1. CHAPTER ONE: INTRODUCTION
1.5 The Purpose of the Study
No contexto atual há uma necessidade grande de ser criativo. Trabalhar com a diversidade nos remete à necessidade de ter ideias para solucionar questões sérias decorrentes das diferenças existentes, principalmente, no contexto escolar. Desse modo, a escola deve proporcionar um ambiente para organizar estratégias que favoreçam o rompimento do pensamento linear e o predomínio do conteúdo sobre a forma, para que se possa construir o saber e reposicionar a realidade de maneira que se possa ter uma ligação amorosa e ética com os projetos e gestões diferenciados, dando valor à curiosidade, inquietude e a criatividade dos alunos para o conhecer e o aprender (MORAES; NAVAS, 2010).
De acordo com De La Torre (2008), a criatividade é um conceito emocional e vivencial que passa pela vontade, pela emoção e pela decisão que, por sua vez, passa pela opção de querer ser criativo. Quando o foco é coletivo, se amplia mais ainda, pois o espaço de criação é maior, oportunizando debate, discussão e dialogicidade. A área de educação é um excelente campo para possibilitar esse contexto, por ser um espaço de transformação e comunicação, exercendo um papel importante na intermediação da criatividade.
Ainda de acordo com De La Torre (2008), para se caracterizar uma pessoa criativa, pensa-se em quatro eixos: Ser- é o mundo emocional a ser projetado; Saber – o conhecimento; Fazer – aplicabilidade do conhecimento. Querer – desejo, vontade, esforço, auto-organização. As pessoas criativas têm um modo de expor suas ideias, tímidas ou abertas e sabem adaptar-se a inúmeras situações, fator decisivo e importante para quem trabalha em escola, local que diariamente encontramos situações diferentes.
Nesse sentido, foi positivo o posicionamento das acadêmicas entrevistadas na pesquisa, pois dão grande importância à questão da criatividade no contexto escolar, principalmente como condição para o sucesso na sala de aula, na prática do docente.
Michele - Eu passar aquele conhecimento que eu tive aos meus alunos de
forma que eles entendam, tem que ser criativo no primeiro momento, criatividade leva muito em conta, por exemplo, deu uma coisa errada mas com a criatividade a gente resolve rapidinho aquilo ali que deu errado, é também vamos dizer assim um professor organizado, um professor responsável, ah é tem tantas coisas. (informação verbal).
Marcela - Extremamente importante porque a criatividade, ela vai
apresentar solução, o professor que não tem criatividade, a sua aula acaba sendo maçante, a sua aula não é atrativa pros alunos, então, pra que o aluno se interesse você tem que buscar algo novo. O aluno não se interessa por um livro didático que você leu, que você pede que o aluno copie a todo o momento, tudo isso se torna maçante pro aluno, a forma de falar do professor, a forma de ler uma história já é a criatividade o diferencial, então, o professor que não é criativo é um professor apático, é um professor que não estimula os seus alunos a estarem juntos com ele. (informação verbal).
Mirela - Com certeza, pela palavra do facilitador, nem todos os alunos,
aprendem igual, então, se ele não for criativo é do jeito que ele pode ta passando assunto pra atingir os objetivos dele, pra outro talvez pode nem ter chegado perto, então ele tem que ser criativo, inovador pra os alunos não caírem na rotina de sempre e ficar uma aula interessante, então ele tem que,, o professor ele tenha responsabilidade de dar, conseguir seu objetivo ou buscar o seu objetivo em cada um dos seus alunos independente que o meio que ele vá conseguir não seja só um é, várias estratégias. (informação verbal).
O indivíduo criativo não é conformista, acomodado, ele procura condições para resolver situações muitas vezes conflituosas. Por isso, é importante o desenvolvimento da percepção, sensibilidade, compreensão, pois essas características fazem parte do processo da criatividade, facilitam a clareza dos problemas e dificuldades e conduzem na busca de soluções, formulando hipóteses e criando estratégias para soluções (AMABILE, 1989; TORRANCE, 1965). Esse processo vem carregado de prazer, de sentir-se realizado e compensado diante do esforço e dedicação, trazendo como resultado a integração de fatores individuais e ambientais que envolvem o desenvolvimento emocional, sociocultural e cognitivo (ALENCAR,1999, FELDHUSEN,1995).
