envolvimento e essenciais para a organização de um sistema coordenado de referências.” Pellegrini &Smith (1998) (citados por Neto, 7) referem ainda que “o jogo de atividade física apresenta duas dimensões importantes e ao mesmo tempo paradoxais no desenvolvimento humano: exercitação da função e intencionalidade.”
É ainda possível, encontrarmos nos nossos jardins públicos, estátuas ou outros ornamentos que remetem a personagens ou acontecimentos que fazem parte da nossa história, e que permitem que naturalmente as crianças vão tomando conhecimento da mesma. É necessário “considerar o Património Cultural como tema transversal interdisciplinar e/ou transdisciplinar, ato essencial ao processo educativo para potencializar o uso dos espaços públicos e comunitários, como espaços formativos.” (IPHAN, 2014, p.27)
São vários os conceitos/palavras-chave, que julgo serem pertinentes neste trabalho desenvolvido. Assim sendo, acredito que é essencial que seja elaborada/pesquisada, uma definição para cada um deles, na medida em que, “os conceitos são representações que traduzem relações variadas, e para as quais as regras de aplicação à experiência estão claramente definidas." (Astolfi, Peterfalvi e Vérin,1998: p.266)
1.1. Principais Conceitos
1.1.1 Jardim
Sendo um jardim um espaço livre (na grande maioria dos casos) e uma área verde, podemos defini-lo como um local “de interesse público para o satisfatório cumprimento de finalidades paisagísticas, ecológico-ambientais, funcionais, produtivas, de lazer e práticas de sociabilidade.” (Secretaria do Verde e do Ambiente da Prefeitura do Município de São Paulo – SVMA/PMSP, 2006: p.7)
Tratando-se o jardim de natureza, possibilita ao professor/educador, trabalhar temas de observação, partindo dos principais centros de interesse da criança. “É a partir deste primeiro interesse que a curiosidade pode ser estimulada e as atividades propostas.” (Arenilla & Gossot & Rolland & Roussel, 2013: p.154) O jardim é um local que permite trabalhar áreas como a história, a geografia, as ciências naturais, etc.. No entanto, estas “não são apresentadas por elas mesmas enquanto saberes já elaborados e organizados,
mas enraízam-se à partida na procura dos espíritos que se interessam pelo que está à sua volta.” (Arenilla & Gossot & Rolland & Roussel, 2013: p.154)
1.1.2 Educação Ambiental
Numa altura em que vamos tendo cada vez mais consciência da necessidade de nos educarmos, no sentido, de nos tornarmos cidadãos mais conscientes e responsáveis, no que diz respeito ao nosso planeta, é obrigatório trabalharmos esta questão com as “nossas” crianças.
O ambiente “diz respeito a todo o meio no qual vivemos, ou seja, tanto o meio natural como o criado pelo homem; a arquitetura, a cidade e todo o sistema sociológico e económico de que depende.” (Arenilla & Gossot & Rolland & Roussel, 2013: p.190) A preocupação “e o aparecimento da educação ambiental a nível mundial aconteceu como resultado da tomada de consciência da deterioração ambiental generalizada e das primeiras manifestações de problemáticas globais (…) com a chuva ácida” (Guadiano, 2006, p.97), sendo este um tema muito debatido, contudo, talvez não o suficiente. A Educação Ambiental “tem como objetivo fundamental envolver o cidadão na problemática da sua Qualidade de Vida atual e futura. (…) A sua principal característica consiste no facto de ser orientada para a solução de problemas concretos do ambiente em que o Homem vive.” (Oliveira, 1992, p.7)
Esta educação é transversal a todas as disciplinas, na medida em que, como já foi referido se aplica a todas as áreas, contudo, “esta cultura baseia-se em disciplinas de referência, em particular as ciências físicas, a geografia ou as ciências da vida e da terra, mas também a economia e a educação cívica.” (Arenilla & Gossot & Rolland & Roussel, 2013: p.191) Trabalhar estas temáticas, partindo de exemplos concretos é a melhor forma de consciencializar as crianças, jovens e adultos. Desta forma, é adequado e útil que os professores e educadores organizem visitas de estudo, que coloquem os alunos em contacto com a realidade.
