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F ENGSELETS FUNKSJON I SAMFUNNET

3. FANGER OG KONTEKST

3.1 F ENGSELETS FUNKSJON I SAMFUNNET

"O meu objetivo é colocar no papel aquilo que vejo e aquilo que sinto da mais simples e melhor maneira." (Ernest Hemingway)

4. MÉTODO

4.1. Desenho do estudo

Trata-se de um estudo observacional qualitativo. Optamos, nesta pesquisa, por observar como as políticas públicas tem se efetivado na educação de surdos em uma sala inclusiva; para um melhor conhecimento e descrição dessa prática, nas aulas de produção textual.

Este estudo foi realizado em uma escola da rede pública estadual, na cidade de Recife - PE. A amostra foi constituída por um professor de língua portuguesa, sem fluência em Libras, durante a ministração de suas aulas em duas turmas regulares do 7º ano do Ensino Fundamental, ambas no turno da manhã. Contendo em cada turma 45 alunos ouvintes e 5 surdos, sendo estes bilíngues, de ambos os sexos, na faixa etária de 15 a 25 anos, filhos de pais ouvintes. Além de um intérprete de Libras (ILS) em cada sala de aula. A escolha das duas turmas se justifica pela disponibilidade do professor em participar da pesquisa e por ter alunos surdos.

Construímos os dados desse estudo em um período correspondente a cinco meses, de julho a novembro de 2008, mediante a observação de 16 aulas, com 8 encontros assistemáticos, tendo cada encontro cerca de 1h e 30 min de duração. O corpus do trabalho foi constituído por 8 filmagens em vídeo.

86 Após as filmagens, sentimos necessidade de realizar um questionário (Apêndice B) para traçar o perfil do professor, no qual inserimos perguntas sobre sua formação acadêmica e atuação profissional; uma entrevista (Apêndice C) semiestruturada, com o objetivo de coletar o depoimento do professor de língua portuguesa, motivando-o a comentar a respeito de sua experiência docente na sala inclusiva; além do nosso diário de observação em sala de aula, com o intuito de estabelecer relações entre o discurso do participante e sua prática no ensino de língua portuguesa.

Por meio das entrevistas realizadas, tivemos acesso ao discurso do professor e do intérprete (ILS), bem como a informações sobre a estrutura e funcionamento da escola. Esses relatos, conforme Minayo (1999), revelam a opinião dos sujeitos, valores, atitudes e práticas adotadas. As observações tanto em sala de aula como em todo ambiente escolar, também foram de suma importância para traçarmos o perfil do docente de língua portuguesa (participante), bem como fazer uma caracterização da escola pública lócus do nosso estudo, que deve seguir as atuais políticas públicas de inclusão educacional em unidades de ensino regular.

4.2. Procedimentos para a construção dos dados

O procedimento de coleta de dados consistiu inicialmente na entrega do termo de consentimento livre e esclarecido - TCLE (Apêndice A), ao professor de língua portuguesa participante da pesquisa como também ao intérprete (ILS), já que ambos aparecem nas filmagens. Eles foram informados verbalmente e por escrito acerca do objetivo deste estudo, sendo solicitada sua autorização através do TCLE no qual firmamos o compromisso de manter sigilo sobre a identidade da escola colaboradora, do ILS e do professor participante, que assinaram o documento, aceitando e autorizando a realização da pesquisa.

87 Após a assinatura dos TCLE autorizando a realização da videografia, procederam-se as filmagens. A filmadora foi posicionada no fundo da sala, focalizando o professor e o ILS, entretanto preservando a identidade dos alunos.

A videogravação se tornou imprescindível para efetuarmos a análise minuciosa das trocas dialógicas com foco no ensino da produção textual escrita, considerando o importante papel dos elementos não verbais na produção de sentido para os surdos. Além disso, proporcionou meios fidedignos para observarmos a interação entre o professor, os alunos surdos e o intérprete de Libras, dada a modalidade de língua espaço-visual utilizada pelos surdos.

