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Analisando dados de avaliações internas da escola Gregório de Matos, lócus desta pesquisa, a partir do ano de 2013, podemos observar um número bastante expressivo de reprovação e evasão ocorrido no 6º ano do ensino fundamental.

Tabela 6 - Resultado final dos alunos do 6º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Gregório de Matos

Ano

Letivo Aprovados % Reprovados % Evadidos % Total

2013 53 84,1 9 14,3 1 1,6 63

2014 45 88,2 5 9,8 1 2 51

2015 38 79,2 6 12,5 4 8,3 48

Total 136 84 20 12,3 6 3,7 162

Fonte: Ata de resultados finais / secretaria da escola. Acesso em: 27 out. 2016.

Como se pode observar na tabela 6, os índices de reprovação e evasão chegam a quase 21% no ano de 2015, contra aproximadamente 16% em 2013 e 12% em 2014, demonstrando uma preocupante evolução desses índices, o que, consequentemente, vem refletindo também nas altas taxas de distorção idade-série registradas no 6º ano do ensino fundamental que se aproximam de 30% no ano de

2016. Vale ressaltar que todos esses 20 alunos reprovados nos últimos três anos, sem nenhuma exceção, foram reprovados na disciplina de língua portuguesa, além de outras variadas disciplinas constantes do currículo escolar, conforme constam nos registros da secretaria da escola.

Analisando também os resultados das últimas avaliações externas de língua portuguesa (PROEB) – 5º ano do ensino fundamental, realizadas pelos alunos oriundos da rede municipal, temos:

Tabela 7 - Resultados do PROEB - 5º Ano do Ensino Fundamental – Língua

Portuguesa

Ano

Letivo Proficiência por Escola

Níveis de

proficiência Alunos Total que fizeram a prova B ai xo Inte rm . R eco m . 2013 E. M. Cecília Meireles 214,7 6 5 13 24 E. M. Monteiro Lobado 199,2 6 9 5 20 2014 E. M. Cecília Meireles 208,2 9 5 11 25 E. M. Monteiro Lobato 202,4 7 2 6 15 Total 28 21 35 84

Fonte: Resultados do SIMAVE/PROEB. Acesso em 28 out. 2016.

A tabela 7 evidencia que, no ano de 2014, dos 40 alunos avaliados nas duas escolas municipais, 16 se encontravam no nível de proficiência de baixo desempenho em língua portuguesa, representando um percentual de 40%, enquanto que, em 2013, o percentual de alunos neste mesmo nível era de aproximadamente 27%, apontando um acréscimo significativo e preocupante na baixa proficiência dos alunos aferida nas duas últimas medições do PROEB na referida disciplina. Importante ressaltar que, no ano de 2015, o sistema estadual não avaliou os alunos do 5º ano.

Realizando um cruzamento de dados das tabelas 6 e 7, ou seja, confrontando os resultados do PROEB dos alunos concluintes do 5º ano em 2014 com o resultado

final desses mesmos alunos no 6º ano de 2015, evidencia-se o baixo desempenho obtido nas avaliações do PROEB/2014 refletido na alta taxa de reprovação e evasão ocorrida no ano letivo de 2015 na Escola Estadual Gregório de Matos.

Em avaliação diagnóstica de língua portuguesa elaborada de acordo com a matriz de referência do SIMAVE/PROEB19 – 5º ano pelo professor da turma e aplicada no início do ano aos alunos que ingressaram no 6º ano do ensino fundamental na E. E. Gregório de Matos em 2016, foi detectado maior dificuldade nos descritores: D5 – Inferir o sentido de uma palavra ou expressão; D11 – Reconhecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios etc.; D13 – Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto; D21 – Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso de pontuação e de outras notações; D10 – Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato. Ressalta-se aqui que tais descritores representam habilidades que deveriam ter sido consolidadas ao término dos anos iniciais do ensino fundamental. Dos 38 alunos que realizaram esta avaliação diagnóstica, 8 alunos obtiveram menos de 50% de acertos num total de 14 questões. Esses alunos, segundo o professor da turma, apresentam sérios problemas de defasagem na leitura e escrita necessitando de intervenções pedagógicas para que possam acompanhar os demais, caso contrário estarão fadados ao fracasso escolar, passíveis de reprovação e/ou evasão sendo que parte desses já se encontram com distorção idade-série.

Como podemos perceber, estamos diante de um grave problema, que é a defasagem de aprendizagem na leitura e escrita dos alunos que ingressam no 6º ano do ensino fundamental, evidenciada nos resultados de língua portuguesa e, consequentemente repercutindo nas demais disciplinas. Sendo assim, a presente pesquisa tem por objetivo identificar alternativas de ações pedagógicas para solucionar o problema encontrado a fim de proporcionar a esses alunos em defasagem oportunidades e conhecimento necessários à continuidade dos estudos nas seguintes etapas de escolaridade, e com isso melhorar os índices de resultados

19 A matriz de referência de Língua portuguesa do 5º ano do ensino fundamental - PROEB/2015 é

composta por 16 descritores distribuídos em seis tópicos/temas. As Matrizes de Referência do PROEB têm como base as Matrizes de Referência para as avaliações do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e contemplam o que é básico, essencial e possível de ser aferido por meio de testes de múltipla escolha.

da escola, tanto internos como os externos.

Dessa maneira, nesse próximo capítulo investigaremos o problema da defasagem na leitura e escrita dos alunos que ingressam no 6º ano do ensino fundamental à luz de diferentes autores no intuito de examinar a situação que ora se apresenta sob as mais distintas perspectivas e, a partir daí, ter o embasamento necessário à construção do Plano de Ação Educacional.

2 CONCEPÇÕES NORTEADORAS DO PROCESSO DE LEITURA E ESCRITA

Neste capítulo abordaremos as concepções que norteiam o processo de leitura e escrita a fim de estabelecer relações com a defasagem diagnosticada nesse processo pelos alunos que ingressam no 6º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Gregório de Matos. Para tanto, é mister conhecermos os conceitos e implicações da alfabetização e do letramento sob distintos olhares por meio de levantamento bibliográfico, dialogando principalmente com concepções defendidas por Ferreiro e Teberosky (1999), Soares (2004), Cagliari (1989, 1998), Kleiman (2010), dentre outros.

Oportunamente será realizada e apresentada uma pesquisa qualitativa através de observações em sala de aula e aplicação de questionários semiestruturados aos professores das diferentes áreas do conhecimento que atuam nos 6º anos da referida escola, com o objetivo de analisar as expectativas e concepções desses professores no que se refere ao domínio e apropriação da leitura e escrita por parte de seus alunos, bem como analisar a prática pedagógica diante do problema da defasagem na leitura e na escrita de uma significativa parcela de alunos do 6º ano do ensino fundamental.