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Publishing for an international community

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2.1 Quality and research capacity

2.1.1 Publishing for an international community

No dia 26 de fevereiro, a Folha publicou pesquisa demonstrando que, nas principais capitais dos estados brasileiros, a maioria dos eleitores do PDS era a favor das eleições diretas para escolha do próximo Presidente da República, como é possível verificar na tabela 1, abaixo.

Tabela 1

ELEITORES DO PDS NAS 6 CAPITAIS

Na sua opinião, o próximo Presidente da República deveria ser escolhido em eleições

S. PAULO % R. JANEIRO % B. HORI- ZONTE % P. ALEGRE % Curitiba % Salvador % Média ponderada % Diretas 69,4 67,6 79,6 95,2 64,9 89,3 73,3 Indiretas 26,5 25,0 10,8 2,4 34,2 10,7 21,9 Não Sabe 4,1 7,4 9,6 2,4 0,9 _ 4,8 NÚMERO DE ENTREVISTAS (170) (148) (83) (82) (111) (168) (762) (FSP, 1984q, p.1).

Na pesquisa geral – eleitores de todos os partidos –, a Folha apurou que 82,5% dos eleitores das seis capitais indicavam a preferência pelas eleições diretas para escolha do substituto de Figueiredo, como demonstra a tabela 2.

Tabela 2

ELEITORES NAS 6 CAPITAIS

Na sua opinião, o próximo Presidente da República deveria ser escolhido em:

CATEGORIAS (partido em que votou na últ. eleição) MÉDIA

PONDE- RADA % SP % RJ % MG % PA % CO % SA % Eleições Diretas 82,7 79,2 89,0 89,3 78,5 87,7 82,5 Eleições Indiretas 10,7 13,2 3,7 0,7 19,5 6,7 10,6 Não Sabe 6,6 7,6 7,3 10,0 2 5,6 6,8 Número de entrevistas (1000) (600) (400) (300) (400) (300) 100,0 3000 (FSP, 1984r, p.10).

A pesquisa teve a clara intenção de pressionar os parlamentares pedessistas a votarem a favor da emenda Dante de Oliveira. Segundo relato de Galeno de Freitas, os dados que revelaram que 73,3% dos eleitores do PDS desejavam eleições diretas para sucessão de Figueiredo, “confirmam os temores do líder situacionista na Câmara Federal, deputado Nelson Marchezan (PDS-RS), quanto ao risco de uma frustração nacional em caso de não aprovação da emenda constitucional que restabelece as diretas” (Ibidem, p. 10). Para o jornalista da Folha, [...] o parlamentar pedessista, se não desejar cometer suicídio político e não ter carreira interrompida,terá obrigatoriamente de considerar que a ideia „diretas já‟ penetrou em suas bases e tem o apoio da maioria dos eleitores do oficialismo (FREITAS, 1984, p. 10).

Outra pesquisa interessante que a Folha publicou foi em relação à tentativa de Maluf e Andreazza atribuírem uma inspiração comunista à campanha Diretas Já. A maioria dos entrevistados (77%), como mostra a tabela 3, respondeu que não considerava que a campanha tivesse tal inspiração. Em um país de tradição anticomunista, em que o perigo vermelho foi usado várias vezes para justificar golpes de Estado, como foi o caso de 1964, a pesquisa trouxe um alento para aqueles que acreditavam na mudança radical da sociedade. Entretanto o resultado da pesquisa demonstra muito mais o sentido ordeiro (manutenção da ordem

burguesa) que a campanha Diretas Já assumiu, não só para a oposição burguesa mas também para as classes populares, do que propriamente a superação dos preconceitos disseminados pelas classes dominantes em relação ao comunismo.

Tabela 3.

RESULTADOS NAS 6 CAPITAIS

O Sr. Acha que a campanha pelo restabelecimento das eleições diretas para Presidente da República é um movimento de inspiração comunista, conforme denunciam os candidatos às indiretas Paulo Maluf e Mário Andreazza

CATEGORIAS SP % RJ % BH % PA % CO % SAL % MÉDIA PONDE- RADA Sim 10,0 7,5 6,8 4,0 15,7 19,7 9,5 Não 77,0 81,2 74,0 80,0 70,2 61,7 77,0 Não Sabe 13,0 11,3 19,2 16,0 14,1 18,6 13,5 Número de entrevistas (1000) (600) (400) (300) (400) (300) 100,0 (3000) (FSP, 1984r, p. 10).

O mês de março começou agitado. No dia primeiro a Folha anunciava a decisão do Comitê Estadual Pró-Diretas de São Paulo de realizar o maior comício da história do Brasil, que deveria reunir um milhão de pessoas na semana anterior à votação da emenda Dante de Oliveira.

