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1. La Disgrafia com a dificultat de l’escriptura

1.1. Què és la Disgrafia? Concepte de Disgrafia

Durante as aulas, anotei alguns insights sobre a Modelagem que, pela sua propriedade, não podem ser perdidos. Por isso, registro-os nesta seção.

A Modelagem é uma estratégia que tem como objetivo resolver algo que não se conhece. Dado o problema, o estudo necessário vai descortinando os assuntos (conteúdos) exigidos para a modelagem. Portanto, não se partem de conteúdos

determinados: os assuntos vão se impondo, à medida que o processo de modelagem avança. Se dado assunto não é conhecido, então ele é estudado para dar conta da solução do problema. Portanto, com esta abordagem, como os assuntos afloram naturalmente, não há e não faz sentido a prescrição de sequência ordenada de conteúdos. Biembengut e Hein (2009, p. 12) aduzem que, além do conhecimento de matemática, o modelador precisa de “intuição e criatividade para interpretar o contexto, saber discernir que conteúdo matemático melhor se adapta e também ter senso lúdico para jogar com as variáveis envolvidas”.

A Modelagem impõe a realização de pesquisa mais intensa na fase inicial para obtenção do conhecimento relevante para a solução do problema, mas isto pode ocorrer ao longo de todo o processo, até que o modelo proposto seja validado. Portanto, o processo não se esgota quando se chega a um modelo: na validação, pode-se concluir que ele é insuficiente ou incompleto. Neste caso, volta-se ao passo inicial, para obter mais conhecimento sobre o assunto tratado e novos modelos podem ser elaborados (ALMEIDA et al., 2011).

Como a Modelagem tem amparo em problemas do cotidiano, da realidade, enseja debate social e crítico das questões suscitadas (SKOVSMOSE, 2011) (BASSANEZI, 2009).

A Modelagem no ensino, de certa forma, traz o que o matemático aplicado faz para a sala de aula, com olhar pedagógico.

Para a aplicação adequada da Modelagem há necessidade de que o modelador tenha cultura matemática, aliada à sensibilidade para a abordagem criativa dos problemas (BIEMBENGUT e HEIN, 2009).

A Modelagem como estratégia de ensino é altamente motivadora pela possibilidade de envolvimento e mobilização dos participantes; no entanto, é preciso registrar que é um processo que caminha lentamente.

Nesta abordagem do problema, há exigência de criatividade de como tratá-lo. Em contraponto, de certa forma, a abordagem tradicional de ensino inibe a criatividade, ao cingir o estudo ao tratamento matemático, com ênfase nas operações de cálculo e manipulações, distanciadas dos problemas reais (BASSANEZI, 2009).

A Modelagem é profícua como abordagem de ensino quando realizada em grupo. A interação entre os estudantes para a concretização do trabalho de

modelagem é benéfica para a aprendizagem, pelo que suscita de pesquisa, debate, argumentação e contra-argumentação. Em razão disto, o ambiente das salas de aula precisa de adaptação, que dê conta do protagonismo exigido dos estudantes, em contraponto à passividade do ensino tradicional. Carteiras individuais, enfileiradas, não constituem o ambiente ideal para esta abordagem: como os trabalhos se desenvolvem em grupos, o ideal é a arrumação dos grupos de estudantes em mesas (BIEMBENGUT e HEIN, 2009).

Outro aspecto importante é a transversalidade da Modelagem, em que o conhecimento é visto como um todo, possibilitando que várias perspectivas sejam analisadas – como acontece na realidade, em que os problemas se apresentam indivisos. Em particular, o conhecimento matemático emerge de modo natural. Essencialmente, quando se emprega Modelagem, enfatiza-se análise e reflexão durante o processo, fatores preponderantes para aprendizagem.

