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5.1 Virkningsgrad

5.2.1 Propellbelastning

Em concordância com o pensamento de Lane (2006b) em relação à impossibilidade de se gerar conhecimento neutro, apresentamos as filiações de natureza epistemológica que subsidiaram a realização desta pesquisa.

Adotamos a matriz epistemológica estruturada pelo Materialismo Histórico e Dialético que, em sua busca pela apreensão da realidade, considera a essência e a aparência do fenômeno como faces não coincidentes, em virtude do entendimento de que a essência, embora se manifeste no fenômeno, o faz de forma parcial, a partir de certos aspectos, necessitando o pesquisador realizar um exercício de desvelamento da realidade, posto que esta última não se manifesta imediatamente no homem.

No rol dessas apreciações, Kosik (2010) postula a necessidade de se envidar um esforço conceitual para compreender a realidade, considerando a complexidade inerente ao fenômeno, pois apreender este último envolve a distinção entre a compreensão do real e a falsa consciência, que se encontram imbricadas na realidade.

Nessa perspectiva, entende-se que não é possível captar todas as determinações constitutivas da realidade, tendo em vista a multiplicidade que perpassa a totalidade do real. A matriz em questão incita a fundamental atenção para o fato de que a busca constante da apreensão das determinações dos fenômenos constitui compromisso com a desocultação da verdade, mesmo que de certa forma isso ocorra de modo efêmero, pois a verdade não é definitiva.

Consubstanciados por essa apreciação, tem-se como pressuposto que o processo de conhecimento destina-se a transcender a aparência dos fenômenos, que se estruturam sob o movimento, com possibilidades de ocultamento.

Em consonância com a opção epistemológica pelo materialismo histórico e dialético, estudiosas como Gonçalves (2010), Bock e Gonçalves (2009) e Aguiar et al (2009) mencionam as vantagens dessa adoção nos estudos em psicologia, ao sublinharem que as análises empreendidas em torno dos fenômenos psicológicos nessa perspectiva tendem a enfrentar a forçada naturalização destes, a partir do rompimento com a perniciosa dicotomia objetividade/subjetividade, presentes em iniciativas

teóricas que terminam por descaracterizar esses fenômenos em suas análises unidirecionais.

A Psicologia Sócio-histórica, ao se ancorar no materialismo histórico e dialético, permite a aproximação com a concreticidade do real, e assim supera entraves como os já apontados acima, ao estruturar categorias de análise que buscam apreender o movimento, a totalidade e a historicidade imbricados nos fenômenos que se dispõe a investigar.

Em consonância com o que expusemos até o momento, apresentamos mais uma opção que realizamos no delineamento desta pesquisa: a abordagem qualitativa.

Segundo González Rey (2002), a pesquisa qualitativa confere ênfase aos processos de construção sobre os de respostas, que denotam efetivo rompimento com a lógica instrumentalista, presente de modo hegemônico na produção de conhecimento em várias áreas do saber. Assim, no entendimento desse autor sobre a pesquisa qualitativa em Psicologia, esta:

(...) se define pela busca e explicação de processos que não são acessíveis à experiência, os quais existem em inter-relações complexas e dinâmicas que, para serem compreendidas, exigem o seu estudo integral e não sua fragmentação em variáveis (González Rey, 2002, p. 50).

Os fatores apontados por González Rey (2002) reforçaram nossa escolha pela pesquisa qualitativa, pela constatação de que, ao se estruturar de modo a dar conta da totalidade atinente ao fenômeno, sem por isso optar por certa flexibilidade, esse tipo de pesquisa termina por dar conta de produzir conhecimento sobre um objeto complexo, como a subjetividade, que apresenta elementos constitutivos implicados dinâmica e simultaneamente, que mudam em face da realidade da qual faz parte o sujeito concreto. Nessa direção, encontramos posicionamentos como o de Sawaia (2005, p. 22), ao assinalar como potencial da pesquisa qualitativa o fato de esta ser “orientada por pressupostos que enfatizam ser o homem de outra ordem, diferente dos fenômenos físicos e que a verdade não está manifesta no objeto, mas é o objeto para um sujeito, que lhe dá significado”.

Além de mencionar essa particularidade da pesquisa qualitativa, Sawaia (2005) destaca ainda que esta, ao apresentar os propósitos elencados acima, permite a constatação de que ela já nasce de certa forma com a responsabilidade ética de captar o humano, possuindo a disposição para questionar as supostas manifestações de neutralidade da pesquisa, e reconhece a relação pesquisador-pesquisado, sem

desqualificar as subjetividades aí presentes, enfatizando a confiança e o respeito necessários nessa interação.

Para González Rey (2002), o pesquisador, no âmbito da pesquisa qualitativa, é visto como sujeito, que produz ideias ao longo da pesquisa. Algumas dessas ideias relacionam-se ao fato de estar integrado a esse empreendimento de investigação como continuidade; e outras não possuem referências identificáveis no momento empírico desse empreendimento, posto serem implicações do seu próprio pensamento.

O sujeito pesquisado, conforme González Rey (2002), é igualmente ativo no curso de toda a investigação. Muito mais que “um reservatório de respostas” às perguntas realizadas pelo pesquisador, ele não manifestará uma reação linear e isomorfa diante dos recursos utilizados para provocar sua expressão; o pesquisado, ao se expressar, tenderá a realizar construções durante a pesquisa que se dirigem também às suas necessidades.

Entender a pesquisa qualitativa em seu caráter interativo no processo de produção de conhecimento, conforme González Rey (2002), requer esclarecer a ênfase dessa abordagem no tocante às relações entre pesquisador-pesquisado, vistas como condição essencial para o desenvolvimento das pesquisas em ciências humanas, pois esse aspecto contribui para a qualidade do conhecimento produzido nesse tipo de pesquisa.

Assim, no que tange à nossa pesquisa, atentos às recomendações de um dado referencial epistemológico, como o já mencionado, procuramos evitar, no âmbito da empiria, procedimentos de apreensão do fenômeno investigado que não dessem conta de seu movimento, dinâmica e historicidade.

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