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2 Research and theoretical frameworks

2.2 Psychological and theoretical framework

Este método foi aplicado com o auxílio do preenchimento da ficha de avaliação do conforto visual (anexo 05), que foi feito a partir da visita e das entrevistas exploratórias com o arquiteto responsável pela maior parte dos projetos do IBCC, atualmente, e com o então supervisor do departamento de quimioterapia, que acompanhou e apresentou o ambulatório à pesquisadora.

Seguem as considerações a partir das avaliações qualitativas dos tópicos indicados na ficha.

As cores predominantemente claras e os revestimentos foscos das paredes, dos forros e dos mobiliários contribuem para a distribuição da iluminação, a aparência luminosa,

o aspecto asséptico e limpo do ambiente são fatores importantes de serem levados em consideração nos projetos para iluminação em áreas hospitalares.

O acabamento brilhoso do revestimento vinílico do piso reflete a luz natural das janelas da fachada (55A). No entanto, a presença das persianas possibilita o controle da incidência direta da luz no ambiente e da sua intensidade, que são variáveis conforme as estações do ano e os horários do dia.

As luminárias também são refletidas, além dos elementos que compõem a sala, e podem ser vistos espelhados no chão, segundo o ângulo de visão do usuário no ambiente (55B). Esse efeito das luminárias pode ser amenizado, através da instalação de modelos com controle de distribuição da luz e redução da luminância, que evitam também ofuscamentos indesejáveis (PHILIPS, 1981; IESNA, 2006).

Figura 55: Reflexos no piso: da luz natural das janelas da fachada (A); das luminárias e dos

elementos da sala (B).

Fonte: Acervo da pesquisadora

A distribuição da luz natural na sala não é adequada, pois há áreas que ficam sombreadas. Isso ocorre por conta da obstrução de elementos laterais e zenitais da iluminação do dia, que foi feita após as expansões construtivas realizadas no projeto original.

Nas fotos da figura 66, em que foram tiradas apenas com a luz natural, no dia das medições das iluminâncias (23/05/13), com o céu encoberto, podem-se observar as regiões comprometidas pelo fechamento das aberturas zenitais sobre o posto de enfermagem (56A) e das janelas dos boxes laterais (56B).

Figura 56: Distribuição da luz natural na sala. Fonte: Acervo da pesquisadora.

Ainda nas condições da luz natural, a visão externa, que as janelas possibilitam aos usuários da sala, tem o aspecto positivo, pela referência e o contato com o mundo externo, já que a maioria das pessoas é favorável à introdução de janelas em edificações (DALKE et al., 2004).

No entanto, a paisagem que é vista de dentro do ambiente poderia ser melhorada, já que há presença e circulação intensa de automóveis, devido ao estacionamento do IBCC ficar em frente ao ambulatório.

A maior parte das pessoas prefere a visão de cenas naturais, com árvores, plantas, gramas e espaços abertos (DALKE et al., 2004). Além disso, há pesquisas, como a realizada por Ulrich, em que pacientes de uma enfermaria com vista para árvores se recuperaram mais rapidamente que aqueles com a visão de paredes de tijolos (ULRICH apud DALKE et al., 2004).

A B

Posto de enfermagem

A iluminação artificial é aparentemente insuficiente para o desempenho satisfatório das tarefas visuais, principalmente nos boxes laterais e opostos à fachada, e no posto de enfermagem, onde havia a complementação pela luz natural, proveniente dos elementos zenitais, que foram fechados pela ampliação do pavimento superior (figuras 57A e 57B).

Figura 57: Fechamento aberturas zenitais sobre posto de enfermagem (A) e área de boxes (B). Fonte: Acervo da pesquisadora.

Enquanto o horário de funcionamento do ambulatório de quimioterapia era até às 18h, os efeitos dessa deficiência da luz não eram evidentes, mas com a ampliação do atendimento até às 20h, ou mesmo, com uma provável extensão até às 22h, haverá consequências para o desempenho apropriado das tarefas visuais, especialmente para equipe de enfermagem.

Algumas características das fontes de luz artificial utilizadas na sala não são adequadas para ambientes hospitalares. É o que ocorre com os atributos da qualidade da cor das lâmpadas utilizadas: a temperatura de cor correlata (Tcp) e o índice de reprodução de cor (Ra) (CIE, 2002; ABNT, 2013).

Como visto no item anterior (6.1), a Tcp recomendada para áreas hospitalares com a presença de luz natural é de 4000K (CIBSE, 2002, apud DALKE et al., 2004). O que não acontece na sala, onde a variedade das aparências da cor das lâmpadas se torna evidente, principalmente pela aleatoriedade nas suas aplicações. Ademais, o Ra das lâmpadas

apresentou, na sua maioria, valores abaixo do indicado pela IES para quimoterapia, igual ou acima de 85 (IES, 2011). Esses aspectos influenciam o ambiente visual do ambulatório, o qual é formado pela interação entre os elementos físicos e a luz que os iluminam (DALKE et al., 2004).

Não há manutenção periódica para reparos ou substituições de luminárias, de lâmpadas e reatores. Quando necessária é feita uma solicitação, e um funcionário de instalações verifica.

Os modelos de luminárias para lâmpadas fluorescentes tubulares, não possuem fechamento para proteção contra sujeira. Fato esse que pode gerar acúmulo de resíduos na fonte de luz, depreciando mais rapidamente seu fluxo luminoso e nos componentes das luminárias, comprometendo seu rendimento, condições essas que podem prejudicar o nível médio de iluminância considerado aceitável para a quimioterapia, além da questão da assepsia do ambiente (DALKE et al., 2004; IESNA, 2006).

A limpeza dos equipamentos da iluminação artificial é feita pela equipe de manutenção, semestralmente, por solicitação do departamento. Já as superfícies do ambiente são limpas diariamente e a higienização mais profunda é feita nos fins de semana, no horário em que o ambulatório não funciona.

A manutenção e a limpeza dos equipamentos da iluminação e das superfícies de hospitais devem ser satisfatórias, para que possa ser conservada a aparência e a eficiência do ambiente luminoso, além de evitar a propagação de infecção (IESNA, 2006).

A maioria dos pontos verificados através da aplicação deste instrumento foi reiterada na observação técnica, onde várias das considerações identificadas estão apresentadas. Entretanto, o objetivo do walkthough, nesta pesquisa, foi avaliar aspectos qualitativos das condições dos sistemas de iluminação.