Hair et al (2005a) argumentam que, para uma validade convergente aceitável, as cargas fatoriais devem ser maiores ou iguais a 0,5. Com base neste critério, a análise fatorial da amostra apontou, para as 18 variáveis independentes propostas por Singh (2011), a existência de apenas três fatores, destacados nas cores verde, azul claro e azul escuro na Tabela 2 a seguir. 0,0% 1,9% 4,9% 8,7% 10,7% 41,7% 32,0%
Avalie a impressão da Empresa da efetividade do seu Código.
1 = Nenhum Efeito 2 3 4 5 6 7 = Excelente
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Tabela 2 – Resultado da análise fatorial da amostra.
Contudo, quatro variáveis destacadas em vermelho na Tabela 2 – Clientes devem ser informados, Treinamento em ética para todos os empregados, Código deve orientar o planejamento estratégico e Ter um ouvidor de ética – apresentaram correlação com mais de um dos novos fatores identificados.
Objetivando aprimorar a análise, foi excluído o elemento “Treinamento em ética para todos os empregados”, por ter apresentado, para os 3 novos fatores identificados, valores inferiores ao critério adotado com base no estudo de Hair et al (2005a). A nova análise fatorial com a referida exclusão foi descrita na Tabela 3, com os três fatores agrupados em amarelo.
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Tabela 3 – Resultado da análise fatorial da amostra excluindo a 11ª variável independente.
Avaliados os constructos aplicáveis a cada uma das variáveis independentes, foram sugeridas as seguintes definições para os três novos fatores indicados pela amostra em estudo:
1. Missão do Código; 2. Agentes do Código; 3. Gestão do Código.
Para Collins e Porras (1996) o conceito de missão remete ao comprometimento com algo grandioso, não apenas metas. A missão reúne a visão e as principais competências de uma organização e de seus membros para constituir seu principal dever e comportamento (RAYNOR, 1998). Uma declaração de missão pode ser curta como uma frase, ou longa como com um ou dois parágrafos (KING et al, 2010, P. 71). Assim, o termo “Missão do Código”
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se apresenta como possível consolidador do espírito estampado nas variáveis independentes reunidas no 1º fator identificado, a saber:
Código auxilia em dilemas éticos; Código ajuda nos resultados; Deve conduzir avaliação de ética;
Maior necessidade nos últimos seis meses; Critério de avaliação do empregado; Fornecedores devem ser informados; e Clientes devem ser informados.
Resgatando o entendimento de Stevens (1994), ao declarar as condutas desejadas pela empresa, os CEE têm por missão ser a referência permanente dos empregados na solução de dilemas éticos e na consecução dos resultados empresariais, demonstrando a clientes e fornecedores a conduta ética da organização na condução de suas operações. A efetividade de tais elementos alimenta a confiança entre aquelas partes e, junto com a continuidade das relações, como lembra Zanini (2008), mitiga os riscos da vulnerabilidade que adotaram ao abdicar de mecanismos de salvaguarda.
Sugerida para o 2ºfator identificado na amostra, a denominação “Agentes do Código” busca traduzir que a efetividade dos CEE não terá sentido se os empregados, atuais ou novos, não incorporarem a cultura organizacional citada por Robins, Judge e Sobral (2008). Para tanto, o fácil acesso e sanções por descumprimento norteiam as condutas destes agentes em suas relações com o ambiente corporativo.
Por fim, o 3º fator recebeu o nome de “Gestão do Código” por aparentemente abraçar, com mais adequação ao pesquisado, as variáveis independentes relacionadas ao dia a dia dos CEE: (i) revisão do código ao menos a cada dois anos; (ii) existência de comitês de ética e de treinamento de ética; (iii) suporte a denunciantes; (iv) existência de um ouvidor de ética; e (v) orientação do planejamento estratégico.
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Realizada a análise da variância da variável dependente – efetividade do código – com base na amostra estudada, verifica-se que o modelo também é significante ao nível 0,001, certo que este nível só foi refletido para apenas um dos três novos fatores obtidos, como indicado nas Tabelas 4 e 5.
Tabela 4 – ANOVA da amostra.
