Om trekking av utvalg, vekting og justeringer
4 Oppsummering av resultater og diskusjon
4.1 Gjennomgang av funn etter tema
4.1.7 Psykiske plager og aspekter av livskvalitet
A contação de histórias sempre esteve presente na vida do ser humano. O homem através das histórias orais, compartilhava vivências, saberes e experiências. O conhecimento era transmitido através da linguagem oral durante séculos, mantido pela memória viva dos povos, dando origem aos mitos, lendas e contos populares, destinados aos ouvintes, adultos e crianças. Antes da escrita, essas histórias eram compartilhadas oralmente.
Nas sociedades arcaicas, o conto oferece à comunidade um terreno de experimentação em que, pela voz do contador, ela se exerce em todos os confrontos imagináveis. Disto decorre sua função de estabilização social. A qual sobrevive por muito tempo às formas de vida “primitiva” e explica a persistência das tradições narrativas orais, para além das transformações culturais: a sociedade precisa da voz de seus contadores, independentemente, das situações concretas que vive. Mais ainda no incessante discurso que faz de si mesma, a sociedade precisa de todas as vozes portadoras de mensagens arrancadas à erosão do utilitário: do canto, tanto quanto da narrativa. (ZUMTHOR, 1997, p.56).
Com a invenção da escrita essas narrativas orais, armazenadas na memória coletiva, passaram a ser registradas em pedra, argila, e mais tarde tornaram-se manuscritos e livros.
Hoje sabemos que a palavra escrita não é uma ameaça para a memória, mas colabora com ela, registrando e tornando perene o que era efêmero. A memória e escrita, juntas, oferecem aos homens obras-primas da literatura
mundial. Favorecem as gerações posteriores, permitindo-lhes conhecer o mundo através de registros escritos. (BUSATTO, 2006, p. 88).
As histórias despertam a imaginação, a magia e ajudam o ouvinte ou leitor a criar soluções, a compreender conflitos, a ler o mundo e conhecer outras culturas, outros povos. A arte de contar histórias é uma prática antiga, que atravessou o tempo e continua até os dias de hoje.
O ato de narrar histórias pode ser terapêutico para quem as ouve e para quem as conta. Gutfreind (2011, p.08), ao ser entrevistado para a Revista “O cuidador”, assegura:
[...]quando narramos uma história, cuidamos do filho e de nós mesmos. Contar é ordenar-se, organizar-se, aproximar o pensamento dos afetos, dar sentido à existência e precisamos fazer isso com a gente, em primeiro lugar, para depois passar adiante.
Para ele, devemos contar os contos que nos habitam, nos encantam e adaptá- los à nossa plateia. É um trabalho conjunto de cocriação, que sempre será diferente com cada filho ou em cada grupo.
As leituras fomentam a sensibilidade e o pensamento, estes grandes instrumentos de cuidado. Ler é continuar sendo cuidado, prolongar a relação materna (agora por dentro) que costumava ler para nós.
Para Moro e Estabel (2012, p.54) a literatura atua de distintas maneiras, influenciando os valores culturais característicos de uma sociedade, sintonizando-se com os tempos de mutação, e acompanhando “as mudanças de valores, crenças, costumes socioculturais de uma época e de uma civilização”.
Muitos autores acreditam ser leitores vorazes, por terem sido inspirados na infância pelas histórias contadas por alguém da família, pai, mãe, avô ou alguém da escola.
Fanny Abramovich (1997, p.11) recorda que seu primeiro contato com o mundo mágico das histórias foi com sua mãe, que contava todas as noites para ela antes de adormecer. Lembra algumas histórias contadas na escola e de quando aprendeu a ler, lia muito e acrescenta: “a volúpia de poder ler sozinha, de mergulhar no mundo mágico das letras pretas que remetiam a tantas histórias fantásticas”.
Conforme a autora, para a formação da criança é muito importante “ouvir muitas, muitas histórias...Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e
ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo.” (ABRAMOVICH, 1997, p.16).
