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Os oceanos, por exemplo, são solu- ções líquidas. A água do oceano con- tém em média, 3,5% de seu peso cons- tituído por substâncias dissolvidas, ou distribuídas uniformemente.
Uma das propriedades mais importantes da água, no estado líquido, é a sua capacidade de dissolver substân- cias polares ou iônicas para formar soluções aquosas.
O refresco de morango que preparamos, a xícara de café ou a água mineral que consumimos são exemplos de soluções aquosas. Veja no quadro a composição química de uma água mineral sem gás.
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Classificação: Água mineral alcalino-terrosa
Composição Química Concentração (mg/L)
Cálcio 30,48 Sódio 0,88 Fluoreto 0,04 Bicarbonato 168,65 Magnésio 15,67 Potássio 0,53 Estrôncio 0,02 Cloreto 0,97
Todas as espécies químicas relacionadas no quadro da composição química são bicarbonatos, cloretos e nitratos de elementos químicos das colunas 1A e 2A da tabela periódica, solúveis em água.
Os íons cálcio e magnésio, presentes na água e nos alimentos, de- sempenham papéis importantes no organismo humano. O elemento cálcio (Ca) participa na formação dos ossos e dentes, no processo de coagulação sangüíneo e na concentração muscular. O elemento mag- nésio (Mg) ativa as enzimas que participam na síntese das proteínas e na ligação das subunidades dos ribossomos.
Com base nas informações do quadro acima, propomos a seguinte atividade:
Sem consultar os rótulos e a tabela, prove as águas e, através do sabor, identifique se existe dife- rença. O gosto é o mesmo?
Pegue rótulos de três garrafas diferentes de água mineral, compare sua composição química. É a mesma para todas elas?
Sob que forma as diversas substâncias se encontram na água mineral?
Analisando os fatores acima citados na composição química da água mineral, qual das três você in- dicaria para uso? Por quê?
ATIVIDADE
Acompanhe os exemplos a seguir, onde a presença de cálcio e magnésio podem comprometer ou atrapalhar a vida das pessoas.
A água utilizada em caldeiras, ou qualquer outro sistema de vapor, de- ve ser tratada a fim de eliminar os sais de cálcio e magnésio. Eles formam incrustações que, após um longo período, acabam por obstruir a passa- gem de vapor pressurizado, ocasionando explosões. Os químicos qualifi- cam este tipo de água como água dura.
Vamos relacionar essas informações da água dura com os nossos rins: órgãos duplos que produzem a urina. Dentro deles, o sangue passa por uma ultrafiltração cuja finalidade é a retirada da uréia, do ácido úrico, do fósforo e do hidrogênio.
Aproximadamente 180 L litros de sangue são filtrados e refiltrados pe- los rins diariamente, produzindo cer- ca de 1,2 litros de urina.
A insuficiência renal acontece quando os rins param de funcionar elevando a quantidade de uréia e creatinina no sangue.
E por falar em creatinina, você sabe o que é isso? Ela é sintetizada no organismo a partir de 2 amino- ácidos: glicina e arginina, obtidos a partir da degradação de proteínas da
dieta ou dos tecidos. É um composto que combinado com fosfato forma elemento altamente energético encontrado nos músculos.
A creatina tem como principal função manter o balanço homeostáti- co em relação a fluidos, eletrólitos e solutos orgânicos. O rim age tam- bém no controle da pressão sanguínea, na produção de glóbulos verme- lhos na medula óssea e na produção da forma ativada da vitamina D, que atua na absorção intestinal do cálcio. A creatina é perdida pelo cor- po na forma de creatinina, que é um constituinte natural da urina, utili- zado em exames para medir a capacidade dos rins. Um nível elevado de proteína dietética provoca um aumento na produção e excreção da uréia, podendo causar uma sobrecarga funcional nos rins.
A insuficiência renal dita aguda (IRA) ocorre quando os rins deixam de funcionar em conseqüência de diversos fatores, como, por exem- plo, o uso excessivo de drogas por dependentes químicos, a inocula- ção de veneno de animais peçonhentos, a ingestão abusiva de remé- dios e a transfusão de sangue incompatível com o sangue da pessoa tratada. Na maioria dos casos a IRA tem cura.
Com o envelhecimento ocorre a insuficiência renal crônica (IRC). Você sabia que a perda de eficiência faz com que os rins se tornem in- capazes de filtrar as impurezas do sangue? A diabete, a hipertensão ar- terial e as nefrites, quando não controladas, são as principais causas da insuficiência renal crônica.
As pessoas portadoras de IRC devem se submeter semanalmente a tratamento dialítico. Este tratamento também é conhecido como HEMODIÁLISE, e é feito com um aparelho chamado de “máquina de diálise”, cuja função é promover artificialmente a ultrafiltração que os rins já não conseguem mais realizar.
RIM NÉFRON Ureter Veia renal Artéria renal Córtex
Medula Pelve renal
Túbulo conforcial disfal Alça de Henle Cápsula de Bowman Glomérulo Túbulo contorcido proximal
Pelo aparelho passam o sangue do paciente e o líquido de diáli- se, separados por uma membrana semipermeável, o dialisador. É no dialisador que ocorrem as trocas de sangue para a solução de diáli- se e vice-versa.
Na década de 70, alguns pacientes submetidos a hemodiálise come- çaram a apresentar náuseas, vômitos, franqueza muscular e outros sin- tomas durante as sessões de diálise.
Este conjunto de sintomas foi chamado de “síndrome da água du- ra”, pois estava relacionado à presença de grandes quantidades de cál- cio e magnésio na solução de diálise.
A utilização de equipamentos denominados abrandadores, cuja função é remover o cálcio e o magnésio da água, fez com que os sin- tomas desaparecessem.
E agora, retomando e relacionando à presença de cálcio e mag- nésio, usaremos outro exemplo: o sabonete que não funciona direi- to com água salgada. Por mais que se esfregue, não adianta. A sujeira, que é composta em grande parte de gordura, só vai embora quando o sabonete é usado com água, sem sal. “Isto porque os sabões funcio- nam como uma ponte unindo as moléculas de gordura às de água, que leva tudo ralo abaixo”, explica o químico Atílio Vanin (1999). Na água salgada, existem substâncias como cálcio e magnésio que “bagunçam” tudo: elas reagem com o sabão impedindo que ele interaja com a gor- dura. Assim, a ponte não consegue se formar e a sujeira não sai de en- xurrada. Quanto mais sais, menor a eficiência da limpeza. Banho higi- ênico, mesmo, é o de chuveiro.