• No results found

R AMMER , KOMMUNAL TILDELING UTEN RETTIGHETER

In document HELSEØKONOMISK FORSKNINGSPROGRAM (sider 56-60)

6. BØR VI AKTIVITETSFINANSIERE PLEIE- OG OMSORGSTJENESTENE?

6.3 R AMMER , KOMMUNAL TILDELING UTEN RETTIGHETER

O Ceale desenvolve ações de formação continuada para professores alfabetizadores há mais de duas décadas com a concepção de que a participação das universidades públicas, nessas ações, possibilita uma imersão no campo das práticas. Nesse contexto, Frade & Carvalho (2014), pesquisadores do Ceale, advogam que:

A prática traz uma condição diferenciada para possíveis deslocamentos, uma vez que as teorias não resolvem questões sociais diretamente. Projetar novas problemáticas de pesquisa é um dos efeitos de imersão nas práticas. Assim, tomar a escola e a sala de aula como referências significa potencializar temas e abordagens que não estão no campo das possibilidades delineadas a priori pela agenda do trabalho acadêmico (p.11-12).

Nesse sentido, Frade & Carvalho (ibidem) defendem que essa possibilidade de aliar a prática aos projetos de pesquisa em ações de formação continuada promove a identificação e a avaliação das melhores estratégias para divulgação desse conhecimento científico produzido. Contudo, isso também implica em conflitos e negociações entre expectativas e modos de conceber a educação, quando há a entrada da universidade nas políticas públicas. Assim, em relação ao PNAIC, postulam que:

A partir das interações previstas em programas como o Pnaic, todos podem dar um passo qualitativo em relação a seus lugares de pesquisa, gestão e prática pedagógica, o que seguramente representa um ganho, em especial pelo destaque atribuído às ações que garantem a tão desejada formação continuada de professores (p.12)

Entretanto, os autores ressaltam que as questões de alfabetização não se resolvem apenas por legislação ou política pontual. Há necessidade constante do exercício de direito à formação, garantindo a continuidade nas políticas públicas para educação sempre dialogando com as experiências bem sucedidas, independente de opção partidária ou ideológica, visto que os resultados de uma formação vão se consolidando no “tempo da aprendizagem e não no tempo de vigência de um projeto” (ibidem,p.13).

Como já referido no Capítulo I, o Ceale/UFMG como integrante da Rede Nacional de Formação Continuada do MEC foi uma das universidades responsáveis pela implementação da formação continuada de professores alfabetizadores instituída pelo PNAIC no Estado de Minas Gerais. Além do Ceale, que atuou em 113 municípios, outras Universidades públicas como UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais), UFPO (Universidade Federal de Ouro Preto), UFU (Universidade Federal de Uberlândia), UFVJM (Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri), UNIMONTES (Universidade Estadual de Montes Claros) fazem parte das instituições responsáveis pela formação do PNAIC em Minas Gerais.

O Ceale assumiu o PNAIC como uma das ações educativas do Centro desde seu lançamento em 2012. As ações de formação tiveram início em 2012, estendendo-se durante 6 anos, nas 5 edições do PNAIC. Nesta investigação vamos nos ater aos dados e dinâmicas empreendidas nas formações de 2017/2018. Ressaltamos que tivemos dificuldade de acesso a dados estatísticos relativos aos anos de 2013 a 2016, pois, segundo a Coordenação e Secretaria do Ceale, esses são dados sigilosos, constituindo-se assim numa limitação deste estudo. Os dados aqui descritos, bem como material apresentado, estão disponibilizados no Portal Ceale e na publicação Caderno de Experiências em Alfabetização PNAIC/Ceale disponibilizado pela Coordenadora de Formação do PNAIC no Ceale (2017/2018), Professora Doutora Valeria Rezende.

Como já referido no capítulo anterior, a 5º edição do PNAIC em 2017 trouxe mudanças significativas na gestão do Pacto, transferindo a coordenação da formação para as Secretarias Estaduais de Educação em substituição às Universidades Públicas, anteriormente responsáveis por essa coordenação de formação. No Estado de Minas Gerais, o Ceale e as demais universidades, até então responsáveis pela formação do PNAIC, foram convidadas pela Secretaria Estadual de Educação a compor o Comitê Gestor de Alfabetização e Letramento para implementar as ações de formação do Pacto. Esse Comitê elaborou um Plano de Gestão e Formação do Estado de Minas Gerais. Esse Plano aponta como objetivo:

Realizar a formação continuada dos professores e coordenadores pedagógicos das redes públicas de ensino municipal e estadual que aderiram ao Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), na Educação Infantil, no Ensino Fundamental do 1º ao 3º ano e dos articuladores da escola e mediadores de aprendizagem das escolas participantes do Programa Novo Mais Educação (PNME), visando à consolidação das competências e habilidades de leitura, escrita e matemática de seus estudantes ( Plano de Gestão e Formação do Estado de Minas Gerais, 2017, p.1).