O escritor moçambicano Mia Couto (2014), em sua Aula Magna Memórias,
contar histórias e semear o futuro, realizada em setembro de 2014 na UFRGS, fez
confissões, contou passagens que o constituíram como poeta e deixou um recado sobre a fugacidade do tempo no presente. Falou sobre sua infância, das histórias que ouvia dos pais antes de dormir, das histórias das mulheres na cozinha de sua casa, enquanto fazia as lições escolares. “No chão da cozinha que me fiz poeta”, contou. O escritor colocou, também, como elementos constituintes de sua personalidade, a força da oralidade moçambicana e os momentos de guerra. Seu país viveu 16 anos de guerra civil, com mais de um milhão de mortos, que só teve fim com a paz assinada em 1992.
Ao encerrar, reforçou o poder das histórias:
Eu acredito que as histórias não salvam o mundo, mas podem incutir o desejo da utopia e do mundo em mudança. A gente pensa que contar histórias é uma competência dos escritores, não é. Todos nós somos produtores e somos produtos de pequenas histórias. (COUTO, 2014).
Contar história é transportar-se para outro mundo e fazer quem as ouve transportar-se junto. Sugere caminhos para imaginação, desenvolvendo a criatividade e sendo uma fonte de prazer e encantamento.
Então contar de reis e rainhas, príncipes e princesas [...] só que contadas com jeito de quem viu ou viveu o que fala e repete a história com emoção renovada a cada vez. Sim, porque contar histórias depende muito também de quem as ouve. As crianças se encantam com o possível e o impossível. Os adultos se encantam em vislumbrar um caminho que lhes devolva o sonho. (SISTO, 2001, p.22)
A contação de histórias estimula a leitura, encanta quem a ouve e este se encanta, apaixona-se por histórias contadas nos livros, possibilitando a formação de bons leitores. “Porque para formar grandes leitores, leitores críticos, não basta ensinar a ler. É preciso ensinar a gostar de ler. [...] com prazer, isto é possível e mais fácil do que parece.” (VILLARDI, 1997, p. 2).
O contador de histórias passa a paixão que tem pela história a ser contada se, em primeiro lugar, estiver envolvido afetivamente por ela, e, quando identifica-se com a mesma.
Questionado sobre seus gostos de leituras, o acadêmico extensionista procura nas suas lembranças de infância as histórias que alguém lhe contou, ou que tenha lido e gostado, pois como afirma Sisto (2001, p.33) “só poderemos contar bem uma história quando ela nos toca de forma especial, quando faz vibrar alguma coisa dentro de nós”.
E Zilberman (2005, p.9) ratifica que “ao livro que agrada se costuma voltar, lendo-o de novo, no todo ou em parte, retornando de preferência àqueles trechos que provocaram prazer particular”.
Escolhida a história, o acadêmico extensionista, vai estudá-la e lê-la muitas vezes, não para decorá-la, mas para deixar impregnar-se por ela, pois contar uma história não é saber mecanicamente o que se passa, mas apropriar-se dela e divertir- se com ela.
O grande segredo dos bons contadores está na perfeita assimilação daquilo que pretendem contar. Assimilação no sentido de apropriação. Apropriar-se de uma história é processá-la dentro de si mesmo. É deixar-se impregnar de tal forma por ela que todos os sentidos possam ser aguçados e que todo o corpo possa naturalmente comunicá-la pelos gestos, expressões faciais e corporais, entonação de voz, ritmo, etc. (MATOS, 2007, p. 9).
Há diversas formas de se narrar uma história, dentre as quais o contador deve descobrir a que mais se aproxima do seu jeito singular de ser e de estar no mundo.
O contador de histórias, dessa forma, pode ser visto como um mediador da leitura, da imaginação, criatividade e da constituição de si. Pois a mediação é compreendida como a relação do homem com o mundo e com os outros homens, possibilitando que “as Funções Psicológicas Superiores (FPS), apontadas por Vygotsky, por meio da sensação, da percepção, da atenção, da memória, do pensamento, entre outras se desenvolvam”. (MORO; ESTABEL, 2012, p.42).