Os desastres naturais que ocorrem no planeta geralmente são catalogados por bancos de dados diversos, localizados em países de várias partes do mundo. Dentre estes bancos de dados destaca-se o Emergency Events Database (EM-DAT), desenvolvido e administrado por um Centro de Pesquisa localizado na Universidade de Louvain – Bélgica, denominado Centre for Research on the Epidemiology of Disasters – CRED, com suporte da Office of Foreign Disasters Assistance – OFDA.
O EM-DAT possui uma catalogação de desastres naturais que ocorreram por todo o globo, contabilizados a partir do ano 1900. É um dos bancos de dados mais confiáveis do mundo, visto que seus dados são fornecidos por agências da ONU, agências governamentais, importantes universidades e centros de pesquisa em desastres. A própria ONU utiliza esse banco de dados como fonte para direcionar determinadas ações de cunho político no intuito de promover uma maior prevenção em áreas relativamente mais atingidas por desastres naturais no mundo.
Outros bancos de dados também são internacionalmente conhecidos como o National Cat Protection Society – NATCAT, com sede em Munique - Alemanha, e o SIGMA Database, com sede em Zurique – Suiça, muito utilizados por agências de seguro. Além destes, existe outros com dados mais limitados, como o banco de dados mantido pela National Aeronautics and Space Administration – NASA e pela Universidade de Darthmouth – Estados Unidos da América, que contém informações somente sobre as maiores inundações no mundo.
Os bancos de dados mencionados apresentam discrepâncias entre si, como também algumas limitações em comum devido à vários fatores, como: diferenças regionais, associadas às características físicas e socioeconômicas, à qualificação e experiência das instituições responsáveis pela prevenção e resposta aos desastres, dentre outros. Além disso, existem também omissões de registros por questões políticas ou até mesmo informações equivocadas no intuito de ampliar registros para obtenção de ajuda financeira.
No entanto, não cabem aqui análises e questionamentos das informações registradas nos banco de dados de desastres naturais. Afinal, ainda que exista grande esforço e investimento por parte das instituições responsáveis por administrar os bancos de dados, estes ainda possuirão algumas limitações devido à dificuldade de registrar inúmeros desastres em todo o globo.
Em alguns casos faz-se necessário que outras instituições ou países informem aos bancos de dados a ocorrência de um desastre. No entanto, esta ação necessita de uma atenção especial, já que a identificação de um determinado evento como desastre natural deve levar em consideração critérios pré-estabelecidos, no intuito de evitar discrepâncias quanto à catalogação de desastres no próprio banco de dados.
Ou seja, não se trata apenas de registrar um fenômeno da natureza de rara ocorrência. Trata-se, principalmente, dos impactos que este pode ocasionar. Pois, somente desta forma, um fenômeno natural poderá ser classificado como desastre natural, quando atinge uma determinada área povoada, provocando danos materiais e humanos de proporções consideráveis.
Com este intuito de catalogar desastres naturais adotando o mínimo de discrepâncias possíveis, de forma mais concreta e objetiva, a ponto de permitir registros de forma mais operacional, o banco de dados EM-DAT propôs uma metodologia simples. Através desta metodologia, o banco de dados EM-DAT, utiliza os seguintes critérios para caracterizar um determinado evento como desastre natural: a) 10 ou mais vítimas fatais; b)
100 ou mais pessoas afetadas; c) declaração de estado de emergência; e d) pedido de assistência internacional. Se ao menos um destes critérios mencionados for alcançado, o banco de dados cataloga o evento como desastre natural (CRED CRUNCH, 2005).
Esta metodologia foi utilizada nesta pesquisa com o objetivo de identificar sinais de ocorrência de desastres naturais no Estado do Ceará. As informações sobre número de afetados e/ou vítimas fatais, bem como os decretos de situação de emergência e estado de calamidade pública foram disponibilizados pela Coordenadoria de Defesa Civil do Estado do Ceará. No entanto, é possível identificar que as informações apresentam mais detalhes nos anos da última década da série histórica em análise.
Para melhor visualizar a ocorrência de desastres associados à estiagens e inundações, bem como os decretos de emergências e número de afetados nos municípios de cada Região Pluviometricamente Homogêneado Estado foram confeccionados mapas e tabelas. A partir da tabulação destes dados foram identificadas importantes informações, como: quais os municípios foram os mais afetados por estiagens e inundações no Estado no período analisado; quantas pessoas foram atingidas em cada ano (por município); quais municípios tiveram decretos de situação de emergência e/ou estado de calamidade pública; quantas pessoas foram afetadas por desastre natural em cada município, no período analisado; identificar quais áreas do Estado possuíram uma maior ocorrência de desastres naturais, tanto por estiagens, como por inundações. E, por fim, também é possível relacionar à ocorrência de desastres naturais com o comportamento da chuva (eventos extremos), verificando se nos anos considerados muito secos e muito chuvosos, o registro de situações de desastre natural é realmente elevado ou se não há uma forte relação.
Através dos resultados apresentados, foram realizadas conclusões com relação aos impactos associados aos desastres naturais no Estado, procurando, inclusive, propor ações e atitudes que permitam uma melhor convivência com inundações e estiagens no Estado do Ceará, minimizando as consequências provenientes de desastres naturais.