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Programmets gjennomføring

6. EMPIRI, ANALYSE OG TOLKNING

6.2 F ORELDREVEILEDNINGSPROGRAMMET

6.2.2 Programmets gjennomføring

É inevitável a correlação entre a Lingüística como ciência e o movimento estruturalista inaugurado por Saussure, ainda que se falar em linguagem seja se reportar a

épocas bem mais distantes. Desse modo, há uma tendência a serem nomeados os modelos de análise lingüística como estruturalistas, ou pré-estruturalistas ou pós-estruturalistas.

No Curso de Lingüística Geral, é apresentado o ponto de vista sob o qual a língua foi “desenhada” no movimento estrutural: ela é tida como um sistema em oposição ao uso (ou fala), de caráter social (geral, portanto) em oposição àquilo que é particular e individual. Seu traço social lhe dá o status de essencial em oposição ao que é acessório e ocasional no uso.

Com o desenvolvimento das teorias lingüísticas, surgem várias mudanças na definição do ponto de vista. Tendências recentes mais preocupadas com questões discursivas do que propriamente com aspectos puramente gramaticais levaram ao aparecimento de novos rumos na ciência da linguagem, como a Lingüística Textual, a Sociolingüística, a Análise do Discurso, e outros. Desse grupo moderno, faz parte a teoria funcionalista, mas, diferente do que se possa deduzir, seu surgimento não é exatamente tão novo. Na verdade, o que ocorreu foi uma reatualização de seus preceitos.

Já na fase pré-estruturalista, nomes como os de Whitney e Wush adotam como modelo lingüístico, no século XIX, estudos de fenômenos sincrônicos e diacrônicos relacionados a elementos cognitivos, psicológicos e funcionais. Whitney sustenta que a linguagem implica uma certa operação que envolve a intenção daquele que fala na tentativa de atingir outros homens, ou seja, a linguagem deve estar a serviço da comunicação. A noção de linguagem como elemento a serviço da comunicação pode ser encontrada, não muito raramente, nos livros que se referem à teoria funcionalista tal como é conhecida hoje (Cf. Pezatti, 2004, p.166).

Os próprios Neogramáticos, que influenciaram de forma substancial as questões que envolvem a mudança lingüística, com seu alto rigor metodológico, sofreram críticas de estudiosos que viam a lei fonética de uma forma menos categórica3, sem, contudo, negarem

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A categoricidade imposta pelos neogramáticos ao pressuposto da regularidade da mudança estava relacionada à preocupação desses estudiosos com o caráter científico que desejavam atribuir às questões da linguagem. Eles acreditavam que se admitissem que as mudanças eram facultativas, contingentes e

a regularidade da mudança. Os lingüistas que se opuseram aos ideais neogramáticos não aceitavam que as mudanças se espalhassem por toda a comunidade e por todos os itens lexicais de modo totalmente uniforme.

O que esses críticos pretendiam era mostrar que a realidade da mudança lingüística é muito mais complexa do que supunham os neogramáticos. Ao reconhecerem maior grau de complexidade às mudanças lingüísticas, eles acrescentavam às análises o contexto concreto (uso real) em que a língua é falada. Se o contexto de uso não é, de modo algum, uniforme e homogêneo, a análise das mudanças lingüísticas também não deverá sê-lo.

Segundo Iordan (1962, p.59-63), um dos nomes mais significativos dos críticos aos neogramáticos é o de Hugo Schuchardt, que buscava compreender o processo de mudança lingüística a partir de um quadro heterogêneo que envolvia todas as variedades de fala existente numa dada comunidade, condicionadas por fatores como sexo, idade e escolaridade4. Segundo este autor, Shuchardt acreditava que

No seio duma comunidade lingüística [...] encontramos inúmeras línguas individuais, que variam conforme sexo, a idade, o temperamento e o grau de cultura. Estes modos de falar influenciam-se reciprocamente [...]. este fato não pode deixar de levar à evolução da língua [...] (p.60).

