O processo de recolha de informação teve início com as entrevistas à coordenadora e às professoras de Inglês.
Após a confirmação da autorização, foram realizadas ao longo do ano lectivo, mais precisamente entre Dezembro e Fevereiro, entrevistas à Coordenadora das AEC‘s e às cinco professoras de Inglês, perfazendo seis no total. As entrevistadas foram informadas sobre as características da investigação, os tópicos a desenvolver durante a entrevista e ainda os procedimentos a ter relativamente ao registo do conteúdo das informações. Ficou acordado o anonimato das entrevistadas e a utilização de excertos no trabalho de investigação (v. guião nos anexo 1 e 2).
As entrevistas foram realizadas com o intuito de aferir as suas percepções acerca da supervisão, qual o seu conceito, de inferir potencialidades e constrangimentos de práticas da supervisão colaborativa. Um dos objectivos das entrevistas foi compreender melhor o grupo social e cada membro em particular e permitir que a conversa fluísse dando espaço e liberdade para que as entrevistadas expusessem as suas ideias, opiniões e sentimentos. As questões foram colocadas de acordo com o guião permitindo às entrevistadas uma margem de manobra para reflectirem e desenvolverem as suas próprias ideias sobre as questões apresentadas, havendo um espaço e tempo para um aprofundamento das respostas.
As entrevistas realizadas foram de tipologia semi-estruturada que segundo Lüdke ― (…) desenrola-se a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações‖ (Lüdke, 1986: 34). Para que tudo aconteça sem percalços, foi utilizado um roteiro com o intuito de conduzir ―(…) a entrevista através dos tópicos principais a serem cobertos‖.
52 Esse roteiro seguiu naturalmente uma certa ordem lógica e também psicológica, para que para que houvesse uma sequência lógica entre os assuntos, dos mais simples aos mais complexos, respeitando o sentido do seu encadeamento. Mas atentará também para as exigências psicológicas do processo, evitando saltos bruscos entre as questões, permitindo que elas se aprofundem no assunto gradativamente e impedindo que questões complexas e de maior envolvimento pessoal, colocadas prematuramente, acabem por bloquear as respostas às questões seguintes‖ (Lüdke, 1986:35). Esta tipologia permite ao investigador fixar ―com antecedência, os temas sobre os quais deseja que o seu interlocutor exprima, o mais livremente possível, a riqueza da sua experiência ou o fundo do seu pensamento e dos seus sentimentos. Para ajudar o investigador a utilizar correcta e frutuosamente este método não existe nenhum «truque», nenhum dispositivo preciso que bastasse aplicar como receita. O sucesso é aqui uma questão de experiência‖ (Quivy, 1995:77). Assim, foi redigido um guião que serviu de orientação ao desenvolvimento da entrevista. Este guião foi elaborado, de forma a que as questões permitissem juntar elementos com o fim de traçar uma caracterização da prática pedagógica das entrevistadas, bem como identificar as potencialidades e os constrangimentos das práticas supervisivas, e de que modo é que elas proporcionam o seu desenvolvimento profissional.
Neste tipo de entrevista, as informações são colhidas com base no discurso do entrevistado. Parte-se do pressuposto de que o informante é competente para exprimir-se com clareza sobre questões da sua experiência, bem como para comunicar as suas representações e análises, prestando informações fidedignas. A entrevista, como técnica de um método qualitativo, constitui um recurso naturalista de observação activa pois ―conjugam-se o ver, o escutar e o partilhar‖ (Lessard et al, 1990:146). São interacções activas entre duas pessoas conduzindo a resultados, de certa forma, contextualmente negociados.
Desta forma, recolher dados junto às professoras através de entrevistas semi-estruturadas exigiu uma escuta atenta e uma atenção especial às informações prestadas. No decorrer das entrevistas, foram feitas, sempre que pertinente, intervenções cuidadosas no sentido de estimular respostas mais centradas e precisas nas questões do interesse da pesquisa. Nas palavras de
53 Bogdan e Biklen (1994:134), ―a entrevista é utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo‖. Assim, esta técnica permitiu-nos desde logo, obter um conjunto de informações concretas ao nível dos testemunhos, percepções e interpretações, respeitando sempre a linguagem do entrevistado. A entrevista como técnica de investigação permite extrair ―elementos muito rico e matizados‖ (Quivy, 1992: 194) inerentes ao tema em estudo.
