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6   Aktørane  sine  erfaringa

6.2   Eit  meir  profesjonelt  produksjonsmiljø

6.2.2   Profesjonell  erfaring

A Tabela 6 reporta o impacto dos JVDMF sobre o número de internações por agressão. As duas primeiras colunas da tabela apresentam os resultados ao utilizarmos a amostra que engloba todos os municípios sede de comarca, enquanto a terceira e quarta colunas reportam as estimativas obtidas ao usarmos somente a amostra pareada. Em todas as especificações, os coeficientes estimados sugerem um efeito negativo dos juizados especializados sobre as agressões. Todavia, apenas na estimação por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) da amostra não pareada o impacto negativo é estatisticamente significativo a um nível de 10%. A magnitude do impacto é alta, pois o número médio de internações femininas por agressão é 1,16 nos municípios sedes de comarca.

Como a criação dos juizados especializados foi delegada aos estados, controlamos nas regressões pelas dummies das Unidades da Federação (UF), e os erros-padrão utilizados são clustered por UF. Todavia, para garantir que os resultados obtidos não reflitam mudanças estaduais entre 2000 e 2010, foi feita uma especificação adicional controlando pela interação entre as dummies de UF e a dummy referente ao ano de 2010. As estimativas controlando

pelas tendências das Unidades da Federação encontram-se no Apêndice 11. Os resultados obtidos foram semelhantes tanto em magnitude quanto em significância estatística.

Para a implementação dos juizados de violência doméstica, os estados poderiam usar incentivos financeiros do Programa Nacional de Segurança Pública Com Cidadania (PRONASCI). Estimou-se o modelo principal de análise (equação (10), capítulo 5) controlando pelo fato de o estado ou município participar do PRONASCI, e os resultados obtidos foram muito próximos e qualitativamente iguais.

Há a possibilidade de o impacto encontrado na amostra não pareada estar captando outros fatores não observados ocorrendo contemporaneamente à introdução dos juizados de forma heterogênea entre os municípios tratados e os controles, tais como o aumento do número de unidades de saúde ou um maior cômputo de informações no Sistema de Informações Hospitalares. Para verificar tal hipótese, foram realizados testes de falsificação, tomando como placebos o número de internações por doenças infecciosas e parasitárias e o número de doenças respiratórias (cuja fonte de dados também é o SIH/SUS), que não deveriam ter sido afetados pela Lei Maria da Penha. O Apêndice 12 mostra os resultados do teste de falsificação, usando a mesma especificação da equação (10), ou seja, com a inclusão de todas as variáveis explicativas. Como esperado, não encontramos impacto da introdução dos JVDFM sobre as internações por doenças infecciosas ou parasitárias, nem sobre as doenças respiratórias, o que sugere um efeito causal nas estimativas anteriores usando todos os municípios sede de comarca.

Na Apêndice 13, observam-se os resultados de diferenças - em - diferenças quando a variável independente é o número de agressões por 100.000 mulheres. Como essa variável não é uma variável de contagem, sendo aproximadamente contínua ao longo dos valores positivos, foi utilizado o modelo Tobit em vez do modelo ZIP. Tanto as estimativas obtidas por MQO quanto as obtidas pelo estimador de máxima-verossimilhança do Tobit apresentam efeitos marginais negativos dos juizados de violência doméstica sobre a taxa de agressões femininas. Contudo, só há um impacto significativo a um nível de significância de 5% ao usarmos o Tobit.

Com o intuito de tornar comparáveis os resultados da dissertação com os resultados de estudos empíricos sobre violência da literatura econômica, estima-se a especificação básica

