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SENTIDOS-E-SIGNIFICADOS DE PROFESSORES DE DIFERENTES ÁREAS SOBRE A PROPOSTA CURRICULAR E OS CADERNOS DA SEE/SP

Entrevista gravada em: 18/10/2009 Tempo: 1’13’

MARTA: Professora Matemática PP: Professora Pesquisadora

1-PP: Então N, é o seguinte: eu vou retomar um pouquinho do que a gente tinha falado naquele dia, que não sei se você se lembra que você falou que não tinha usado a apostila e que você iria dar no final do bimestre, né?

2 – MARTA: Que eu ia usar depois que usasse o livro.

3 – PP : Ai eu fiz o seguinte: pensei em me adiantar m pouquinho. Peguei o livro e dei olhada pra tentar separar e não ficar tudo na hora. Só que é assim: eu não sou de matemática, então... eu queria que você me dissesse qual conteúdo do livro que bate com a apostila, só do 1º. Bimestre que é pra gente ter um foco. Então eu trouxe aqui a apostila do professor e o livro.

4 – MARTA: Deixa eu me lembrar do 1º. Bimestre.

5 – PP: Então eu trouxe aqui a apostila do professor e o livro. 6 - MARTA: Não, eu queria... você tem a do aluno?

7- PP: Sim, eu peguei.

8 – MARTA: Olha essa parte aqui de trabalhar com conjuntos numéricos, nem tem no livro de:: de oitava série porque normalmente a gente retomo no ensino médio essa parte de conjunto aqui. Então aqui não tem, às vezes aparece um probleminha, mas não em forma de diagrama como esse. Aparece problemas assim, ta vendo ó, esquematizados, para poder resolvê-los você monta um diagrama direitinho. Em problemas assim, pra poder resolver você monta um diagrama fica mais fácil de entender o problema, mas essa parte de conjuntos aqui no livro de oitava série nem tem. Você pode até comparar aqui ó, quer ver? Tá vendo ó: potência,operações com radicais, fatoração, não tem nada que fale, não tem nada que trabalhe com conjunto, então nem tem essa parte aqui no livro.

9 – PP: Certo. E aí? Então, essa apostila é do 1º. Bimestre, assim que começou o bimestre e essa parte como é que você fez?

10 – MARTA: Então eu comecei seguindo o livro né. Depois eu peguei a apostila e percebi que não tinha... esse conteúdo da apostila não tinha no livro (fala sobreposta)

11- PP: Hâ, hã, então nessa primeira parte você já entrou com o livro e não com a apostila, você não consultou a apostila para saber se já era (assalto de turno)

12- MARTA: Não, não eu fui até aqui olha... até operações com radicais, ta vendo? Aí antes de começar com a unidade 2 aí eu peguei a apostila para poder ver de onde que parte a apostila porque eu nem tinha, nem tinha visto nada a respeito da apostila. Aí quando eu percebi que no começo ele não trabalhava com isso ele entra direto com conjunto, aí eu falei, ele vai precisar. Se bem que essa matéria é retomada no primeiro ano do ensino médio, entendeu? Mas mesmo assim eu complementei. O que eu tinha que ter dado que não tinha aqui porque... ou porque não era o conteúdo geralmente trabalhado na série ou porque eram coisas que eles colocaram aí nem sei porque eu trabalhava à parte. Entendeu?

13- PP: Então assim, seu material de produção foi mesmo o livro e nessa época que a gente conversou você disse que não estava utilizando a apostila, que você depois iria usar. Então esse conteúdo por exemplo, que você não tinha, aí como é que você desenvolveu? Você desenvolveu pela apostila ou você deu (fala sobreposta)

14: MARTA: Ah, eu... só pela apostila. Eu falei a teoria que eles precisavam saber, o pré-requisito que eles precisavam saber pra poder entender, entendeu? Mas geralmente são probleminhas que... são situações simples que não tem coisas de outro mundo...

15 - PP: Você conseguiria descrever N, o procedimento de um a aula, por exemplo, pra você chegar até isso ai o que você fez, como você procedeu?

16 - MARTA: Primeiro eu vejo se eles tem pré-requisitos pra entender o conteúdo que vai ser ensinado. Se eles não tem esse pré requisito (assalto de turno)

17 - PP: No caso desse daqui o que eles precisariam ter?

18 – MARTA: Esses são problemas que envolvem contagem, não envolve muita dificuldade, né? Então logo eu iniciei com apostila mesmo.

