A aplicação de resíduos e calcário apresentou diferença entre os tratamentos para as variáveis comprimento, superfície e massa de matéria seca radicular e não houve significância na variável diâmetro radicular (Figura 28). Pode-se notar que mais de 90% das raízes da aveia preta estão distribuídas na camada de 0,0 – 0,20 m, independente do tratamento.
Os tratamentos LSJ, Lcal e E favoreceram o acréscimo do comprimento radicular na aveia preta, em especial, nas camadas de 0,0 – 0,05 e 0,05 – 0,10 m e para calcário na de 0,05 – 0,10 m. A dose zero e o biossólido LB apresentaram os menores comprimentos radiculares em todas as camadas. Esse melhores comportamentos obtidos em
Figura 28 – Comprimento (km.m-3), superfície (m2.m-3), diâmetro (cm) e massa de matéria seca (g.m-3) do sistema radicular de aveia nas profundidades de 0 – 0,05, 0,05 – 0,10, 0,10 – 0,20 e 0,20 – 0,40 m, influenciadas pela dose de 8 ton ha-1 dos resíduos, além da dose zero e do calcário, após dois anos de reação.
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0 20 40 60 80 Comprimento radicular (Km m-3) P rof u ndi d ade ( m ) Dose 0 LB LSJ Lcal E Calc 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 Diâmetro radicular (cm) P rof un di dad e ( m ) Dose 0 LB LSJ Lcal E Calc 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0 200 400 600 800
Massa de matéria seca radicular (g m-3)
Dose 0 LB LSJ Lcal E Calc 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0 15 30 45 60 75 90 Superfície Radicular (m2 m-3) Dose 0 LB LSJ Lcal E Calc
LSJ, Lcal e E são em razão da elevação nos teores de Ca no solo e do aumento do pH e, conseqüentemente, da redução da acidez potencial (Figuras 4, 5, 14, 15, 20 e 21), uma vez que as raízes das plantas têm seu crescimento limitado em subsolos ácidos, principalmente, por causa da toxidez de Al e da deficiência de Ca (PAVAN et al., 1982), o que interfere na absorção de água e nutrientes e, conseqüentemente, na produtividade das culturas.
Tanto o Ca como o Mg participam do crescimento radicular por meio de pectatos de Ca e Mg que compõem a parede celular (MALAVOLTA, 1997), assim, a presença de Ca nas soluções em contato com as raízes é essencial para a sua sobrevivência, pois não há a translocação do nutriente da parte aérea para as porções novas das raízes em crescimento (CAIRES et al., 2001).
A superfície radicular seguiu o mesmo comportamento do comprimento radicular, uma vez que a superfície é proveniente do comprimento associada ao diâmetro radicular. As maiores diferenças entre os tratamentos, para as variáveis comprimento e superfície radicular se encontram nas camadas de 0,0 – 0,05 e 0,05 – 0,10 m, devido a haver maiores quantidades de raízes nestas duas camadas, representando mais de 70% do total, para a cultura da aveia preta.
Os resultados mais interessantes tanto para comprimento como para superfície se referem a camada de 20 – 40 cm, onde as diferenças encontradas entre os tratamentos, apesar de pequenas, são significativas, permitindo inferir sobre a maior disponibilidade para exploração de água e nutrientes, nos tratamentos Lcal para comprimento e superfície e calcário para superfície, ambos na profundidade de 0,40 m. Rosolem (1995) relata que a maior importância do sistema radicular profundo reside fundamentalmente na aquisição da água pelas plantas, pois a maior parte da quantidade de nutrientes absorvidas por elas são provenientes das camadas mais superficiais, devido a maior disponibilidade de nutrientes.
Os resíduos e o calcário não alteraram o diâmetro radicular, apesar do tratamento escória ter apresentado valores diferentes dos demais na camada de 0 – 5 cm, esse no entanto não diferiu significativamente dos demais. Para as demais camadas os tratamentos apresentaram comportamento semelhante. Esta variável não teve nenhuma influência tanto na superfície como na massa de matéria seca radicular.
A massa de matéria seca radicular foi incrementada de forma significativa em todas as camadas ao longo do perfil do solo devido à aplicação dos resíduos e calcário; este comportamento pode ser explicado através do comprimento uma vez que raízes mais compridas de forma geral possuem maior massa seca.
As principais camadas do solo que apresentaram maior quantidades de massa de matéria seca radicular foram as de 0,0 – 0,05 e 0,5 – 0,10 m, nestas profundidades se destacaram todos os resíduos bem como a calagem. As camadas de 0,10 – 0,20 e 0,20 – 0,40 m mostraram resultados próximos entre os tratamentos, porém o desvio médio significativo também foi pequeno o que permite classificar alguns tratamentos como calcário, LSJ e E como os melhores para a camada de 10 – 20 cm e Lcal, E e calcário para 0,20 – 0,40 m, nestas camadas mais profundas. A maior quantidade de raiz em épocas de veranico e com baixa quantidade de alguns nutrientes torna-se um fator fundamental no diagnóstico de sistema de manejo para a otimização da produtividade agrícola da cultura em questão e da cultura em sucessão devido à formação de bioporos nestas camadas.
É importante ressaltar a contribuição do sistema do plantio direto; durante esses dois anos de exploração, onde foram instaladas quatro culturas, sendo duas comerciais de soja e duas de cobertura de inverno de aveia preta. Sendo o sistema radicular dessa gramínea afetado diretamente pelas propriedades químicas do solo, em razão da aplicação dos resíduos e pela calagem, apresentando-se mais desenvolvido em função do aumento das doses dos resíduos na superfície do solo.
A maior produção radicular poderia justificar também de maneira indireta a melhor agregação do solo, principalmente pelos resíduos LSJ, E e Lcal que obtiveram as maiores produções de grãos de soja, sistema radicular de aveia e massa de matéria seca de aveia.
De acordo com os resultados obtidos pode-se afirmar que a aplicação de resíduos e do calcário em superfície sob plantio direto melhoram as condições do solo, em especial o Ca e pH (Figuras 4, 5, 14 e 15) favorecendo o crescimento radicular, até a profundidade de 0,40 m (Figura 28), o que possivelmente possibilitou maior exploração de água e nutrientes, produzindo maior massa de matéria seca da parte aérea e consecutivamente maior produtividade da aveia preta.