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Prosjektgjennomføring ved bruk av systematisk ferdigstillelse

2.5 Systematisk ferdigstillelse

2.5.4 Prosjektgjennomføring ved bruk av systematisk ferdigstillelse

Neste ponto, a análise se dará a partir de uma colocação feita por uma das engenheiras da matéria De Salto na Plataforma, publicada na revista VOCÊ S/A em outubro de 2011. No trecho abaixo percebe-se o mundo como ele foi divulgado para as crianças, com a divisão sexual das brincadeiras infantis.

“Desde crianças, os meninos ganham carrinhos com controle remoto,

enquanto as meninas recebem bonecas cor-de-rosa” [...] (Paula Dornhofer Paro

Costa, engenheira elétrica e doutoranda da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas, VOCÊ S/A, outubro de 2011).

É muito comum indicar às crianças o lugar no mundo ao qual pertencem. E o lugar indicado para meninos e meninas aparece materializado nos elementos “carrinho com controle remoto” e “bonecas cor-de-rosa”. Os brinquedos, de acordo com Prost (2009, p.277), “contribuem para a diferenciação dos sexos”. Aos meninos o mundo da aventura, das descobertas, da tecnologia, da adrenalina em ação; às meninas o mundo da delicadeza, da futura maternidade, dos cuidados com os bebês (representados pela boneca). Para completar, a cor rosa ainda acompanha a

produção do brinquedo num gesto simbólico de demonstrar a fragilidade do sexo feminino. Essa cor é tão marcante no mundo feminino que até pouco tempo era totalmente rejeitada pelos homens. Somente nesses últimos anos desse novo milênio é que a cor rosa passou a fazer parte do mundo masculino.

Há um poder disciplinar em ação, quando se designa ao sujeito, ainda criança, quem ele é e o que deve fazer. Foucault ressalta que “somos julgados, condenados, classificados, obrigados a desempenhar tarefas e destinados a um certo modo de viver ou morrer em função dos discursos verdadeiros que trazem consigo efeitos específicos de poder” (FOUCAULT, 2008a, p.180). É a verdade de uma época que está a ecoar no enunciado acima, disponibilizando um lugar de verdade aos papéis exercidos por meninos e meninas, futuros homens e mulheres produtores/reprodutores de um país. Essa verdade, tão repetida e retomada no seio da família acaba por cristalizar uma memória que vai se repercutir por muito tempo ainda. Brinquedos e cores continuam a demarcar os espaços/limites entre os gêneros, apesar da resistência. Há uma construção sociocultural da feminilidade e da masculinidade.

Porém, a rejeição por estereótipos identitários, seja demarcados por cores, brinquedos ou atitudes, não se dá apenas pelos homens, mas também pelas mulheres. Um exemplo disso é relatado na matéria Competência não tem gênero, publicada na VEJA MULHER, em junho de 2008:

Desde pequena, Carmem campos Pereira sabia que ia ser executiva: colocava suas bonecas em fileira e, com uma bolsa no ombro, entrava na sala para dar ordens. (VEJA MULHER, junho de 2008)

Percebe-se na atitude de Carmem, ainda garotinha, a irregularidade presente no ato da brincadeira com as bonecas. Em vez de ninar, dar mamadeira, trocar a roupinha, colocar para dormir, como é costume geral nas brincadeiras com bonecas, ela dava ordens. Na formulação linguística “com uma bolsa no ombro, entrava na sala para dar ordens” se materializa a vontade de saber da menina. Essa atitude simboliza uma fuga ao controle disciplinar. Não é uma menina brincando de ser mãe, mas de ser chefe. A bolsa no ombro simboliza uma função que se daria no espaço público, fora do lar. Estaria a menina seguindo um modelo visto dentro de sua própria casa? O relato publicado na revista não esclarece isso, mas certamente, se rebuscarmos na memória, veremos que na época de criança – década de 70 -

Carmem certamente vivenciou, ou ouviu falar sobre as lutas feministas, sobre a busca das mulheres por um novo lugar. Os discursos que se repetiam nessa época podem ter sido internalizados e representados nessa atitude de criança imitando uma mulher adulta e emancipada. As novas identidades femininas começavam a ser constituídas, já havia sinais de mudanças à vista na vida profissional das mulheres.

