1. Innledning
3.3 Preproduksjon
Os custos mais evidentes com a actividade estão relacionados com a mão-de-obra, o tratamento do produto e limpeza, os armazéns, as máquinas, o aumento do preço de compra da castanha e os juros bancários.
O rendimento mais baixo é o das unidades de transformação, devido aos custos com a mão-de-obra, com a matéria-prima71 e com as perdas normais a que está sujeito o produto transformado. Tanto mais que estes agentes não podem entrar e sair do mercado conforme ele é atractivo ou não, devido aos investimentos já efectuados.
Para os restantes AE de TM, os custos mais avultados, no que diz respeito ao armazenamento e distribuição da castanha, são atribuídos à mão-de-obra utilizada no tratamento e preparação do produto para venda. Devido ao problema da escassez de mão- -de-obra, que já não é recente, os grossistas vêem-se obrigados a percorrer as aldeias vizinhas com várias carrinhas para contratar e deslocar o pessoal. Acresce a isto os custos bancários suportados por 75% dos grossistas, por via dos juros, com o montante de empréstimo para a compra de castanha ao produtor72. No entanto, os exportadores que gozam de baixos custos fixos, têm a particularidade de poder entrar e sair deste mercado conforme a expectativa da rendibilidade do produto. Se num ano prevêem não ser possível rentabilizar a actividade, não investem, pois têm outros produtos para comercializar. O custo de transporte na venda da castanha não constitui, como vimos, um problema para o grossista porque ou o transporte é por conta do cliente/comprador, ou o seu custo está incluído no preço final da castanha. Porém, no caso da empresa geograficamente mais
71 Em 2001 o preço da matéria-prima aumentou 40$/Kg em média, relativamente ao ano anterior. 72 100 000 contos por ano é o valor em dívida à banca por grande parte dos AE.
194 afastada da região de produção, os custos mais avultados distribuem-se de forma mais ou menos equitativa pela mão-de-obra (50%) e pelo transporte do produto (50%). O custo de transporte aumenta à medida que o armazém se distancia da região de produção, e neste caso, a castanha tem que ser transportada por várias vezes, do armazém da Região Norte para os respectivos armazéns no Sul, para ser calibrada e, eventualmente, lhe ser administrado o tratamento para distribuição.
Os riscos e incertezas da actividade estão relacionados, entre outros, com as dívidas do Brasil, a desidratação da castanha em armazém e com a oscilação do seu preço a meio da campanha, já com os contratos de venda realizados. No estudo efectuado por Fragata e Condado (1996:21) na TFT, os riscos do negócio da castanha para os armazenistas, o industrial da TF e o AE de Lisboa, eram os seguintes: a) alto preço da castanha ao
produtor; b) forte competição internacional, em particular por parte dos italianos; c) produto perecível e com perdas de peso; d) movimentação de avultadas somas de
dinheiro num período muito curto.
Dadas as contingências deste negócio e os riscos associados a mudanças da oferta e procura, todos os AE são de parecer que deveria acordar-se um preço pois assim é como o câmbio ou a bolsa, é muito arriscado - referem.
Há situações que fogem mesmo ao âmbito da experiência do exportador, concretamente, quando este compra por exemplo castanha a 200$/Kg, é porque tem encomendas para a vender a preços superiores. Todavia, se não possui ainda a totalidade dos lotes pedidos, ao comprar os restantes, pode encontrar cotações superiores. Além disso, o preço já estava combinado com o cliente, não existindo qualquer possibilidade de obter o lucro desejado. Assim, os AE têm que se manter atentos para comprar a castanha a um preço inferior ao preço de venda. Isto consegue-se pela separação dos calibres associados a vários preços. Como referimos acima, se um AE compra o quilo da castanha a granel ao preço de 200$, tem de saber distinguir imediatamente na compra, que ao distribuí-la para calibragem lhe vai dar o lucro esperado, e para tal, são necessários longos anos de prática na actividade (Figura VI.4).
É nesta fase que alguns AE menos experientes perdem dinheiro e embora os empregados - no caso de um AE em particular - sejam treinados para este serviço, encontram frequentemente sérias dúvidas no acto de compra. Por isso, é habitual o AE ir ao terreno
195 avaliar as castanhas, combinar o preço com o produtor e posteriormente enviar a sua equipa para transportar o produto. Outra maneira de efectuar o mesmo negócio ocorre de modo a que os empregados avaliem o produto, mas na altura de fechar o negócio o AE esteja presente no local.