19 - PP: Certo.

20 – MARTA: Partindo de situações que são probleminhas que você seguindo...é:: esses problemas não tem muito... como posso dizer... são situações, já dentro do problema a teoria necessária para resolver já esta inserida. Entendeu? Então eu já comecei direto com os probleminhas. Nesse caso aqui não tinha necessidade de ver coisas antes, porque

essa matéria é matéria de 5ª. série, só que não é tão esmiuçado como é aqui. Eles dão, eu começo escrevendo conjunto, falando como que faz pra que a gente possa nomear conjunto, falando a respeito de conjunto que é tudo ensinado lá na 5ª. série, entendeu? Uma recordação lá da 5ª. série. Depois que eu recordei como a gente opera a união a intersecção a diferença que já é dada na 5ª. serie eu já entrei com os probleminhas que aqui entra... esses problemas não são trabalhados na 5ª. série, entendeu?Então ai eu entrei. “Aí vamos ver uma situação nova que envolve isso, mas com outros elementos”,assim, entendeu?

21 – PP: Entendi. Mas no decorrer da apostila tem algum outro conteúdo que bateu com o que você já tinha dado do livro?

22- MARTA: Nessa apostila 1, bateu. Essa parte quando entra em conjuntos aqui olha, conjuntos numéricos, aqui ó. Essa parte aqui de conjunto numéricos, que ele fala especificamente. Se bem que essa parte também é matéria de 7ª. série. Uma recordação de 7ª.série. Isso daqui ó, tudo matéria de 7ª. série. Eu li fiz com eles eu fiz como uma recordação, né. Mas essa parte aqui, ó... potência de base 10 tem aqui nesse livro. Só que quando foi potência de base 10 nesse livro não tinha, eu usei um outro livro.

23- PP: A Tá, mas quando chegou nessa atividade você já tinha trabalhado? 24-MARTA: Só a partir daqui eu já tinha trabalhado.

25 – PP: Ai quando você chegou aqui, como você fez para retomar?

26 – MARTA: Ai resolvi como exercícios. Eu falei “vocês lembram quando a gente trabalhou, quando trabalhamos potência?”. Aí eu iniciei... “vamos agora...”

27 - PP: Mas aí N, quando você trabalhou, por exemplo, essa que bateu como livro como foi desenvolvido? A metodologia que está sendo usada aqui tem alguma coisa a ver com a metodologia que você (fala interrompida)

28 – MARTA: É a mesma coisa, tem...

29 – PP: (sobreposição de vozes) você começa como?

30- MARTA: Sempre, eu sempre parto de uma teoria, né? Aqui, no caso, eles já vem direto com os exercícios, supondo que eles já conheçam toda a teoria. E eu já tinha trabalhado toda teoria antes de entrar aqui, né.

31- PP: Trabalhar a teoria que você fala é ir lá e lançar o conteúdo para eles, e a partir do conteúdo você passa o exercício? Por que é assim , embora eu não compreenda bem, eu dei uma olhada geral na apostila e sempre como aqui, que é o começo, tem sempre uma situação.

32- MARTA: Eles partem de uma situação problema, né?

33 – PP: É. Seja uma situação contextualizada do cotidiano mesmo, ou seja uma situação que envolve problemas da própria matemática ou problemas da história da matemática, eles sempre fazem uma contextualização, para a partir dessa contextualização fazer a resolução.

34 – MARTA: Então essa contextualização que você diz é a teoria, né? Eles inserem essa teoria numa situação, entendeu, então se eles entenderem direitinho a situação eles estão entendendo a teoria necessária para resolver isso, entendeu? Por exemplo, como é que eu vou falar, trabalhar a potência da base 10 se eles não sabem as propriedades da potência? Então ta dentro lá da teoria as propriedades e eu já tinha trabalhado isso antes. Eu não, né, porque pra dar potência isso vem desde 5ª. série, que matemática é uma cadeia a gente só recorda. Só que não trabalhado na 5ª. a potência de base 10 como é trabalhado aqui. Aqui é notação científica, eles precisam da potência de base 10 para trabalhar notação científica, entendeu. Então se eles não tivessem visto essas propriedades da potência que eu tinha necessidade que eu soubesse pra poder resolver, então retomava essas... toda a teoria a respeito da potência para poder trabalhar propriedades. Como eu já tinha feito isso antes porque tinha no livro, que eu comecei eu usava dois livros, o outro tinha. É::: quando chegou aqui eles já sabiam pra resolver os exercícios.