Como o trabalho com Modelagem tem base na realidade, é conveniente fazer a associação dos parâmetros do modelo proposto (fórmulas, gráficos, tabelas, textos descritivos) com os seus significados reais. Quando o estudante consegue fazer a passagem de uma forma de registro para outra, depreende-se que seu conheci- mento é mais sólido. Ou seja, partindo do registro textual, se ele consegue passar para o registro geométrico ou algébrico; partindo do registro tabular, se ele consegue traduzir para o registro geométrico ou algébrico. Da mesma forma, quando isto se dá no nível de problemas, é a chamada transferência de contextos. “A transferência ocorre quando o aprendiz conhece e compreende os princípios subjacentes que podem ser aplicados a problemas já conhecidos ou parcialmente conhecidos, em novos contextos. Dedução, indução e analogia são variações do processo de racionalização na solução de um problema”. (CAMPOS et al, 2003, p. 68). O mecanismo usado neste processo acessa informações relevantes na memória de longo prazo, e outros que tentam mapear o novo problema na rede de conhecimentos prévios, para criar uma representação interna do problema que está sendo resolvido (op. cit.).

E podem-se analisar mudanças nestes parâmetros e os reflexos no modelo. Da mesma forma, atenção deve ser dada aos limites de validade destes parâmetros para sua adequação ao fenômeno real. Pode-se também aproveitar para rever ou introduzir a abordagem de conceitos ainda não tratados. A discussão sobre as

hipóteses que baseiam o modelo proposto pode ensejar diálogo enriquecedor para a aprendizagem dos estudantes. O paralelo que se pode fazer entre o argumento matemático e o argumento físico é elemento enriquecedor para as discussões de determinados fenômenos.

Com relação ao uso das Tecnologias Digitais, havendo desconhecimento ou inabilidade no uso do software utilizado na modelagem, inevitavelmente isto pode comprometer a aprendizagem e, mesmo, determinar a falta de clareza e correção na elaboração do modelo. Neste caso, o software, em vez de ser uma ferramenta útil, passa a constituir-se obstáculo. Portanto, a utilidade deixa de existir neste caso. Um dos participantes chegou a comentar que não utiliza o recurso computacional para “não passar vergonha”. Tal qual Araújo (2002, p. 85) relata, passando a palavra a uma aluna-sujeito de sua pesquisa:

Eu não entendo muito de computadores, não manjo muito, então... eu precisava me esforçar mais ainda pra usar o computador. Que nem a gente já teve aula de Cálculo no computador, tudo muito rápido, o gráfico aparece na hora, assim. Mas eu preciso me familiarizar, sei lá... com os comandos, com as coisas. Porque eu acho que, às vezes, eu demoro mais pra entender, pra fazer

o comando, do que se eu fosse fazer na mão mesmo. (grifo nosso).

Não se pode ignorar também um fato: de modo geral, os pacotes de software apresentam limitações para a representação de números. Por exemplo, a representação dos números irracionais é feita de maneira parcial.

Durante toda a condução da disciplina, a utilização da tecnologia digital foi etapa constante do processo de Modelagem. Aliás, isto é um pressuposto nesta pesquisa.

Para evitar a exclusão que pode ocorrer na sala de aula – o fato de o professor direcionar sua atenção para os que sabem mais -, ele, ao contrário, concentrar-se-ia naqueles que demonstram saber menos, buscando trazer estes estudantes para nível mais próximo de conhecimento dos demais, por meio de estratégias específicas voltadas para o que a avaliação processual apontou (PILETTI, 2000).

Na modelagem como estratégia de ensino, a elaboração do modelo não é o único objetivo: o processo que leva ao modelo é que é realmente importante. Afinal, este percurso possibilita a criação de um ambiente favorável à aprendizagem, pelo choque de ideias, pela argumentação, pela busca do saber necessário à concretização do trabalho, permitindo que todos os pontos importantes indutores da

aprendizagem mencionados por Demo (2008) – e que foram listados na Seção 2.1 – sejam concretizados.

A tecnologia digital incorpora grande contribuição no processo de Modelagem, na medida em que ajuda na construção e também na discussão e validação do modelo elaborado.

O ambiente Moodle destina-se a congregar as atividades das turmas de um professor, permitindo a interação entre os participantes e o seu registro, visando fortalecer a aprendizagem.