Figura VI.4: Esquema Representativo da Distribuição das Variedades pelos Vários Calibres. Nas palavras de um grossista, quando confrontado com a questão da atractividade ou não da fileira, retorquiu: há anos que a actividade dá lucro e anos que não. Por exemplo em 2001 não foi bom porque a cotação da castanha ao produtor foi muito elevada, mas é uma actividade de alto rendimento se nos referirmos ao ajuntador e ao “magusteiro”. Para o exportador é o “Homem da Roleta” - refere - vamos lá a ver se este ano nos sai o bilhete da lotaria! Mas nunca perdi dinheiro embora estes últimos anos tenham sido maus por causa do Brasil. Um outro AE compara a venda da castanha a um jogo ou uma corrida de cavalos porque compra grandes quantidades e não sabe se atingirá os proveitos esperados. Além disto, os que vendem para as grandes superfícies sofrem reduções no lucro todos os anos devido ao risco associado à assimetria do poder negocial, como vimos.
De um modo geral, garantem os AE que o lucro da actividade advém, em grande parte, dos bons contactos internos e externos, do domínio em línguas estrangeiras, do know-how e de trabalhar com prudência, mas perde-se muito na calibragem por não se conseguirem comprar na produção os calibres pedidos pelo cliente.
Compra a granel Cada calibre tem um preço Distribuição por vários calibres Variedades vendidas em diversos mercados de acordo com as suas aptidões
196 Pesem embora estes constrangimentos, a opinião de doze grossistas assenta no facto de que a comercialização de castanha é uma actividade rentável, sendo uma das escassas actividades agrícolas com saldo positivo.
A rendibilidade desta actividade é confirmada pelos depoimentos recolhidos junto dos produtores e grossistas, que a seguir (alguns) se transcrevem:
- Tem sido um produto muito valioso nos últimos anos.
- É um produto que existe em grande quantidade e não fica por vender, é porque funciona bem este mercado, comparando com o vinho e a azeitona, os portugueses também são bons a produzir e não se vende tudo, havendo até problemas na exportação.
- Tem saída, é o bom do lavrador, porque o cereal e a batata não dão nada. - O que seria do lavrador desta região sem a castanha.
- O produtor vende caro e o exportador também, dá lucro a ambos. - A comercialização de grandes volumes é rentável senão não é.
6. A Concorrência
Todos os AE são concorrentes entre si. Esta concorrência verifica-se bastante mais intensa na compra do que na venda de castanha.
6.1. Na Compra
A concorrência apelidada de ilegal situa-se ao nível de uma concorrência desleal. Os “magusteiros” e os ajuntadores são apelidados pelos AE por “negociantes clandestinos” ou “concorrentes desleais” porque “não lutam com as mesmas armas” que eles, não possuem qualquer tipo de contabilidade e não cumprem as regras de comercialização. Para ilustrar esta situação um AE reclamou: é uma maravilha! Os “magusteiros” não passam facturas, não pagam impostos e depois vendem na rua, nos mini-mercados e noutras regiões. Os ajuntadores, compram ao lavrador e especulam os preços. No meu caso, os agricultores começam a recusar vender-me castanha porque sabem que podem ir por economias paralelas. O lavrador aceita isto muito bem porque é muito mais simples a transacção e sai beneficiado no preço.
197 Este mercado, isento de encargos de qualquer espécie, consome uma boa parte de castanha da região. Referem os AE que para os “magusteiros” e ajuntadores, o mercado não tem regras e os seus clientes não são exigentes com o produto que compram. Obviamente, este tipo de mercado está hoje obsoleto, a comercialização evoluiu e há normativos legais a cumprir.
As estratégias especulativas visam a venda de castanha a bons preços. Os ajuntadores retêm grandes volumes de produção em armazéns próprios suprimindo a oferta, de modo a provocar distorções nos preços para alta. A especulação reside no facto de fazerem constar que não há castanha na região. Quando o preço sobe, o produto surge imediatamente em quantidade para ser vendido a bom preço. A actuação destes agentes é semelhante à que ocorre nas empresas cotadas em bolsa, cujo empresário compra as suas próprias acções quando estão em baixa para instigar a procura, e por essa via, impedir a desvalorização. O mesmo ocorre com o mercado da castanha, com o aumento da procura, o preço dispara. Como nos dizem Fragata e Condado (1996:20), o ajuntador é considerado, por vezes, um agente especulador, especialmente quando compra na expectativa da subida do preço: “a alguns produtores dá mais 5 escudos... o ajuntador faz sempre um jogo”.