A fim de concretizar esse objetivo, o Comitê Gestor definiu os seguintes temas para formação do PNAIC 2017/2018: “o desenvolvimento da leitura e a produção de textos escritos, cuja meta é atingir o “nível desejável" de leitura e de escrita, desenvolvendo a capacidade de inferir sentido em textos e produzir textos com coerência e coesão” (Montuani & Resende, 2018, p.21). Nesse sentido, foram definidas as seguintes temáticas de estudo: planejamento e organização da alfabetização, leitura e produção de textos e escolhidos alguns materiais produzidos pelo Ceale para a formação dos professores de 1º ao 3ºano.

As autoras ressaltam, ainda, que os resultados alcançados pelo Estado de Minas Gerais na edição 2016 da ANA (Avaliação Nacional de Alfabetização), indicaram que “62% das crianças mineiras de 8 anos encontram-se no nível suficiente (de leitura). Na escrita, 79% em nível suficiente,

apresentando o dobro de crianças em nível desejável de proficiência escrita (16%), contra 8% em nível nacional” (ibidem), credenciaram o Estado a ter autonomia, delegada pela SEB/MEC (Secretaria de Ensino Básico do MEC), para selecionar o material didático de formação e apoio à prática docente.

Nos quadros abaixo, vemos os quantitativos dos perfis atendidos durante a formação do PNAIC 2017/2018 e a composição da equipe gestora.

Quadro 4: Perfis atendidos -UFMG-2017/2018

Perfis Educação Infantil 1º ao 3º Ano do Ensino

Fundamental PMNE Formadores locais 228 242 Coordenadores Pedagógicos 575 652 Mediadores de aprendizagem 1474 Articuladores da escola 382 Total 5138 5594 1893 Total Geral 12625 (Fonte:http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/files/uploads/PNAIC%202017%202018/ABERTURA%20PNAIC%20- %20MARÇO-%2013-03-2018.compressed.pdf)

Quadro 5: Equipe Gestora Ceale/PNAIC 2017/2018

Função Quantitativo Coordenação Geral 1 Formador Estadual 1 Formadores Regionais 12 Assessoria Pedagógica 1 TOTAL 15

Fonte: Leitura e Produção de Textos na Alfabetização A formação Continuada no PNAIC 2017/2018 (Ceale/2018)

O Ceale também realizou ações de formação em 2017/2018 com a Educação Infantil e com os monitores do Programa Novo Mais Educação, como essa edição do PNAIC preconizava.

As ações de formação tiveram início em novembro/dezembro de 2017 e se estenderam até maio/2018. Em agosto de 2018, durante o I Fórum Mineiro de Alfabetização foi realizado conjuntamente, o último Seminário PNAIC. A ação desenvolvida em novembro/dezembro de 2017 foi realizada à distância, com o suporte do Portal Ceale para que os formandos assistissem à Palestra e

tivessem acesso aos demais materiais. Não houve formação nos meses de janeiro, fevereiro e abril de 2018. Na figura 10, abaixo, veremos o cronograma dos encontros presenciais e carga horária correspondente. Nos encontros dedicados ao 1º e 3º ano do Ensino Fundamental foram incluídos os monitores do Programa Novo Mais Educação.

Fonte:http://www.ceale.fae.ufmg.br/pages/view/materiais-pnaic-2017-2018.html

A dinâmica dos encontros presenciais envolvia, na parte da manhã, uma palestra, sobre um tema referente à alfabetização e, à tarde, oficinas sobre atividades de sala de aula. Segundo Montuani & Resende (ibidem):

...procuramos garantir, na organização dos encontros presenciais uma articulação entre os temas das palestras, materiais didáticos, oficinas e roteiros da formação em serviço. Também consideramos relevante convidar para as palestras as autoras dos materiais didáticos estudados, promovendo um diálogo entre os domínios teóricos no que diz respeito aos saberes científicos- acadêmicos e os saberes da prática (p.37-38).

