• No results found

type III No FGM/C Results RR (95%CI)

Appendix 4: Quality assessment

Os conceitos de economia aqui apresentados têm por objetivo apoiar a melhor compreensão das teorias e conceitos utilizados na formação e desenvolvimento de clusters e, em especial, na construção do modelo de entradas-saídas e, posteriormente, na quantificação dos setores maritímos, desenvolvidos no capítulo quarto e quinto desta tese.

Durante muitos anos, o Mercantilismo(1500 - 1800) considerou que o fator mais importante, para o bem estar e prosperidade de uma nação, consistia na quantidade de metais preciosos que essa nação possuía, sendo o comércio internacional a melhor forma de obte-los, gerando riquezas e saúde económica.

Na teoria das vantagens absolutas de Adam Smith (1776), considerado o fundador da economia moderna, cada país deve-se especializar na produção e na exportação de bens, cuja produção seja a mais eficiente, consistindo naqueles que consomem o menor número de horas trabalhadas.

Na teoria das vantagens comparativas, David Ricardo (1817) considera que se um país for eficiente na produção de dois bens, pode acontecer que ele seja relativamente mais eficiente na produção de apenas um deles. Nesse caso, esse país deve-se especializar apenas na produção e na exportação da mercadoria que produz com maior eficiência.

Alfred Marshall (Principles of Economics, 1890), enfatizou a idéia das externalidades. Se cada produtor, isoladamente, tivesse a percepção da existência de rendimentos marginais decrescentes do seu investimento em fatores produtivos e se pudesse ainda ignorar os efeitos positivos que o seu investimento poderia gerar para os outros produtores, em nível agregado e como resultado das ações simultâneas de todos os produtores, aconteceriam efeitos externos sobre a produtividade de cada um deles (externalidades), de modo a superar os rendimentos marginais decrescentes.

Na teoria da proporção dos fatores, Eli Hecksher (1949) e Bertil Ohlin (1977) consideram que se um país é relativamente abundante em mão de obra ou em capital, deve-se especializar na produção e na exportação dos produtos intensivos em trabalho

Na teoria da procura doméstica do produto, de Wassily Leontief (1950) e Staffn Burestan Linder (1961), a pesquisa sobre a proporção dos fatores de produção (nos Estados Unidos) revelou que (nesse país) as exportações são intensivas em trabalho, ao contrário do que se poderia esperar de um país abundante em capital. O tipo, a complexidade e a diversidade da procura de um país aumentam com o crescimento do rendimento per capita. Também o comércio internacional segue o mesmo princípio e, deste modo, também os países com rendimento per capita similar possuem um volume de comércio menor.

Na teoria do ciclo do produto de Raymond Vernom (1966) e na teoria do comércio e mercados imperfeitos Paul Krugman (1985) revelaram que o país que possui uma vantagem comparativa na produção e na exportação de um produto inovador altera o seu fluxo de comércio, na medida em que a tecnologia de produção dessa mercadoria amadurece. A mudança nos fluxos de comércio, inclusive no comércio intra-indústria, sustenta-se nas imperfeições do comércio de produtos e dos mercados.

Na vantagem competitiva das nações de Michael Porter (1990), a competitividade das nações depende da capacidade de inovar da sua indústria e de reagir atempadamente às mudanças. As empresas ganham vantagem competitiva por causa dessas mudanças e ameaças e, nesse sentido, com a agressividade comercial dos fornecedores, conseguem beneficios na competição pelos mercados domésticos e na procura dos consumidores locais.

Verifica-se que o comércio internacional afeta diretamente a economia de cada país em aspectos micro económicos e macroeconómicos. Para o comércio internacional, a globalização significa estar presente na maioria dos países mais importantes do mundo, independentemante da forma como a empresa esteja implantada em cada mercado.

Para Pólese (1998), se assumirmos que a proximidade e a concentração de empresas originam um ambiente mais propício ao incremento da produtividade e se esta fonte de produtividade se situa no exterior das empresas (meio envolvente), então esta situação conduz a economias externas ou externalidades. Se estas externalidades se encontrarem geograficamente concentradas, conduz a economias ou externalidades de aglomeração. Nas economias de aglomeração, os ganhos de produtividade são atribuídos à aglomeração geográfica das atividades económicas.

Segundo Glaeser et al (1992), Echeverri-Carrol and Brennam (1999), são distinguidos dois tipos de economias de aglomeração: economias estáticas e economias dinâmicas.