(equação (10)) substituindo como variável dependente o número de óbitos de mulheres devidos a agressões. Os resultados estão reportados na Tabela 7. Não há efeito estatisticamente significativo dos juizados sobre o número de óbitos de mulheres por agressão. Como já citado anteriormente, o óbito da mulher vitimada é o caso mais extremo possível de violência, não representando grande parte dos casos ocorridos de violência doméstica e familiar.30 Na tentativa de captar os efeitos somente sobre as mortes relacionadas à violência doméstica, também estimamos o mesmo modelo usando como variável explicada o número de óbitos por agressão ocorridos no domicílio da mulher e de mulheres casadas. Em geral, os coeficientes estimados são negativos, mas estatisticamente insignificantes. Contudo, na amostra pareada, quando se utiliza como variável dependente do modelo o número de óbitos femininos por agressão ocorridos no domicílio da mulher, encontra-se um impacto negativo dos JVDFM sobre estes, significativo a um nível de 5%. O efeito estimado (-0,269) é de grande magnitude ao compararmos com a média municipal do número de óbitos femininos ocorridos na residência da mulher cuja causa é agressão (1,01).31 Um teste de falsificação análogo ao da seção 6.2 foi realizado, usando como placebos o número de mortes de mulheres por doenças infecciosas e parasitárias, bem como o número de óbitos femininos por doenças respiratórios. Em ambos os casos, não houve efeito dos JVDFM sobre a ocorrência de tais mortes.

Como já foi enfatizado no capítulo 5, ao usarmos todos os municípios sedes de comarca os grupos de tratamento e controle não são semelhantes em termos de características iniciais e, assim, o grupo de controle não representa um bom contrafactual do que aconteceria com os munícipios tratados na ausência dos juizados especializados. Esse estudo lidará com esse problema potencial utilizando a técnica de Propensity Score Matching, que constrói grupos semelhantes em termos de probabilidade estimada de participação no tratamento. Todavia, apresentam-se tentativas adicionais de selecionar grupos tratados e de controle mais parecidos. A primeira dessas tentativas foi estimar o impacto da Lei Maria da Penha separadamente para cada região. Mesmo quando comparados somente aos municípios das suas regiões, os municípios com ou sem juizados especializados continuam sendo diferentes em termos de características iniciais. O Apêndice 15 reporta os efeitos heterogêneos dos

30 Segundo os dados do SINAN, por exemplo, a evolução de 97% dos casos de violência contra a mulher foi a alta do paciente.

JVDFM por região. Não houve impacto estatisticamente significativo a um nível de 10% em nenhuma das regiões.

A segunda tentativa de seleção de grupos mais semelhantes foi a exclusão das capitais da amostra, pois tais cidades, em geral, apresentam características demográficas diferentes dos demais municípios da Unidade da Federação. A exclusão das capitais fez com que o efeito dos juizados sobre o número de agressões ficasse estatisticamente não significativo a um nível de 10%, sugerindo que uma parcela razoável do efeito encontrado era devido à inclusão das capitais no grupo de tratamento.32 Outro indicativo de que o efeito encontrado está concentrado nas capitais é fato de que o efeito marginal do impacto dos modelos não lineares seja maior em valores absolutos em tais municípios.33

Por fim, a última tentativa de compararmos grupos mais próximos foi separar os municípios pela distribuição inicial das taxas de agressões femininas. Os municípios foram divididos em dois grupos de acordo com a distribuição inicial das agressões.34 Denomina-se o grupo abaixo da mediana de agressões de “menores taxas” e o grupo acima da mediana de “maiores taxas”. Observa-se na Tabela 8 que não houve efeito dos JVDFM sobre o número de hospitalizações por agressão nos municípios com menores taxas prévias de agressão. Já no grupo acima da mediana, houve um impacto negativo dos juizados de magnitude expressiva e estatisticamente significativo a um nível de 5%. Os resultados sugerem que o efeito se concentrou em municípios com maiores taxas prévias de agressões.

A combinação do estimador de diferenças - em - diferenças com técnicas de pareamento possibilita o controle por heterogeneidades municipais não observadas fixas no tempo, ao mesmo tempo que comparam-se grupos semelhantes, evitando um possível viés de seleção em observáveis. Como tal metodologia controla por duas possíveis fontes de viés, ela produz estimativas mais confiáveis, que serão as estimativas enfatizadas na dissertação. Dessa forma, as análises de robustez reportadas a seguir serão feitas somente usando a amostra pareada.