Na figura 11, abaixo, temos um exemplo da programação desses encontros.

Fonte:http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/files/uploads/PNAIC%202017%202018/ABERTURA%20PNAIC%20- %20MARÇO-%2013-03-2018.compressed.pdf

Após os encontros presenciais, em que participavam os formadores locais, eles eram replicados em cada município participante, para os professores alfabetizadores e coordenadores pedagógicos. Caracterizando-se assim, a formação em cascata implementada em toda formação do PNAIC. Os coordenadores locais participavam também desses encontros e eram responsáveis pela organização logística deles (organização do espaço para realização, confecção e reprodução dos materiais, alimentação do SISPACTO etc.).

A cada encontro era proposto um Roteiro cujas funções eram de potencializar as discussões realizadas nos encontros presenciais, desenvolver a capacidade para elaborar sínteses, fazer diagnóstico das ações desenvolvidas na escola/sala de aula e garantir o cumprimento da carga horária em serviço.

Esses Roteiros contemplavam questões dirigidas aos professores alfabetizadores, coordenadores pedagógicos e formadores locais. Os professores e coordenadores pedagógicos entregavam suas respostas ao formador local e este entregava suas respostas ao formador regional. Em alguns Roteiros era solicitado que o formador local fizesse uma síntese das respostas dos

professores e coordenadores pedagógicos e as repassasse ao formador regional. Os formadores regionais discutiam com a equipe gestora do PNAIC/Ceale as respostas desses Roteiros a fim de ter um feedback das ações implementadas, reavaliando e reorientando-as em função das produções apresentadas. Cabe ressaltar, que esses Roteiros continham links que se remetiam ao Portal Ceale para apresentação das atividades a serem desenvolvidas, como assistir a uma palestra, ter acesso aos textos para leitura, constituindo-se, assim, como suporte para realização desses Roteiros.

Esses Roteiros foram desenvolvidos baseados em Palestras do Ceale Debate e no material do Ceale, selecionado pelo Comitê Gestor de Alfabetização e Letramento do Estado de Minas Gerais, que englobava as temáticas para formação selecionadas, mencionadas acima. Esses materiais estão disponíveis no Portal Ceale e fazem parte da Coleção Instrumentos da Alfabetização. São eles: Planejamento da Alfabetização: capacidades e atividades; Práticas escolares de Alfabetização e Letramento; Leitura como processo; Produção Escrita: trabalhando com gêneros textuais.

Os roteiros tiveram uma função importante no sentido de desvelar os saberes da prática. Eles foram elaborados com o objetivo de orientar o olhar da professora alfabetizadora para algumas atividades realizadas em sala de aula, desenvolvendo a capacidade dos formadores e das formadoras locais, bem como das professoras alfabetizadoras para descrever, sintetizar e analisar a prática pedagógica, envolvendo o ensino da leitura e da produção de textos. As sínteses realizadas possibilitaram reflexões que foram socializadas nos encontros presenciais realizados na UFMG, direcionando as discussões e apontando aspectos convergentes e divergentes nas diversas esferas da ação educativa: sala de aula, escola e município. (Montuani & Resende, ibidem, p.38).

Nesse sentido, os Roteiros representam os três pilares fundamentais da proposta de formação do PNAIC para os professores alfabetizadores, elencados no Capítulo II: “conceber o professor como sujeito inventivo e produtivo que possui identidade própria e autonomia, como construtor de suas práticas e não mero reprodutor de orientações oficiais”, “propor situações formativas que desafiem os professores a pensar suas práticas e mudar suas ações” e “levar os professores a buscar alternativas, realizar projetos cujo objetivo seja não apenas alcançar as suas práticas individuais , mas, sobretudo, as práticas sociais colaborativas de modo a favorecer mudanças no cenário educacional e social” (MEC, 2012, p.20).

Além disso, os conteúdos propostos para formação atendem as diretrizes do PNAIC de forma a concretizar o alfabetizar letrando, aliando o ensino do SEA a habilidade comunicativa inserida nas práticas sociais de leitura e escrita através do trabalho em sala de aula com diferentes gêneros textuais enfatizando questões como planejamento, sequências didáticas, habilidades de leitura, dimensões da produção escrita (discursiva, textual e linguística), chaves para correção dos gêneros textuais, dentre outros.

No Quadro 6 estão descritas, abaixo, os temas e atividades dos encontros de formação e dos Roteiros 1 a 5, integrantes da formação PNAIC/Ceale 2017/2018.

