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Produksjon av motorer og turbiner, unntatt motorer til luftfartøyer og motorvogner 29.11.11.00 Forbrenningsmotorer med gnisttenning, utenbordsmotorer, til

Dos oito entrevistados apenas um deles está a receber o RSI. Todos os que estão isentos defendem que a burocracia, bem como a complexidade do processo e os seus requerimentos impossibilitam que a maior parte dos participantes tenham acesso a este subsídio. Por isso de destacar as dificuldades de acessibilidade. Nenhum se encontra em situação de sem-abrigo, mas uma pouca porção vive em condições miseráveis, numa casa abandonada, sem condições de higiene e saneamento básico, onde proliferam ratazanas.

Manuel Diogo refere que não tem subsídio de desemprego, nem rendimento social de inserção. Apenas conta com a solidariedade de voluntários da MAPS, que presta apoios na alimentação e vestuário, “não tenho subsídio de desemprego, não tenho nada, nem o RSI. Caso receba apoios económicos, nomeadamente o RSI pretende deixar de arrumar carros e voltar a viver com a sua mãe. Nas palavras do mesmo, “Nada. A única coisa que me está a ajudar é aqui uma...uma associação que é a MAPS é a única associação que me está a ajudar, de resto do estado disso não tenho ajudas nenhumas mesmo. A assistência social vem aqui diariamente, aqui há técnicos que andam, na rua mesmo, diários, vêm cá dar pequenos-almoços, veem se as pessoas precisam de roupa, se precisam disto, se precisam daquilo, não têm problemas nisso (...) Não devia nada, não devo nada a ninguém, que é o melhor que eu tenho. Tenho ali o meu quartinho, uma coisinha pobre, mas tenho. Não chove em cima que é o que interessa e agora vou ver, se vier…vou agora ao RSI, deixo ficar a direção ali na mesma, vou pá beira da minha mãe!".

António Pereira dedica-se a outras atividades além de arrumar carros. António é motorista, quando requisitado, é pintor também quando requisitado e vai ao mar, é mariscador. É um dos participantes que tem melhores condições de vida. António possui casa própria. Vive

70 na Travessia da Feira, em Olhão, “ não… (sic) …arrumo só carros vou à ria, às ameijoas, ao berbigão" (António Pereira).

João Negrão confessa que passa por dificuldades graves. Habita numa casa abandonada e sem condições de saneamento básico, sem cozinha e em risco de ruir. Confessa também que antes de se tornar arrumador de carros, costumava ir aos depósitos de lixo e comer os restos de comida que encontrava, chegou até mesmo a alimentar-se de ração para animais. João encontra- se atualmente a desesperar por ajuda, por uma casa humilde, suficiente para ele, o irmão António e para o seu cão de estimação, que acolheu e é a sua companhia. Contudo, o seu animal foi atropelado e João vive agora sozinho. Como é possível constatar por palavras suas, "mal como eu passo... Vivo numa casa velha e não tem condições não é? Nem casa de banho tem, nem tem cozinha, não tem nada, não posso fazer comida e pronto e tou (sic) ali obrigado, porque não tenho mais buraco nenhum pra me por e gostava que tivesse uma casinha nem se fosse uma casinha com duas divisões chegava e uma pra por o meu canito (sic) também. É uma casa velha, é uma casa daquelas…oh... aquilo é (sic) ratas até parece, até mete medo… Pois uns empurram pa (sic) uns, outros empurram pa (sic) outros, uns empurram pa (sic) uns, outros empurram pa (sic) outros e ninguém resolve nada. É a segurança social, é a camara, é a segurança social, é a camara, ui é assim, não há nada pa (sic) ninguém! (...) claro que tenho, ma não, não sei, eles é que têm de ver primeiro as condições (...) Eu sou um sem-abrigo, praticamente, aquela casa, aquilo chove-me em cima, e é assim...não tenho uma casa de banho pra fazer as necessidades, tenho de fazer dentro de um saco de plástico (...) tenho que...pa (sic) me lavar tenho de...meto um garrafão, cortar um garrafão, um bocado, um bocadinho pa (sic) me lavar, atão (sic) isso é o quê?! Pa fazer a barba esta manhã." (João Negrão).

António Negrão menciona a forma como as dificuldades que o desemprego e a falta de oportunidades de trabalho afetam o seu quotidiano. António confessa que não vai recorrer ao rendimento mínimo e outros apoios económicos, pois teme cair “em tentação” e voltar para o mundo das drogas, é uma forma de não voltar a consumir. António desespera por uma habitação para ele e para o irmão João. Menciona que não existe interesse, nem preocupação no geral. Menciona que já teve diversas entrevistas para adquirir o RSI, mas até hoje, sem sucesso. António não abdica de pequenos prazeres, como beber uma cerveja. A Santa Casa da Misericórdia de Faro, providencia as alimentações diárias de António. Todos os dias, quando sai do parque desloca-se até à baixa para tomar almoço.

71 "Ah e como eu tinha sempre o meu trabalho ia...mas agora tem uma coisa comigo que é eu não vou tratar do rendimento mínimo pra me dar aquela tentação (...) não, não recebo, não recebo, mas já me disseram pra eu lá ir...agora eles vão...meter grandes entraves que é: tem de ser duas testemunhas, tem que ser isto, tem que ser aquilo (...) "Mohhh! Sabes o que é que eu queria que tu fizesses? Achavas um quartinho pra gente (...) Tem de ser uma pessoa, ou uma instituição, que se interesse...epá…quer...quer quero ir tratar do RSI né? (sic) (...) tenho consultas ali com o RSI lá da...da…dos serviços prisionais, ao pé do papa. (...) Hmm…mas...ma…não me dá vontade, não me dá a mim aquela vontade muito pra ir, chego ali, aqui...às…dez horas, às vezes vou lá pra baixo, pó jardim, bebo uma cervejinha, tomo alguma coisinha, tou (sic) ali, vou almoçar, depois venho até aqui, daqui vou ao...ao alto rodes…bebo uma cervejinha, vou pra casa, amanhã é outro dia" (António Negrão).

Jorge Manuel menciona que já teve outros trabalhos e que depois ficou desempregado, encontra-se inscrito no centro de emprego, “já algum tempo”. Jorge Manuel recebe rendimento social de inserção, mas tal não o impede de arrumar carros, e continua com a sua atividade diariamente. Não menciona outras necessidades além de trabalho fixo, “Arranjei alguns trabalhos, só que depois huh…fiquei desempregado e tou (sic) inscrito no centro de emprego já algum tempo tenho lá a ficha de inscrição e a partir daí, não consegui arranjar mais trabalho e então dediquei-me a estacionar uns carros (...) tou (sic) nesta vida, pois vai-se arrumando uns carrinhos e vai-se ganhando, pelo menos pa (sic) se comer alguma coisa e pra comprar o tabaquinho" (Jorge Manuel).

Quintério de Jesus consegue auferir uma quantia fixa de vinte euros todos os dias, no parque do mercado municipal, o suficiente para a alimentação e para o seu dia-a-dia. Revela que sofre de diabetes tipo dois e que no Natal e esporadicamente os clientes habituais dão-lhe uma quantia elevada, como forma de reconhecido e solidariedade. Por palavras suas, "não tenho trabalho, não recebo nada da segurança social e pronto...e aqui faço vinte euros todos os dias, dá pra mim comer (...) sou uma pessoa doente, sou diabético" (Quintério de Jesus).