35 – PP: E aí, é::: como você fez, por exemplo no caso da potência, pra contextualizar, pra fazer com que eles percebessem a aplicabilidade ou a... (fala interrompida)

36 – MARTA: Então, aqui na apostila – isso a apostila tem de bom – que eles partem de situação do cotidiano, entendeu? Então eu não precisei ficar fazendo muita coisa.

37 – PP: Você acha que facilita isso?

38 - MARTA: Facilita. Porque a linguagem... eles entendem, né. Facilita bastante. A apostila tem coisas boas. Ela não é ruim, só que ela é supericial. Que nem, agora no finalzinho mesmo, to na equação do 2º. Grau, mas ela não falou sobre o Bhaskara, ela resolveu a equação do 2º. Grau usando somente um método que nem é usado muito. É bom pra entender, pra você entender a geometria da coisa, é bom, e um outro método que muito simplezinho, mas que não vale sempre, entendeu? E ele nem falou sobre o BhasKara.

39- PP: Mas será que ele não trabalha isso nos outros anos?

40- MARTA: Não eu segui até o final. Não sei, na oitavam série toda, não. Ele não falou a respeito do Bhaskara e não falou... aí apareceram equações, daquele outros jeito que é da forma pelo produto que ele mais usou, o método mais usado, não resolvia facilmente, né, e às vezes nem conseguia, ele nem conseguia chegar na resposta porque os números eram muitos altos para ficar pensando “quais são os dois números que multiplicados dá aquele, que somado dá aquele outro”, entendeu, fica mais difícil. O Bhaskara você já chega na resposta e acabou, entendeu? Nem sempre usando a soma e produto você consegue. Então ele nem falou e a formula de Bhaskara é super usada. Outra coisa, os exercícios eram sempre... eram muito repetitivos “o coeficiente de X2 era sempre 1” quando era diferente de , eles não sabiam fazer, entendeu. Então quando você usa o Baskara você já engloba tudo. Então é muito superficial a apostila.

41 – PP: Mas você não acha que seria uma outra opção?

42 – MARTA: Não, eu acho que eles começam de um jeito... eu até gosto do jeito que eles fazem, porque eles partem de situações que pra eles fica fácil de entender, mas se eu ficar só na apostila eu não aprofundo o assunto. Então se ele precisar desse assunto dependendo de uma prova que ele faça aí fora ele não vai conseguir, entendeu? Porque é muito superficial.

43 – PP: Mas você acha que assim: tanto faz você começar do livro pra apostila, ou começar em outra ordem ajuda mais, já que você ta falando que, para os alunos, facilita, já que partem de situações que fazem parte do cotidiano deles?

44 – MARTA: É, se eu der... o livro tem uma linguagem mais difícil, a apostila tem uma linguagem mais fácil. O que eu poderia... depois desse bimestre que eu vi eu mudaria o seguinte: eu começaria com a apostila porque ela em uma linguagem mais acessível, né, e depois complementaria com o livro, entendeu?

45 – PP: Até porque tem uma parte aqui, deixa eu ver do professor, né, que estava lendo, dando uma olhada nas instruções, que fala assim “ destacando a contextualização dos conteúdos, as competências pessoais envolvidas, especialemente as relacionadas com a leitura e escrita de matemática, bem como os elementos culturais internos e externos à matemática” mais pra frente “De acordo com o número disponíveis por semana, o professor explorará cada assunto com mais ou menos aprofundamento, ou seja escolherá uma escala adequada para tratamento do mesmo”, ou seja, você pode partir da apostila...

46 – MARTA: Hum,hum. Foi o que eu fiz, porque eu percebi isso que o livro pra eles ou eles não entendiam porque não estava dentro do cotidiano deles, entendeu, era uma linguagem muito teórica, muito pesada para eles, alguns só conseguiam logo de cara entender e que eles precisariam ter mais embasamento que eles não têm muito, né, nisso a apostila facilitou, entendeu.

47 – PP: Você acha que é mais significativo?

48 – MARTA: É, eles tem uma linguagem mais... aqui é o que eu falei é muito básico, só que só a apostila não tem como, entendeu? O que eu fiz? Aí eu continuei... mudei minha estratégia, né. Comecei pela apostila e complementei com o livro. Aí eu falava, indicava “olha esse assunto tá na página tal, façam aqueles exercícios que lá tem coisa nova, o que você não souberem vocês vem e me perguntem”, entendeu? Acho que ficou um pouquinho melhor para que eles entendessem, porque eles são muito sem base nenhuma, eles não tem... Então a apostila ajuda nesse sentido.

