5. ANALYSE OG FUNN
5.2 D YBDEINTERVJUER
5.2.2 Prosess
Fillmore (1968) utilizou o termo frame pela primeira vez na sua conhecida gramática de casos, em que frames de casos são “descrições lingüísticas de cenas conceituais”. Os frames de caso e de papel (case frames e role frames) caracterizam as relações entre o verbo e seus argumentos como o seu frame sintagmático. As relações sintagmáticas são dadas semanticamente ou conceitualmente, descrevendo papéis temáticos que os argumentos podem desempenhar: agente, instrumento, objetivo, locativo, entre outros.
Em 1975, Fillmore generalizou a noção de frames e os definiu como qualquer sistema de escolhas lingüísticas que possa ser associado às instâncias prototípicas de cenas. Fillmore explorou a relação entre campo conceitual e campo lexical. Ele não considera, como nós, o campo conceitual como algo estruturado e apenas segmentado em pedaços pelo vocabulário ou campo lexical. Para ele, o esquema conceitual e nosso recorte do conhecimento em uma situação e em um contexto são subjacentes ao campo lexical e assim o estruturam, e é o esquema conceitual que, quando ativado por uma expressão lingüística de certo campo lexical, ajuda o ouvinte a entender o significado da palavra. O significado não é, portanto, absolutamente dependente das diferenças intrínsecas entre itens lexicais de um campo, mas é o resultado interpretativo da interação entre o campo semântico no qual o item lexical está inserido e o campo conceitual a que ele remete.
Em 1977, Fillmore chamou o campo lexical de frame e o campo conceitual de
scheme ‘esquema’. Por exemplo, o frame da unidade lexical bom contém os outros
termos que, por meio de uma relação semântica que estabelece gradação, podem fazer parte do mesmo campo lexical {ótimo, muito bom, regular, ruim} e o esquema conceitual associado a ela pode, por exemplo, ser SISTEMA DE AVALIAÇÃO ESCOLAR.
Fillmore também reformulou o tradicional exemplo dos dias da semana, afirmando que seu significado depende de todo um conjunto de noções interconectadas, desde o conhecimento sobre a delimitação astronômica dos dias, a utilização de um calendário de sete dias até a prática cultural de se trabalhar em alguns dias da semana e não em outros (Fillmore e Atkins 1992 apud NERLICH e CLARKE 2000). Assim, se um item lexical existe, ele deve existir em alguma parte de um frame e estar associado a algum esquema. Por exemplo, o esquema para “o conjunto de objetos que esperamos encontrar em uma cozinha” inclui um protótipo para XÍCARA, COPO E TIGELA.
Os frames semânticos de Fillmore guardam grande relação com a semântica cognitiva desenvolvida por Lakoff (1987), na medida em que levam em conta o conhecimento enciclopédico, pragmático e contextual. Na gramática cognitiva,
domínios cognitivos são representações mentais de como o mundo é organizado pelo
homem e podem incluir um conjunto aberto de informações. O conceito de domínios cognitivos é análogo ao conceito de frames de Fillmore (1975, 1985) e de modelos cognitivos idealizados de Lakoff (1987), e é comparável também a termos como script e esquema, além de ter pontos em comum com as noções mais tradicionais de campos semânticos e campos lexicais, mas não devem ser encarados como meras coleções de palavras relacionadas. Autores como Haiman (1980) argumentam que não é possível traçar uma linha divisória clara e não arbitrária entre conhecimento lingüístico e conhecimento de mundo, de modo que, conseqüentemente, seria artificial tentar estabelecer a semântica como um módulo completamente encapsulado e separado da pragmática.
Para entender itens lexicais como comprar, vender ou cobrar, é preciso entender todo o frame de ‘transação comercial’, ou seja, um tipo de cenário estereotipado. As palavras individualmente evocam ou instanciam elementos particulares desses frames,
para dar perspectiva a componentes particulares dessas estruturas de conhecimento complexas. Por exemplo, o frame conceitual de uma transação conceitual tem elementos como COMPRADOR, VENDEDOR, PAGAMENTO e PRODUTOS. Certos elementos desse
frame são evocados quando usamos palavras como comprar e vender.
Voltaremos ao tema dos frames na Seção 3, quando discutiremos a base computacional FrameNet.
2.4.3. As redes semânticas computacionais
As redes semânticas foram aplicadas à psicolingüística na década de 60, por Quilliam, e sua função era, originalmente, mostrar como construir uma estrutura semântica humana e processá-la em um computador - por isso podem ser consideradas modelos psicológicos e computacionais da memória humana (RICH, 1988). Em uma rede semântica simples, os conceitos (objetos e eventos) são representados por nós (nodes) e as relações semânticas entre eles são representadas por arcos (arcs) (RICH, 1988; HANDKE, 1995).
As redes semânticas são utilizadas na IA, pois são modelos de representação que apresentam vantagens, tais como: permitem deduções visualmente elegantes de estruturas hierárquicas e de relações de congruência; podem ser facilmente programadas e no computador; permitem que as relações entre os nós sejam construídas de modo imediato. (HANDKE, 1995, p. 94-5). No início, elas foram elaboradas para representar conceitos nominais, mas a partir dos anos 70, foram se tornando cada vez mais complexas, com a inserção de conhecimento predicativo, de mecanismos para lidar com conectivos lógicos, de quantificadores, de mundos hipotéticos e outras relações internas à própria rede (HANDKE, 1995, p. 94).
As redes semânticas computacionais são empregadas para realizar várias tarefas práticas em um sistema de PLN, como desambiguação (isto é, encontrar o significado apropriado de uma palavra a partir da análise de sua relação com outras palavras no mesmo texto); como complemento nos motores de busca (que usam as relações de uma rede semântica para reconhecer campos conceituais apropriados para dada consulta); e como parte de bases de dados lexicais, na tarefa de determinar o lugar de uma palavra em uma rede semântica por meio do uso automático de ferramentas lexicográficas (MURPHY, 2003, p. 80). A Figura 2.3 ilustra um pequeno fragmento de uma rede semântica simples.
HAS
HAS
Figura 2.3. Fragmento de uma rede semântica
Na Figura 2.3, os arcos (is_a) estabelecem uma hierarquia entre os conceitos HOTEL FAZENDA, HOTEL e MEIOS DE HOSPEDAGEM; os arcos (has) por sua vez, especificam propriedades (também denominadas atributos) dos nós conceituais MEIOS DE HOSPEDAGEM, HOTEL e HOTEL FAZENDA.
POUSADA MEIOS DE HOSPEDAGEM MOTEL HOTEL IS-A HOTEL- FAZENDA IS-A CAVALOS QUARTO
2.5. Ontologia: definição do construto teórico e orientações para sua