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LIMITS OF THE CPI

Segundo Greimas (2014), o lugar da modalização é o ato de linguagem, que se define como “aquilo que faz ser”. A partir desse enunciado se reconhecem dois predicados: fazer vs ser, que podem modalizar tanto a si como o outro, por exemplo, fazer modalizando o ser ou ser modalizando o fazer, bem como o ser modalizando o ser e o fazer modalizando o fazer.

Quando um enunciado de estado modifica outro enunciado de estado (ser modalizando ser), temos as modalidades veridictórias, que se articulam entre /ser/ vs /parecer/.

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Eles se articulam em um quadrado denominado veridictório, cujo eixo dos contrários é chamado de verdade, o eixo do subcontrários define-se como falsidade, enquanto a dêixis positiva chama-se segredo e a dêixis negativa chama-se mentira (GREIMAS, 2014), como é possível observa na próxima figura.

Figura 15 – quadrado veridictório

Fonte: Greimas e Courtés (2008, p.403)

Quando o fazer rege o fazer teremos a modalidade factiva, que, de acordo com Greimas (2014, p.89-87) ,se “apresenta como um fazer cognitivo que procura desencadear o fazer somático; de igual modo, a veridicção é uma operação cognitiva que se exerce como um saber sobre os objetos (do mundo)”. Por isso, essa modalização é associada à manipulação, que busca fazer seu destinatário fazer. Além disso, as modalidades do fazer e do ser podem ser sobremodalizadas pelo querer, dever, poder e saber, que “podem modular o estado potencial denominado competência e assim reger os enunciados de fazer e de estado, modificando, de certo modo, seus predicados” (GREIMAS, 2014, p.89).

O téorico também observa que o dever e o poder podem sobremodalizar o ser e o fazer. Assim, para a primeira relação temos: necessidade (dever ser), impossibilidade (dever não ser), possibilidade (não dever não ser) e contingência (não dever ser). Mas quando o dever modaliza o fazer temos a prescrição (dever fazer), a interdição (dever não fazer), a permissividade (não dever não fazer) e a facultatividade (não dever fazer).

De modo semelhante, quando o poder rege o ser, teremos a possibilidade (poder- ser), a contingência (poder não ser), a necessidade (não poder não ser) e a impossibilidade (não poder ser), e quando ele rege o /fazer/ teremos liberdade (poder-fazer), independência (poder não fazer), obediência (não poder não fazer) e impotência (não poder fazer).

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que algumas denominações podem ser descritas por duas estruturas modais, a exemplo da necessidade, que tanto se manifesta por um dever-ser como por um não poder não ser, a exemplo da figura abaixo.

Figura 16 – articulação entre sobremodalizações

Fonte: Greimas e Courtés (2008, p.135; 372-373)

Quando o confronto é entre dever fazer e poder fazer, se estabelece uma relação de pressuposição entre os termos, de modo que para a realização da obediência seria necessária a prescrição, por exemplo.

Ainda relacionado às modalizações, temos os modos de existência, que, conforme Greimas e Fontanille (1993, p.132) são concebidos como estados e “pressupõem fazeres que os produzem: a virtualização, operada, por um mandante ou manipulador, produz um sujeito virtualizado; a atualização, operada por um adjutor que dá o saber e o poder, produz um sujeito realizado”. Quanto à potencialização, afirmam que “na medida em que o sistema dos modos de existência obedece às regras da sintaxe elementar, deveria tomar lugar entre a atualização e a realização”. Fontanille e Zilberberg (2001, p.135) redefine-se essa posição, posicionando-a entre a relização e a virtualização, pois “a inanidade (a potencialização) contitui uma “perda” de densidade existencial, provocada pela anulação do foco, perda que conduz da presença (realizante) à ausência (virtualizante)”.

O estudo da modalização servirá de apoio ao desenvovimento da semiótica das paixões, que investiga os estados passionais a partir de articulações tensivo-modais. De acordo com Fontanille (2007), nessa fase, a semiótica volta sua atenção aos estados da alma, que no discurso é o efeito de duas determinações: modais e tensivas. A semiótica das paixões surge para dar conta dos “excedentes” inexplicáveis, de tipo intensivo, quantitativo e, de

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forma geral, afetivos, que os estudos anteriores não puderam resolver.

De modo geral se atribui ao livro Da imperfeição a introdução do afeto na semiótica, pois ele aborda os efeitos estéticos que operam uma fratura na cotidianidade, no entanto, vale observar que a paixão da cólera já havia sido estudada num livro anterior: Sobre o sentido II. No entanto, é no livro Semiótica das paixões (1993) que os estados da alma aparecem como objeto de estudo. Segundo Barros (2008, p.47) “as paixões, do ponto de vista da semiótica, entendem-se como efeitos de sentido de qualificações modais que modificam o sujeito de estado”. Acrescenta que “o sujeito segue o percurso, ou seja, ocupa diferentes posições passionais, saltando de estados de tensão e de disforia para estados de relaxamento e de euforia e vice-versa”.

Para Greimas (1993, p.244), a paixão é narrável porque “obedece a uma lógica discursiva, projetada por aspectualização sobre as pressuposições modais”, organizando-se em um esquema patêmico canônico: constituição  sensibilização (disposição/patemização/emoção)  moralização. Bertrand (2003, p.374) reorganiza o esquema da seguinte forma: disposição  sensibilização  emoção  moralização.

À primeira fase corresponde “a disposição do sujeito para acolher tal ou tal efeito de sentido passional”, que, por sua vez, também implica, em relação ao actante, capacidade de criar simulacros. A segunda fase opera a transformação passional, enquanto na terceira temos a crise de caráter passional que prolonga esse estado e a quarta diz respeito à revelação dos valores que estruturam a paixão.

Para Fiorin (2007), o estudo das modalizações do ser passa ainda pelo exame das compatibilidades e incompatibilidades entre as modalidades. Por exemplo, o dever ser é compatível com o poder ser, ao passo que é incompatível com o não poder ser. As paixões surgem desses arranjos modais, de modo que um sujeito pode querer o que pode ser, mas pode querer o que não pode ser. Dessa forma, algo necessário deve ser compatível com o que é possível, mas não com o impossível.

Além disso, com a introdução dos estudos passionais, passa-se de categorias fixas a instáveis, apresentando, no campo perceptivo, diferentes desequilíbrios do desdobramento da intensidade e da extensidade. As paixões passam a ser compreendidas sob dois aspectos: pelo tipo (ausência/presença) do objeto e pela modulação tensiva. O sujeito passa a ser definido pela relação que estabelece com os objetos com ao quais entra em contato, num movimento conjuntivo ou disjuntivo, de modo que o estado das coisas pode vir a definir os estados de alma do sujeito.

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