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Quantifying probabilities using modelling framework

6. Establishment of methodology for quantification of probabilities

6.2. Quantifying probabilities using modelling framework

Considerando a perspectiva teórico-metodológica da ATD, utilizaremos em nossa análise seis categorias semânticas principais: a referenciação, a predicação, a modificação da referenciação e da predicação, a comparação, a conexão e a localização espacial e temporal.

1 Referenciação: é compreendida e defendida, por nós, como a designação dos referentes (coisas, objetos, sujeitos de ações, processos), ou seja, aquela que nomeia os participantes do processo da ação verbal.

Cavalcante (2011, p. 15) diz que “[...] referentes são entidades que construímos

mentalmente quando enunciamos um texto. [...] fazemos referência a algo quando nos reportamos a pessoas, animais, objetos, sentimentos, ideias, emoções, qualquer coisa, enfim,

que se torne essência, que se substantive quando falamos ou escrevemos”.

Nesse sentido, os referentes são substantivos ou expressões nominais equivalentes que constroem as entidades responsáveis pelos processos verbais.

Ilustramos a categoria da referenciação com exemplos extraídos do discurso de Antonio Carlos Magalhães:

(L12-13) Nas ruas, em toda parte, onde desmascararei, como tenho feito, os ladrões do Erário, os

inimigos da verdade, os criminosos de todos os crimes. Foram muitos desses os julgadores de minha

conduta ética, quando na verdade alguns sequer podiam julgar a conduta de quem quer que fosse, pois são desprovidos de conduta própria para ser julgada.

2 Predicação: essa categoria semântica segue, na nossa investigação, a definição de Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010, p. 175), que dizem: “remete tanto à operação de seleção dos predicados, isto é, à designação dos processos, no sentido amplo (ações, estados, mudanças de estado etc.), como ao estabelecimento da relação predicativa no enunciado”. É o que gramaticalmente chamamos de predicados verbais e nominais que se encarregam de estabelecer as relações entre o referente e os processos desenvolvidos por ele. A predicação se manifesta no texto por meio de verbos ou expressões verbais.

Vargas (2011) apresenta os estudos do verbo enquanto categoria de tempo e de aspecto que se insere nas áreas da semântica, da pragmática e da argumentação. Para a autora,

os verbos são fenômenos linguísticos que indicam “o tempo dos acontecimentos, a(s)

pessoa(s) neles envolvida(s), o modo como acontecem e a voz, ou seja, se os sujeitos são agentes ou pacientes (objetos) em relação às ações expressas pelo verbo”. (VARGAS, 2011, p. 31).

A autora, além de apresentar que o verbo é analisado tendo em vista as categorias de modo, tempo, pessoa, número e voz, apresenta subdivisões quanto à ação verbal, classificando-a como durativa, iterativa, habitual, inceptiva, iminencial, terminativa.

Conforme a descrição acima, a referenciação e a predicação possuem papéis semânticos importantes para a produção e construção dos enunciados. São essas operações que constroem o processo básico de formação das proposições, dos períodos, das sequências e de todo o plano global do texto, ou seja, a predicação está, necessariamente, ligada à referenciação e vice-versa.

Destacamos expressões verbais que ilustram as discussões:

(L12-13) Nas ruas, em toda parte, onde desmascararei, como tenho feito, os ladrões do Erário, os inimigos da verdade, os criminosos de todos os crimes. Foram muitos desses os julgadores de minha conduta ética, quando na verdade alguns sequer podiam julgar a conduta de quem quer que fosse, pois são desprovidos de conduta própria para ser julgada.

3 Modificação: definimos a modificação como a categoria que apresenta as propriedades ou qualidades tanto dos referentes como das predicações, por isso ela pode ser subdividida em modificação da referenciação e modificação da predicação. Está ligada tanto ao sujeito, por meio de adjetivos e/ou expressões adjetivas, quanto às ações verbais dos predicados, por meio das circunstâncias adverbiais. Vejamos os exemplos destacados:

(L12-13) Nas ruas, em toda parte, onde desmascararei, como tenho feito, os ladrões do Erário, os inimigos da verdade, os criminosos de todos os crimes. Foram muitos desses os julgadores de minha

conduta ética, quando na verdade alguns sequer podiam julgar a conduta de quem quer que fosse,

pois são desprovidos de conduta própria para ser julgada.

4 Comparação: é uma ramificação da operação de relação advinda de Adam (2011 [2008]). Estabelece relações de sentido por meio do processo de comparação. É reconhecida no texto por meio de elementos linguístico-discursivos que demarcam a comparação entre objetos, que pode ser feita por meio de pares textuais: como, tanto... quanto..., ou de metáforas.

Exemplifiquemos:

(L495) um político tenha sido, de forma tão cruel e injusta, espancado quanto eu.

Em negrito, destacamos os elementos de comparação tão... quanto que permitem mostrar a forma de tratamento que o Senador foi submetido no processo de cassação.