Tabela 5 – Análise de regressão da amostra.
A Tabela 6 traz as correlações entre os três novos fatores obtidos, destadas em amarelo.
Tabela 6 – Correlação entre os três novos fatores obtidos. Missão Agentes Gestão Pearson Correlation ,820 ,544** ,765** Sig. (2-tailed) ,000 ,000 N 103,000 103 103 Pearson Correlation ,544** ,919 ,612** Sig. (2-tailed) ,000 ,000 N 103 103,000 103 Pearson Correlation ,765** ,612** ,792 Sig. (2-tailed) ,000 ,000 N 103 103 103,000 Correlação Missão Agentes Gestão
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O teste KMO (Kaiser-Meyer-Olkin) visa a merdir a adequação da amostra, comparando a magnitude dos coeficientes de correlação observados com a magnitude dos coeficientes de correlação parcial, sendo que o teste de esfericidade de Bartlett visa a identificar a probabilidade de haver alguma correlação entre as variáveis. Estes testes foram realizados para cada um dos três novos fatores, sendo os respectivos resultados descritos nas Tabelas 7, 8 e 9. Os valores encontrados para o teste KMO dos fatores Missão do Código, Agentes do Código e Gestão do Código, estão todos acima de 0,825, o que, segundo Kaiser (1993) é considerado muito bom, assim como os valores do teste de Bartlett, todos com nível de significância de 0,000, sugerem haver correlação entre as variáveis de cada um destes fatores.
Tabela 7 – Teste KMO e Bartlett do fator Missão.
Tabela 8 – Teste KMO e Bartlett do fator Agentes.
Tabela 9 – Teste KMO e Bartlett do fator Gestão.
,884
Approx. Chi-Square 508,018
df 21,000
Sig. ,000
KMO and Bartlett's Test - Fator Missão
Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy.
Bartlett's Test of Sphericity
,836
Approx. Chi-Square 418,278
df 6,000
Sig. ,000
KMO and Bartlett's Test - Fator Agentes
Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy.
Bartlett's Test of Sphericity
,826
Approx. Chi-Square 313,724
df 15,000
Sig. ,000
KMO and Bartlett's Test - Fator Gestão
Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy.
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Nas tabelas 10, 11 e 12 verificam-se as matrizes de comunalidades para cada um dos novos fatores identificados, sendo consideradas variáveis com comunalidade acima de 0,5 no respectivo fator.
Tabela 10 – Matriz de Comunalidade do fator Missão. Component
Missão 17) A Empresa acredita que o
Código deve ser usado para nos ajudar na resolução de dilemas éticos nos negócios.
,904
16) A Empresa acredita que o Código vai ajudar nos
resultados, isto é, nos lucros. ,883 13) A Empresa acredita que
devemos conduzir uma avaliação ética de todas nossas operações.
,875
15) A Empresa acredita que todos os nossos fornecedores devem ser informados da existência do Código.
,831
14) A Empresa acredita que todos os nossos clientes devem ser informados da existência do Código.
,812
5) A Empresa acredita que o desempenho em ética deve ser um critério de avaliação dos empregados.
,756
18) Nos últimos seis meses, a Empresa tem visto uma maior necessidade de focar em ética nos negócios.
,652
Extraction Method: Principal Component Analysis. a. 1 components extracted.
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Tabela 11 – Matriz de Comunalidade do fator Agentes.
Tabela 12 – Matriz de Comunalidade do fator Gestão. Component
Agentes 2) A Empresa acredita que o
Código deve ser comunicado
a todos os empregados. ,957
1) A Empresa acredita que o Código deve estar disponível para consulta por todos interessados.
,946
3) A Empresa acredita que devemos informar os novos empregados a respeito do Código.
,939
4) A Empresa acredita que deve haver consequências
para a violação do Código. ,830 Extraction Method: Principal Component Analysis.
a. 1 components extracted.
Component Matrixa
Component Gestão 9) A Empresa acredita que
devemos ter um Comitê de
Ética ou equivalente. ,850
12) A Empresa acredita que devemos ter um responsável (ouvidor geral, ou equivalente) para questões de ética.