32 Tabela encontra-se no Apêndice 16.

33 Como em modelos não lineares o efeito marginal depende do valor das variáveis explicativas, temos que o impacto dependerá de características municipais. Dessa forma, temos que o impacto em capitais é mais negativo que nos demais municípios.

34 A ideia inicial era dividir os grupos por quartis de distribuição das taxas iniciais de agressão. Contudo, não houve observações pertencentes aos quartis do meio em tal divisão.

55

Variável

Coeficiente P-valor Efeito Marginal P-valor Coeficiente P-valor Efeito Marginal P-valor

Dummy anual 2010 0,651 0,421 -1,000 0,335 0,088 0,975 -4,004 0,382

Juizados de Violência Doméstica 0,237 0,758 0,213 0,622 0,120 0,896 -0,849 0,570

Juizados de Violência Doméstica*2010 -2,001 0,060 -5,694 0,825 -3,313 0,258 -4,121 0,763

População 0,001 0,092 0,000 0,000 0,001 0,134 0,001 0,000

População feminina -0,003 0,002 -0,001 0,000 -0,003 0,002 -0,001 0,000

Número total de internações 0,001 0,028 0,000 0,001 0,000 0,189 0,000 0,056

Número total de internações*2010 0,000 0,197 0,000 0,823 -0,001 0,074 0,000 0,724

População 20 a 40 anos 0,002 0,000 0,000 0,118 0,002 0,001 0,000 0,764

População 40 a 60 anos 0,002 0,028 0,000 0,243 0,002 0,034 0,000 0,379

População acima 60 anos 0,001 0,323 0,000 0,328 0,001 0,038 0,000 0,027

Mulheres chefe de família 0,001 0,276 0,000 0,455 0,001 0,222 0,000 0,640

População urbana 0,000 0,620 0,000 0,050 0,000 0,974 0,000 0,913

População branca 0,000 0,068 0,000 0,000 0,000 0,019 0,000 0,029

Casados -0,001 0,006 0,000 0,525 -0,001 0,021 0,000 0,849

Coabitam e não são casados -0,001 0,000 0,000 0,306 -0,001 0,014 0,000 0,352

Analfabetos (não sabem ler e escrever) 0,001 0,022 0,000 0,293 0,001 0,044 0,000 0,303

Fecundidade média das mulheres 0,271 0,765 -1,401 0,330 -1,184 0,737 -5,814 0,258

Nunca migraram de município 0,000 0,085 0,000 0,001 0,000 0,167 0,000 0,057

Taxa desemprego -0,016 0,778 0,069 0,000 -0,072 0,639 0,061 0,819

Proporção população baixa renda 0,029 0,472 -0,035 0,275 -0,124 0,091 -0,271 0,042

Renda média domiciliar 0,004 0,500 0,003 0,006 -0,007 0,094 -0,003 0,362

Renda média relativa (mulheres/homens) 0,080 0,834 0,256 0,803 -0,157 0,867 -1,123 0,821

Dummies UF Número observações R-quadrado

Municípios sedes de comarca

MQO ZIP

Sim Sim

0,585 -

Amostra pareada Variável depedente: número internações de mulheres por agressão

Internações hospitalares por agressão

MQO ZIP

Sim Sim

996 996

4672 4672

0,654 -

Tabela 6 - Impacto dos JVDFM sobre agressões

Notas: 1) Erros-padrão clustered por UF; 2) Na cativas de ZIP, o cálculo do efeito marginal é baseado em Puhani (2008) reporta-se o efeito marginal médio; 3) Fonte da distribuição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher: Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2009, IBGE.

Notas: 1) Erros-padrão clustered por UF; 2) Na coluna das estimativas de ZIP, o cálculo do efeito marginal é baseado em Puhani (2008) reporta-se o efeito marginal médio; 3) Fonte da distribuição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher: Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2009, IBGE.

