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4.4 Lønnsomhetsforbedring med bruk av offhoring - Case

4.4.3 Prosjektcase

Maria Candelária estuda na EJA há seis meses; tem contato com computador, mesmo sem usá-lo, há dois anos, mas passou a usar o computador nesses últimos seis meses; relata que não utilizava o computador antes das aulas de Informática na escola, e disse “eu tenho em casa, né, mas só que eu não tinha pelo menos encontrado interesse”, pois quem usava era apenas seu filho, que também era adolescente e educando da EJA da escola até 2010. A entrevistada conta o período em que começou a querer usar o computador:

Foi agora que eu voltei a estudar, né? Aí eu comecei a entusiasmar, né, com o computador e eu vi que não é coisa assim tão... é um pouco difícil, né, pra quem pega a primeira vez é difícil, mas... né... coisa que não é impossível, né? Eu acredito que não. [...] Agora eu tenho assim... mais oportunidade, né... de pegar né e... até mesmo quando eu chego em casa, da escola, eu ainda sento um pouquinho, né, e tenho aquele interesse, né.”

Sobre o uso e utilidade do computador que mais lhe despertam o interesse ela diz “Ah, o que eu gosto mesmo é de digitar”; Maria Candelária gosta de escrever

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poemas e já teve um texto seu publicado anos atrás em um jornal de uma cidade do interior, onde vivia. Ela tem facilidade em decorar e declamar poesia nas atividades coletivas da escola. Durante o mês de junho de 2011, ela compôs um poema inspirado na poesia de Vinícius de Morais, estudado por sua turma. Na quadra da escola, perante os demais educandos da EJA da escola, ela declamou de cor seu poema, além de outro de Vinícius de Morais. Maria Candelária acha que a aula de Informática na escola lhe “ajuda bastante” a desenvolver o seu interesse pela digitação; foi depois das aulas de Informática na escola que se sentiu mais estimulada e encorajada a usar o computador;

As TIC têm grande poder de motivação aos educandos porque podem oferecer ambientes atraentes e dinâmicos, mas falta democracia na Internet porque ela é parte integrante de um mundo altamente comercializado e de acesso elitista, como afirma Demo (2006). Contudo, a queda recente nos preços dos equipamentos vem os tornando mais acessíveis. Porém, não encontraremos nas tecnologias – e nem queremos – o “substituto para o saber pensar, pesquisar, elaborar, argumentar, mas podemos encontrar lá enorme apoio em termos de oferta de informações de dados, textos e imagens” (DEMO, 2006, p. 87), que podem ser trabalhados individual ou coletivamente. Um bom exemplo é o corretor ortográfico do editor de textos, com sugestões de correção, mas que devem ser analisadas e escolhidas pelo usuário do computador. O professor pode trazer grandes contribuições nesse processo de interação entre o educando e as TIC.

Ao ser perguntada se ela passou a usar melhor o computador depois que teve aulas de Informática na escola, Maria Candelária respondeu “ah, passei, né, bem melhor” porque “começou a usar e perdeu o medo”; acha que passou a usar melhor outras tecnologias depois que teve aulas de Informática na escola, como o telefone celular, e inclusive ressalta:

Até com celular, porque eu não também não tinha, assim, interesse. Tenho celular em casa, mas não dou a mínima importância. Sei que é uma coisa útil [...] Mas não tem importância. Hoje, eu já interesso mais um pouco, né, de... de pegar o celular e até sair com ele. [...] Aprendi também assim... outras coisas, né? [...] É... tirar foto nele, né, que eu não sabia, né? [...] Agora já sei, agora eu já aprendi.

Isso fez com que ela elevasse sua autoestima e se sentisse interessada e capaz de aprender e utilizar as TIC, como podemos ver em sua fala: “porque agora

que eu tô mais assim... né... interessada mesmo, né. Agora pra frente, eu acredito que... [...] despertei o interesse”.

Quando perguntei se achava que as aulas de Informática trouxeram algum impacto na sua vida, respondeu “eu acho, assim que... trouxe, alguma mudança. No trabalho”, e recorda, com certa alegria e autoestima elevada, ao falar sobre suas relações com as outras funcionárias da área administrativa da empresa em que trabalha como auxiliar de serviços gerais e limpeza. Contudo, mesmo tendo computadores na empresa em que trabalha o acesso lhe é restrito, como nos conta:

“Eu acho que... que até lá mesmo no meu serviço. Apesar que eu não tenho... é... acesso no computador, porque é só as meninas mesmo que... que trabalham, né, no... no escritório, que tem, né? [...] É, eu trabalho fazendo... na limpeza. [...] lá tem quatro computadores, né. Só que eu não tenho acesso. É só as... mesmo... as funcionárias que mexe mesmo, né? Mas só que... eu tenho assim... já... só que elas conversam bastante comigo. Eu sou bem... eles gostam bastante de mim, né. Por causa do modo... é... eu falo que é por causa do modo, mesmo... não sei, né... de conversar, de dizer da escola. Então, é... agora eu já... não tenho nem medo de falar sobre computador com eles, eu já tenho coragem de falar, porque eu já entendo um pouco, né. Então, eu não tenho aquela... aquela vergonha, né. Agora eu já tenho o que falar.”

Eu perguntei à Maria Candelária se, ao ver suas colegas de trabalho usando o computador já entende o que elas estão fazendo e ela respondeu:

“Já sei. Agora eu vou, eu mesmo conversei, né, com as meninas lá, né, que... falando com elas da aula que eu tive ontem [...] Aí, elas também ficaram falando coisas, me explicando, né, alguma coisa, então... quer dizer... houve mudanças, né? [...] No trabalho.”

Sobre sua experiência com o computador antes da escola disse que “nem ligar direito eu sabia, tinha que chamar minha filha” e que “não sabia mexer. Hoje mesmo, o que eu entendo, tenho ainda mais querendo que aprender”, falou que já tem sua conta no site de relacionamento Orkut e fala de suas mudanças “É, aí animei. Então, foi isso que é a mudança, né?”

Maria Candelária complementa a entrevista ressaltando a importância do acesso às TIC através da escola:

“Eu acho assim, que é muito importante mesmo, né? Pra nós, igual... que tem acesso, até aquela pessoa mesmo que nem tem a máquina em casa, né, pra brincar. Então, tem esse acesso, né, na escola, foi uma coisa muito grande pra nós, né? [...] A hora que chega do trabalho, que pode, né. Porque, pra ser sincera, eu não tenho assim... muito tempo, em casa. Mas

eu tiro aquela... uma horinha, nem que seja meia hora, quinze minutos, mas eu tenho que sentar um pouquinho agora, né., pra poder... né, igual eu te falei antes, né, o entusiasmo agora é outra coisa! [...] É, é vontade... é vontade mesmo, né. Porque quando a gente não conhece, a gente não quer nem saber, vai saindo logo, não tem paciência, eu sempre eu falava isso, que não tinha paciência de ficar sentada, e... até... a gente até fala isso, né, mas agora eu me interessei mais, eu ... interessei mais, pra aprender mesmo.[...] É, utilidade, né?”

Como diz a própria Maria Candelária e repito aqui: “isso que é mudança, né?”. No início da entrevista relatou que não usava o computador em casa porque não tinha interesse, termina a entrevista dizendo que tira um tempinho, sempre que pode, para usar em casa o equipamento.