Embora o ponto de referência para Shuchardt fosse ainda o falante individual (o que se adeqüa à sua concepção subjetivista da língua), suas idéias mostram que o contexto sociocultural de uma língua é condicionante básico da variação e, em decorrência, da mudança.

Um outro nome significativo é o de Jules Gillierón. Especialista em Geografia Lingüística, Gillierón compartilhava das mesmas idéias que Schuchardt, demonstrando grande interesse em analisar a mudança lingüística dentro de um quadro multiforme, que respeitasse o caráter não-homogêneo das línguas.

É no início do século XX, entretanto, que se começa a formular mais

consistentemente uma concepção sociológica da língua e do falante que dela faz uso. Estamos falando de Antoine Meillet (Cf. Iordan, 1962, p.73; 396-411), para quem, de fato, as condições sociais influenciavam decisivamente a língua e, por conseguinte, a mudança: “Quando nos estudos lingüísticos se fala de uma escola sociológica, temos de pensar imediatamente em MEILLET” (p.400).

desconexas, estariam afirmando que seu objeto de pesquisa, a linguagem, não poderia receber um tratamento científico.

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Trabalhos como o de Schuchardt, Gillierón e Meillet, por exemplo, embora contemporâneos a estudos estritamente formais5, atuaram como verdadeiros “abre-alas” para teorias modernas da linguagem, que buscam, em certo ponto, o afastamento de

análises que se preocupam, imanentemente, com aspectos ligados apenas à estrutura interna do fenômeno lingüístico.

Falar nos desenvolvimentos da idéias funcionalistas é fazer referência, em dada medida, às concepções do estruturalismo do Círculo Lingüístico de Praga. Ambos levam em consideração a interação verbal em que as expressões lingüísticas são usadas, mediante uma pragmatização de componentes sintático-semânticos do código lingüístico. Segundo Neves (1997, p.16-17), os estudiosos de Praga6entendiam a linguagem num estruturalismo funcional, com o componente sistêmico (estrutural) associado à realidade extralingüística no evento comunicativo, veiculando informações.

Nas Teses de 297, a concepção de língua enquanto sistema funcional traz implicações para a consideração de língua tanto no seu plano interno, com a análise do funcionamento do sistema lingüístico, quanto no seu plano externo de uso na sociedade. Nesse plano, a noção de funcional se relaciona com as funções (ou modalidades) de uso da língua:

O estudo de uma língua exige que se leve rigorosamente em conta a variedade das funções lingüísticas e dos seus modos de realização no caso considerado. Quando não se atenta para essa variedade, a caracterização [...] de uma língua qualquer torna-se necessariamente deformada e, até certo ponto, fictícia (Teses, 1929, p.88).

A própria noção de língua subjacente à visão dos estudiosos do Círculo de Praga é determinada pela sua finalidade: “a língua é um sistema de meios apropriados a um fim” (Teses, 1929, p.82).

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Não podemos esquecer que os estudos de Meillet datam de século XX, período em que se consolidou a perspectiva imanentista, tendo o estruturalismo atingido grande hegemonia nos estudos lingüísticos.

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Citam-se como destaque da Escola da Praga os nomes de Mathesius, Trubetzkoy, Jakobson, Martinet e outros.

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É evidente que não podemos esquecer que as idéias geradas no seio das discussões da Escola de Praga foram limitadas pelo contexto estruturalista que prevaleceu na época. O impacto do movimento estruturalista não permitiu a expansão efetiva das concepções da Escola, mas, sem dúvida, essas concepções tiveram um papel importante para o desenvolvimento das noções sobre os fatos lingüísticos produzidas por teorias mais recentes da linguagem, que procuram incorporar, em alguma medida, a dimensão sócio- histórica à estrutura da língua.

De uma forma não tão evidente como nas idéias desenvolvidas pelo Círculo de Praga, podemos também estabelecer, em certo grau, uma relação entre as idéias

desenvolvidas no gerativismo e as concepções funcionalistas da linguagem. Em ordem cronológica, temos a Teoria Clássica como a primeira referência aos trabalhos de

Chomsky8. Em seqüência, surgem a Teoria Padrão, a Teoria Padrão Ampliada e a Teoria Padrão Ampliada Revista. O importante para nós, aqui, é entendermos que em todas as fases dos estudos chomskyanos a preocupação com a forma lingüística ocupava uma posição de destaque. A sintaxe era o componente central na descrição lingüística.