Variável

Coeficiente P-valor Efeito Marginal P-valor Coeficiente P-valor Efeito Marginal P-valor

Dummy anual 2010 0,778 0,000 -0,385 0,112 0,679 0,323 -1,093 0,278

Juizados de Violência Doméstica -0,178 0,526 0,285 0,311 -0,084 0,813 0,020 0,955

Juizados de Violência Doméstica*2010 0,618 0,135 -0,011 0,964 0,063 0,921 -0,306 0,661

População 0,000 0,016 0,000 0,000 0,000 0,056 0,000 0,000

População feminina 0,001 0,030 0,000 0,000 0,000 0,390 0,000 0,000

Número total de óbitos 0,008 0,000 0,002 0,009 0,007 0,066 0,003 0,006

Número total de óbitos*2010 -0,001 0,123 0,001 0,013 0,002 0,204 0,001 0,177

População 20 a 40 anos 0,000 0,007 0,000 0,095 0,000 0,011 0,000 0,762

População 40 a 60 anos 0,000 0,002 0,000 0,000 0,000 0,038 0,000 0,962

População acima 60 anos 0,000 0,095 0,000 0,950 0,000 0,209 0,000 0,217

Mulheres chefe de família 0,000 0,009 0,000 0,026 0,000 0,337 0,000 0,079

População urbana 0,000 0,009 0,000 0,018 0,000 0,946 0,000 0,024

População branca 0,000 0,231 0,000 0,018 0,000 0,350 0,000 0,069

Casados 0,000 0,864 0,000 0,268 0,000 0,610 0,000 0,365

Coabitam e não são casados 0,000 0,208 0,000 0,353 0,000 0,519 0,000 0,000

Analfabetos (não sabem ler e escrever) 0,000 0,770 0,000 0,078 0,000 0,007 0,000 0,890

Fecundidade média das mulheres 0,597 0,011 -0,946 0,042 1,007 0,192 -3,140 0,028

Nunca migraram de município 0,000 0,012 0,000 0,000 0,000 0,452 0,000 0,004

Taxa desemprego 0,003 0,823 0,086 0,000 0,035 0,339 0,194 0,003

Proporção população baixa renda 0,007 0,558 -0,019 0,068 -0,025 0,326 -0,053 0,077

Renda média domiciliar 0,000 0,929 0,001 0,001 -0,003 0,020 0,000 0,931

Renda média relativa (mulheres/homens) -0,012 0,907 0,589 0,144 0,071 0,747 1,219 0,629

Dummies UF Número observações R-quadrado

ZIP

Sim Sim

Municípios sedes de comarca

0,854 -

Óbitos de mulheres por agressão

Amostra pareada MQO ZIP Sim Sim 996 996 4672 4672 0,943 -

Variável depedente: número óbitos de mulheres por agressão MQO

Tabela 8 - Efeito heterogêneo dos JVDFM por distribuição prévia das agressões

Notas: 1) Erros-padrão clustered por UF; 2) Na coluna das estimativas de Tobit, o cálculo do efeito marginal é baseado em Puhani (2008) reporta-se o efeito marginal médio; 3) Fonte da distribuição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher: Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2009, IBGE. Dentro do grupo de causas de internações hospitalares “Agressões”, foram selecionadas algumas categorias de causas, por acreditar que essas causas de agressão estão mais propensas a refletir casos específicos de violência doméstica, e analisou-se separadamente o efeito sobre esses tipos de agressão. As causas escolhidas foram: agressões usando arma de fogo (classificação CID-10, categorias X93 a X95); agressões usando objetos do cotidiano (categorias X99 e Y00) e agressão por meio de força corporal (Y04). A Tabela 9 apresenta as estimativas de MQO do impacto dos JVDFM sobre cada um desses tipos de agressão. Não houve efeito estatisticamente significativo a um nível de 10% dos juizados sobre nenhum dos tipos de agressão. Somente nas agressões por meio de objetos houve uma queda marginalmente significativa (p-valor: 0,131).

