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Produsentens rolle

1. Innledning

3.1 Produsentens rolle

O maior consumidor de castanha em verde é o Brasil. Porém, já se vão notando algumas quebras nas exportações portuguesas devido a problemas no recebimento. Em 2000 e 2001, alguns dos AE ou não exportaram castanha para o Brasil ou prescindiram dos clientes que não honraram os seus compromissos nos anos anteriores. Na opinião dos grossistas, o Brasil era um bom mercado, mas ultimamente, além de se ter tornado um dos mercados mais exigentes, vem causando alguns problemas financeiros, como poderemos verificar pelos testemunhos recolhidos junto de seis AE (Anexo V). Tendo em consideração as suas palavras, ascende a mais de cem mil contos o valor das dívidas do Brasil. Vale pois a pena

G rá f i c o V I. 6 : U t ilização d a C a s t a nha P o rt ug ue s a no M und o 6 0 % 3 2 % 8 % F re s c o Tra ns fo rma d o C o ng e la d o G rá f i c o V I. 7 : D es t ino d a C as t anha P o rt ug ue s a 2 5 % 5 5 % 2 0 % N a c io na l Euro p a R M G rá f i c o V I. 1 1 : D es t ino d a C a s t a nha C o ng e la d a e m P o rt ug a l 1 1 % 8 9 % 0 % N a c io na l Euro p a R M G rá f i c o V I. 8 : D es t ino d a C as t anha V e nd id a p a ra o M e rc a d o F re s c o no R M 9 9 % 1 % B ra s il U S A / C a na d á G rá f i c o V I. 9 : D es t ino d a C as t anha V e nd id a p a ra o M e rc a d o F re s c o . 3 9 % 2 7 % 3 4 % N a c io na l Euro p a R M G rá f i c o V I. 1 0 : D es t ino d a C as t anha V e nd id a p a ra o M e rc a d o d e Tra ns fo rma ç ã o . 1 % 9 9 % 0 % N a c io na l Euro p a R M G rá f i c o V I. 1 2 : D is t rib uição d a C a s t a nha p e lo M e rc a d o Euro p e u F re s c o e Ind us t ria l. 2 9 % 7 1 % F re s c o Ind ús t ria G rá f i c o V I. 1 3 : D is t rib uição d a

C a s t a nha p e lo M e rc a d o Int e rno F re s c o e Ind us t ria l. 9 5 % 5 % F re s c o Ind ús t ria G rá f i c o V I. 1 4 : D is t rib uição d a C a s t a nha p e lo M e rc a d o d o R M F re s c o e Ind us t ria l. 1 0 0 % 0 % F re s c o Ind ús t ria

187 debruçarmo-nos um pouco em torno deste mercado, que representa uma grande fatia das exportações portuguesas de castanha.

Quando se iniciou a exportação para o Brasil, na primeira metade do século XX, eram apenas os portugueses a negociar o produto. A castanha portuguesa era transportada a granel para Lisboa e despejada em grandes contentores para depois seguir para o Brasil de barco, sob a responsabilidade dos clientes. Alguns anos mais tarde passou a ser da responsabilidade dos AE colocar as castanhas no Brasil, porém, nas mesmas condições69. Em ambos os casos, não era dado qualquer tratamento ao fruto, sendo a sua qualidade deficiente. Nestas condições, quando as castanhas chegavam ao destino, a situação descontrolava-se sobremaneira, gerando grande confusão entre os compradores na escolha dos frutos que apresentassem melhores condições.Posteriormente, este mercado começou a funcionar melhor, a castanha foi submetida a tratamento e cada cliente recebia a mercadoria de acordo com as suas encomendas. Para este efeito, os contactos eram feitos por intermédio de agentes de controlo no destino (familiares ou amigos dos AE) residentes no Brasil. Com estes agentes, a transacção oferecia grande confiança na relação fornecedor-cliente e na qualidade do produto transaccionado.

Quando se considerava que este mercado estava bem encaminhado começaram a surgir problemas de incumprimento no pagamento da mercadoria exportada. De facto, há cerca de sensivelmente cinco anos que esta relação comercial se vem degradando significativamente. Têm emergido no Brasil uma espécie de sucursais ligadas a uma “empresa-mãe”. Esta, organiza, dirige, coordena e representa o conjunto das sucursais no sector sob princípios comuns de funcionamento, determinando, por conseguinte, a acção estratégica a seguir. As sucursais que compram o fruto a Portugal, vão abrindo falência à medida que lhes convém, escusando desta forma o pagamento aos credores. Mais tarde reabrem outra firma no mesmo ramo, todavia, com nova denominação social, podendo desta forma efectuar novas transacções.