49 – PP: Então ela está sendo positiva?

50 – N. É, eu não acho que ela toda de ruim, não. Eu não posso parar na apostila né, mas ela é... tem uma... Eu mudei a minha visão a respeito da apostila.

51 – PP: Você mudou, porquê?

52 – MARTA: Por que? Por causa disso. Como eles não têm pensamento... eles não tem estrutura lógica, eles não tem conteúdo, eles não tem muita coisa que seria necessária ter desenvolvido antes pra eles poderem logo chegar e se dar bem com o livro. A apostila facilita, ela... ela...essa defasagem que eles têm, de certa forma a apostila ajuda, porque ela começa, dando... como você falou, é mais significativo pra eles entendendo, tendo o sentido o porquê disso, eles começam a entender melhor a teoria mais pesada, ne´.

53 – PP: E pra você, pra sua aula, você acha que isso (fala interrompida)

54 - MARTA: É o que eu falei, eu não fico só na apostila. Facilita minha aula, porque os que não têm um nível mais assim tão elevado conseguem pelo menos entender um pouco, antes eles não conseguiam nem entender, né? Facilita nesse sentido, mas eu não acho que a apostila seja o suficiente, não prepara o pessoal, tá. A apostila eles se dariam bem, se eles tiverem uma prova devolutiva, entendeu? Pra que eles pudessem entender mesmo a matéria eles teriam que complementar com livro. Entendeu? Aqui é só devolutiva, só ali o básicão mesmo, né? Você fala na aula “ isso aqui é margarina, na prova você perguntam: ‘’o que é que isso?’’(risos). Não é o que vai ser no SARESP(risos)? Entendeu? A apostila é só nisso. Aqui não,((bate no livro)) aqui ele aprofunda. Entendeu?

55 – PP: E agora, to com a apostila do primeiro (bimestre), você conseguiria me descrever, como é que você agora procede? Como é que você sai da apostila e entra no livro. E como você faz em sala?

56 – MARTA: Eu:: eu: começo com a apostila a aula com assunto da apostila, é... trabalho os exercícios da apostila, e INdico os exercícios do livro. Porque se fosse pra fazer as duas, eu não conseguiria fazer na aula né? E muitos...é aquela turminha que eu falei, que é a turminha interessada, eles pegam o livro, vão lá e resolvem os exercícios, trazem pra mim os exercícios que eles tem dúvida, e vão né, seguem em frente, mais a maioria para aqui na apostila.

57 – PP: E você acha que é isso por quê? Por que tem uma turminha que é mais interessada?

58 – MARTA: Porque é o interesse mesmo, né? Eu acho que é...tem uns que tem o dom pra... eu... não é nenhuma justificativa é..., eu acho que é questão de interesse mesmo. Tem uns que gostam, se interessam em se aprofundar, quer saber mais, tem uns que não, “Ah! pra mim é o suficiente, não preciso mais do que isso’’. Não tem objetivo ou acham que aquilo lá pra ele, é:: pra o que ele quer é o suficiente, entendeu? Outros não, “ não eu preciso fazer isso’’, “eu preciso...”tem essa consciência Entendeu?

59 – PP: Da outra vez que a gente conversou, você tinha falado assim:: é...que você entendia a matemática como fosse uma linguagem né, e que a linguagem servia como suporte pra outras matérias, pra aplicabilidade. Agora pra esse sentido que você ta me falando, a apostila da um pouco essas situações de:: de:: aplicação, pra você (fala sobreposta) mudou?

desenvolvimento lógico, o desenvolvimento do raciocínio lógico, na matemática, é:: Que nem, às vezes, eu coloco lá, vai: teorema de Pitágoras é “A2 xB2. Eles falam: ‘’mais o que significa isso, o que que é?’’, eu falei: isso daqui gente,

se eu coloco pra um alemão, pra um inglês,pra um... ele..vai entender ali como você , A hipotenusa elevada ao quadrado, não é A2, entendeu? Aquele A2 tem um significado. O que significa aquele A? Eu não vou escrever: “A

hipotenusa’’, aquele A... Nesse sentido, eu falo, a matemática é uma linguagem, ela facilita pras outras matérias justamente por desenvolver o raciocínio lógico, seqüência, noção de seqüência,entendeu? Nesse sentido a matemática é uma linguagem.