Variável

Coeficiente P-valor Coeficiente P-valor

Dummy anual 2010 0,266 0,149 -1,106 0,491

Juizados de Violência Doméstica -0,064 0,454 -0,180 0,889

Juizados de Violência Doméstica*2010 0,038 0,802 -3,429 0,042

População 0,000 0,045 0,001 0,250

População feminina 0,000 0,080 -0,002 0,015

Número total de internações 0,000 0,002 0,000 0,072

Número total de internações*2010 0,000 0,008 0,000 0,553

População 20 a 40 anos 0,000 0,937 0,002 0,000

População 40 a 60 anos 0,000 0,211 0,002 0,011

População acima 60 anos 0,000 0,808 0,001 0,272

Mulheres chefe de família 0,000 0,374 0,000 0,478

População urbana 0,000 0,755 0,000 0,434

População branca 0,000 0,562 0,000 0,062

Casados 0,000 0,150 -0,001 0,003

Coabitam e não são casados 0,000 0,195 -0,001 0,000

Analfabetos (não sabem ler e escrever) 0,000 0,053 0,001 0,006

Fecundidade média das mulheres -0,342 0,103 -0,584 0,749

Nunca migraram de município 0,000 0,011 0,000 0,090

Taxa desemprego 0,007 0,539 -0,032 0,741

Proporção população baixa renda 0,001 0,891 0,046 0,431

Renda média domiciliar 0,000 0,599 0,008 0,389

Renda média relativa (mulheres/homens) -0,197 0,122 0,161 0,905 Dummies UF

Número observações R-quadrado

Efeito por distribuição inicial das taxas de agressões Variável depedente: número internações de mulheres

Menores taxas Maiores taxas

Sim Sim

2866 1806

Variável

Coeficiente P-valor Coeficiente P-valor Coeficiente P-valor

Dummy anual 2010 0,118 0,880 -0,207 0,906 -0,034 0,918

Juizados de Violência Doméstica -0,277 0,301 0,590 0,308 -0,138 0,559

Juizados de Violência Doméstica*2010 0,523 0,227 -3,258 0,131 -0,108 0,715

População 0,000 0,497 0,001 0,069 0,000 0,199

População feminina 0,000 0,095 -0,002 0,004 0,000 0,225

Número total de internações 0,000 0,343 0,000 0,158 0,000 0,950

Número total de internações*2010 0,000 0,934 0,000 0,147 0,000 0,363

População 20 a 40 anos 0,000 0,000 0,001 0,002 0,000 0,310

População 40 a 60 anos 0,000 0,219 0,001 0,027 0,000 0,036

População acima 60 anos 0,000 0,673 0,001 0,014 0,000 0,214

Mulheres chefe de família 0,000 0,135 0,000 0,282 0,000 0,295

População urbana 0,000 0,305 0,000 0,992 0,000 0,876

População branca 0,000 0,653 0,000 0,071 0,000 0,121

Casados 0,000 0,063 -0,001 0,014 0,000 0,011

Coabitam e não são casados 0,000 0,002 0,000 0,025 0,000 0,001

Analfabetos (não sabem ler e escrever) 0,000 0,057 0,000 0,021 0,000 0,449

Fecundidade média das mulheres 0,280 0,634 -1,232 0,641 -0,084 0,805

Nunca migraram de município 0,000 0,960 0,000 0,187 0,000 0,618

Taxa desemprego 0,025 0,443 -0,123 0,286 0,009 0,718

Proporção população baixa renda -0,020 0,293 -0,067 0,206 0,000 0,998

Renda média domiciliar -0,002 0,108 -0,003 0,277 0,000 0,808

Renda média relativa (mulheres/homens) 0,008 0,970 -0,089 0,884 0,011 0,920

Dummies UF Número observações

R-quadrado / Pseudo R-quadrado

996 996 996

0,667 0,289 0,474

Sim Sim Sim

Efeito sobre diferentes tipos de agressão - PSM com Diferenças - em - diferenças

Variável depedente: número internações de mulheres

Arma de fogo Objetos Força corporal

Notas: 1) Erros-padrão clustered por UF; 2) Estimativas usando MQO; 3) Fonte da distribuição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher: Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2009, IBGE.

