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Prosjektgruppens sammensetning og organisatoriske innplassering 13

Categoria 1- A estrutura da Moderna Gramática Portuguesa (2007) e do livro

Emília no País da Gramática (2008), tendo em vista uma doutrina político-

ideológica, estabelecendo uma política linguística e educacional de dominação.

Quanto à política de dominação através de uma doutrina político-ideológica feita pelo governo, verificamos que a obra atual não se insere nesse perfil. Não percebemos mais esse viés. Não há lei que estabelece o seu uso em nossas escolas, assim cada professor o adota quando lhe convém.

O livro Emília no País da Gramática (2008), no entanto, é parte de uma política de dominação ainda muito forte, que apenas trocou de mãos. Algo muito interessante aconteceu ao livro e à obra de Monteiro Lobato em geral: a detenção dos direitos autorais por parte de uma rede de televisão, o que simbolizou uma política de dominação feita através da mídia devido ao longo tempo que o programa denominado

“Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de mesmo nome de parte de sua obra, esteve no ar. As crianças assistiam ao programa e também compravam os livros do autor fazendo com que seus conceitos implícitos ou explícitos, corrompidos ou não, por tal emissora se expandissem pelo país afora.

Assim, o livro Emília no País da Gramática (2008) não possui uma política de dominação lingüística imposta pelo governo. Nos prólogos que analisamos, não percebemos, esse tipo de dominação. No caso de Márcia Camargos, o foco se voltou mais especificamente para a questão da aprendizagem de língua portuguesa e para o autor, Monteiro Lobato. Assim, a imposição de uma norma padrão, não é mais um modelo de coerção política, bem de acordo com o nosso período atual, mas um modelo, de coerção ideológica, da emissora de televisão, detentora dos direitos autorais da obra de Lobato.

Para Márcia Camargos, é importante que o aprendizado de língua portuguesa seja feito de forma lúdica. Assim, o livro é indicado por ela porque cumpre esse papel. Assuntos tão áridos quanto o ensino de gramática se transformam em “textos leves e divertidos”: Para aqueles que acreditam que certos assuntos não podem render boa literatura, este livro mostra que é possível transformar a aridez de regras e normas em textos leves e divertidos. (p.7)

Assim,

Nesta obra original e diferente Monteiro Lobato fala sobre a Língua Portuguesa e seus conceitos gramaticais de forma simples, clara e direta. Conjugação verbal, colocação pronominal, crase fonemas e tantos outros temas que envolvem nossa língua perdem sua sisudez característica através de explicações lúdicas da turma do Sítio, revelando o prazer que deve acompanhar a busca pelo conhecimento. (p.7)

A autora ressalta o aprendizado da Língua Portuguesa por meio da obra como algo original e diferente. De acordo com ela, Lobato fala sobre os temas complexos que envolvem o ensino de gramática de forma simples, clara e direta, transformando, dessa forma, a busca pelo conhecimento em um jogo prazeroso e inteligente, pois

Sabemos que Monteiro Lobato sempre procurou escrever de modo acessível. Com imaginação e criatividade, ele nos mostra que o estudo da gramática pode ser prazeroso e cheio de surpresas. (...) Tudo ficava fácil de ser entendido de um jeito especial que se aprende brincando. (p.8)

Assim, observamos ao longo da leitura de todo o prólogo que, para Márcia Camargos, o aprendizado deve ser por meio de jogos e brincadeiras, ou seja, lúdico. Ela enfatiza em vários trechos esse tipo de modelo pedagógico. No entanto, sob esse aparente modo de ensinar, percebemos um tipo de doutrina político-ideológica,

estabelecendo uma política linguística e educacional de dominação, não imposta

pelo governo, como já afirmamos, mas ressaltamos que essa política linguística de dominação está camuflada sob o jogo da sedução imposta pelas palavras que envolvem o leitor infantil: “Neste passeio entre os sons que representam as letras, os padrões que regem o uso do português transformando-se em um jogo curioso e inteligente.” (p.8) Ou ainda: “Com imaginação e criatividade, ele (Lobato) nos mostra que o estudo da gramática pode ser prazeiroso e cheio de surpresas.” (Ibidem)

Toda criança que ler esses trechos vai querer ler o livro, já que aprender gramática brincando é melhor que aprender de forma normativa (por regras rígidas). Mas a imposição linguística está presente de forma muito clara. Mesmo que seja brincando, o que a criança está, na realidade, aprendendo, são as regras do idioma. Essas regras são ensinadas de modo normativo, pois o que vimos, em nossa análise, tanto do livro Emília no País da Gramática (1935) quanto da Gramática Expositiva (1944), de Eduardo Carlos Pereira, foi uma aproximação muito grande entre os dois textos. Ambos tentam ensinar a língua portuguesa padrão por meio de normas e regras, seguindo praticamente a mesma ordem de assuntos. Assim, a norma padrão ainda, na atualidade, é modelo de coerção, pois todo indivíduo deve aprendê-la para estar inserido na sociedade, que é hoje dominada pela mídia.

Categoria 2 - Análise da Moderna Gramática Portuguesa (2007) e do livro Emília no

País da Gramática (2008), tendo como ponto de partida, o estabelecimento de uma

política de manutenção e de preservação da cultura brasileira, mediante o ensino de língua materna.

Quanto à manutenção e preservação da cultura brasileira mediante o ensino de língua materna, não percebemos, pelas palavras de Márcia Camargo, nenhuma referência ao passado ou ao presente que aponte para esse fato. No entanto, como já dissemos na análise da categoria 1, do mesmo prólogo, a autora nos deixa vislumbrar um ensino de língua portuguesa com viés normativo, ou seja, pautado numa gramática tradicional.

O ensino de regras e normas por meio de um material pedagógico normativo nos remete ao passado, a uma época em que o ensino de língua materna tinha objetivo de unificação nacional pelo poder das palavras, à ditadura. Assim, podemos dizer que a manutenção da cultura brasileira se dá pela própria cultura brasileira, mas inserido em um contexto em que o ensino é imposto de uma maneira rígida, engessada, baseado, sobretudo, em manuais didáticos que ditam o que nossos alunos devem aprender.