Há no enunciado analisado a descontinuidade do discurso no que se refere à divisão sexual do trabalho, por tanto tempo delimitada aos homens e às mulheres. Ao se colocar, nas brincadeiras de criança, como chefe e não como mãe de suas bonecas, Carmem participa de uma ruptura na história destinada às mulheres, criando uma nova verdade. E como explica Veyne (2001, p.166), “um certo regime de verdade e certas práticas formam assim um dispositivo de saber-poder que inscreve no real o que não existe, submetendo-o ainda à divisão do verdadeiro e do falso”. Carmem, em sua prática discursiva, tentava criar uma nova verdade e inscrevia no real, a seu modo, o que ainda não existia. Uma criança (menina) idealizar uma profissão – dita masculina –, fugia à ordem do discurso hegemônico. E a verdade criada por Carmem, nos tempos de criança, virou sua realidade na fase adulta, seguindo uma linearidade na história dessa mulher.

Carmem faz parte das seis mulheres que compõem o espaço discursivo da matéria Competência não tem Gênero, publicada na Revista Veja Mulher, em 2008.

Nessa matéria, a revista aborda uma pesquisa divulgada no início do ano de 2008, a qual revela um dado supreendente: “as mulheres já compõem a maioria entre os empreendedores nacionais. Segundo o estudo do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), 52% dos negócios nacionais – sejam eles recentes, estabelecidos ou informais – são comandados por mulheres”. Na matéria, é apresentada a história de seis mulheres que, segundo a revista, “estão na vanguarda dessa tendência apontada pela pesquisa. Todas são executivas experientes e ocupam o cargo máximo da empresa que representam”. São elas:

1)Rosa Koraicho é dona e presidente da Koema, incorporadora paulistana de imóveis de luxo;

2)Bia Aydar comanda a MPM, a agência de publicidade que mais cresceu no ano passado;

3)Liliana Aufiero rege a gigante Têxtil Lupo, criada por seu avô;

4)Claudia de Carvalho Alves, que tem três irmãos mais velhos, foi a escolhida para suceder o pai na presidência da Enterpa, uma das maiores empresas de engenharia do país;

5)Carmem Campos Pereira é a presidente do Grupo Rede Energia, onde há mais de vinte anos, entrou como estagiária;

6)Nara Fauth Pereira é uma bem sucedida produtora rural do Rio Grande do Sul.

As seis mulheres acima foram unânimes em seus discursos ao dizerem que, Para chegar ao topo, tiveram de tomar decisões difíceis no âmbito da vida pessoal. As seis são mães. [...]Nenhuma delas sabe o que é tirar férias de um mês. Muitas vezes, viram-se na contingência de ser as únicas mulheres em mesas dominadas por homens. Para quem está começando, a boa-nova é que todas consideram o momento atual propício à mulher. Características tipicamente femininas, como a capacidade de manejar vários problemas de forma simultânea, o saber ouvir e a curiosidade, estão em voga nas grandes corporações. Todas são, mais uma vez, unânimes: com jeitinho e perseverança, tudo é possível. (VEJA MULHER, junho de 2008).

O enunciado “as seis são mães”, sustenta a conciliação que a mulher tenta/consegue fazer entre maternidade e carreira. Cuidar do espaço privado e se realizar no público parece ser a opção tomada por grande parte das mulheres, mesmo que para isso precise abrir mão de alguns de seus direitos, como as férias e a licença-maternidade, o que já foi comentado nesta Tese.

Enquanto algumas começam a trabalhar ainda jovens, construindo uma carreira passo a passo, antes de chegar ao topo, outras como Nara (produtora rural) e Rose (dona e presidente da Koema) resolveram trabalhar após o período mais crítico da maternidade e, mesmo estando na faixa dos 40 anos, nada impediu que chegassem ao lugar que ocupam hoje.

Outros exemplos, nessa mesma matéria, mostram o potencial das mulheres que encaram o trabalho com perseverança e obstinação:

1) Ao saber que estava grávida do primeiro filho, Claudia de Carvalho Alves,