Os métodos usados para a avaliação econômica da viabilidade de um empreendimento são os tradicionais, requerem estimativas de custos capitais fixos, dos custos operacionais e do preço de venda dos produtos. Partindo destas informações se calcula o período de retorno do investimento, a Taxa Interna de Retorno (TIR), o Valor Presente Líquido (VPL) e a relação Benefício-Custo (B/C).
Para Mishan (1972), a análise custos e benefícios procura responder se os vários projetos de investimentos devem ser empreendidos e quais destes projetos específicos devem ser escolhidos. Para CONTADOR (2000) a verificação da análise custo-benefício trata-se de uma forma racional de decidir se determinado empreendimento é viável ou não em determinadas condições de mercado. O empreendimento é considerado viável quando a relação benefício custo (B/C) for maior do que 1 (hum), ou seja, quando os benefícios forem maiores que os custos. Quanto maior esta relação, mais atraente será o projeto. Se apresentar o TIR negativo, indica que a taxa de rentabilidade do capital empregado pode oferecer maior rendimento em alternativa de aplicação, além do projeto.
A razão de custo benefício (Eq. 1) representa a somatória de todos os custos e de todos os benefícios, elevados a uma taxa de juros durante o período para o projeto (CONTADOR, 2000). A análise custo-benefício é uma técnica econômica que tem como propósito comparar os benefícios de um empreendimento (suas receitas geradas), com os custos.
Onde: Rj - receitas do período j; C j– custos do período j; i – taxa de juros
Em termos gerais numa análise de custos e benefícios se procura responder os vários projetos de investimentos devem ser empreendidos e, no caso dos recursos de investimentos serem escassos, quais dos projetos específicos deve ser escolhido.
Numa análise ilustrativa de um horizonte de 15 anos, os investimentos necessários para a implantação foram calculados por Magalhães et al., 2007, bem como, o seu retorno financeiro e o tempo necessário para receber o lucro (ressarcir esses custos aplicados). Utilizou-se a taxa de juros SELIC de 11,25% ao ano, baseada na média anual.
Os indicadores e suas representações, utilizados para análise da viabilidade econômico-financeira de implantação da Usina de etanol foram:
1) Valor presente líquido (VPL) – índice que permite obter a viabilidade econômico- financeira da implantação de um projeto ao longo prazo (BUARQUE, 1984). Para CONTADOR (2000), corresponde à soma algébrica dos benefícios e dos custos de um empreendimento, atualizados a uma taxa de juros que reflita o custo de oportunidade do capital. O empreendimento será variável se o VPL for positivo;
2) Taxa Interna de Retorno (TIR) – taxa de juros que anula o valor presente das receitas líquidas resultantes do projeto (Eq. 03), quando comparados com o valor presente dos desembolsos [...] (MARIM, 1980);
Este indicador é um dos mais utilizados como parâmetros de decisão. O critério adotado diz que um projeto é viável e deve ser considerado como alternativa para execução se sua taxa interna de retorno é igual ou maior que o custo de oportunidade dos recursos para sua implantação.
3) Taxa de rentabilidade (TR) – taxa que representa uma porcentagem de rentabilidade sobre o capital inicial investido num determinado período de tempo;
4) Período de recuperação econômica de capital (pay-back) – tempo necessário para o investimento recuperar o capital investido (NOGUEIRA, 1999). É obtido pela razão Investimento Inicial (Io) pelo Lucro líquido total anual. É um indicador mais simples e
conhecido. Mostra o número de períodos necessários para recuperar os recursos despendidos na implantação do projeto. A vantagem deste critério é a sua simplicidade e cálculo imediato;
5) Indicador (ROIA) – indicador de valor mais efetivo (SOUZA; CLEMENTE, 2008); 6) Taxa mínima de atratividade (TMA) – taxa utilizada para a avaliação da atratividade
do investimento, que pode ser definida pelo custo de capital da empresa.
Magalhães et al., (2007) realizaram os cálculos da implantação da usina de etanol com auxilio da planilha eletrônica do Excel, tendo considerado os índices de ROIA (indicador de valor mais efetivo) e o de custo benefício (BC), para tanto, aplicaram as seguintes expressões algébricas.
4.4.1
Expressões algébricas de análise econômico-financeira da usina de etanol1) Valor Presente Líquido (VPL)
(Eq. 02)
Onde: Rj - receitas do período j; C j – custos do período j ou fluxos de líquido de caixa do
projeto/investimento; i – taxa de desconto (juros) considerado para atualizar o fluxo de caixa; I – investimento inicial; VPL = soma algébrica de todos os valores líquidos descontados para o momento presente; j = número de períodos ou horizonte do investimento ou empreendimento.
2) Taxa Mínima de Atratividade (TMA)
O valor da taxa “i” para ser usada no processo de descapitalização do fluxo de caixa é conhecido como Taxa de Mínima de Atratividade.
3) Taxa Interna de Retorno (TIR)
Onde: Rj - receitas do período j; Cj– custos do período j; i – taxa de juros;
I – investimento inicial; i*- taxa de juros que iguala todos os custos dos projetos com todas
as receitas do mesmo, ou seja, TIR. TIR = A taxa que iguala o VPL a zero.
4) Taxa de Rentabilidade (TR) (Eq. 04)
Onde: VPL = Valor presente líquido
I = Fluxos de saída inicial ou investimento inicial; Cj = Fluxos de líquido de caixa do projeto/investimento;
I* = Taxa de desconto (juros) considerado para atualizar o fluxo de caixa; = número de período ou horizonte do investimento ou empreendimento.
5) Período de Recuperação do Capital (PRC) ou Período de Pay-back descontado
(Eq. 05) Onde:
RL = Retorno ou beneficio líquido esperado pela entrada de caixa (fluxos operacionais líquidos);
i = Taxa de desconto (juros) considerado para atualizar o fluxo de caixa; j= número de período
6) Índice de lucratividade (IL) ou Índice benefício-custo (IBC)
Onde:
RL = Retorno ou benefício líquido esperado pela entrada de caixa (fluxos operacionais líquidos);
n = Período de recuperação do capital;
i = Taxa de desconto (juros) considerado para atualizar o fluxo de caixa; j = número de período.
I0 – Fluxos de saída inicial ou investimento inicial
7) Retorno adicional sobre o Investimento inicial (ROIA)
É uma das melhores estimativas da rentabilidade, representa a riqueza (em percentual) gerada, além da Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Desta forma, o ROIA é o análogo percentual do conceito de Valor Econômico Agregado (EVA), derivado assim da taxa equivalente ao IBC para cada período do projeto.
Segundo Vieira (2008), “há tendência mundial de uso do álcool como combustível automotivo, em função da escassez de petróleo e da necessidade de redução da poluição ambiental, exigida pelo Tratado de Kyoto, que prevê a redução da emissão de gases provenientes do petróleo. Com isso, haverá aumento do valor do álcool produzido a partir de biomassas. Desta forma, em breve, a produção de mandioca será realidade, sobretudo considerando-se que as destilarias de álcool da cana ficam ociosas por período de 5 a 6 anos, devido à entressafra da cana”. Em sua análise afirma que as destilarias de álcool de mandioca poderiam operar durante praticamente o ano todo, enfatizando que a viabilidade econômica e distribuição seriam melhoradas, principalmente com relação à forma de comercialização do produto, que atualmente é enviado para cerca de 30 distribuidoras, em todo País.