A proposta de adaptação de alguns contos de Moreira Campos para a linguagem em quadrinhos surgiu na Oficina de quadrinhos da UFC42, por meio do professor Geraldo Jesuíno que convidou os alunos Fernando Lima, Paulo Henrique, Paulo Amoreira, Silas Rodrigues, Walber Feijó e Weaver Lima para “produzir em conjunto uma adaptação literária de um artista regional, usando técnicas experimentais, sem grandes recursos de materiais e sem remuneração”43. O autor escolhido foi o contista Moreira Campos, que veio a falecer em 1994, antes da publicação da obra no ano seguinte.
A revista foi publicada em 1995 em edição única pela Edições UFC no formato 21 x 29,5 cm contendo 102 páginas. Toda a revista foi composta em preto em branco, excetuando a capa dividida em parte superior, central e inferior. A cor preta é usada como fundo, sobre o qual os elementos de composição da capa são inseridos.
Na parte superior, aparece em destaque o nome “Moreira Campos” na cor vermelha sombreado com amarelo, logo abaixo surge uma faixa azul na qual se encontra
42 A Oficina de quadrinhos da UFC, projeto de extensão do então do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará, foi fundada em 1985 por Geraldo Jesuíno. Ela esteve ativa por quinze anos ininterruptos, mas em 2000 iniciou um hiato de quatro anos, sendo reativada pelo professor Ricardo Jorge em 2004. Conforme o site da oficina (http://oficinadequadrinhos.wixsite.com/site), houve uma atualização desse projeto, que “de simples encontro de universitários para desenhar e produzir HQs, se tornou um curso de 1 ano de duração, estruturado em módulos com embasamento teórico sobre a 9ª arte firmando-se como um dos principais celeiros de quadrinistas do Ceará”.
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escrito o nome “em quadrinhos”. Ao lado esquerdo do nome do contista, acima da faixa azul, surge a logomarca das Edições UFC, contornada de azul e com preenchimento branco. Na parte inferior, temos os nomes dos autores na cor branca organizados em duas linhas.
Na parte central, logo abaixo da faixa azul, temos a inserção de um quadrinho da quadrinização do conto “O preso”. Nele, destaca-se em plano de detalhe em ângulo médio o rosto de um homem, cuja expressão facial (olhos arregalados e boca aberta) permite inferir que tenha sido surpreendido por algo. O fundo desse quadro é dividido também em três partes: no espaço superior e inferior (vestimenta), predomina um dos tons da cor purpura, enquanto na parte central, ocorre a cor vermelha. O preto está presente tanto no fundo como traços que dão destaque à figura, quanto ao rosto, vestimenta e acessório que completam a figura humana.
O rosto tem o amarelo como cor predominante, enquanto o branco surge nos olhos, dentes e como iluminação do nariz, maça do rosto e parte superior das orelhas. O vermelho, além de integrar a parte central, aparece na cor da língua e na parte posterior do chapéu. O azul surge nos cabelos e em tom mais claro na parte frontal do chapéu, enquanto o marrom surge na parte superior. A contracapa também apresenta fundo preto e na parte superior, centralizado, o mesmo quadrinhos que aparece na carpa surge na contracapa preto e branco.
Figura 56 – capa e contracapa da revista Moreira Campos em Quadrinhos
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No interior da revista, antecedendo as quadrinizações, temos a apresentação do título da revista, dos nomes dos desenhistas em ordem alfabética e a informação do nome do responsável pela apresentação da revista, Sânzio de Azevedo, estudioso da literatura cearense. No verso dessa página, temos informações técnicas sobre direitos da edição, da editoração e dos desenhos. Informação de autorização da adaptação dos contos que figuram na edição da Dizem que os cães vêem coisas da editora Maltese. Em seguida, são apresentadas informações sobre a editora: editor (Prof. Ricardo Silva Thé Pontes), editor-adjunto (Joana Borges), conselho editorial (Prof. Geraldo Jesuíno da Costa; Prof. Gil de Aquino Farias; Profa. Glauce Socorro de Barros Viana; Prof. Marcondes Rosa de Sousa; Profa. Maria Elias Soares). Depois são inseridos dados da Oficina de Quadrinhos do Curso de Comunicação social /PREX: pró- reitor de extensão (Prof. Marcondes Rosa de Sousa), chefe do Dept. de Comunicação Social e Biblioteconomia (Prof. Francisco Souto Paulino) e coordenado da disciplina (Prof. Geraldo Jesuíno da Costa).