1.1.3 Experiência
O experiencialismo é uma teoria-metodologia do conhecimento científico-filosófico regulado pelo ideal de conhecimento verdadeiro-objetivo, fundada no princípio regulador da experiência como categoria nuclear e ou determinante de todo o programa do saber desde a origem à prova, desde a descrição à explicação fenomenais. (Logos, 1990: p.407)
Não há melhor forma de entender uma série de fenómenos, que explicados são demasiadamente complexos, do que fazer uma experiência. A criança participa no processo, está ativa. Observa os procedimentos, e os resultados, o que lhe permite tirar “apontamentos” e refletir sobre aquilo que acabou de presenciar.
As ciências definem-se por métodos e técnicas e desta forma, “existe um certo número de convergências que permitem estabelecer as exigências de todos os métodos científicos:
• O procedimento científico • A observação
• A experimentação • A medição
• A comunicação
• As observações” (Astolfi, Peterfalvi e Vérin, 1998, p.258, 259 e 260) Experienciar é a melhor forma de apreender.
1.1.4 Património
Segundo a Lei n.º 13/85, de 6 de Julho, “O património cultural português é constituído por todos os bens materiais e imateriais que pelo seu reconhecido valor próprio, devam ser considerados como de interesse relevante para a permanência e identidade da cultura portuguesa através do tempo.”
São várias as personalidades que ficaram na história do nosso país, e tantas outras, na história das nossas aldeias, vilas e cidades. Muitas destas personalidades são homenageadas tornando-se o nome de ruas, largos e praças e muitas outras com a construção de estátuas representantes dos seus bustos, em praças ou jardins. De acordo com Proença (1992) (citado por Gaspar, p.12) “o recurso à História local tem muitas potencialidades no campo da motivação, porque permite o contacto com fontes locais, o
encontro de referências a pessoas, factos e lugares conhecidos e ainda a utilização de métodos que interessam às crianças.”
Este património que está disponível, à vista de todos nós, é uma mais-valia e um recurso excecional para darmos a conhecer às nossas crianças a nossa história, e partindo daí, trabalhar as mais diversas áreas do conhecimento.
1.1.5 Atividade Física/Educação Física
A atividade física é algo natural e essencial para todos nós. Numa fase em que o corpo está em crescimento e a própria componente cognitiva, se encontra ainda numa fase inicial do desenvolvimento, é imprescindível, que as crianças tenham diariamente “acesso” a algum tempo de atividade física, com e sem regras.
“A educação física e desportiva mudou de nome ao longo da sua história: ginástica, educação física, depois desportos ao ar livre; a sua finalidade era clara: formar corpos saudáveis.” (Arenilla & Gossot & Rolland & Roussel, 2013: p.195)
1.1.6 Jogo
No universo de qualquer criança, está presente o jogo, sendo que este poderá ser dos mais variados géneros. “O jogo será então a atividade gratuita que a criança realiza com maior frequência quando está só, ou com outras crianças da sua idade, com ou sem brinquedos.” (Arenilla & Gossot & Rolland & Roussel, 2013: p.323 e 324)
Nos pátios dos recreios podemos observar jogos que são transmitidos de geração em geração, como é o caso do jogo da macaca, do jogo da corda, do jogo do elástico, do jogo dos berlindes, etc.. É inclusive uma atividade que não se restringe apenas às crianças. O jogo é uma ótima ferramenta para a aprendizagem, sendo que de forma descontraída, a criança pode apreender uma série de conteúdos. Contudo, muitos são aqueles que não entenderam ainda as potencialidades destas atividades.
