O objetivo geral deste trabalho foi estudar a gestão do processo decisório das Igrejas Presbiterianas da cidade de João Pessoa. Os seus objetivos específicos visaram descrever a gestão da tomada de decisões na Igreja Presbiteriana do Brasil; discutir a gestão da tomada de decisões nas Igrejas Presbiterianas na cidade de João Pessoa à luz das teorias do processo decisório; conhecer a percepção dos membros das sociedades internas das Igrejas Presbiterianas de João Pessoa quanto ao processo decisório; e, finalmente, apresentar sugestões para agilizar e flexibilizar o processo decisório na organização como forma de minimizar possíveis disfunções e limitações encontradas.
A gestão do processo decisório das Igrejas Presbiterianas da cidade de João Pessoas caracterizou-se como centralizada nos seus Conselhos. Por se tratar de uma organização burocrática mecanicista conforme estudo realizado e mencionado, o seu processo decisório é afetado pelas disfunções e limitações identificadas neste tipo de configuração organizacional. As burocracias mecanicistas são voltadas excessivamente para o controle. Assim sendo, o controle administrativo é a principal preocupação das Comissões Executivas dos Concílios superiores da IPB e dos Conselhos das Igrejas Presbiterianas locais. Os seus manuais e estatutos revelam em suas normas a preocupação com esse controle, mas, se levado a extremo, pode engessar a organização. Verifica-se que a cultura organizacional da IPB apresenta uma mentalidade de controle.
De modo particular, o controle atinge as decisões, porém elas não podem ser concebidas em um centro, no qual fiquem totalmente concentradas. Seria muito esperar que os decisores gerencias das cúpulas estratégicas das organizações
tivessem tamanha capacidade intelectual e até intuitiva, para considerar as múltiplas relações entre as variáveis envolvidas no processo de tomada de decisão reconhecidamente complexo. Por exemplo, a avaliação do ambiente da decisão é comprometida, porque os tomadores de decisão estão, muitas vezes, distantes do problema. O problema pode ser uma oportunidade, caso não seja confundido com uma ameaça, por causa da preocupação sempre constante dos Conselhos com o controle organizacional.
Assim sendo, os resultados da pesquisa vieram corroborar com o fato de que o processo decisório é centralizado e, por isso, acaba desperdiçando um potencial de contribuição dos outros níveis da organização, que ficam ociosos e até inquietos, podendo gerar conflitos, porque se sabe que o design burocrático mecanicista é dado a promover conflitos. A insatisfação das pessoas, principalmente daquelas que, em virtude de seu nível mais alto de educação, aspiram à auto-satisfação, é uma realidade nas Igrejas Presbiterianas objeto deste estudo. Os seus membros vêem-se cerceados no seu desejo de participar e contribuir com idéias criativas e inovadoras nas suas Igrejas.
Embora exista uma mentalidade voltada ao controle, que perpassa a cultura organizacional da IPB e influencia as Igrejas Presbiterianas locais, conforme constatada principalmente pela pesquisa qualitativa, no entanto, as respostas assinalaram que a centralização do processo de tomada de decisão nos Conselhos não é a gestão que os colaboradores da organização esperam. A título de exemplo, as decisões tomadas por seus gestores são, muitas vezes, impostas autocraticamente e não debatidas democraticamente; nem sempre atendem ao interesse comum; deixam de considerar a opinião dos membros da Igreja; são demoradas por causa da formalidade de seus regulamentos e normas; e refletem mais o pensamento dos líderes do que o da Igreja que representam.
Ainda, os Conselhos deixam de observar que os Estatutos de suas Igrejas contêm norma que lhes permite incluir as Juntas Diaconais na administração civil pelo tempo que julgarem necessário. Negligencia-se também o instituto legal que faculta aos Conselhos não apenas dar conhecimento da previsão orçamentária à Assembléia Geral Ordinária de suas Igrejas, mas consultar também os seus membros e ouvi-los. Ademais, os Conselhos poderiam aproveitar melhor a nomeação de comissões ad-
hoc, incluindo não os seus próprios membros, mas, quando entender ser proveitoso
para a administração da Igreja local, membros representativos das Sociedades Domésticas e dos vários segmentos da comunidade, que obviamente tenham competência para compô-las.
Tudo isto passa por uma mudança na mentalidade dos gestores e também dos colaboradores da organização. A cultura organizacional da IPB precisa mudar e assim incorporar novos valores, conceitos e práticas mais democráticas. A organização carece de líderes transformacionais que promovam mudanças incrementais e até mesmo evolucionárias. Por sua vez, os colaboradores devem ter em mente que são colaboradores, participando com as suas idéias e sugestões, para o aprimoramento da organização que estão construindo e a querem perpetuando-se.
A guisa de comentário final, como as burocracias mecanicistas ainda permanecerão por um bom tempo, mesmo que tendo de lidar com as suas dificuldades, principalmente com o conflito entre os interesses da organização versus os interesses de seus colaboradores, e como as organizações contemporâneas estão se voltando cada vez mais para as pessoas, as Igrejas Presbiterianas especialmente, que têm nas pessoas o seu principal “ativo” - permita-se o jargão contábil - deveriam, mais do que nunca, considerar a questão humana. E, a fim de promover a auto-satisfação do ser humano, as organizações em apreço poderiam, através de seus Conselhos, buscar desenvolver uma gestão mais participativa e democrática, uma vez que questões, tais como a sacralidade da vida humana, a sua transcendência, os seus reais valores éticos, inspiram as suas atividades e realizações.