A obra foi dedicada a José Nelson Espíndola da Frota, Marcondes Rosa de Sousa, Ricardo Silva Thé Pontes, Terezinha Alencar, Sânzio de Azevedo, Gilmar de Carvalho, Flávio Paiva, Aloisio Gurgel, Jane Malaquias Falcão, Dan Carvalho, Souto Paulino, Silas de Paula “e todos aqueles que fizeram a Oficina de Quadrinhos do curso de Comunicação social da UFC”. Ela e o sumário situam-se, respectivamente, nas páginas três e quatro posicionadas na metade inferior da página. A apresentação da revista ocupa as duas páginas seguintes, nas quais o professor Sânzio de Azevedo distribui as informações em três momentos. Inicialmente, agradece o convite, salientando-se que a motivação para tal teria sido o conhecimento do prof. Jesuíno do longo tempo em que o pesquisador teria se dedicado à obra de Moreira Campos, bem como da literatura cearense em geral. Também afirma ser “radicalmente contra os ataques que, ao longo dos tempos, vários intelectuais têm feito às histórias em quadrinhos, como o falso argumento de que elas viciam de tal forma o leitor que ele não conseguirá ler um livro”.
Num segundo momento, ocorre a apresentação do contista Moreira Campos, de sua obra, escrita e estilo. O pesquisador destaca duas fases do contista, uma em que os contos são estruturalmente mais longos e uma segunda em que são mais curtos. O conto “O preso” integra a primeira fase, enquanto “As corujas”, “A visita ao filho”, “Os anões’, e “Dizem que os cães vêem coisas” integram a segunda. Todos foram adaptados para o quadrinho. Além deles foram quadrinizados “A gota delirante”, “os três retratos” e “O peregrino”. Finaliza a
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apresentação citando o nome dos autores das adaptações, exaltando seu excelente trabalho de homenagem ao contista cearense.
Da página 7 à 97, temos as adaptações dos oito contos que estruturam a revista: “Visita ao filho” (Walber Feijó); “Os anões” (Silas Rodrigues e Geraldo Jesuíno); “A gota delirante” (Fernando Lima); “As corujas” (Weaver); “Os três retratos” (Paulo Henrique Gifoni); “O peregrino” (Geraldo Jesuíno) e “O preso” (Silas Rodrigues).
Após as adaptações temos o texto “Uma oficina de sonhos”, no qual Geraldo Jesuíno faz um apresentação da história da oficina de quadrinhos da UFC desde sua fundação nos anos oitenta até realização da revista Moreira Campos em Quadrinhos. Também comenta que Moreira Campos “além de mestre na arte do conto, era um magnífico contador de estórias (causos, anedotas), intelectual de larga envergadura e pessoa humana das mais simples, felizes e compreensivas”. Encerra o texto com um agradecimento a Moreira Campos.
Na página 100, há uma reprodução do texto “Moreira Campos”, uma síntese biográfica do contista com informações de sua produção e repercussão de sua obra. O texto foi extraído do Jornal de Cultura, de agosto de 1994, ano da morte do contista, conforme nota de rodapé. Em seguida, na página 101, temos, do lado direito da folha, uma microbiografia de cada quadrinista e, do lado esquerdo, acompanhando essas microbiografias, temos uma imagem que representam a narrativa que adaptaram para a HQ. A página 102 apresenta a logomarca da imprensa universitária e seu endereço na parte inferior da página.