Se o jogo, na sua primeira aceção, estiver ligado à ideia de infância, está ainda mais ligado à ideia de gratuitidade e essencialmente à ideia de descanso, de distração, excluindo assim a utilidade social. É por esta razão que o jogo e a escola podem parecer antagónicos. (Arenilla & Gossot & Rolland & Roussel, 2013: 324)
Os benefícios do jogo e a pertinência do recurso ao mesmo na escola é indispensável tal como é referido por (Baranita, 2012, p.44) quando cita Piaget (1990), Vygotsky (1989) e para Wallon (1981) que afirmam que “os jogos são atividades lúdicas de extrema importância no desenvolvimento integral da criança, isto é, o desenvolvimento social, moral e cognitivo.”
Esta atividade prazerosa que tantos benefícios trás às crianças, não só pode, como deve, ser utilizada, na escola, em casa, e até mesmo na rua, no dia-a-dia, quando as crianças jogam ao jogo de “só pisar o azul” na calçada, ou à macaca, na areia do jardim. A aprendizagem torna-se ativa, e desta forma garante-se que que seja bem-sucedida, uma vez que, sendo ativa a criança apreende a informação.
Na conceção de ambientes para a aprendizagem ativa, é útil pensar nos géneros de jogos que são típicos nas crianças. Jogos dramáticos – fingir; Construção – usar materiais para fazer objetos, algumas vezes para jogos dramáticos, outras vezes sem aplicação prédeterminada; Jogos de exploração - explorar as possibilidades dos materiais e dos processos; Jogos diversos – jogos de tabuleiro, jogos de cartas, jogos de ação como o jogo da macaca, e outros jogos com regras. (Brickman e Taylor, 1996: p.151)
Tal como foi referido acima “o jogo de atividade física apresenta duas dimensões importantes e ao mesmo tempo paradoxais no desenvolvimento humano: exercitação da função e intencionalidade.” Pellegrini &Smith (1998) (citados por Neto, p.7)
2. Objeto de Estudo
O Jardim do Bonfim, situado no centro da cidade de Setúbal, define-se como o objeto de estudo do presente relatório final, na medida em que se pretende averiguar se este espaço nos permite, enquanto profissionais na área da educação, fazer uso do mesmo como um espaço educativo.
De acordo com informação retirada da página do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), o Jardim do Bonfim é um parque de planta aproximadamente pentagonal, com oito entradas, duas a Norte, duas a Este, uma a Sudeste e três a Sul, sendo uma destas a Sul a entrada principal.
O parque é constituído por um grande relvado, zonas com variadíssimas árvores, entre elas a tamareira, o choupo-branco, os plátanos, o cedro do buçaco, a catalpa, a araucária, a palmeira das canárias, o choupo negro, o ginko, a magnólia, a tília e o cipreste. O local é ainda constituído por um edifício com um terraço, situado junto ao lago e outras duas construções a este e a norte do mesmo e um parque infantil. Junto a uma das entradas do jardim, há um tanque que se liga ao lago principal através de canais que atravessam o parque. Os diversos caminhos que constituem o espaço são pavimentados com alcatrão, calçada portuguesa e placas irregulares de calcário.
Um busto de bronze do poeta António Maria Eusébio, conhecido por “Calafate”, uma escultura alusiva ao “Centenário do Movimento Escutista”, um relógio do sol e outras duas esculturas abstratas, também ornamentam o jardim.
Sendo um jardim situado no centro da cidade, inclusive junto a uma escola, é um espaço utilizado diariamente pela população setubalense e por todos aqueles que por ali passam. É ainda possível observarmos inclusive festas de aniversário de crianças nas épocas quentes do ano, tal como pessoas a praticarem exercício físico.
É neste espaço que se pretende demonstrar as potencialidades educativas através de uma proposta de didatização do mesmo, mais exatamente da elaboração de um circuito de atividades didáticas orientadas para crianças no ensino Pré-Escolar.
Receber as crianças neste local tão apelativo a todas as faixas etárias, e desenvolver um circuito que as permita desfrutar do espaço e ao mesmo tempo construir conhecimento é a proposta que se segue.