A interação entre essa tríade: professor – intérprete – aluno surdo, apesar de não ser o foco do nosso estudo, é um elemento que poderá contribuir para análise dos dados.

Em seguida realizamos o questionário (Apêndice B) e as entrevistas (Apêndices C e D). Ambos dependeram da disponibilidade do participante. As filmagens e observações também ocorreram conforme o horário das aulas de língua portuguesa foi disponibilizado no turno da manhã.

O material analisado foi composto por recortes das filmagens das aulas de língua portuguesa, priorizando os momentos voltados para a prática de produção textual escrita, foco deste trabalho.

Foram coletados também o material didático utilizado pelo professor - partes do livro didático de LP – (Anexo 1) e as produções textuais dos alunos surdos (Anexo 2), que apesar de não constituírem nosso material de análise, comprovam o fato das aulas terem como objetivo a produção textual, bem como, podem nos auxiliar nas discussões a respeito da efetivação das políticas públicas por meio da prática docente.

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4.3. Procedimentos para análise dos dados

A análise foi realizada a partir das transcrições de fala integrais de cada aula videografada, seguindo as orientações de Marcuschi (1998), Sousa (2006, 2009) e Fonte (2011) fazendo uso dos seguintes sinais:

Aspa simples para frases afirmativas

Aspa dupla para frases interrogativas

(.) Pequenas pausas existentes na fala

(( )) Comentário do analista acerca dos dados do contexto

/.../ Corte na produção de alguém

[[ Falas simultâneas

((?)) Incompreensão de palavras

(...) Trechos cortados

Caixa alta Registro de sinais em Libras Turnos de

fala Letra T (caixa alta) e número correspondente ao turno entre parênteses Fizemos a análise por etapas. A princípio, realizamos a análise visual detalhada dos vídeos. Na ocasião, foi possível observar diversos aspectos relevantes em cada aula videografada, considerando todas as situações de produção textual.

No segundo momento, procedemos à análise da videografia com o objetivo de transcrever integralmente cada aula. Para isso, os turnos de fala foram segmentados e descritos todos os enunciados e manifestações capturados pelas filmagens. Entretanto, cada vez que observávamos ações do professor voltadas para o ensino da produção textual escrita, surgia à necessidade de voltarmos ao vídeo, a fim de fazermos a transcrição e descrição detalhada, a mais fiel possível da cena observada. Vejamos a seguir um exemplo:

(T 01)

profª. II ((?)) (...) Hoje a gente tem que trabalhar um tema que todos nós já conhecemos‘ (.) II Violência‘ (.) ((Escreve em caixa alta no quadro e fala simultaneamente a palavra violência)) (T 01)

89 Na terceira etapa, procuramos identificar a emergência de condutas, estratégias didático-pedagógicas ou uso de recursos visuais, em um contexto que pudesse facilitar o desenvolvimento da competência linguística e textual no surdo.

Finalmente, realizamos a quarta etapa de análise, por meio da verificação de estratégias usadas para o ensino da produção textual para surdos – a qual se constitui como eixo principal deste trabalho – sendo necessário, portanto, um maior investimento no tratamento das análises. Para isso o referencial teórico que ancorou nossa análise fundamentou-se nas políticas públicas para surdos no contexto da educação inclusiva; no ensino e aprendizagem de segunda língua (L2); e nos estudos sociointeracionistas, e suas contribuições para o ensino de língua portuguesa escrita.

Vale salientar que após as filmagens, as imagens foram analisadas junto ao material anteriormente catalogado (Anexos 1 e 2), a fim de que pudéssemos observar de forma eficaz o processo de produção textual dos alunos surdos. Lembramos também que esses anexos estão dispostos de acordo com as sessões e seus respectivos episódios para uma melhor compreensão do leitor acerca das produções escritas coletadas.

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