Um cenário que precisa ser considerado na análise é a possibilidade de a queda observada estar refletindo uma mudança no cômputo das internações hospitalares, devido ao maior rigor da lei. Sob esse cenário, a queda refletiria apenas uma mudança na forma de computar os casos de violência doméstica, não uma diminuição de tais casos. Para verificar tal hipótese, observa-se o efeito dos JVDFM sobre outras três categorias que poderiam refletir casos de violência contra a mulher: eventos cuja intenção é indeterminada, lesões autoprovocadas voluntariamente e outras causas de lesões e acidentes. A Tabela 10 reporta tais resultados. As estimativas mostram que a existência de JVDFM no município, tudo o mais constante, leva a uma queda de -5,45 nas internações femininas por eventos cuja intenção é indeterminada. Tal efeito é estatisticamente significativo a um nível de 5%.Tais resultados sugerem que utilizar somente o número de agressões pode estar subestimando o efeito dos JVDFM sobre os casos de violência doméstica contra a mulher, sendo um limite inferior do efeito total.

As Delegacias Especializadas no Atendimento às Mulheres são instituições importantes para o bom funcionamento dos Juizados Especializados em Violência Doméstica. Além de serem o principal serviço usado pelas mulheres vitimadas (SANTOS, 2010), o atendimento policial faz o registro de ocorrências de casos de violência doméstica e pode encaminhar inquéritos policiais e pedidos de medidas protetivas aos juizados. Na Tabela 11 são apresentados os resultados usando um estimador de triplas-diferenças, cujo objetivo é verificar se há um impacto diferenciado dos juizados especializados nos municípios onde também há delegacias especializadas. A distribuição municipal das Delegacias de Mulheres é proveniente das MUNIC 2004 e 2009 (as pesquisas MUNIC de anos anteriores a 2004 não possuíam essa informação). Utiliza-se a distribuição municipal de delegacias da MUNIC 2004 como sendo a distribuição no período antes da intervenção (antes da Lei Maria da Penha) e a informação da MUNIC 2009 para obtenção da distribuição das DEAM pós tratamento, ou seja, uma variável binária que assume valor igual a um em 2000 caso haja delegacias segundo a MUNIC 2004, valor igual a um em 2010 caso esteja reportado na MUNIC 2009 e zero nos demais casos. Apesar de os coeficientes serem negativos tanto ao considerar somente o juizado depois da Lei Maria da Penha, quanto ao considerar o efeito conjunto das delegacias e juizados, as estimativas não são estatisticamente significativas a níveis razoáveis de significância.

Variável

Coeficiente P-valor Coeficiente P-valor Coeficiente P-valor

Dummy anual 2010 -5,330 0,097 0,108 0,945 8,959 0,359

Juizados de Violência Doméstica 0,526 0,838 1,471 0,190 1,035 0,731

Juizados de Violência Doméstica*2010 -5,452 0,027 -0,689 0,569 6,101 0,487

População 0,004 0,008 0,001 0,000 -0,001 0,567

População feminina -0,008 0,006 -0,002 0,001 -0,001 0,809

Número total de internações 0,001 0,162 0,000 0,044 0,001 0,593

Número total de internações*2010 0,000 0,640 0,000 0,390 0,012 0,000

População 20 a 40 anos -0,001 0,387 0,000 0,919 0,005 0,002

População 40 a 60 anos -0,002 0,224 0,001 0,001 -0,001 0,790

População acima 60 anos 0,002 0,118 0,000 0,441 0,015 0,008

Mulheres chefe de família 0,000 0,858 -0,001 0,073 -0,009 0,290

População urbana 0,001 0,021 0,000 0,104 0,000 0,628

População branca 0,000 0,158 0,000 0,527 0,000 0,864

Casados 0,000 0,473 -0,002 0,000 -0,002 0,583

Coabitam e não são casados -0,001 0,222 -0,002 0,000 0,002 0,366

Analfabetos (não sabem ler e escrever) -0,001 0,124 0,000 0,326 -0,001 0,735

Fecundidade média das mulheres -6,001 0,087 -0,339 0,791 3,129 0,602

Nunca migraram de município 0,000 0,145 0,000 0,309 0,000 0,588

Taxa desemprego -0,334 0,128 -0,151 0,061 -0,260 0,664

Proporção população baixa renda 0,289 0,088 -0,043 0,037 0,445 0,140

Renda média domiciliar 0,027 0,046 -0,004 0,116 -0,008 0,767

Renda média relativa (mulheres/homens) -0,500 0,784 -0,629 0,354 -0,209 0,905

Dummies UF Número observações

R-quadrado / Pseudo R-quadrado

Sim Sim Sim

Efeito sobre causas possivelmente relacionados à violência doméstica - PSM com Diferenças em diferenças