Ao longo da realização das entrevistas foi sentida uma forte necessidade de interagir com as entrevistadas, sendo que por vezes, à margem do guião foi introduzido um comentário, uma expressão, uma nova questão. Esta necessidade de interacção foi sentida com o intuito de criar ambiente empático de colaboração no sentido em que entendemos a entrevista não apenas para obter informações ou dados a tratar de forma académica, mas também no sentido em que a entrevista, ela própria, surja como um momento de partilha e construção de conhecimento.
Primeiramente, a nossa intenção era aplicar a entrevista quer à coordenadora quer às professoras em dois momentos distintos do processo da supervisão – no primeiro e último períodos escolares - com o fim de identificar elementos evolutivos do processo da supervisão pedagógica. Por motivos de escassez de tempo, disponibilidade e compatibilidade de horários, quer das professoras, quer da investigadora, só foi possível aplicar a entrevista uma vez. No cômputo geral, os objectivos das entrevistas foram cumpridos e pretendiam auscultar, de modo geral, a percepção e dinâmica da supervisão, recolher dados sobre as práticas de (auto)supervisão utilizadas quer pela coordenadora, quer pelas professoras de Inglês e recolher informação sobre as potencialidades e constrangimentos dessas práticas.
De referir que a última parte da entrevista se debruça sobre a Avaliação de Desempenho Docente e em como a supervisão pode impulsionar a qualidade e eficácia da educação, bem como promover o desenvolvimento profissional dos professores.
Foi realizada a transcrição integral e posterior análise das entrevistas à coordenadora e às professoras. Assim, acrescentamos que todas as
54 entrevistas foram gravadas e logo em seguida transcritas para posterior análise (v. anexos 4 e 5). Cada uma teve duração de aproximadamente uma hora.
Apresentamos de seguida o quadro com as categorias de análise das entrevistas à coordenadora e às professoras de Inglês.
Quadro 2-Categorias de análise das entrevistas à Coordenadora das AEC’s e às Professoras de Inglês
Categorias de análise das entrevistas
E n tr ev ista à Co o rd en ado ra Categorias Subcategorias
Visão de supervisão e a percepção do seu papel como supervisora.
Perspectiva não hierárquica da supervisão Regulação das práticas
Pertinência da supervisão no
desenvolvimento pessoal e profissional dos docentes com quem trabalha.
Fundamentação das práticas de (auto-) supervisão por si utilizadas.
Consciencialização das teorias-práticas
Potencialidades e constrangimentos da supervisão Trabalho colaborativo Desenvolvimento profissional Observação de aulas Falta de tempo Percepção do contributo da supervisão
para dinâmicas de mudança.
Co-regulação das práticas Reflexão individual e colectiva
E n tr ev ista à s prof e ss o ras
Visão de supervisão Pertinência da supervisão no seu desenvolvimento pessoal e profissional. Fundamentação das práticas de (auto-
)supervisão utilizadas
Auto-regulação das práticas Trabalho colaborativo
Potencialidades da supervisão Mudança no / do pensamento das teorias- práticas
Consciencialização das teorias-práticas Promoção do desenvolvimento profissional Reflexão sobre /na /para a acção
Constrangimentos da supervisão Disponibilidade /falta de tempo Exposição do ―EU‖ profissional Observação de aulas
Finalidades da supervisão e da Avaliação de Desempenho Docente (ADD)
Relação entre supervisão e ADD
Possíveis resultados enquanto professores supervisionados
(Melhoria das práticas; trabalho colaborativo)
Na fase seguinte, a investigadora caracterizou as práticas de (auto-) supervisão dos participantes, observando e analisando os processos de
55 formação e estratégias utilizados pela coordenadora. Estes processos foram constituídos pela escrita e partilha de diários colaborativos com vista à triangulação de vozes.