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Chapter 7: Conclusion

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O processo de triagem dos RCC é de suma importância, pois evita a mistura dos diversos materiais e classes que compõe os resíduos dessa natureza. É valioso informar que a correta segregação dos RCC favorece a reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente adequada.

Cabe ressaltar que caso os RCC sejam misturados com diversas classes e outros resíduos – resíduos domiciliares e resíduos de poda e capina, poderão ser reclassificados

quanto a sua periculosidade e forma de disposição final, bem como poderá ser inviabilizada a sua reutilização e reciclagem.

As Figuras 2.46 e 2.47 demonstram as possibilidades de contaminação dos RCC Classe A caso não haja procedimentos adequados de triagem no canteiro de obras.

Figura 2.46 – Resíduo Classe D disposto em caçamba com RCC Classe A

Fonte: AUTOR (2014).

Figura 2.47 – RCC Classe A misturados com fragmentos de gesso e demais RCC Classe B Fonte: AUTOR (2014).

Segundo o art. 9 da Resolução CONAMA nº 307/2002, a triagem dos RCC deverá ser realizada, preferencialmente, na fonte geradora. De acordo com a mesma resolução o gerador também deve promover o confinamento dos RCC após a geração até a etapa de transporte, garantindo, se possível, condições de reutilização e de reciclagem.

De acordo com SINDUSCON (2005) para a definição do tamanho, quantidade, localização e do tipo de dispositivo a ser utilizado para o acondicionamento dos RCC, devem ser observados os seguintes fatores:

• Volume;

• Características físicas; • Facilidade para coleta; • Controle dos dispositivos; • Segurança dos trabalhadores;

• Preservação da qualidade dos resíduos.

Os recipientes utilizados para o acondicionamento dos resíduos deverão ser compatíveis com o material a receber, ou seja: ser estanques, ter resistência física, durabilidade e compatibilidade com a forma de transporte.

O Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon- SP, 2005) apresenta em seu manual de gerenciamento de obras algumas estruturas que facilitam o armazenamento de RCC no canteiro de obras. A saber: pilhas ou montes, bombonas, bags, baias, caçamba estacionária e sacos de ráfia.

As estruturas de armazenamento poderão ser alocadas diretamente na frente de obras ou direcionadas ao pátrio de resíduos. O pátio de resíduos consiste em um local de armazenamento dos RCC no canteiro de obras, que recebe os resíduos gerados na frente de obras. Geralmente pátio é composto por: baias de armazenamento de resíduos classe B, depósito controlado de resíduos Classe D, e locais facilitadores de remoção para caçambas estacionárias a serem destinadas a coleta por transportadores – gesso, madeira e resíduos classe A.

A Resolução CONAMA 307/2002 define reutilização como: “o processo de reaplicação de um resíduo, sem transformação do mesmo”. A referida resolução também define reciclagem como: é o processo de reaproveitamento de um resíduo, após ter sido submetido à transformação.

A SINDUSCON (2005) recomenda que a reutilização de materiais deverá ser planejada desde a fase de concepção do projeto. Por exemplo, uso de estruturas de fechamento do canteiro (tapumes e portões), andaimes e escoramento metálicos, que sejam reaproveitáveis em outras obras.

A reutilização dos RCC em autoconstruções é aplicável, pois pode reduzir os custos com a obra, promover melhor organização da área de trabalho, e ainda reduzir custos com a disposição responsável desses resíduos. As Figuras 2.48 e 2.49 apresentam a reutilização de tijolos de uma parede demolida em uma autoconstrução.

Quanto à reciclagem esta poderá ser realizada no canteiro de obras, bem como unidades externas – Usinas de Reciclagem de RCC.

Segundo D’Almeida e Vilhena (2000), existem diferenças entre os RCC reciclados no próprio local gerador e os RCC reciclados em usinas de entulho dos municípios. Os autores enfatizam que os RCC coletados em municípios apresentam uma composição bastante heterogênea podendo estar contaminados por solos, matérias orgânica, plástico, entre outros, o que causa dificuldades na segregação e na qualidade do agregado reciclado.

Figura 2.48 – Tijolos recuperados de demolição de parede em autoconstrução Fonte: Autor (2014).

Figura 2.49 – Armazenamento de tijolos quebrados para utilização como meio tijolo Fonte: Autor (2014).

Entretanto, os RCC reciclados no próprio canteiro de obras podem ser segregados antes da contaminação por outros resíduos e assim proporcionar um agregado reciclado de melhor qualidade (D’ALMEIDA e VILHENA, 2000).

Para a reciclagem de RCC classe A no canteiro de obras devem ser analisados os seguintes aspectos:

 Volume e fluxo da geração de RCC classe A;

 Investimentos e custos para a reciclagem (equipamento, mão-de-obra, consumo de energia etc.);

 Equipamentos de reciclagem disponíveis no mercado;  Estoque e controle dos agregados;

 Custo de agregados naturais;

 Custos com a disposição final dos RCC (SINDUSCON, 2005).

A reciclagem no canteiro de obras poderá causar impactos positivos à empresa de construção como, a redução do volume a ser descartado; redução dos custos com transporte e disposição final; redução do consumo de matéria prima retiradas do meio ambiente – solo, areia e brita; redução de acidentes de trabalho – canteiro limpo e organizado; atendimento em programas como o PBQP-H, Quali-Hab e ISO 14.000, bem como destacar como um diferencial da empresa junto ao público consumidor (LIMA e LIMA, 2010).

Enquanto as usinas de reciclagem fazem uso de equipamentos adaptados de mineração, os canteiros de obras utilizam equipamentos de pequeno porte que propiciam fácil instalação e mobilidade. Dos principais equipamentos podemos citar os moinhos com

argamassadeira, o britador de mandíbulas, moinho de martelos, moedor de caliça e moinho de bolas.

Em concordância com esses fatos, Marques Neto (2009) enfatiza que os planos de ações municipais devem direcionar seus esforços para minimizar a geração de RCC, para tanto esses planos deverão incentivar a reutilização e reciclagem desses resíduos no processo produtivo.

Diante dos fatos, é importante salientar que medidas que favoreçam a reciclagem na fonte geradora devem ser priorizadas pelos construtores, independente da existência de planos de gerenciamentos de RCC no município, pois os RCC como os demais resíduos sólidos, quando segregados corretamente em suas fontes geradoras evitarão futuros impactos ambientais em aterros, e permitirão uma maior eficiência e controle de qualidade na produção dos reciclados, essenciais para garantir a competitividade no mercado.

2.2.10.2

Triagem, reutilização e reciclagem em áreas de transbordo e