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2.4 Promising Failures: Teaching “Difference” in Civic Education
Para Jung, diversamente de Freud que considera que todo o conteúdo do complexo trata-se de conteúdo consciente submetido à repressão, alguns conteúdos dos complexos podem ter sido conscientes e reprimidos, mas outros, jamais foram conscientes. Estes entram na psíque, advindos do inconsciente coletivo, como novas imagens arquetípicas que tendem em direcão à consciência.
Sandner & Beebe (1982) asseveram que o núcleo arquetípico, origem dinâmica de cada complexo, é ligado ao centro da diretriz interna conectada ao inconsciente coletivo, o Self. Esta conexão introduz um paradoxo: a produção de complexos não só conduz a uma ferida dissociativa, mas também fornece uma nova possibilidade de alcançar a integração. Os complexos afetivos participam do esforço do Self em substituir um estado inicialmente inconsciente da unidade para um estado de consciência da totalidade. Por ser o Self também um arquétipo, sua natureza bipolar explica como certos fenômenos psíquicos como as dissociações, transtornos e neuroses são necessários para a evolução e expanção da consciência e para a integração da totalidade da personalidade.
Por consequinte, o conceito do complexo da psicologia junguiana não se presta para o modelo usual de medicina, no que a doença é considerada como uma interrupção infeliz no estado de bem-estar do paciente. No modelo junguiano, o paciente deve suportar o sintoma, que é uma expressão simbólica do inconsciente, a fim de tornar-se bem, pois ele contém os "germens" da totalidade.
Pode-se então apresentar a noção de que, uma nova distinção, também sintônica com vários posicionamentos contemporâneos, de que uma aparente falência nervosa ou psíquica, de fato, poderia ser uma forma de falência das defesas, um prelúdio iniciatório necessário para um novo desenvolvimento, ou seja, que sugerem que a etiologia de doenças mentais possa ser de origem diferente da patológica e desempenhar um papel mais positivo e com um propósito de iniciar um processo de transformação e de desenvolvimento do indivíduo.
De acordo este pensamento de Sandner & Beebe (1982), sem esse período de possessão do ego, durante o qual o conteúdo inconsciente do complexo é "vivido", a integração do complexo pelo ego, para um funcionamento consciente dificilmente poderia ocorrer. Ao mesmo tempo, a possessão é estado potencial e psiquicamente grave enquanto está ocorrendo, mesmo que, em última análise, sirva como busca de plenitude, pois dependendo do proceguimento do processo, este estado pode perseverar, se fixar e, por fim, estabelecer-se e então, realmente vir a configurar um transtorno psíquico e se instalar como uma doença mental, nos modelos médicos.
Possessões tende a produzir o que Jung (2002) chamou de um governo sombrio do ego. Talvez pudesse ser também chamado de governo do ego pela sombra, ou seja, o ego sendo governado pelo inconsciente. A possessão do ego é acompanhada por uma mudança fundamental na qualidade das relações objetais produzidas pela anima/animus. Durante a possessão, quando os complexos tomam do ego o controle sobre os comportamentos do indivíduo, o ego, então, já não é mais o centro da consciência. Em vez disso, razões e pontos de vista arquetípicos são dominantes e, portanto, passam a estruturar a percepção das situações, os comportamentos e, consequentemente, as atitudes e todo um estilo ou padrões de estar no mundo.
Segundo Sandner & Beebe (1982), esses padrões não apenas são compulsivamente sobredeterminados, mas também podem produzir possessão recíproca em outras pessoas significativas do entorno relacional do indivíduo com as quais esteja emocionalmente vinculado. Por este motivo, todos no campo psíquico da pessoa
“gravemente possuída”, incluindo o analista, correm o risco de sofrerem algum grau de possessão.
Estado de possessão é a “marca registrada” dos graves transtornos de personalidade e de estados psicóticos. Substituições de setores do ego por complexos e seus núcleos arquetípicos resultam em alterações drásticas nos atributos ego normal, tais como no comportamento ético, no teste confiável de realidade e no nível de estabilidade de humor. Uma possessão pode acontecer por várias razões, das quais a tentativa do Self, enquanto arquétipo saudável da totalidade, para compensar uma atitude restrita do ego é apenas uma (Sandner & Beebe, 1982, p. 311).
O motivo principal para um estado de possessão, de acordo com o pensamento de Jung, é um afeto com forte e intensa carga emocional somado a um conflito insuperável e, secundariamente, uma fraqueza ou debilidade do ego. De acordo com Sandner & Beebe (1982), condições biológicas como hipoglicemia ou hipotireoidismo, circunstâncias críticas da vida, momentos durante a terapia que provoquem erosão ou rebaixamento das defesas do ego, entre outras, são situações podem enfraquecer a capacidade do ego para enfrentar os seus complexos e podem, inclusive, facilitar regressões patológicas primitivas e arcaicas das relações objetais.
Sandner & Beebe (1982), apresentam a idéia de que Perry ampliou a noção de Jung sobre os complexos, mostrando que a resposta ao complexo é bipolar. Ou seja, uma relação objetal emocional compreende dois complexos na interação, um dos quais investe o ego, enquanto o outro é projetado para fora, sobre um objeto ao qual o paciente está emocionalmente vinculado. O complexo mais próximo ao ego é "ego- alinhado", o outro é "ego-projetado". No entanto, esta terminologia não significa que o ego, em si, cria o alinhamento ou a projeção, mesmo porque estas são dinâmicas que ocorrem ao nível inconsciente. Ambos, o ego e o objeto, então, são investidos por complexos, e “a interação essencial, então, não é entre sujeito e objeto, mas entre dois complexos intrapsíquico" (Perry, 1970, p. 4, citado por Sandner & Beebe, p.298).
Segundo as idéias Perry, tais arranjos bipolar dos complexos, intrinsecamente, compõem a estrutura da psique; o que significa que todos os complexos são psiquicamente dispostos em pares complementares. Este autor evidencia que nos sonhos esta interação dos complexos pode ser bastante clara, como quando duas figuras oníricas fazem amor ou brigam. As mesmas interações podem produzir sintomas e conflitos internos, e, através da identificação projetiva, os vínculos emocionais e alianças nas experiências das transferências / contra-tranferências.