Aconteceram várias manifestações públicas em apoio às eleições diretas. A mais expressiva foi a passeata que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, em 22 de março; mais de 200 mil pessoas compareceram ao ato público. A maioria dos oradores aproveitou o momento para convocar o comício a ser realizado no dia 10 de abril.

Ainda no mês de março, com a reabertura do Congresso Nacional, ficou decidido que a emenda Dante de Oliveira seria votada no dia 25 de abril de 1984.

O governo, como nos períodos anteriores, tentava desviar a atenção da votação da emenda Dante de Oliveira, propondo alternativas e utilizando todo o

espaço possível na mídia para afirmar a impossibilidade da aprovação de eleições diretas para sucessão de Figueiredo. Uma alternativa que vinha sendo construída pelo governo era a emenda constitucional elaborada pelo ministro da Casa Civil Leitão de Abreu, a qual propunha eleições diretas para 1988. Essa proposta não era consensual dentro do governo e do PDS, mas foi utilizada como alternativa para os parlamentares pedessistas pró-diretas e para uma possível negociação com as oposições.

O Presidente da República ainda utilizou a comemoração do 5º aniversário de seu governo para fazer campanha contra as eleições diretas para sua sucessão. Em pronunciamento em rede nacional de televisão, Figueiredo afirmou “que mudar o sistema de eleição do presidente agora seria verdadeira cassação do mandato que os eleitores deram aos integrantes do Colégio”. Ele disse reconhecer que muitas pessoas estavam a favor das eleições diretas para sua sucessão e afirmou que também era a favor do pleito direto e, que queria ver as diretas incorporadas ao texto constitucional antes do término de seu mandato presidencial, “mas para vigorar nas futuras sucessões presidenciais” (FSP, 1984s, p. 1).

O grupo pró-diretas do PDS tentou negociar com o PMDB alterações na emenda Dante de Oliveira para, então, formalizar seu apoio. Como não obteve sucesso nas negociações, no dia 14 de março apresentou uma nova emenda constitucional “ao ministro Leitão de Abreu, juntamente com uma lista de cinquenta nomes do PDS favoráveis às eleições diretas” (LEONELLI & OLIVEIRA, 2004, p. 441). A proposta dos dissidentes pedessistas divergia da emenda do governo no que tange à data para eleições presidenciais diretas. Enquanto o grupo pró-diretas propunha a realização das eleições diretas em 15 de novembro de 1984, o governo indicava que tal eleição deveria ocorrer em 1988.

No dia 16 de março, deputados do grupo pró-diretas do PDS entregaram ao presidente do Partido, José Sarney, e ao líder do governo, Aloísio Chaves, a mesma proposta entregue anteriormente ao ministro da Casa Civil. Segundo a Folha: “Sarney considerou a proposta como uma boa contribuição, mas afirmou que continua fiel à decisão da Executiva de seu partido, que apoia a eleição indireta do sucessor do presidente Figueiredo” (FSP, 1984t, p. 5).

O fechamento de questão do governo e das lideranças pedessistas pela não aprovação das eleições diretas para a sucessão de Figueiredo levou alguns dissidentes do PDS a proporem a criação de um novo partido, conforme anunciado pelo deputado Teodorico Ferraço (PDS-ES) em 9 de março (O GLOBO, 1984a, p.3).

Aumentava a dissidência dentro do PDS. Apoiadores da candidatura do vice- presidente Aureliano Chaves começaram a discutir a constituição de um novo partido com objetivo de apoiar Aureliano, caso as eleições fossem indiretas (FSP, 1984u, p. 5). O irônico dessa movimentação é que, após a derrota da emenda Dante de Oliveira, o presidente do PDS, Senador José Sarney, insistentemente contrário às eleições diretas para a sucessão de Figueiredo, acabou liderando os dissidentes pedessistas, dando origem à Aliança Liberal, que, posteriormente, se transformaria no Partido da Frente Liberal (PFL).

Encerrando o mês de março e projetando o mês de abril, que seria o mais agitado da campanha Diretas Já, no dia 31, no interior do Paraná, na cidade de Cascavel, “um quarto de seus 166 000 habitantes se reunira para exigir a volta da eleição direta” e, no dia 2 de abril, em Londrina, mais 40 mil. Em Recife, no dia 5, mais de 60 mil pessoas compareceram ao comício. Ulysses Guimarães encerrou o comício afirmando: “Nós já temos maioria na Câmara e no Senado para aprovar a emenda Dante de Oliveira”. Na capital do Rio Grande do Norte, Natal, mais de 100

mil estiveram presentes ao comício, “o que levou o governador Tancredo Neves, um

dos presentes, a dizer que foi proporcionalmente o maior comício já realizado no país na atual campanha” (VEJA, 1984f, p. 24).