Na determinação dos custos atribuídos a um trecho rodoviário incluem-se: custos de desapropriação, de construção, de manutenção, custo operacional dos veículos, acidentes, tempo de viagem, custos ambientais, etc. Na análise deste trabalho foram examinados somente os custos de construção, de manutenção, de tempo de viagem e o custo operacional dos veículos, por serem consideravelmente superiores aos outros e por existirem metodologias de quantificação para eles.
a) Custos do Órgão Rodoviário:
Os custos do órgão rodoviário atribuídos a um trecho de rodovia são compostos de:
• Custo de Construção das Rodovias: gastos do poder público com a implantação da rodovia, incluindo os custos de terraplenagem, de pavimentação, de drenagem, de obras de arte correntes, de sinalização, de pontes, de túneis, etc., necessários para a implantação de novas rodovias e de melhorias em vias existentes (duplicações, terceira faixa, etc.).
• Custo de Manutenção/Conservação/Restauração das Rodovias: ocorrem ao longo da vida útil da rodovia. Correspondem aos custos relacionados com os serviços de conservação rotineira - preventiva, tapa -buracos, selagens, recapeamentos e restaurações - tanto dos pavimentos quanto das pontes, dos túneis, dos taludes, e de outros.
b) Custos do Tempo de Viagem
Para quantificar o custo do tempo de viage m para um dado volume de tráfego, conhecidas as características geométricas da rodovia, utilizam-se as curvas volume- velocidade, construídas a partir da metodologia apresentada pelo HCM.
De posse das velocidades médias de viagem, o custo do tempo de viagem é gerado a partir da redução da velocidade devido ao aumento do volume de tráfego. Assim, caso não houvesse congestionamento, o motorista viajaria na rodovia a uma velocidade desejada de V, mas devido ao aumento do tráfego seu deslocamento será em uma velocidade menor v. Conseqüentemente, o tempo de viagem será maior. Esse tempo adicional para percorrer o mesmo trecho rodoviário considera-se custo. Então, obteve-se o custo do tempo de viagem para um dado volume de tráfego de acordo com a Equação 3.3.
(
)
[
+ +]
− = V S v S . T . P T . P T . P . Vol CTV cp cp cn on cm cm (3.3) em que,CTV : custo do tempo da viagem (R$); Vol : volume horário de tráfego;
Pcp, Pon, Pcm : percentual de carro de passeio, ônibus e caminhão,
respectivamente na corrente de tráfego;
Tcp, Ton, Tcm : valor do tempo em R$/h do carro de passeio, ônibus
e caminhão, respectivamente na corrente de tráfego; S : comprimento do trecho rodoviário (km) ;
v : velocidade de viagem para um dado volume de viagem (km/h);
V : velocidade média desejada da rodovia (km/h) ;
c) Custo do Operacional dos Veículos
No cálculo dos custos operacionais dos veículos incluem-se dados sobre o Volume Médio Diário, os congestionamentos, as condições da rodovia, a velocidade e o tipo de veículo e da carga. As informações utilizadas são: a) o preço de aquisição do veículo e de seus acessórios; b) a mão-de-obra para a sua manutenção; c) o gasto com combustível e lubrificantes; d) o peso bruto, o número de eixos, o fator de equivalência, o número de pneus e o de passageiros dos veículos; e) o tempo médio de horas e o número médio de quilômetros dirigidos por ano, e f) a vida útil e a depreciação do veículo, e a taxa de juros. De posse dessas informações, calculam-se os consumos físicos da frota que utiliza a via, obtendo os custos unitários de operação a partir da análise desses consumos.
Os custos operacionais aqui tratados referem-se exclusivamente a consumo devido à redução da velocidade dos veículos que utilizam a rodovia por causa do aumento do volume de tráfego, isto é, a consumo dos veículos que estão sofrendo congestionamento, não sendo considerados nos custos o tipo e o estado da pista de rolamento.
3.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A metodologia sistematizada aqui faz apreciações econômicas e é orientada ao usuário, ao invés de ser focalizada na rodovia. O critério de decisão é, pois, o percentual de veículos durante a vida útil do projeto que não vão sofrer congestionamento e que terão um nível de serviço melhor ou igual ao projetado.
Considerações econômicas são recomendadas na avaliação de quaisquer projetos que envolvam distribuição de recursos. Assim, a decisão para o dimensionamento da
rodovia deve ser justificada quando os custos do percentual de veículos que sofrem congestionamento for considerado economicamente inaceitável ao órgão rodoviário.
O método tradicional de dimensionamento de rodovias leva em conta somente o equilíbrio do VHP (demanda) com o nível de serviço (oferta); repousa no foco de uma única hora de projeto e a orientação é na rodovia, ao invés de no usuário. Assim, considerações de outros fatores citados pela metodologia aqui sistematizada contribuem bastante na decisão de investimento e de dimensionamento de rodovias.
CAPÍTULO 4
CARACTERIZAÇÃO DO TRÁFEGO NAS RODOVIAS
ESTADUAIS DO CEARÁ
É fundamental que o órgão gestor rodoviário possua um programa de monitoramento de tráfego com informações confiáveis e consistentes, traduzindo as reais necessidades de seus usuários. Neste capítulo é realizada uma análise de consistência dos dados do atual programa de monitoramento continuo do volume de tráfego das rodovias estaduais com intuito de utilizá-los na metodologia proposta de escolha do VHP. A qualidade dos dados é feita por meio do desenvolvimento de rotinas e de procedimentos que identificam erros nos dados de contagem.
Após a consolidação da base de dados, este capítulo faz uma caracterização geral dos dados, visando a uma melhor compreensão do tráfego nas rodovias estaduais do Ceará e objetivando escolher trechos representativos da malha para aplicação do exemplo prático, com respeito a metodologia sistematizada
Essa caracterização inicia -se com a apresentação da atual malha rodoviária do Estado do Ceará, destacando as principais rodovias estaduais e localizando os postos permanentes. Nas seções seguintes, são estudados os dados dos postos com relação ao crescimento anual, à variação do volume mensal, à diária, à horária, à distribuição direcional e à composição do tráfego. Por fim, aborda -se o tema relativo ao cálculo de fatores de expansão e apresentam-se as considerações finais.