,831
10) A Empresa acredita que devemos ter um Comitê de Treinamento em Ética ou equivalente.
,802
6) A Empresa acredita que deve ter orientações formais para apoio a denunciantes, isto é, alguém que alerte a Empresa do descumprimento do Código.
,796
8) A Empresa acredita que o Código deve orientar nosso
planejamento estratégico. ,789
7) A Empresa acredita que devemos rever o Código pelo menos uma vez a cada dois anos.
,669
Extraction Method: Principal Component Analysis. a. 1 components extracted.
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Os escores fatoriais foram padronizados, como indicado por Hair et al (2005a), e a confiabilidade, ou consistência interna, das variáveis latentes mensuradas foi comprovada pelo Alfa de Cronbach superior a 0,7 (HAIR et al, 2005a) para cada um dos fatores identificados, conforme indicam as Tabelas 13, 14 e 15.
Tabela 13 – Alfa de Cronbach do fator Missão.
Tabela 14 – Alfa de Cronbach do fator Agentes.
Tabela 15 – Alfa de Cronbach do fator Gestão.
Por fim, o modelo de Singh (2011) aplicado à amostra estudada comprova que 76% de variância da variável dependente – efetividade do código – são explicados pelos três novos fatores obtidos, como se infere pela Tabela 16. Vale lembra que em seu estudo Singh (2011) não divulgou seu resumo do modelo.
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Assim, baseada na amostra estudada e amparada nos constructos analisados, a Figura 2 traz a proposição de um novo modelo de efetividade dos CEE.
Figura 2 – Novo modelo de efetividade dos CEE.
Cabe lembrar que o estudo de Singh (2011) foi tabulado com base na percepção de executivos de empresas do Canadá, e a amostra utilizada neste estudo, apesar de considerar executivos brasileiros, tem por referência avaliar a efetividade dos CEE alinhados aos ditames da SOx, lei dos EUA.
Smeltzer e Jennigns (1998) destacam que muitos empresários sabem que diferenças culturais entre países podem alavancar ou frear negócios, e que aspectos culturais da realização de negócios em alguns países frequentemente conflitam com códigos de ética ou padrões adotados nos EUA. O próprio Singh (2011) reconheceu tal aspecto cultural como limitante da generalização de seus resultados, tendo indicado que futuras pesquisas sobre a efetividade dos CEE devem ser conduzidas contemplando diferentes culturas, como é o caso do presente estudo.
Objetivando demonstrar a migração dos 18 elementos do programa de ética, dos cinco fatores originalmente identificados no modelo de Singh (2011) para os três fatores derivados do presente trabalho, a Figura 3 traz um comparativo entre os fatores do modelo de Singh (2001) e do novo modelo de efetividade dos CEE apresentado no presente estudo. Os fatores
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originais e respectivos elementos do modelo de Singh (2011) foram identificados por cores, a saber: Objetivo do Código: cor vermelha; Implementação do Código: cor verde; Execução e Comunicação Interna do Código: cor laranja; Atualização e Comunicação Externa do Código: cor azul mais claro; e Utilização Recente do Código: cor azul escura.
Figura 3 – Comparativo dos fatores e respectivos elementos dos dois modelos.
Percebe-se pela Figura 3 que os elementos relacionados aos fatores Execução e Comunicação Interna do Código e Atualização e Comunicação Externa do Código foram redistribuídos e agrupados nos demais fatores: Objetivo do Código, Implementação do Código e Utilização Recente do Código.
Esta migração, no que tange à comunicação – interna ou externa – dos CEE, alinha-se às diretrizes indicadas pelo FSGM, que destacam o público alvo perseguido: alta administração, executivos, gerentes, empregados e terceirizados. A comunicação a clientes e fornecedores possivelmente decorre de um aspecto institucional, valendo-se da existência do código como uma estratégia de vantagem competitiva (PORTER, 1998). Tal aspecto pode justificar a absorção, pelos três fatores identificados na pesquisa, dos elementos que originalmente integravam aqueles rotulados por Singh (2011) como “Execução e Comunicação Interna do Código” e “Atualização e Comunicação Externa do Código”.
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