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Learning Racism in the Absence of ”Race”

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2.3 Learning Racism in the Absence of ”Race”

Outro ponto importante é que Jung não atribuía à etiologia apenas os efeitos traumáticos referentes a figuras reais, os pais, por exemplo, mas também a projeções de conteúdos de representações arquetípicas. A relevância relativa destes fatores poderia ser verificada analiticamente, e a força de representação de tais imagens compulsivas e deiformes deveria ser considerada. Jung (1986) explica que:

A disposição esquizóide se caracteriza por afetos abrangentes, nascidos de complexos comuns que, em geral, provocam conseqüências bem mais profundas do que os afetos neuróticos. Do ponto de vista psicológico, os fenômenos afetivos conseqüentes constituem, sintomaticamente, o específico da esquizofrenia. Esses são, assistemáticos e com aparência caótica e acidental. Além disso, da mesma maneira que certos sonhos, eles se caracterizam por formas de associação arcaicas ou primitivas muito próximas dos motivos mitológicos e de suas representações (p.249).

As investigações dos conteúdos dos sonhos bem como das alucinações de seus pacientes psicóticos levaram-no à conclusão de que existem inúmeras interconexões psíquicas para as quais só se poderia encontrar paralelos na mitologia. No que concerne à interpretação na dimensão coletiva, a ênfase de Jung estava no aspecto transpessoal, aquele elemento no delírio que tem sua história e seu lugar no desenvolvimento psicocultural do homem. Por isso, considerava os mitos e os contos de fadas úteis, tanto para amplificar o material clínico como também para ajudar a organizá-lo, por representarem padrões psicológicos essenciais.

Os mitos são histórias de encontros arquetípicos. Como o conto de fadas é análogo às atividades do complexo pessoal, o mito é uma metáfora para atividades do arquétipo per se e pode estar presente na estrutura da própria psique. Como seus ancestrais, concluía Jung (2000), o homem moderno é um construtor de mitos; ele revive dramas antiqüíssimos baseados em temas arquetípicos e, através de sua capacidade de consciência, pode se libertar de sua influência autônoma e compulsiva.

Os mitos são as justificativas das nossas ações, como um processo de explicações para elas, porém estas explicações são muito mais inconscientes do que conscientes. Os mitos passam pelo processo de psiquificação, dando razão para os ritos. Todo mito produz um interdito que impede a mudança do rito, mantendo e atualizando seu efeito sobre o humano. O mito é um teatro simbólico e dramático das experiências biológicas, psicológicas e espirituais, registrando todas as ações humanas no transcorrer da evolução. São estruturas que nos fornecem os padrões ou modelos arquetípicos, condensando em sua narrativa uma infinidade de situações análogas, universais e individuais,

possibilitando-nos referências da história da humanidade (Magaldi, 2006, p.105).

Jung (1998) evidencia a importância de compreender que, no caso do sofrimento psicológico, que geralmente isola o indivíduo das chamadas pessoas normais, o conflito a nível arquetípico não se trata apenas de um fracasso pessoal, mas é ao mesmo tempo, um sofrimento comum a todos, um problema que caracteriza toda uma época. Essa generalização desafoga o indivíduo de si próprio, ligando-o à humanidade.

O aspecto arquetípico dos estados de possessão têm tem sido digno de atenção por parte de diversos analistas junguianos. O próprio Jung (1986) se dedicou ao estudo e trabalho de estabelecer um paralelo entre os processos psicológicos e mitologia como de sendo um estudo comparativo dos sistemas delirantes, ou em outras palavras, dos estados de possessão. Muitos fatores dinâmicos interdeterminam o curso da possessão. Um arquétipo fornece a estrutura implícita de uma imagem, de afeto, e um padrão geral de comportamento. Quando estes surgem, é dito que um arquétipo é constelado, e as preocupações, atitudes, sentimentos e situações típicas tendem a recorrer. A exploração de determinadas figuras arquetípicas e dos padrões de comportamento que eles determinam, têm sido uma fonte especialmente fecunda de investigação da psicopatologia junguiana. Uma compreensão do papel desempenhado por figuras arquetípicas na determinação do destino dos indivíduos pode não só aumentar a nossa compreensão da psicopatologia, como também o alcance do que pode ser considerado “permissível ao normal”, pois estados de possessão também lhes ocorrem, de forma eventual e passageira.

Sandner & Beebe (1982) explicitam que cada complexo, como uma cebola, possui várias camadas a partir da qual uma resposta pode surgir. As camadas mais superficiais de um complexo são pessoais, e as camadas mais profundas são arquetípicos. A sombra e a anima ou animus representam progressivamente, as camadas mais profundas e arquetípicas. De todas, a camada mais profunda é o núcleo, que está enraizada no arquétipo central, ou Self, o centro organizador comum a todos os complexos. A resposta de um complexo pode surgir de qualquer uma das camadas, e não é raro que camadas arquetípicas mais profundas respondam ao esforço de integração bem antes das camadas mais pessoais e superficiais sejam descobertas e assimiladas.

No entanto, resta um questionamento inquietante: porque um arquétipo é constelado? Segundo Sandner & Beebe (1982) as explicações gerais junguianas alinham-se ao princípio teleológico: arquétipos surgem quando há necessidade e eles são necessários quando uma demanda adaptativa não pode ser satisfeitas pelo ego do indivíduo. Assim, o comportamento arquetípico usualmente ocorre nos períodos de mudança de fase do desenvolvimento e de vida, pois novos e diversos padrões globais devem substituir os de até então: da infância para a adolecência, desta para a vida adulta e, posteriormente, da vida adulta para a velhice, agora, a chamada melhor idade. Este autor exemplifica que um arquétipo deve emergir na adolescência porque o ego tem sido moldado pela experiência infantil, o que, simplesmente não é suficiente para atender às demandas da idade juvenil, as quais já se aproximam das demandas sociais e biológicas da vida adulta. Os primeiros passos na direção da vida adulta demonstram ser, então, necessariamente, estruturados por arquétipos, os quais são apropriado para o indivíduo, mesmo quando, nitidamente, entram em conflito com aspectos da realidade prática.