5. Ocurre con adverbios de modo enérgicamente,
1.3.3 La prueba 3: expresiones del tipo en X tiempo
4.1 Considerações iniciais
Nosso trabalho se direciona para um tema amplamente abordado pela imprensa nacional, as favelas do Rio de Janeiro. No âmbito dos Estudos Linguísticos, nossa proposta é estudar o funcionamento do discurso de fotografias jornalísticas sobre esses espaços urbanos a fim de compreender os possíveis sentidos que eles engendram. Logo, abordamos a linguagem configurada iconicamente. Optamos por selecionar nosso corpus entre as fotografias publicadas pelo jornal diário carioca O Globo, de circulação nacional.
Lembramos que nossa proposta é analisar o discurso imagético, a partir de elementos icônicos e de imaginários sociodiscursivos. Dessa maneira, trabalhamos com fotografias jornalísticas que retratam esses espaços urbanos e seus moradores. Entendemos que compreender o discurso sobre tal temática pode contribuir para a formação de um pensamento crítico sobre o papel dos discursos circulantes no meio social na construção de imaginários e também para o combate a uma visão que restrinja tais locais e pessoas a representações sociais cristalizadas negativas, ligadas majoritariamente aos imaginários da pobreza e da violência. Ao desvendarmos os discursos, abrimos espaços para reflexões sobre o que é mostrado e aquilo que está oculto, mas muitas vezes explícito em silenciamentos, ou, como dizemos em fotografia, o que se encontra, seja mais ou menos intencionalmente, fora de campo. Por esses caminhos, procuramos entender como se constroem os discursos e os seus possíveis sentidos.
Neste capítulo, apresentamos nosso problema de pesquisa, objetivos e hipóteses. Também descrevemos nosso corpus; esclarecemos como foi o processo de seleção e classificação do material; e informamos sobre a instância produtora, a instituição O Globo, inserida no contexto de um grande grupo midiático106. Procuramos explicar ainda os procedimentos escolhidos para desenvolver nosso estudo, bem como as categorias de análise. Enfim,
106
Como já explicamos no tópico 3.3, apesar de o sujeito comunicante ser uma instância compósita, optamos por considerar a instituição O Globo como responsável pelo alinhamento e direcionamento das intenções discursivas do veículo de acordo com sua linha editorial e seus interesses.
buscamos mostrar como as concepções teóricas que sustentam nosso trabalho se relacionam e se aplicam ao estudo das fotografias que compõem nossa pesquisa.
Diante da natureza complexa da imagem fotográfica e do desafio de decifrá-la, Kossoy (2009) discute seu caráter paradoxal, pois ela pode ser:
documento fechado, definido, delimitado pelas margens da superfície fotográfica, portador de um inventário de informações que é, ao mesmo tempo, uma
representação aberta, indefinida, real porém imaginária, plena de segredos extra-
imagem que segue sua trajetória mostrando/encobrindo sua razão de ser no mundo;
uma aparência construída em eterna tensão com seu verdadeiro mistério,
subcutâneo à superfície fotográfica: sua trama, sua história, sua realidade interior. (KOSSOY, 2009, p. 144)
É nessa trama que iremos nos embrenhar num processo de busca de sentidos possíveis que nos revelem seus segredos além da superfície. Afinal, como o próprio autor defende, o fascínio da fotografia reside justamente em sua potencialidade, na possibilidade de descobertas e interpretações.
4.2 Problema, objetivos, hipóteses
Nosso ponto de partida é questionar de que forma os discursos que as fotografias carregam nos levam a produzir determinados sentidos sobre as favelas cariocas. Tomando como referência teórica a Semiolinguística, um dos principais focos da nossa problematização semiodiscursiva estará no exame dos sentidos provenientes tanto dos elementos visuais presentes na materialidade linguageira, quanto das representações sociais que evocam, produzindo imaginários sociodiscursivos sobre as favelas e seus residentes. Procuraremos, enfim, investigar quais são os sentidos engendrados pelos discursos construídos pelas imagens fotográficas veiculadas pelo O Globo, de forma a verificar como eles apresentariam propostas de olhar para essa realidade e como representariam as favelas cariocas.