Quadro 6: Síntese sobre as Formações PNAIC/Ceale 2017/2018

Data da Formação Novembro/2017 – Encontro à distância

Tema Palestra do Ceale Debate: Como inovações didáticas tem favorecido (ou não) o Ensino de Alfabetização

Profº Artur Gomes de Moraes (UFPE) Atividade

decorrente

Roteiro 1: Discussão da palestra

Atividades que evidenciam os principais pontos discutidos na palestra

Questões do Roteiro para serem respondidas pelos professores alfabetizadores, coordenadores pedagógicos e formadores locais

Data da Formação Dezembro/2017- Encontro à distância

Tema Reflexões sobre a prática de alfabetização na escola e na sala de aula Atividade

decorrente

Roteiro 2: Apropriação do SEA, Leitura e compreensão de texto, Produção escrita, Organização e sistematização do trabalho de alfabetização

Questões do Roteiro para serem respondidas pelos professores alfabetizadores, coordenadores pedagógicos e formadores locais

Os formadores locais fizeram uma síntese das respostas recebidas dos professores alfabetizadores e coordenadores pedagógicos e as repassou, junto com suas próprias respostas, ao formador regional.

Data da Formação Março/2018- Encontro presencial para os formadores locais

Tema Palestras: Práticas de alfabetização: a organização do trabalho docente e as aprendizagens dos alunos

Profª. Eliana Borges Correia de Albuquerque (UFPE) Processos cognitivos na leitura inicial

Profª. Sara Mourão Monteiro (FaE/UFMG) Compreensão na leitura

ProfªDelaine Cafieiro (Fale/UFMG)

Oficinas sobre O trabalho com alfabetização, leitura e escrita em Língua Portuguesa e Matemática

Atividade decorrente

Repasse do encontro presencial para os professores alfabetizadores e coordenadores pedagógicos

Roteiro 3- Capacidades de leitura

Uso do Volume VI da Coleção Instrumentos da Alfabetização (Ceale) “Planejamento da Alfabetização: capacidades e atividade”

Questões do Roteiro para serem respondidas pelos professores alfabetizadores, coordenadores pedagógicos e formadores locais

Os formadores locais fizeram uma síntese das respostas recebidas dos professores alfabetizadores e coordenadores pedagógicos e as repassou, junto com suas próprias respostas, ao formador regional.

Data da Formação Abril/2018 - Encontro à distância

Tema Produção escrita

Atividade decorrente

Roteiro 4- Produção de textos escritos: Produzindo textos escritos, As três dimensões do trabalho de produzir textos escritos, Etapas da produção de textos escritos

Questões do Roteiro para serem respondidas pelos professores alfabetizadores, coordenadores pedagógicos e formadores locais

Os formadores locais fizeram uma síntese das respostas recebidas dos professores alfabetizadores e coordenadores pedagógicos e as repassou, junto com suas próprias respostas, ao formador regional.

Data da Formação Maio/2018- Encontro presencial para os formadores locais Tema Produção escrita: trabalhando com gêneros textuais

Palestras: A BNCC: concepções, organização e desafios para o ensino de Língua Portuguesa nos anos iniciais do Ensino Fundamental

Profª Isabel Cristina da Silva Frade - CEALE/FaE/ UFMG

Produção de textos em espaços escolares e não-escolares: uma perspectiva interacionista socio discursiva

ProfªCancionila Janzkovski Cardoso - ALFALE/ UFMT

Produção e revisão textual: trabalhando com gêneros textuais na alfabetização Profª Maria da Graça Costa Val - CEALE/Fale/ UFM

Oficinas sobre Produção escrita: trabalhando com gêneros textuais Atividade

decorrente

Repasse do encontro presencial para os professores alfabetizadores e coordenadores pedagógicos

Roteiro 5- Produção de textos escritos: Reelaboração das propostas de texto do Roteiro 4, Orientações para correção de bilhetes, histórias, conto, convite, cartaz, notícias

Questões do Roteiro para serem respondidas pelos professores alfabetizadores, coordenadores pedagógicos e formadores locais

Os formadores locais fizeram uma síntese das respostas recebidas dos professores alfabetizadores e coordenadores pedagógicos e as repassou, junto com suas próprias respostas, ao formador regional.

Fonte : http://www.ceale.fae.ufmg.br/pages/view/materiais-pnaic-2017-2018.html

In document HELSEØKONOMISK FORSKNINGSPROGRAM (sider 56-60)