3.4 Styringsprinsipp
3.4.3 Push-pull prosess
Já se mostrou acima o número considerável de diplomados vinculado ao PRR, ou posteriormente ao PRL. Este vínculo se estende pela filiação do pai, avô ou sogro ao partido, pois embora não se possam apresentar números sobre este dado, pode-se sugerir que muitos deles eram ligados ao PRR por receberem elogiáveis linhas nas páginas de A Federação.
Interessa especificamente aqui tratar de indivíduos em que se pudesse localizar lealdade política ao partido e seus principais líderes. Mário da Silva Brazil, por exemplo, era filho de um professor e escrivão que havia sido indicado aos cargos por Júlio de Castilhos, seu ex-colega e amigo pessoal. Mesmo ingressando na Escola anos depois da morte de Castilhos, Brazil recebeu matrícula gratuita por indicação Carlos Barbosa Gonçalves, Presidente do estado. Diplomou-se como Engenheiro Mecânico Eletricista em 1912, e no ano seguinte já era professor da instituição. Colaborador e redator da Egatea, Chefe da seção de Astronomia, foi enviado pela escola de Engenharia ao observatório da Universidade Nacional de La Plata, na República Argentina, para realizar estudos astronômicos, recebeu o título de professor catedrático em 1936 pela Universidade de Porto Alegre e aposentando-se em 1958 pela UFRGS. Além disso, foi nomeado pelo Ministro do Trabalho, em 1939 para membro da Comissão de Metrologia do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, no Rio de Janeiro. Sobre seu ingresso na Escola, escreveu em suas memórias:
Em fevereiro de 1910 vim para Porto Alegre a fim de me matricular na Escola de Engenharia, como era meu vivo desejo. [...] Era então presidente do Estado o provecto riograndense Dr. Carlos Barbosa Gonçalves, a quem me dirigi a fim de conseguir uma matrícula gratuita na Escola e a quem expus sinceramente o meu desejo. Não podendo me atender por já ter indicado 4 nomes ás vagas a que tinha direito, tal empenho fiz e tal interesse demonstrei pelo que pretendia, que não lhe foi possível mais negar-me a sua proteção, conseguindo assim o meu ingresso na Escola de Engenharia. [...] Devido ao brilhante resultado das minhas primeiras sabatinas, que fiz com distinção, fui convidado pelo Dr. Barbosa a comparecer a Palácio e dele recebi felicitações e palavras de encorajamento, dizendo-me estar satisfeito por ter atendido às minhas pretensões. Em breve tornei-me conhecido e comecei a lecionar particularmente, trabalho este que me dava o suficiente para cobrir todas as minhas despesas. (BRAZIL, 1950).
Embora não se tenham registros de Brazil enquanto filiado ao PRR, e de que a homenagem que recebeu de Carlos Barbosa tenha sido por seus méritos enquanto estudante de Engenharia, o engenheiro possuía uma relação no mínimo cordial com o partido, já que tanto ele quanto seu pai receberam favores de líderes do PRR. No caso de Brazil, é interessante notar que ele afirma que as quatro vagas para indicações do Presidente do estado
já estavam ocupadas quando procurou Barbosa, e mesmo assim, o líder político cedeu a seu pedido.
Vivaldo de Vivaldi Coaracy, por sua vez, relata em suas memórias que por não possuir condições financeiras de arcar com as despesas do curso de Engenharia, teria procurado Borges de Medeiros, em dia que o Presidente atendia ao público, para solicitar a concessão de uma bolsa de estudos. Segundo Coaracy, após explicar seu desejo de ingressar na EEPA, Borges teria lhe dito que as duas vagas que ele dispunha para indicação já estavam preenchidas, mas que ainda possuía uma vaga para a Escola de Medicina, a qual lhe ofereceu. “Agradeci, mas declinei. Não sentia vocação para a Medicina. Queria ser engenheiro. Borges disse lamentar não poder me atender e estendeu-me a mão, significando que a audiência estava encerrada” (COARACY, 1962, p. 85).
Vivaldo de Vivaldi Coaracy era natural do Rio de Janeiro, conhecia poucas pessoas no RS e, segundo ele mesmo, mantinha-se afastado das relações políticas que se envolviam outros professores e alunos da instituição. Uma análise sobre todos aqueles que receberam benefícios de matrícula gratuita na Escola poderia trazer mais elementos sobre isto, mas as memórias destes dois diplomados podem sugerir a hipótese de que o benefício fosse privilégio, preferencialmente, de partidários ou jovens vinculados aos líderes do PRR. Entre outros exemplos que se poderia apresentar, o Engenheiro Norberto de Barros Lacerda recebeu matrícula gratuita na instituição por indicação do Presidente do estado. Depois de formado serviu ao estado atuando por muitos anos na SOP, além de ser partidário do PRR.
Uma trajetória que ilustra bem a ideia de que a lealdade política poderia resultar em benesses para os diplomados da EEPA é a de Egydio Hervé.
Egydio Hervé: Diplomou-se em 1912 como Engenheiro Civil, e durante o curso, foi Secretário do Grêmio dos Estudantes de Engenharia. Foi um dos alunos que recebeu matrícula gratuita durante o curso, em seu caso, indicado pelo Diretor da Escola, João José Pereira Parobé. Antes mesmo de se formar já atuava como professor elementar no Instituto Técnico Profissional, posteriormente como assistente no Instituto Astronômico e Meteorológico. Após receber o título de Engenheiro, atuou como professor em outros institutos, mas destacou-se como Engenheiro Chefe interino do Instituto Astronômico e Meteorológico e Engenheiro Chefe do Instituto de Agronomia e Veterinária. Na década de 1920 Hervé estendeu sua atuação para a administração pública e carreira política. Em 1925 foi Diretor de Trafego da Companhia Força e Luz e no ano seguinte, Superintendente, além de Conselheiro Municipal de Porto Alegre. Em 1928 foi Administrador Geral da Superintendência dos Serviços Industriais de Porto Alegre. Entre
1928 e 1932 foi Intendente e Chefe do PRR em São João do Montenegro. Foi também, o Primeiro Presidente do Instituto de Previdência do Estado do RS (IPERGS), em 1931. Presidiu o Sindicato da Banha do RS em 1936, e entre 1943-1948 foi Presidente da Grande Loja Maçônica do estado. Foi Reitor da UFRGS entre 15/06/1944 e 23/12/1945 e Diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS entre 1953 e 1957.
Embora se desconheça sua origem social, sabe-se que apresentou diversas ligações com o PRR. Hervé além dos cargos na administração pública fez carreira política a nível municipal, sempre participando das atividades que envolviam sua formação em Engenharia, além da área Agronômica na qual também atuou.
4.3 DIPLOMADOS DA EEPA: PADRÕES DE CARREIRA E TRAJETÓRIAS