) e la labradora de los arrabales de la Cuidad de Oporto (lit.25)

revelam simplicidade e pouca condição social. Ambas apresentam-se no campo, descalças, com os tornozelos à mostra e chapéu marrom, de abas largas, colocados por cima de um lenço listrado de vermelho e amarelo. Usam saias marrons e, na parte superior dos trajes, combinam camisa de manga comprida branca – com as mangas arregaçadas – e corpete vermelho - a ceifadora - e azul - a lavradora -, coberto com lenço vermelho. A primeira, figura encostada em uma grande pedra onde se percebe uma foice e um feixe de algo ceifado – que pela cor dourada sugere ser trigo ou arroz. Ao fundo e ao longe é possível divisar árvores e terras; posiciona-se e olha de frente, com cabeça erguida, revelando olhar e atitude altiva. A segunda, embora também tenha sido representada em posição frontal, tem o olhar voltado para o lado, numa forma que não permite revelações. A vegetação está mais próxima de si, e ao fundo se avistam embarcações, mar, casas, pássaros sobrevoando e montanhas. A condição apresentada

nestas duas litografias não remete à penúria, mas denota simplicidade e pobreza, pelas vestimentas modestas, desgastadas e pelo ofício das mulheres.

(lit. 24) Segadora de la probincia do Minho (lit. 25) Labradora de los arrabales de Oporto

As portuguesas que representam la muger de Obai, vendedora de pescado

en Lisboa (lit.26) e la muger del Miño oTtrás-os-Montes (lit.27) figuram em espaços

que fazem alusão à civilização pela presença de uma arquitetura mais moderna - ao fundo das imagens. Os trajes singelos, porém belos, foram destacados pelas cores e peças que compõem o visual de cada uma delas. A vendedora de pescado, sentada em uma mureta que a separa de um jardim florido, veste saia azul, camisa de manga longa branca coberta com um lenço vermelho, estampado em branco; usa um grande chapéu marrom por cima de um lenço amarelo enquanto segura uma capa marrom em uma das mãos. Um tamanco preto e vários colares e brincos completam seu visual, compondo o tipo da mulher de Obai. La del Miño usa saia e capa marrons, corpete vermelho e blusa branca, de mangas longas. Prende os cabelos com um lenço branco, suspende o que parece ser uma linha com as mãos e traz uma sacola com algo parecido a frutas. Cores, traços e contornos estão mais definidos nestas duas imagens, pois se fez menos uso dos

sombreados. Tanto os lugares quanto as personagens apresentam-se mais zelosas com a vestimenta e beleza que as pertencentes ao campo.

(lit. 26) Muger de Obai – vendedora de pescado (lit. 27) Muger del Miño o Tras-os-Montes

A presença de Portugal nesta obra que procura recuperar um passado de poder e glória espanhola pode constituir-se em uma referência diplomática, relatando a passagem da união ibérica quando Portugal e Espanha tornaram-se uma só nação. Pode denotar um anseio de um ideal de unificação futura, tema presente em muitos intelectuais hispanistas espanhóis e mesmo em alguns poucos portugueses. Sendo assim, também há traços espahóis neste território. Uma outra perspectiva diz respeito à idéia de pertencimento das Américas hispânica e portuguesa a estes dois países, pela ligação e similaridade cultural e civilizacional entre as ex-colônias e ex-metrópoles. Além disso, poder e prestígio também tinham marcado a história de Portugal, pela conquista e colonização do Brasil e de vários outros espaços.

Tanto a condução da coleção Las mujeres españolas, portuguesas y

América. As litografias espanholas revelam a preocupação em apresentar mulheres comuns, tipos sociais, atividades, ambientes e trajes originais. Nas produções monográficas, da mesma forma, diferentes foram os olhares que os literatos lançaram sobre as províncias espanholas e repúblicas americanas. Os elementos basilares que compõem as narrações sobre a Espanha são os da mulher vinculada à maternidade, educação, beleza e atributos morais. A maternidade remete à essência de cada mulher e sua função de dar ao mundo novos indivíduos bem educados nos valores morais; a educação aparece como necessária para o progresso e civilização; a beleza suscita a poética de sua existência e os valores morais, importantes e necessários para a honra da família.