5 Conexão: no nosso entendimento, a conexão proporciona a relação semântica entre um enunciado anterior e um posterior, de modo a formar a coesão do texto, a juntar os enunciados para construir as representações de sentido existentes neles.

O conceito de conexão que adotamos parte de Adam (2011 [2008]), Neves (2006) e Bronckart (1999), para os quais a conexão é um mecanismo de textualização que cria as isotopias do texto, articula os argumentos, os contra-argumentos, as explicações, as justificativas, o plano hipotético e as concessões que dão conta das construções dos enunciados ditos complexos, na formação da textualidade pelo locutor/produtor de texto.

Adam classifica como elementos de conexão as conjunções e as expressões ou orações equivalentes. Assim expressa:

Os conectores entram numa classe de expressões linguísticas que reagrupa, além de certas conjunções de coordenação (mas, portanto, ora, então), certas conjunções e locuções conjuntivas de subordinação (porque, como, com

efeito, em consequência, o que quer que seja, então etc.) e grupos nominais

ou preposicionais (apesar disso etc.) (ADAM, 2008, p. 179).

Para Neves (2006, p. 223), a conexão entre os enunciados não acontece apenas por meio das conjunções, “trata-se, na verdade, de um conjunto de relações semânticas entre orações, entre complexos oracionais, entre trechos de textos, explicitados por um sem número

de expedientes, não apenas pelos elementos ditos ‘conjuntivos’ como as conjunções”. Com

isso, a autora quer explicar que a conexão acontece pelo uso das conjunções, dos advérbios, dos complexos verbais, dentre outros elementos.

Concordando com esse pensamento, Bronckart (1999) os definem como mecanismos que contribuem para marcar as articulações da progressão temática. São organizadores que articulam todo o texto, desde o plano macroestrutural até as ligações entre proposições mais simples.

Citamos exemplos do excerto do discurso de ACM em que os elementos de conexão, em negrito, articulam as proposições e os períodos, constituindo o texto:

(L17-23) [...]Há mais de três meses as atenções do País estão voltadas para mim, como se eu fosse o principal problema do Brasil. Aliás, como se eu fosse algum problema para o Brasil. É a tática do diversionismo. Falam de Antonio Carlos, submetem-no ao mais torpe processo de linchamento político de que se tem notícia na história do País [...].

6 Localização: é a categoria por meio da qual identificamos no texto os espaços físicos e o tempo. Subdivide-se em localização espacial e temporal. Para Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010, p. 176) “indica as circunstâncias espaçotemporais nas quais se desenvolvem os processos e os participantes”. Ou seja, são os elementos linguístico- gramaticais que se localizam no texto, através de expressões de lugar e de tempo, que são os

advérbios e equivalentes. São recursos importantes que indicam onde e quando os objetos são representados, discursivamente, pelo conteúdo expresso no texto.

Esses elementos que marcam a localização temporal e espacial, Adam (2011 [2008]) denomina de organizadores textuais. Para o autor, “os organizadores exercem um papel capital no balizamento dos planos textuais” (ADAM, 2011 [2008], p. 181). Assim, ele distingue os que estão no campo da representação discursiva em temporais e espaciais.

Organizadores espaciais: à esquerda/à direita, antes/depois, em

cima/embaixo, mais longe, de um lado/de outro etc.). Organizadores

temporais: então, antes, em seguida, [e] então, depois, após, na véspera, no

dia seguinte, três dias depois. Os organizadores temporais possuem uma propriedade interessante: a de poder combinar conforme uma ordem de informatividade crescente: E + então + depois + após/em seguida/mais tarde/logo em seguida (ADAM, 2011 [2008], p. 181, grifo do autor).

No mesmo excerto a seguir, trazemos em destaque os organizadores espaciais sequenciados: nas ruas, em toda parte, onde, bem como o organizador temporal quando, que estão voltados à construção dos referentes dos que acusam ACM de estar envolvido na violação do painel eletrônico do Senado.

(L12-13) Nas ruas, em toda parte, onde desmascararei, como tenho feito, os ladrões do Erário, os inimigos da verdade, os criminosos de todos os crimes. Foram muitos desses os julgadores de minha conduta ética, quando na verdade alguns sequer podiam julgar a conduta de quem quer que fosse, pois são desprovidos de conduta própria para ser julgada.

A extensão conceitual e teórica a que nos propomos, nessa seção, vislumbra a retomada de operações e procedimentos textuais que constroem os textos. Com base nesse percurso teórico, definimos seis categorias semânticas de análise das representações discursivas: a referenciação, a predicação, a modificação, a localização, a conexão e a comparação, que nos permitiram descrever, interpretar e analisar as Rds que ACM constrói de si mesmo e de seus alocutários.

CAPÍTULO III

CONSTRUÇÃO DO OBJETO DE PESQUISA: METODOLOGIA DE PESQUISA, PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE E CARACTERIZAÇÃO DO CORPUS