Como objetivos gerais, buscamos compreender como a teoria Semiolinguística e as noções de representação social e imaginário sociodiscursivo podem ser operacionalizadas na análise do discurso de imagens fotográficas. Procuramos estudar os processos de produção de sentido na imagem fixa jornalística e verificar em quais representações sociais e, consequentemente, em
quais imaginários sociodiscursivos, os discursos fotográficos se apoiam para apresentar determinada visão das favelas.
Nossos objetivos específicos contemplam aprofundar o conhecimento sobre os conceitos- chave da pesquisa; buscar e propor categorias de análise que tornem possível a operacionalização desses conceitos-chave na análise do discurso de imagens fixas; e verificar qual seria a imagem da favela carioca construída por meio dos discursos de fotografias jornalísticas do jornal O Globo.
Tomamos como hipóteses os seguintes aspectos:
a) A imprensa construiria e/ou fortaleceria, por meio da foto jornalística, um discurso sobre as favelas sustentado por representações sociais cristalizadas negativas.
b) Apesar da possível negatividade presente no discurso das imagens, que seguiria os valores-notícia predominantes na prática jornalística, a imprensa apresentaria também fotos com cunho positivo sobre as favelas, ainda que em escala menor.
c) Haveria alguma mudança na forma de dar a ver a favela ao longo do tempo, mudança esta que poderia estar relacionada às políticas de segurança pública adotadas nos últimos anos.
d) A visão da favela e de seus moradores permaneceria ancorada em representações sociais cristalizadas que emergiram a partir do século XIX e foram se consolidando ao longo do tempo, principalmente ligadas aos imaginários da pobreza e da violência.
Para esse percurso, buscamos compreender as representações sociais sobre as favelas do Rio de Janeiro construídas social, histórica e discursivamente; recorremos a referências teóricas do campo de estudo das imagens para pensarmos nossa abordagem teórico-metodológica; trabalhamos com os conceitos de sujeitos do discurso, situação de comunicação e imaginários sociodiscursivos, a partir da teoria Semiolinguística; selecionamos elementos da linguagem fotográfica que atuam como geradores de sentido; empregamos o conceito de intericonicidade como operador de sentido do e no discurso fotográfico. Tal trajetória nos permitiu estabelecer categorias de análise que descreveremos neste capítulo. Nosso trabalho contempla análises quantitativas e qualitativas. Os prodecimentos de análise também são explicitados mais à frente.
4.3 Nosso corpus
4.3.1 As fotografias jornalísticas
Nosso corpus é composto de 302 fotografias jornalísticas publicadas no jornal O Globo, escolhido por ser o mais representativo do Rio de Janeiro. Especificamente, buscamos imagens que trouxessem cenas em favelas cariocas com a presença de pessoas envolvidas com o cotidiano do lugar (sejam habitantes, policiais, turistas, funcionários públicos etc.), pois nos interessa não apenas a imagem do lugar restrita ao ponto de vista arquitetônico, geográfico e/ou estrutural, mas sim como espaço de moradia e de trocas sociais. Portanto, a quantidade de fotos selecionadas para o corpus refere-se a imagens com cenas em favelas contendo pessoas, tendo sido desconsideradas as demais fotografias que por ventura tenham sido publicadas no período de coleta, mas que traziam apenas o cenário favela, isoladamente.
Para a definição do período de coleta do material, optamos por selecionar uma sequência aleatória de três meses consecutivos – setembro, outubro e novembro107 –, pois esse critério permitiria incluir imagens que englobassem diferentes tipos de cobertura, de seções ou de valorização das notícias, uma vez que o que está em questão é a publicação de fotos que mostram o espaço favela e seus moradores, e/ou outros atores sociais, e não um acontecimento específico que seja tema de cobertura jornalística. Pensamos que algum tipo de restrição nesse sentido poderia direcionar a pesquisa. Acreditamos que três meses seriam um espaço de tempo suficiente para observarmos como a favela é imageticamente retratada numa continuidade.
Outro critério foi coletar esses três meses selecionados em três anos diferentes, considerando um intervalo de dois anos entre cada um, o que nos possibilitaria verificar se houve alguma mudança na cobertura das favelas durante esses períodos. Assim, coletamos fotos de favelas cariocas publicadas nas edições dos meses de setembro, outubro e novembro dos anos 2010, 2012 e 2014 (TABELA 1).
