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5 Conclusions and implications

5.3 Proposal for future research on the Kosovo case

A União Europeia é um actor internacional e constituído por três grandes potências (Reino Unido, Alemanha e França), muito embora nem sempre goze de grande coesão institucional, o que dificulta uma acção estratégica conjunta entre os seus Estados-membros.

Nas questões energéticas, a falta de coesão institucional é bem notória. Na realidade, a dependência da Europa em relação às importações de gás russo torna cada vez mais importante a busca de uma solução que permita aos europeus diversificar as origens da importação do seu gás. As divergências entre os Estados europeus têm impedido a UE de adoptar uma política energética comum clara no que respeita ao caso particular do gás natural. Tais divergências serão analisadas mais à frente num outro capítulo próprio para o efeito, assim como as estratégias possíveis a adoptar. Depois de abordar a posição dos Estados bálticos e da Ucrânia face à Rússia, importa agora analisar a dependência dos Estados-membros da União Europeia. Nos gráficos a seguir estão representadas as origens do gás natural importado pela Europa e os principais destinos da exportação do gás natural russo.

145 PIRANI, Simon, STERN, Jonathan, YAMAFAVA, Katja, op.cit, p.28 146 SHAPOVALOVA, op.cit, p.3

Ilustração 29 - Origens da importação de gás natural para a União Europeia (2009)147

Ilustração 30 - Destinos da exportação de gás natural russo148

É de assinalar que quanto à “Ilustração 29 - Origens da importação de gás natural para a União Europeia (2009)”, embora no conjunto de toda a UE a importação de gás russo não chegue

aos 50%, há Estados-membros com uma percentagem muito maior ou muito menor. Na “Ilustração 19 - Percentagem de gás natural que os Estados europeus importam da Rússia” ficou bem patente a

dependência de vários Estados europeus em relação ao gás natural russo.

147 ROMAN, Kris, Russia alarmed over new EU pact, Rusmedia

– the infochannel of Euro-Rus. For a great Europe, from Gibraltar to Vladivostok, eurorus4, 22 de Maio de 2009,

http://eurorus4en.wordpress.com/2009/05/22/russia-alarmed-over-new-eu-pact/#more-2059 (acedido

a 20/04/2011)

148 Energy Information Administration, www.eia.doe.gov (não foi possível retirar o link completo, sendo por isso apenas apresentado o link da Home Page do site)

A crise de 2009 foi a mais grave crise energética entre a Rússia e a Ucrânia. Esta crise mostrou à União Europeia que o conflito energético entre os dois países também lhe diz respeito, i.e, levantou suspeitas quanto à credibilidade da Rússia enquanto principal fornecedor de gás natural, e quanto à credibilidade da Ucrânia enquanto principal território de trânsito de gás natural russo destinado ao resto da Europa (como já referido pela Ucrânia passa 84% do gás natural com destino aos países europeus). Dezasseis Estados da União Europeia viram os seus abastecimentos severamente reduzidos com esta crise, atingindo também de forma significativa a Moldávia e muito em particular vários Estados balcânicos cuja crise chegou a ser rotulada de “emergência humanitária”, impedindo muitas famílias de aquecer as suas casas.149

Na tabela seguinte, do European Union Gas Coordination Group, estão representados os dados relativamente aos cortes de abastecimento aos países europeus durante o corte de gás à Ucrânia em 2009:

149 PIRANI, Simon, STERN, Jonathan, YAFIMAVA, Katja, The Russo-Ukrainian gas dispute of January 2009: a comprehensive assessment, Oxford Institute for Energy Studies, Fevereiro de 2009, p.4

Ilustração 31 - Tabela representativa da percentagem de gás natural russo que os Estados europeus viram cortados com a crise Rússia-Ucrânia de 2009, assim como as suas hipóteses de diversificação, reservas de gás disponíveis e combustíveis alternativos para fazer face a esses cortes.150

Apesar de a tabela nos mostrar que um corte de gás russo à Europa tem consequências consideráveis para vários países, essas consequências não são tão severas no caso das principais potências da Europa. Se tivermos em conta que a cooperação institucional dentro da União Europeia necessita da vontade política das grandes potências para funcionar eficazmente, a menor dependência das grandes potências europeias face ao gás russo, poderá ser um obstáculo à vontade política da União Europeia em criar uma política externa comum e clara para as questões energéticas. Por outras palavras, para a União Europeia ter vontade política em criar uma política energética eficaz, necessita da vontade política do Reino Unido, da França, da Alemanha e da Itália. A Alemanha e a França, pela sua posição geográfica, dependem menos do gás russo quando comparados com os países mais a Leste, já que estão mais longe da Rússia e possuem uma rede de gasodutos que lhes permite comprar o gás a outros países, como a Noruega e a Holanda. O Reino Unido, por sua vez, não depende da importação de gás vindo da Rússia (ver gráfico seguinte) e é o segundo maior importador de gás da Noruega. Quanto à Itália constitui um actor importante de entrada do gás natural norte-africano na Europa.

Ilustração 32 - Dependência da Europa do gás natural russo (2006). Note-se que o problema não afecta o Reino Unido.151

Ilustração 33 - Origens do gás na Alemanha152

151 GORST, I., OLEARCHYK, R., STRAUSS, D., BRYANT, C., Germany warns gas shortage imminent, Financial Times, 6 de Fevereiro de 2009, http://www.ft.com/cms/s/0/7e81cf2c-dbda-11dd- b07e-000077b07658.html#axzz1KGfe6GDX (acedido em: 22/04/2011)

152 MEARNS, Euan, The European Gas Market, 321 Energy, 13 de Dezembro de 2007, http://www.321energy.com/editorials/mearns/mearns121307.html (acedido a 09/12/2011)

Ilustração 34 - Origens do gás na França153

Ilustração 35 - Origens do gás na Itália154

Segundo a Energy Information Administration em 2006, nos próximos 25 anos a previsão é de que 60% do gás natural importado pela União Europeia possa ser de origem russa,155 o que apesar

153 Idem

de tudo contrasta com os estudos do Energy Tribune que prevêem uma queda dramática na produção da Gazprom para os próximos anos.

No caso do petróleo a dependência da União Europeia relativamente à Rússia não é tão relevante. A Rússia é o principal fornecedor de petróleo à Europa, mas se necessário, a diversificação das origens da importação é bastante mais fácil. Enquanto o gás natural é normalmente transportado por gasodutos, pelo facto de estar em estado gasoso, o petróleo, que está em estado líquido pode ser transportado de várias formas: oleodutos, navios, camiões-cisterna, comboios etc. Por esta razão, e como já foi referido, há cada vez mais Estados europeus (da UE ou não) a considerar o gás líquido (LNG) como solução para diversificar os seus fornecedores de gás.

Ilustração 36 - Previsão da quota do gás natural no consumo energético da UE para o longo prazo156

Ilustração 37 – Origens da importação de petróleo da União Europeia (exclui a exportação de petróleo de Estados-membros para outros Estados-membros). FSU representa as antigas repúblicas soviéticas, onde a Rússia representa 29.7% dos 42.4%. Dados de 2010157