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4. Mellom rammebetingelser og visjoner

4.1. Prosjektflora

Após questionamentos realizados por mim sobre formação de professores no PEA conduzida por Alberto, na primeira sessão reflexiva (29/06/2012), apresentei um exemplo da escola, considerado bem sucedido por nós, revelando uma proposta que colocara de que a organização das reuniões em pequenos grupos possibilita um salto qualitativo nas reuniões. O excerto a seguir apresenta os sentidos de Alberto quanto à organização dos espaços de formação de professores no PEA.

Excerto 4 – 29/06/2012

Al84: A minha ideia sempre foi essa. (concordância com réplica mínima) R85: Sério? Que ótimo. (modalização apreciativa)

Al86: Mas o problema é que eu me considero um aprendiz e isso, eu pra mim, eu acho que não era uma verdade que tem que acontecer porque eu sou o coordenador. Então, aceito a opinião de outras pessoas sempre. Esse é o meu perfil sempre. Então, ouvindo as pessoas (dêiticos pessoais e sociais, apresentação de ponto de vista e justificativa), acharam melhor ter aquele

formato de grupão só. Então o formato ficou esse aí. Então, nas reuniões ((pedagógicas)) 39, a gente foi observando que não tinha esse resultado, como você falou aí, a gente ((a equipe gestora)) (dêiticos sociais) decidiu organizar nesse formato aí a última reunião.

R87: (...) Se separasse em duplas, e colocasse um desafio, ou um texto para discussão, um dos dias, ou pegar o próprio texto? Ou, se você está pensando a       

39 Reuniões Pedagógicas ocorrem uma vez por bimestre e tem o objetivo de discutir uma pauta mais ampliada do que os encontros de formação do PEA. Nestas reuniões, participam todos os professores da escola, inspetores e todos os membros da equipe gestora (diretor, coordenadores e assistentes de direção).

continuidade do debate do filme, tem questões problematizadoras (perguntas fechadas e indutivas)? Do ponto de vista da prática, o que você pensou sobre

isso? (pergunta que pede explicação)

Al88: Do ponto de vista prático, a gente (dêitico pessoal) poderia fazer isso (acordo com modalização lógica), mas eu preciso, como eu te falei, conversar com o grupo, porque senão fica a impressão que a gente tá impondo e pode parecer que estamos contra o que eles querem. Aí, ao invés da gente conseguir um bom resultado, a gente piora a situação (apresentação de ponto de vista com justificativa).

Conforme apresentado no excerto acima, Alberto e eu compartilhamos o sentido de que a organização em grupos menores possibilita um melhor resultado na condução das discussões. No entanto, há contradição em nossos sentidos sobre o papel do coordenador na organização e condução dos encontros de formação, marcada pela conjunção adversativa “mas” (Al86 e Al88), pois, para Alberto, a definição é do conjunto de participantes e não somente dele, o que revela sua compreensão de uma postura de envolvimento do grupo nas decisões tomadas.

Assim, como apresentado em outros excertos, o meu discurso se mostra autoritário, pois desconsidera o ponto de vista de Alberto e tenta impor as minhas sugestões por meio de perguntas e sugestões (R87). Diferentemente, o discurso de Alberto apresenta-se internamente mais persuasivo (Bakhtin, ibidem), evidenciado ao considerar as vozes dos professores, reveladas pelos dêiticos pessoais e sociais.

A apresentação de seu ponto de vista e sua justificativa, marcada pela conjunção explicativa “porque”, demonstra que o sentido de Alberto, sobre a constituição dos contextos de formação, tem relação com que Fullan & Hargreaves (2000) caracterizam por colaboração confortável. Com base nos autores citados, estes contextos, mesmo com a participação das pessoas nas decisões, não possibilitam prática reflexiva sistemática, pois se evita o levantamento das contradições dos sentidos dos participantes, consolidando práticas já existentes, favorecendo o protecionismo mútuo e falta de limite nos papéis de coordenador e professores, o que demonstra falta de clareza nas regras que organizam a divisão de trabalho na atividade de formação de professores (Magalhães, 2011). Segundo Hargreaves (1994, 2004), contextos de colaboração confortável podem possibilitar uma relação de resistência e reatividade quanto às propostas de transformação, pois os participantes não se predispõem a sair de sua zona de conforto.

No excerto a seguir, ocorrido na quarta sessão reflexiva (10/08/2012), apresenta-se um momento de transformação do objeto da atividade formação de coordenador, motivado pela necessidade de discutir diferentes formas de participação mais ativa dos professores nas discussões durante os encontros de formação no PEA. Embora Alberto e eu avaliássemos uma maior participação dos professores nas discussões, principalmente com a elaboração de perguntas, ainda havia necessidade de garantia de espaço, para que todos pudessem se colocar.

Excerto 5 - (10/08/2012)

R412: Concordo, então, que perguntas poderiam ser feitas na intervenção das discussões, não somente as gerais que conduzem as discussões, mas algumas perguntas direcionadas para as pessoas que não falam? (pergunta modalizada que pede clarificação)

Al413: Só que no calor da discussão, da conversa, fica difícil pensar nestas perguntas, porque a gente acaba se direcionando para responder aquelas pessoas que sempre falam (réplica com justificativa).

R414: Aí que tá, a gente tem hábito de responder aqueles que falam bastante, mas como a gente pode envolver as pessoas que não falam? (espelhamento que pede explicação com pergunta com foco no reconstruir) Quem são essas pessoas do

nosso grupo e que perguntas poderíamos fazer pra elas? (perguntas que pedem clarificação)

Al415: Mas eu também acredito que tenha aquela coisa da... de... certa timidez, não sei se seria bem o termo, de ter medo de se expor, de falar besteira, por mais que você dê chance, ela vai responder com monossílabo ou quem sabe balançar a cabeça

(apresentação de ponto de vista).

R416: Balançar a cabeça é também uma resposta (risos). (discordância com réplica mínima)

Al417: Sim, mas eu não sei até que ponto a gente pode melhorar isso, em que momento ou em que grau (réplica que representa dúvida).

R418: Talvez de forma progressiva, pensando o movimento das perguntas (apresentação de ponto de vista).

Al419: É... a gente precisa garantir que as pessoas fiquem à vontade para as pessoas poderem falar sobre a pauta do dia. Isso faz parte de uma relação democrática, fazer de tudo para garantir, se não quiserem falar, de garantir um espaço (apresentação de ponto de vista). Isso a gente tem que garantir. Talvez se a gente perguntar “você quer

Observa-se, neste excerto, a constituição de um contexto de formação mais próximo do crítico-colaborativo, pois o movimento que realizo na maior parte dos meus turnos é o de fazer perguntas que pedem explicação e clarificação, com o intuito de proporcionar aprofundamento no objeto da atividade.

As réplicas de Alberto, no entanto, demonstram por meio dos usos de expressões como “difícil pensar nestas perguntas”, “não sei se seria bem o termo”, “eu não sei”, dúvidas sobre os modos de agir em relação às pessoas que não falam nas reuniões.

Mesmo que tenha considerado a importância da realização de perguntas em turnos anteriores, Alberto (Al419) retoma o tema introduzido (garantia de espaço para a participação de todos) por ele e revela ainda o sentido, embora em processo de ressignificação, de colaboração confortável na constituição do contexto de formação, com receio de causar constrangimentos aos participantes nas reuniões. Estas ações de protecionismo revelam formas seguras de colaboração que podem consolidarpráticas já existentes, ao invés de opor-se a elas (Hargreaves, 1994), ou seja, não favorecem a constituição de novas formas de participação nos contextos de formação de professores.