As estratégias especulativas visam não só inflacionar o preço da castanha como também afastar os concorrentes directos na compra ao produtor. Os compradores abordam uma aldeia e estrategicamente mandam encher vinte ou trinta sacos de castanha que compram a um preço exorbitante afirmando que passam posteriormente para levar o resto da produção da aldeia ao mesmo preço. Porém, esta é uma táctica especulativa para incitar os lavradores à colheita, não comparecendo depois para efectivar o negócio. À falta de cumprimento daqueles agentes, com a perda de peso e a deterioração da castanha, qualquer preço ao produtor serve. É nesta altura que ressurgem na aldeia os ajuntadores (ou entreposta pessoa por estes enviada) para comprar a castanha a preços inferiores aos prometidos.
O cenário anterior é muito frequente no seio dos ajuntadores e “magusteiros”, que oferecerem ao lavrador valores elevados, mas fictícios, para travar o AE nas suas compras, ou seja, para reter a produção. Com esta estratégia, o grossista é forçado a aumentar o preço ao produtor se quer levar o produto antes dos concorrentes. No entanto, se estes falharem, é o AE que fica a ganhar pois pode agora diminuir o preço oferecido ao lavrador. Referem os AE de TM que os “magusteiros” especulam os preços porque não têm de se
198 justificar durante o resto do ano ao produtor. Relativamente a esta questão, foi-nos referido pelos produtores entrevistados que estão a deixar de vender castanha “aos de fora” apontando os AE da região como os seus clientes actuais, evitando desta forma a especulação e a incerteza na venda do produto.
O AE do Sul do país além de se abastecer junto do produtor, procura também a castanha nos armazéns grossistas de TM. Na compra a estes agentes opta por pagar mais, mas exige qualidade, podendo seleccionar os calibres que mais lhe convém. Este operador está disposto a pagar mais por calibres grandes, o que no produtor seria impossível pois vende a granel. Isto corresponde às suas expectativas porque vende em vários mercados que exigem diferentes características de castanha. A opção do grossista ETM é bem recebida pelos AE da região de produção porque além de aumentarem as suas vendas para o mercado interno diminui a concorrência global na compra ao produtor, ou seja, reduz-se a pressão de preços pela oferta no produtor.
A concorrência estrangeira na compra acontece com mais frequência quando há diminuição da oferta do fruto em França, Itália e Espanha. Em anos de escassez, os clientes estrangeiros deslocam-se ao nosso país para comprar o fruto, como aconteceu em 2001. Quando isto acontece, a concorrência interna na compra torna-se ainda mais intensa. Os grossistas daqueles países enviam agentes de controlo (franceses, italianos e espanhóis) para Portugal na época de comercialização para comprar a castanha ao produtor, trazendo também estes operadores, problemas de especulação à região. Nestas circunstâncias, todos os nacionais e estrangeiros são concorrentes fortes na compra de castanha.
6.2. Na Venda
A concorrência na venda de castanha é mais pacífica que na compra, porém, está igualmente bem patente neste elo de comercialização a concorrência desleal, que deita a perder tudo o que o AE vai construindo em termos de qualidade e calibre do produto. Os “magusteiros” além de efectuarem as suas compras ao produtor e ajuntador também compram alguma produção já calibrada ao grossista para a venderem no mercado interno. Porém, misturam-na com a outra produção que compram a granel. Deste modo, um dos entrevistados diz não vender castanha a estes agentes alegando: se forem aqueles das carrinhas que compram três toneladas e não pagam impostos, nem querem factura e não passam factura a ninguém, não vendo! Até porque se na estrada forem interceptados pela
199
fiscalização, para se “safarem” são capazes de dizer que das três toneladas que eu vendi e passei factura, o resto que lá vai dos outros também fui eu que vendi e fico eu com os fiscais “à perna”. Isto é mau para todos! Mas o agricultor prefere-os porque não lhes pedem número de contribuinte nem nome, fica tudo muito mais simples e pagam mais se for preciso, é uma concorrência desleal para connosco que pagamos impostos. Mas isto o Estado não vê, fecha os olhos mas estamos todos a perder...