Na política de crédito dos AE, englobam-se três modalidades de pagamento:

- crédito aberto ou contra documentos (ao levantar os documentos e a mercadoria o importador paga a castanha na totalidade);

- crédito bancário ou seguros de crédito (idêntico ao pagamento de uma caução, uma

188 garantia bancária);

- pagamento de uma parte na recepção do produto e o restante a combinar.

Os brasileiros vêm aceitando apenas esta última modalidade de pagamento. Contudo, embora alguns paguem a segunda prestação a 60, 90 e até a 120 dias, outros há que arrastam as suas dívidas por um ano e outros não pagam nunca. Assim, com a grande probabilidade de clientes de cobrança duvidosa, os AE não pretendem continuam a arriscar-se num mercado tão volúvel, assegurando que são meses e meses com problemas de recebimento. Além disso, refere um deles, nenhum brasileiro aceita estas condições quando é ele a exportar para Portugal. O mercado do Brasil era bom quando tínhamos lá representantes portugueses a negociar, agora já nem se sabe com quem se negoceia! Está deste modo comprometida uma boa parte da exportação de castanha para o Brasil, tendo-se vindo a limitar as exportações nacionais apenas aos clientes que honram os seus compromissos financeiros.

Note-se porém, que isto tem alguma razão de ser. Os grossistas portugueses conhecem alguns exportadores que enviam para o Brasil castanha sem o calibre ou a qualidade exigida, e até castanha espanhola como portuguesa. É facto que um dos problemas da comercialização está intimamente relacionado com a calibragem. Esta, deve ser executada com rectidão. Se por exemplo o cliente pede castanha com calibre 102 e lhe é fornecida castanha com calibre 99, a diferença em 500 toneladas é substancial, tanto mais que, a castanha vai perdendo peso na viagem. Assim, este mercado pode estar a sofrer alguma retracção, não só pelas atitudes menos favoráveis de alguns fornecedores como também pelo incumprimento dos clientes. Quiçá a segunda, será o efeito da primeira!

Esta situação fica bem patente nas palavras de um dos grossistas: este seria um bom negócio se houvesse lealdade vendedor-cliente pois o mercado do Brasil paga mais de 400$/Kg e para a Europa se derem 300$ já é muito bom. Por isso, é de preservar este mercado (...) pois não digo que o problema seja só “nosso”, mas o certo é que eles se sentem ludibriados nalguns casos que conheço devido aos calibres e à mistura da temporã com a Longal. Se o Brasil nos leva uma tão grande percentagem da nossa castanha (são muitas toneladas!) como será o futuro sem este mercado? O mercado Europeu não comporta toda a nossa produção, pois se é certo que a castanha se consome cada vez mais, a produção também está a aumentar por todo o mundo!

189 Para inverter esta situação, referem os exportadores que, relativamente ao peso e ao calibre têm agora mais cuidado com o produto. Têm aumentado o calibre e o peso por saco (alguns AE, de 25 Kg para 27 Kg) para que não haja motivo de reclamações pela desidratação dos frutos no destino.

Outro factor inerente a esta situação e que não podemos dissociar deste problema, é a anterior, e ainda recente, conjuntura económica mundial, que se iniciou com a catástrofe de 11 de Setembro de 2001 com a queda do World Trade Center. Esta conjuntura e os recentes problemas económicos em diversos países da América Latina, poderão estar na origem, entre outros motivos, da moeda brasileira passar para metade do valor do dólar. Este, desvalorizou trinta escudos no Verão de 2001 relativamente à moeda europeia. Esta turbulência e debilidade nos mercados financeiros implicaram a instabilidade das finanças brasileiras, o cepticismo por parte dos investidores e um certo grau de desconfiança por parte dos exportadores portugueses.

Como os clientes brasileiros pagam em regra a 120 dias, e como no momento da compra de castanha não havia ainda desvalorizado a moeda, só na altura do pagamento o produto se tornou demasiado caro por força do aumento real do preço, ou seja, as exportações portuguesas ficaram mais caras para quem paga em dólares. Esta será porventura, uma das razões porque uma parte dos clientes brasileiros não assume as suas obrigações financeiras. Em paralelo, esta situação parece estar também relacionada com a cada vez menor permanência no Brasil de agentes de controlo no destino70, e supostamente, com alguma falta de transparência nas negociações, tanto ao nível de alguns exportadores como ao nível de alguns compradores.