Variável depedente: número internações de mulheres

Eventos cuja intenção é indeterminada Lesões autoprovocadas voluntariamente Outras causas de lesões e acidentes

996 996 996

0,446 0,644 0,872

Notas: 1) Erros-padrão clustered por UF; 2) Estimativas usando MQO; 3) Fonte da distribuição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher: Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2009, IBGE.

Tabela 11 - Amostra pareada: Impacto conjunto dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e das Delegacias da Mulher

Notas: 1) Erros-padrão clustered por UF; 2) Fonte da distribuição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher: Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2009, IBGE; 3) Fonte da distribuição das Delegacias de Mulheres: MUNIC 2009 em 2010, e MUNIC 2004 em 2000.

Variável

Coeficiente P-valor

Dummy anual 2010 0,111 0,952

Juizados de Violência Doméstica -0,729 0,219

Delegacia da Mulher 1,543 0,687

JVDMF*DEM 1,593 0,706

Delegacia da Mulher*2010 0,643 0,927

Juizados de Violência Doméstica*2010 -1,151 0,444

JVDMF*DEM*2010 -5,283 0,484

População 0,001 0,135

População feminina -0,003 0,003

Número total de internações 0,000 0,200

Número total de internações*2010 -0,001 0,086

População 20 a 40 anos 0,002 0,001

População 40 a 60 anos 0,002 0,036

População acima 60 anos 0,001 0,028

Mulheres chefe de família 0,001 0,200

População urbana 0,000 0,980

População branca 0,000 0,018

Casados -0,001 0,023

Coabitam e não são casados -0,001 0,013

Analfabetos (não sabem ler e escrever) 0,001 0,049

Fecundidade média das mulheres -0,458 0,892

Nunca migraram de município 0,000 0,166

Taxa desemprego -0,091 0,518

Proporção população baixa renda -0,119 0,107

Renda média domiciliar -0,007 0,118

Renda média relativa (mulheres/homens) -0,424 0,686 Dummies UF Número observações R-quadrado 996 0,586 Sim

Triplas Diferenças - Delegacia Mulher e JVDFM Variável depedente: número internações de mulheres por agressão

Livingston (2010) e Livingston (2011) encontraram relações entre a densidade de lugares onde há venda bebidas alcóolicas e o número de casos de violência doméstica. Na tentativa de controlar pelo consumo excessivo de álcool em determinado município, estimaram-se algumas especificações adicionais controlando por variáveis que possivelmente capturariam esse efeito. Tais variáveis foram: número de pessoas alcóolatras de 15 anos ou mais (Sistema de Informação de Atenção Básica - Cadastramento Familiar); número de internações com evidência de alcoolismo (SIH/SUS); número de hospitalizações por abuso de álcool (Sistema de Informação de Atenção Básica - Situação de Saúde). Cada uma dessas variáveis foi agregada no nível municipal e incluída separadamente na regressão do modelo principal (equação (10)). Os resultados controlando por essas variáveis foram muito próximos aos resultados já obtidos na estimação por MQO, ou seja, o efeito estimado dos JVDFM sobre o número de hospitalizações femininas por agressão continua a ser negativo e estatisticamente insignificante a um nível de 10%.35

Por fim, alguns estudos da literatura econômica encontraram efeitos indiretos de políticas voltadas para o combate à violência contra a mulher sobre a violência contra o homem (como, por exemplo, Aizer e Bó (2009)). Para verificar a ocorrência desse efeito indireto, estimou-se os efeitos da introdução dos juizados especializados sobre o número de internações de homens por agressão, sobre o número de óbitos masculinos por agressão, e sobre o número de óbitos masculinos por agressão ocorridos no domicílio. Não houve efeito dos JVDFM sobre nenhuma dessas variáveis de resposta.