Para Jensen-Butler et al (2003) as economias estáticas decorrem dos efeitos resultantes da:

1. Partilha de serviços e infraestruturas comuns;

2. Redução dos custos das transações;

3. Existência de complementaridades produtivas entre empresas.

A proximidade geográfica de um conjunto de empresas, do mesmo setor, ou de setores de atividades distintos, facilita a partilha de um determinado conjunto de equipamentos, serviços e atividades, que, isoladamente, acarretariam custos e riscos elevados. Por outro lado, as economias dinâmicas advêm geralmente da troca e acumulação do conhecimento. Assim, as economias dinâmicas, ao assumirem um desempenho inovador na partilha de bens físicos e de risco e na criação, acumulação e aplicação de conhecimento, diferem das economias estáticas.

Outro aspeto que convém referenciar, no âmbito desta tese, tem a ver com a circulação dos bens e serviços numa economia. O fluxo circular do rendimento é uma representação simplificada da realidade, a qual nos vai permitir uma melhor compreensão dos fluxos comerciais no modelo de entradas e saídas.

No seu modelo mais simplificado, o fluxo circular do rendimento consiste no fluxo de pagamentos internos, que transita das famílias para as empresas e, novamente, destas às famílias. Nesta simplificação, assume-se que:

É uma economia fechada, ou seja, não transaciona com o exterior (não há exportações nem importação, nem investimentos estrangeiros);

É uma economia sem governo, e portanto, não há cobrança de impostos; Não há poupança;

Não há depreciação do capital.

Com base nas considerações anteriores, a economia é composta por famílias e empresas, onde as famílias detêm os fatores de produção e as empresas possuem apenas a vontade de produzir. Nessa economia fechada as empresas procuram fatores de produção (trabalho, terra, capital, etc.), uma vez que não detêm nada. Vão ao mercado e pagam ou remuneram esses fatores de maneira que a remuneração do trabalho é o salário, a remuneração da terra é o aluguer, a remuneração do capital pode ser o juro ou o lucro (dependendo da forma do capital).

A Figura 30 representa o fluxo circular do rendimento na sua forma mais simplificado.

Figura 30: Fluxo circular do rendimento simplificado

Neste tipo de economia, em termos de impacto para uma procura adicional, existem apenas efeitos diretos entre famílias e empresas. Do ponto de vista das famílias as remunerações correspondem à entrada de receita (rendimento) e são as únicas ofertas dos fatores de produção no mercado. As empresas possuindo os fatores de produção passam a utilizá-los até esgotá-los, resultando então na produção, que vai ser oferecida no mercado de bens e serviços. As famílias, depois de receberem o rendimento, passam a procurar bens e serviços. As famílias usam esse rendimento para adquirir os bens e serviços, gerando assim uma despesa (do ponto de vista das famílias), que é receita para as empresas. Deste modo, fecha-se o ciclo, chamado fluxo circular do rendimento.

Se considerarmos também o fluxo monetário obtemos um novo fluxo circular do rendimento, representado na Figura 31, no qual passa a constar o mercado financeiro.

Na realidade temos um governo e as famílias não consomem todo o seu rendimento, pois geram poupança e pagam impostos. Como alguns bens e serviços são comprados pelas empresas e pelo governo (administração pública) geram investimento e consumo público. Também as economias são abertas e por isso realizam importações e exportações. Assim, de uma forma mais completa, considerando o Governo, a poupança, o investimento e mercado externo (resto do mundo), o fluxo circular do rendimento passa a ter a representação da Figura 32.

Figura 32: Fluxo circular do rendimento completo

Considerando o fluxo circular do rendimento na sua totalidade, em termos de impacto para uma procura adicional, é possível observar os efeitos diretos entre famílias e empresas, bem como os efeitos indiretos e induzidos que surgem dos consumos intermédios, das importações e das exportações com o resto do mundo.

Também, através do fluxo circular do rendimento, é fácil de compreender as três óticas do Produto Interno Bruto, que são a procura, o rendimento e a produção. Na hipótese da não existência de poupança, toda a produção é ofertada no mercado, logo todos os bens e serviços são consumidos - o que equivale à procura, e toda a produção precisa remunerar os fatores de produção - que é rendimento para as famílias, ou toda a procura precisa ser paga - que corresponde ao modo como as famílias consomem os seus recursos.

Para melhor compreender a quantificação económica e o relacionamento dos setores marítimos, são apresentadas, em anexo, algumas definições, geralmente utilizadas e caraterizadas pelo Instituto Nacional de Estatística.