61 – PP: A matemática é assim dessa forma? Tendo a aplicabilidade , mesmo na hora de você explicar, facilita pra que eles compreendam, pra que saiam um pouquinho daquela visão: ‘’ai eu não entendo nada, matemática pra mim...’’? 62 – MARTA: É, mais esse que é o problema né? É ... é que eu acho que as pessoas tem uma visão errada da matemática, entendeu? Como que eu vou te explicar? É... você não... a matemática só vai entender, se você praticar. O professor...se você sai da aula e o cara falou: ‘’ Ah, eu entendi isso daí’’, é mentira, entendeu? Ele entendeu o que eu falei naquela hora, ele vai entender a matemática, se ele estudar., entendeu? Se ele pegar, ler, fazer exercícios, ai sim ele vai entender. ‘’ Ah, agora eu sei porque isso’’, se ele falou que a prestou atenção na aula e depois não tá nem aí, depois não treinar, aí ele não entendeu nada, ele nunca vai entender a matemática.

63 – PP: Mas quando você fala em entender, você fala em relação a (fala interrompida) linguagem da matemática ou perceber onde é que aquilo vai ser (fala interrompida) se usado?

64 – MARTA: Não, não. Perceber o que é a matemática, a matemática no geral, entendeu? Mas a linguagem matemática, o porque daquilo, porque nada vem...a matemática vem da situação da nossa vida, do nosso dia-a-dia, ela não surgiu do nada. É uma forma de se expressar, é... a matemática, ela é uma forma de se expressar, entendeu? O professor de português utiliza a língua portuguesa, o professor de matemática utiliza as expressões, as expressões matemáticas, formas matemáticas, números né? Um mundo escrito de uma outra forma, mas é uma linguagem, entendeu?

65 – PP: Ainda nesse sentido. Como é que você vê o papel da matemática pra formação do cidadão ou o seu papel como professora , da sua aula pra formação do cidadão que é o que pauta o nosso trabalho hoje né?

66 – MARTA: Pra formação do cidadão, como que eu vejo?! Ai...não sei te responder isso!

67 – PP: Todo esse trabalho, assim, que você desenvolve. Assim, mexe com varias habilidades, com varias competências, (fala interrompida) você acha que isso de alguma maneira ....(ela não deixou concluir a pergunta)

68 – MARTA: Torna um cidadão ... a matemática ajuda o cidadão ser uma pessoa mais atenta, é isso assim, é isso que você quer dizer? Uma pessoa mais atenta, mais observadora, é... ela pensa mais, é uma pessoa mais pensante, ela pensa mais antes de agir, entendeu? Pra formação da pessoa, eu acho que isso que cheira matemática, entendeu? Acho que torna a o individuo mais consciente, entendeu? É... saber que tudo tem um porque, todo problema tem uma solução se você pegar o caminho,todo problema se você seguir um determinado caminho você vai chegar em um determinado lugar, entendeu? É pra isso, pra essas, nesse sentido que eu vejo né, pra formação.

69 – PP: E você consegue fazer assim em sala de aula, essa relação com eles, discute com eles (fala interrompida) 70 – MARTA: Eu sempre falo com eles, “gente, vocês perceberam que se vocês, é...agirem dessa forma, nem todas as pessoas, é... vocês não vão absorver ou ‘engolir’, entre aspas, tudo que os outros falam, porque vão pensar antes de agir, né?Não vão agir por impulso, vocês tem que parar pra pensar antes de vocês tomarem uma decisão, se vocês não pararem pra pensar, vocês não sabem qual o caminho seguir, vocês vão fazer coisa errada. Eu falo e (sobreposta de vozes)

71- PP: E você fala dessa relação com matemática? (fala sobreposta) porque assim de certa maneira se a gente for pensar (sobreposição de vozes) a matemática é (fala interrompida)

72 – MARTA: Pra você resolver aquele problema, o que é que você precisa fazer. “O que que o problema tá te pedindo? Que você faça isso, isso e isso. Pra eu fazer isso, o que eu preciso?” Entendeu? Eu faço sempre assim, “ eu preciso disso. Dentro do que você conhece, é...o que, o que você conhece te permite solucionar esse problema?” Você entendeu?! Eu faço sempre isso. A vida é a mesma coisa, né ?