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In document ON MY MIND (sider 67-70)

O RGCE (Portaria n.º 359/82, de 7 de Abril) tem como principal objectivo reduzir o consumo energético dos grandes consumidores de todos os sectores de actividade, através da promoção da gestão de energia. Está abrangida por este Regulamento toda e qualquer empresa ou instalação

68 No caso do RSECE e tendo como referência a região do Algarve, as câmaras municipais têm revelado total incapacidade no seu cumprimento, ignorando na maioria das vezes a sua existência. A exigência do cumprimento deste regulamento limita-se, assim, a situações como as da candidatura ao MAPE de projectos de Utilização Racional de Energia.

considerada consumidora intensiva de energia, sendo para tal necessário que se verifique pelo menos uma das seguintes condições:

 Durante o ano anterior, tenha-se observado um consumo energético superior a 1000 tep;

 A soma dos consumos energéticos nominais dos equipamentos instalados exceda 0,5 tep/hora;

 Exista pelo menos um equipamento instalado que exceda 0,3 tep/hora.

Tal pode ser feito com base num levantamento energético, o qual poderá ser iniciado com a contabilização dos consumos anuais de combustíveis e de energia eléctrica, seguido do levantamento de todos os equipamentos consumidores de energia, caracterizando-os em termos de potência nominal. Numa primeira fase, a caracterização das potências pode centrar-se nos principais equipamentos.

Feito o levantamento energético e no caso de se tratar de um consumidor intensivo de energia, importa agora abordar o processo conducente à correcta gestão da energia, o qual deverá passar pela implementação das seguintes acções:

 Exame detalhado das condições de utilização de energia (Auditoria Energética);

 Adopção de medidas e/ou realização de investimentos visando a racionalização dos consumos de energia, de acordo com o estabelecimento de metas a atingir para a redução dos consumos específicos (Plano de Racionalização dos Consumos de Energia – PRCE);

 Execução do PRCE de modo a serem atingidos os seus objectivos anuais, bem como o seu acompanhamento permanente, com vista a determinar eventuais desvios aos resultados esperados.

O princípio geral do PRCE consiste em reduzir para metade, num período de 5 anos (3 no caso dos transportes), a diferença entre os consumos específicos reais (C), verificados na altura da realização do exame da instalação, e os correspondentes consumos específicos de referência (K). As reduções do consumo específico M a obter até ao fim do ano N (com N = 1, 2, 3, 4 e 5) serão dadas pela seguinte expressão (com excepção do sector dos transportes):

5 N 2 K C M  

Os valores de K são definidos pela Direcção Geral de Energia para diversos tipos de produtos ou actividades, havendo várias situações em que ainda não estão disponíveis esses valores, como é o caso da hotelaria69. Por outro lado, existem igualmente algumas instalações ou empresas onde se

verificam consumos específicos inferiores aos valores de referência definidos para o sector, ou actividade. Em ambas as situações, o RGCE estipula que sejam considerados como consumos específicos de referência para a elaboração do PRCE um valor no máximo correspondente a 90% do consumo específico determinado na própria instalação, como resultado da auditoria energética efectuada, ou seja, como K  0,9.C, então,

5 N 2 C . 9 , 0 C M  

ou, para o ano N,

M  0,01.C.N (com N = 1, 2, 3, 4 e 5).

No caso do Tivoli Marinotel, tomando como referência o ano 2000, trata-se de um consumidor intensivo de energia, pelo facto de, pelo menos, ter-se verificado um consumo superior a 1000 tep.

Tabela 4.20 – Consumo de energia do Tivoli Marinotel, no ano 2000

Petróleo 26 843 kg 27,0 tep

Gás propano 383 109 kg 436,7 tep

Electricidade 5 125 881 kWh 1 486,5 tep

TOTAL 1 950,3 tep

Dado que no caso da hotelaria, como se referiu, não estão ainda definidos os consumos específicos de referência, assume-se como valor máximo de referência 90% do consumo específico observado em 2000. Tomando como consumo específico a energia consumida por

69 A definição de um consumo específico de referência para o caso da hotelaria é bastante questionável, principalmente por não se tratar de um “sector homogéneo”.

dormida, (poderia ser por quarto ocupado), considerando que o número total de dormidas em 2000 foi de 169 804 dormidas, obtém-se o seguinte valor máximo para K:

KMÁX. = 10,34 kgep/dormida

Anualmente, em termos médios, o hotel deverá reduzir os seus consumos específicos em 0,115 kgep/dormida, o que implica, uma redução de 0,574 kgep/dormida ao fim dos 5º ano de execução do PRCE, ou seja, nesse ano deve observar-se um consumo específico de 10,91 kgep/dormida (menos 5% que o consumo específico observado no ano de referência) – v. Figura 4.22. De referir que de 1998 para 1999 o consumo específico diminui 7,1% e que de 1999 para 2000 aumentou 1,4%.

Figura 4.22 – PRCE - Evolução média dos consumos específicos de energia.

Considerando a actividade desenvolvida e as perspectivas para o período de vigência do PRCE, neste caso em termos de níveis de ocupação, apresentar-se-ão, por cada ano, os objectivos a atingir em termos de redução dos consumos globais da instalação, por forma de energia, devendo também incluir uma listagem da sequência de medidas de gestão e dos investimentos a realizar. De seguida apresentam-se um conjunto de medidas, de actuação ao nível dos sistemas de climatização e de aquecimento (AQS e piscina interior), passíveis de contribuir para a redução dos consumos de energia do Tivoli Marinotel e que poderão ser incluídas num PRCE:

11,37 11,26 11,14 11,03 10,91 C = 11,54 K = 10,34 9,8 10,0 10,2 10,4 10,6 10,8 11,0 11,2 11,4 11,6 11,8 2000 2001 2002 2003 2004 2005 [k g ep / d or m id a]

Redimensionamento dos chillers de modo a poder responder de uma forma mais eficiente, às variações das necessidades de arrefecimento70;

Recuperação de energia da condensação dos chillers para pré-aquecimento das AQS e piscina interior;

 Redimensionamento das bombas de circulação dos circuitos de arrefecimento;

 Montagem de uma tela de cobertura da piscina interior, para os períodos em que esta se encontra encerrada;

 Remodelação da instalação de aproveitamento de energia solar;

 Montagem de torneiras electrónicas nas casas de banho das zonas públicas;

 Reparação dos isolamentos das condutas e das tubagens de água quente;

 Reparação das unidades de tratamento de ar;

 ...

A remodelação do sistema de gestão de energia do hotel, a substituição de equipamentos de cozinha e de lavandaria por outros energeticamente mais eficientes (em termos de consumo de energia mas também de água), e acções de formação destinadas aos funcionários dos vários serviços do hotel, que visem a promoção da Utilização Racional de Energia, são exemplos de outras medidas de gestão que podem integrar um PRCE do hotel. De referir que algumas destas medidas podem ser financiadas, em parte, com recurso ao MAPE.

70 Note-se que há situações em que é exigido o arranque dos chillers, (e, consequentemente, dos equipamentos auxiliares), para a satisfação de necessidades pontuais e de pouca carga, não se podendo também tirar partido dos baixos regimes de funcionamento por má concepção da estrutura de apoio, uma vez que esta permite a transmissão de vibrações à estrutura do hotel.

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