Entretanto, é bem verdade que, em cada fase específica, ocorreram algumas modificações que deram, pelo menos em parte, algum relevo a outros componentes da língua, como é o caso da semântica.

Entre as fases da Teoria Padrão e da Teoria Padrão Ampliada, surge no gerativismo um grupo conhecido como os dissidentes gerativistas. Tendo em Lakoff sua figura mais representativa, os dissidentes se interessavam por análises “gerativas” que dessem lugar à preocupação de encontrar explicações sistemáticas para a interpretação semântica das orações. Eles se sentiam cada vez mais incomodados em não se poder adequar um número cada vez maior de fatos no modelo chomskyano vigente. Sabiam que novos rumos deveriam ser seguidos, a partir da necessidade de se observar fatores semânticos na descrição gramatical, o que gerou a semântica gerativa e a gramática dos casos, insatisfeitas com o gerativismo ortodoxo, buscando novos meios de tratar os fatos lingüísticos.

Em termos gerais, rejeitando a tese da autonomia da sintaxe, os adeptos da semântica gerativa começaram a sustentar que as estruturas semânticas e as estruturas

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Uma apresentação bem mais detalhada e esclarecedora se encontra nos trabalhos de Silva (1978) e Borba (1979).

sintáticas são formalmente idênticas e que as regras de transformação relacionam os dois tipos de estrutura. Já a Gramática dos Casos tem em Fillmore seu nome mais expoente. Ele defendia a tese de que noções como sujeito e objeto direto não são funções da estrutura profunda, devendo-se reconhecer neste nível funções de natureza diferente: valores semânticos ou casos, como agente, instrumento, origem, tempo. Na estrutura profunda, haveria, então, um conjunto de casos, que marcaria de forma distinta elementos como sujeito e objeto.

Conforme Silva (1978, p. 69), de par com interesse especial pela semântica, os

gerativistas dissidentes vêm procurando dar uma visão de todos os fatores que

condicionam o uso da linguagem numa situação comunicativa. Assim, passaram a

interessar-se por numerosos fatos que Chomsky considerou inteiramente fora do campo

da lingüística.

Por mais que este momento não seja reconhecido como essencialmente funcionalista,

consideramos pertinente a sua inclusão neste panorama da história do funcionalismo, já

que nele estão presentes outros fatores que não os puramente gramaticais. A necessidade

de buscar o componente de sentido presente nas situações comunicativas pode ser visto

como o indício de um fio coesivo para uma tendência funcionalista mais expressiva e

mais recente também. É como dizem Dirven e Fried (1987 apud Martelotta et. al., 2003,

p.20): as abordagens gerativas alternativas, como, por exemplo, a semântica gerativa ou

a gramática dos casos, podem ser vistas como um esforço no paradigma formalista de

questionar algumas das propostas desse paradigma, utilizando-se, para isso, de

A afirmação de Elizabeth Bates (apud Neves, 1997, p.55), para quem o “funcionalismo é

como o Protestantismo: um grupo de seitas antagônicas que concordam somente na

rejeição à autoridade do Papa” nos parece duplamente equivocada. Primeiro, porque

existe na teoria funcional uma série de preceitos comuns que também fazem dela uma

teoria organizada, dentre os quais encontram-se a concepção de linguagem como

instrumento de comunicação e de interação social e o estabelecimento de um objeto de

estudo baseado no uso real. Segundo, porque o funcionalismo não surgiu como uma

resposta à teoria gerativa. Antes do gerativismo (Chomsky é o Papa!), já havia uma

preocupação fortemente elaborada acerca dos estudos funcionais da linguagem, como

nos já citados casos dos neogramáticos e do Círculo Lingüístico de Praga, que

desempenharam, sim, um papel fundamental para as asserções defendidas pela corrente

funcionalista dita moderna.