Essas características compõem a condição necessária para o indivíduo atuar na sociedade globalizada. Vencer os obstáculos da atualidade, principalmente quando se pensa em sala de aula regular com inclusão de alunos deficientes, é buscar efetivar o ensino-aprendizagem de forma significativa, envolvendo as diferenças dos alunos, pois o novo no trabalho pedagógico tem que beneficiar a aprendizagem em todos os aspectos.
A ação criadora corresponde à superação, modificando o presente e projetando um futuro de sucesso, afirma Fonseca (1995), é uma condição ímpar para a construção de uma concepção de escola inclusiva, que implica uma alta dose de criatividade e de inovação na instituição escolar (MARTÍNEZ, 2005). Para Alencar (1999) e Alencar e Fleith (2003), as habilidades criativas são muito importantes e fazem a diferença no processo de preparação dos alunos para lidar com o mundo complexo e cheio de desafios.
A criatividade pode ser inserida de forma sistematizada, desenvolvida e compartilhada em todos os momentos e situações vivenciadas e a escola é um espaço privilegiado, ímpar, natural; por sua natureza educativa, é organizada para promover o desenvolvimento e a expressão das habilidades criativas de toda a comunidade escolar: aluno, professor, coordenador, administrativo, operacional, ou seja, todos aqueles que a frequentam. Todavia, percebe-se que a criatividade, no contexto educacional, ainda é pouco desenvolvida, tendo-se, ainda, a ideia de não fazer parte do contexto educacional e, dessa forma, seu verdadeiro significado e implicações pedagógicas deixam de ser evidenciados. Ainda encontramos uma educação voltada para o tradicionalismo, enfatizando a reprodução de conhecimento e a memorização dos ensinamentos. Ainda se tem medo do novo, da transformação.
Há necessidade de uma formação inicial que desenvolva competências em prol de uma educação para todos. Certamente, se a lacuna da graduação for preenchida de forma adequada, com práticas pedagógicas que promovam a criatividade, o processo de ensino-aprendizagem contemplará toda a diversidade existente na sala de aula. Ressalta-se que as metodologias que envolvem as questões de prática educativa são muito importantes para o processo de formação de professores, sendo necessário que alunos do curso de Pedagogia vivenciem esse novo paradigma no próprio curso, valorizando novas maneiras de ensinar, refletindo sobre as práticas pedagógicas existentes e sua contextualização com a realidade das escolas e a formação de professores, dando, assim, ao discente do curso, condições para conhecer os desafios da educação no século XXI.
Tem-se em vista a consolidação desses aspectos e a vontade de que os discentes exerçam uma prática criativa, que incorpore novos saberes e novas formas de ensinar na prática pedagógica, constituindo um rompimento de uma metodologia voltada para reprodução de conhecimento e informação pronta para ser assimilada e reproduzida. Entretanto, observa-se, ainda, o pouco espaço para uma abordagem que desperte a exploração de descobertas, tornando o pensamento criador limitado e, às vezes, completamente adormecido. Em consequência disso, mesmo no ensino infantil não encontramos a valorização da fantasia, da imaginação para o jogo das ideias, situação totalmente desfavorável para uma sociedade caracterizada por inúmeras mudanças, exigências e desafios que exige indivíduos questionadores, reflexivos, criativos e transformadores. Por isso, há uma necessidade de pessoas com comportamentos criativos.
Em países como a antiga União Soviética, Estados Unidos, Israel entre outros, têm sido ressaltado publicações que destacam a importância da escola em cultivar a imaginação e desenvolver atividades criadoras, através de um ensino orientado para a solução de problemas e para preparação do aluno em desenvolver a produção de conhecimento e, ainda, o compromisso do professor em promover o desenvolvimento de habilidades criativas no aluno, de favorecer o desenvolvimento de sua personalidade, de seu potencial, de seu talento, cultivando a imaginação, preparando-o para o mundo, com os desafios dos problemas contemporâneos e para o futuro que não podemos antecipar (ALENCAR, 1999). Dentro desse contexto, não podemos deixar de pontuar que trabalhar com a criatividade no contexto escolar é inserir o respeito e saber trabalhar com as diversidades encontradas nesse ambiente escolar.