Podemos ver a gravidade do sistema de comercialização português, que com as políticas governamentais baseadas no laissez-faire, vêm prejudicar não só os intervenientes da fileira da castanha pela desigualdade criada, como também as suas próprias receitas fiscais. Na venda ao exterior, relata o mesmo entrevistado: relativamente aos que têm intermediários para vender a sua castanha, o intermediário não diz onde vai vender pois se disser vai lá o próprio, e se não for, das duas uma: ou o próprio não sabe falar línguas, ou não se quer aborrecer. Ganha menos mas não tem que se mexer. Por outro lado, também pode não saber negociar ou achar que o negócio é pouco claro e por isso não querer entrar em negociatas. O intermediário joga com isto não revelando a quem vende, pois se o fizer, vai lá o próprio efectuar o negócio.
Quanto à concorrência externa, com a interferência a curto prazo dos países de Leste na UE, aumentará provavelmente a rivalidade entre os actuais concorrentes, especialmente na venda. No dizer de todos os grossistas, a Turquia possui castanha em quantidade, idêntica à Longal, de boa qualidade e de muito menor preço, o que poderá ser prejudicial ao nosso mercado. Embora a castanha turca não seja tão boa quanto a Longal em termos de paladar, poderá fazer-lhe uma concorrência bastante forte porque interfere precisamente no seu segmento de mercado. As consequências no sector da castanha, passarão possivelmente pela queda brutal no preço, se tivermos em conta que tem que se escoar a produção. Este é um aspecto que começa a preocupar os nossos exportadores, e disso é já exemplo, o nosso terceiro maior cliente Europeu - a Itália - que na campanha de 2001 importou castanha da Turquia, o que se revela ameaçador para os AE nacionais.
Relativamente aos outros países da europeus, apesar de se registar alguma concorrência, não tem havido dificuldades no escoamento porque a castanha portuguesa, como já vimos, não se posiciona no segmento de mercado “grande calibre”. De acordo com os nossos respondentes, França, Espanha e Itália são os países mais competitivos no mercado fresco.
200 Os mercados dos EUA e Canadá preferem a castanha portuguesa pelas suas características organolépticas, porém, a castanha proveniente de Itália, sendo mais precoce e maior, origina a diminuição da procura da castanha portuguesa e o seu preço de venda diminui. Espanha faz também alguma concorrência na venda da castanha portuguesa ao exterior ao nível do preço, porém perde em qualidade. Para o mercado fresco o que os clientes querem é calibre – dizem os AE. França prefere a castanha espanhola para mesa porque é agradável à vista e possui grande calibre, contudo, prefere a castanha portuguesa para a indústria. Relativamente à venda do produto congelado são os italianos os maiores concorrentes de Portugal.
6.3. A Formação do Preço da Castanha
O preço da castanha depende da oferta e da procura, designadamente, da quantidade de castanha no início da campanha de comercialização no mercado interno e da quantidade de castanha existente no mercado externo; da procura nacional, que se inicia em Lisboa e Porto e da procura internacional, que quando existe, faz disparar o preço para alta. Quando há escassez da oferta a notícia espalha-se rapidamente e o preço aumenta, quando os mercados estão calmos o preço diminui.
O preço da castanha é também indirectamente influenciado por factores exógenos ao sistema, como o clima e o ano agrícola. Segundo informação dos nossos respondentes, em 2001, a colheita em Itália foi fraca, ficou a 20-30% do normal, daí que o mercado italiano de castanha em natureza e transformada procurasse mais castanha em Portugal. Com este aumento da procura externa, os preços nacionais dispararam imediatamente. Em França e Itália, a castanha depois de transformada guarda-se de um ano para o outro, portanto, das oscilações nos stockes de castanha nos países europeus, dependem os preços e as expedições nacionais. Segundo Fragata e Condado (1996:19), o preço pode sofrer oscilações diárias: a cotação da castanha depende, ao mesmo tempo, das flutuações do comércio externo, do dólar e do consumo interno, e de se consumir o fruto em função do frio ou do calor que faz.
Durante as exportações portuguesas para o Brasil estão os mercados europeus a acabar a época de comercialização. Esta, tem início em Itália com as variedades mais precoces da Comunidade. No entanto, quando Espanha e Portugal iniciam a época de comercialização, o preço praticado em Itália baixa, só se não houver concorrência é que fica esse preço.