Tabela 1 – Número de fotografias jornalísticas que compõem nosso corpus
Ano Nº fotos por mês Total
ano
Set Out Nov
2010 23 66 110 199*
2012 26 26 20 72
2014 10 15 6 31
Total 59 107 136 302
Fonte: quadro elaborado pela autora
*Sem as fotos dos cadernos especiais, o número cairia para 131
Apesar de não focarmos na cobertura de um acontecimento específico, mas sim em um tema, não podemos deixar de considerar que a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foi um marco recente nas políticas públicas voltadas para as favelas do Rio de Janeiro. Como vimos, nos vários estudos abordados no capítulo 2, que as políticas públicas adotadas ao longo dos anos estão intimamente ligadas ao engendramento de representações sociais sobre esses espaços urbanos e sua população, as UPPs seriam um ponto a ser levado em conta em nosso trabalho.
Assim sendo, optamos por considerar sua instalação como marco temporal para guiar a escolha dos períodos nos quais selecionaríamos as edições onde as fotos seriam coletadas. Não é nosso foco verificar a relação do programa das UPPs com os imaginários construídos sobre as favelas e seus residentes, porém temos ciência de que essa conexão deverá vir à tona na análise em algum momento. Logo, deixamos claro que nosso objetivo é verificar os sentidos possíveis do discurso imagético sobre as favelas cariocas e os imaginários que deles emergem, a partir das categorias determinadas, sejam esses sentidos perpassados ou não pela questão das UPPs.
Dito isto, a definição dos anos nos quais faríamos a coleta do corpus levou em conta os seguintes critérios: o primeiro ano verificado foi o de 2012, por ser a data de instalação do mais número de UPPs no ano desde o início do programa, inclusive na maior favela do Rio, a Rocinha, e numa das maiores da zona norte, o Complexo do Alemão; na sequência, considerando o intervalo de dois anos entre os períodos, vem 2014, mês mais próximo da conclusão da tese, garantindo certa atualidade ao material analisado; e 2010, que marca quase dois anos de instalação da primeira UPP na cidade, bem como a chamada “retomada” da Vila
Cruzeiro e do Complexo do Alemão, que obteve grande cobertura da mídia, inclusive internacional, ampliando a visibilidade desses espaços urbanos e de sua população.
Esclarecemos que a UPP foi o marco temporal que norteou a escolha do corpus para a análise piloto, considerando que 2012 foi o ano com maior número de Unidades instaladas. Coincidentemente, ao optarmos pelo intervalo de dois anos entre as amostras, um dos acontecimentos mais marcantes desse programa de segurança pública foi contemplado: a tomada da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão pelas forças policiais, como apontamos, o que gerou grande número de imagens publicadas. Assim, apesar de já termos dito que as UPPs não são nosso foco, acreditamos que ela terá forte influência no modo de dar a ver a favela e as pessoas que ali circulam nesses períodos analisados. Insistimos, porém, que buscaremos os sentidos possíveis engendrados pelos discursos fotográficos, estejam eles ligados ou não às UPPs.
Gostaríamos de mencionar, ainda, que encontramos estudos os quais abordaram a imagem da favela e de seus habitantes construída pela imprensa carioca em décadas anteriores, como vimos no capítulo 2, o que nos dá algum subsídio para análises mais atuais. Apesar de a maioria dos trabalhos encontrados se basearem no discurso verbal, eles constituem referência relevante para nossa pesquisa, pois revelam já uma série de imaginários ligados a nosso tema de estudo, que poderão ser confirmados ou refutados por nossa análise.
Como dissemos, o grande número de fotografias encontrado em novembro de 2010 se deve a um acontecimento de forte repercussão na época, que foi a retomada pelas forças públicas de segurança da favela Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, comunidades vizinhas, e a consequente expulsão de traficantes, com várias prisões e apreensões de armas e drogas. Devido a essa ação do Estado, o fato ganhou não apenas as páginas habituais do jornal O Globo, como também foi motivo para a publicação de três cadernos especiais chamados A Guerra do Rio, em 26, 28 e 29 de novembro, os quais totalizaram 54 imagens coletadas, ou seja, mais de 50% das fotos do mês.
Além disso, o caderno Zona Sul, de 7 de outubro de 2010, foi dedicado a favelas pacificadas, no qual encontramos 14 fotos que se enquandravam nas características de nosso corpus, contribuindo para o aumento de imagens no período. Já em 2014 houve queda no número de publicações de fotos sobre favelas, porém, para sabermos se seria uma tendência que se