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4 Methodology

4.5 Data collection sub-study II and III

4.6.2 Qualitative content analysis

A assistência prestada durante o processo de parto e nascimento nas maternidades investigadas apresenta-se inadequada, conforme resultados demonstrados e critérios de avaliação utilizados como parâmetro, o que leva a aceitação da hipótese alternativa. Ademais, constatou-se que a maternidade A obteve, de modo geral, melhor qualidade na assistência quando comparada à maternidade B, o que leva a aceitação da hipótese alternativa. Entretanto, entende-se que a avaliação de forma isolada não é capaz de promover melhorias no âmbito institucional. Todavia, quando associada ao processo de planejamento, o qual deve ter como base as informações produzidas no processo avaliativo, verdadeiras mudanças poderão ocorrer. Para isso, inicialmente é preciso considerar as principais fragilidades encontradas dentro de cada aspecto avaliado pelo estudo.

Sobre as características das puérperas, sugere-se atenção especial aos atendimentos daquelas oriundas de outros municípios, principalmente aqueles localizados distantes da capital. Isso se deve à necessidade de rastrear as deficiências na rede assistencial que levam à transferência dessas puérperas. Como visto anteriormente, quando esse deslocamento é realizado de modo desarticulado, implica em sérias consequências para a saúde materna e fetal, bem como impacta na qualidade do serviço que assiste a parturiente.

Por sua vez, as práticas integrantes da categoria A precisam ser cada vez mais estimuladas, principalmente na maternidade B, como o uso do partograma, o oferecimento de líquidos e o estímulo a posições não supinas. De forma articulada, a assistência pré-natal necessita assegurar a existência de vinculação entre as gestantes e a maternidade na qual provavelmente o parto ocorrerá. Ao contrário, as práticas presentes nas demais categorias devem ser revistas, como o parto em posição de litotomia, o uso de ocitocina no trabalho de parto, toque vaginal realizado por mais de um examinador e a ocorrência de episiotomia.

As evidências científicas existem não para determinar condutas, mas para orientar práticas dentro de cada contexto. Da mesma forma, a assistência obstétrica

não pode continuar a pautar o conjunto de suas ações em preferências profissionais. Assim, a necessidade de aproximar a ciência da prática é cada vez mais urgente, como modo de garantir uma assistência de qualidade e com menor possibilidade de danos.

Nesse caminhar, é preciso que os profissionais integrantes da obstetrícia, sobretudo enfermeiros e médicos, busquem aprimoramento profissional para desenvolver suas atividades assistenciais em consonância com as políticas públicas de saúde e as evidências científicas. Desse modo, é imprescindível que a enfermagem aproxime suas condutas das evidências científicas produzidas nessa área com vistas a consolidar a prática profissional e contribuir para uma assistência obstétrica de melhor qualidade. Igualmente, a gestão local deve garantir as condições necessárias para que essa mudança se processe.

Como limitações do estudo, tem-se o fato de a avaliação contemplar apenas a assistência prestada durante o parto normal sob o ponto de vista da puérpera. Assim, sugerem-se novas investigações que contemplem os aspectos estruturais e que levem em consideração a visão dos profissionais de saúde. Contudo, as informações produzidas podem ser utilizadas para reorientação de práticas e rotinas institucionais.

Os desafios no campo obstétrico são inúmeros, mas romper com um sistema que por muito tempo causou danos às mulheres e seus filhos, sejam de ordem física ou psicológica, advindos de intervenções muitas vezes desnecessárias e sem fundamentação científica, é um compromisso a ser assumido por cada profissional. Traduz-se, ainda, em uma questão ética, de princípios e valores a serem respeitados. Para tanto, os obstáculos presentes neste contexto precisam ser superados em busca de um modo de nascer humanizado.

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